G20: Reforma do sistema financeiro mundial marca passo

Os ministros de Economia e Finanças do Grupo dos Vinte (G20) composto por 7 países ricos e 13 emergentes decidiram neste sábado, em Londres, manter os planos de estímulo para consolidar os indícios de recuperação da economia mundial e limitar as gratificações recebidas pelos diretores dos bancos.

A reunião, que serviu de preparação para a cimeira de chefes de Estado e de Governo do bloco, marcada para 24 e 25 de Setembro, em Pittsburgh (EUA), não gerou quaisquer consensos sobre a reforma do sistema financeiro mundial.

“Continuaremos a aplicar as medidas de apoio, incluindo as políticas monetárias e tributárias”, aprovadas na cimeira de Abril, em Londres, “até que possamos garantir a recuperação”, disse o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, no final dos trabalhos.

O ministro anunciou que a reforma do sistema financeiro “vai prosseguir”, para evitar que se repitam crises como a do ano passado e que o “sistema de gratificações” para os diretores bancários será revisto, no sentido de evitar que assumam riscos exagerados susceptíveis de comprometer a estabilidade dos mercados e de ameaçar o próprio sistema financeiro global.

Darling destacou que houve “progressos substanciais” desde que o G20 se reuniu no final de 2008 para enfrentar a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, e que “os mercados financeiros estão a estabilizar e a economia global está a melhorar”.

“Mas continuamos cautelosos sobre as perspectivas de crescimento e do emprego”, acrescentou Darling, na conferência de imprensa que encerrou o evento, no qual também participaram os presidentes dos bancos centrais.

No comunicado final, o G20 comprometeu-se a “trabalhar para combater a excessiva volatilidade dos preços das matérias-primas, melhorando a transparência dos mercados e promovendo o diálogo entre países produtores e países consumidores”.

Também houve acordo sobre a necessidade de manter os apoios às economias mais frágeis, com programas de gastos públicos e pacotes de estímulo fiscal, e de estabelecer um período de tempo mais amplo para exigir que combatam os défices públicos excessivos.

Quanto à maior influência reivindicada pelas nações emergentes na tomada de decisões em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), com Brasil, China e Índia à frente, os ministros remeteram a adopção de medidas concretas para reunião de Pittsburgh.

Em resposta aos desejos das nações emergentes, que representam 70% da população mundial, os ministros assumiram o compromisso de “combater todas as formas de protecionismo e a fechar um acordo equilibrado e ambicioso na Rodada de Doha”, no âmbito da OMC (Organização Mundial de Comércio).

O Conselho de Estabilidade Financeira, organismo internacional criado na cimeira de Abril, será encarregado de apresentar novas propostas e de supervisionar o seu cumprimento após a respectiva aprovação na próxima cimeira.

MRA Alliance/Agências

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