Fraudes terão delapidado BPN em 750 milhões de euros

O governador do Banco de Portugal revelou ontem, durante a audição parlamentar sobre o BPN, que actividades fraudulentas são responsáveis pela fatia de leão do ‘buraco’ financeiro de cerca de 2 mil milhões de euros que afecta o banco nacionalizado. Segundo Carlos Costa, as imparidades do Banco Português de Negócios (BPN) ascendem actualmente a 2.078 milhões de euros, das quais “grande parte, 750 milhões de euros, terão sido resultantes de presumíveis fraudes”.

Segundo o governador do Banco de Portugal, prejuízos de 330 milhões de euros foram provocados pelas difíceis condições em que se encontram as empresas do grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN), antiga dona do BPN, que se financiavam junto do banco.

O restante montante terá sido provocado pela deterioração do ambiente económico nos dois anos que se seguiram à nacionalização, marcados pela mais grave crise desde a Grande Depressão de 1929.

Em conformidade com as informações prestadas nas audições do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, do presidente da CGD, Faria de Oliveira, e do presidente do BPN, Francisco Bandeira, actualmente, o ‘buraco’ financeiro do BPN ultrapassa os dois mil milhões de euros.

Refira-se que o regulador recusou o plano apresentado pela administração do BPN, onde são definidos os termos em que se processará a reestruturação do banco. Por isso, a autoridade monetária ainda não deu aval ao aumento de capital para a recapitalização do banco, pedido pela administração, no valor de 500 milhões.

“O que estamos a pedir à administração é que aperfeiçoe o ‘business plan’ [plano de negócios] para que estejamos seguros de que a capitalização é a adequada”. A explicação, disse Carlos Costa, é simples: “O mercado português está saturado, a conjuntura não é a mais favorável, e é preciso ter segurança em relação aos números de crescimento do crédito e dos depósitos.”

MRA Alliance/DN

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