França: Greve geral é grito de alarme contra a crise

Os caminhos-de-ferro, as linhas aéreas e o ensino foram alguns dos sectores hoje atingidos por uma greve geral decretada pelas oito principais organizações sindicais francesas, numa autêntica “mobilização antisarkozista, tanto económica como social”, refere o jornal “Libération”. “Os assalariados, os que pedem emprego e os reformados são as principais vítimas desta crise”, diz a convocatória da greve, que fez cancelar muitos comboios e um terço dos voos que tinham início num dos aeroportos de Paris, o de Orly.

Centenas de milhares de trabalhadores deverão participar ao longo do dia em comícios convocados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e pelas demais entidades organizadoras deste movimento, de modo a pedir mais medidas governamentais de protecção aos empregos e aos salários.

Três quartos da população dizem apoiar aquilo a que a imprensa gaulesa chama “a quinta-feira negra”, considerada verdadeiro grito de alarme para uma crise que ameaça a coesão social.

Escolas, bancos, hospitais, estações de correio e tribunais estão a sentir os efeitos da greve, apesar de no Verão passado o Presidente Nicolas Sarkozy se ter vangloriado de que, hoje em dia, quando há uma greve na França, ninguém dá por ela, porque poucos estariam dispostos a acatar os avisos feitos pelos sindicatos, comentou a correspondente da BBC em Paris, Emma-Jane Kirby.

Muita gente no país está furiosa porque os bancos receberam milhares de milhões de euros para se aguentarem, enquanto indústrias e actividades comerciais em dificuldades devido à crise receberam muito menos apoio. Mas ainda no início da semana o ministro do Orçamento e da Função Pública, Eric Woerth, observava que “há outras formas de as pessoas se fazerem ouvir, sem necessidade de ir para a greve”.

Fonte: Público

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