Financiamento árabe testa estratégia independente do Barclays

A venda de 32% do capital do banco britânico Barclays a investidores árabes, para impedir a intervenção do governo na gestão, é um teste à sua estratégia de independência face ao Estado e ao Governo do Reino Unido. O negócio, avaliado em mais de EUR 9 mil milhões/bilhões (mm/bi), dá a investidores e fundos soberanos do Qatar e Abu Dhabi um poder até agora pouco habitual na banca britânica. Os juros são considerados exorbitantes pelos restantes accionistas

O xeique Mansour ben Zayed Al Nahyan, membro da família real do Abu Dhabi, assume uma posição de 16,3%, equivalente a um investimento global de 5 mm/bi de libras, e tornou-se o maior accionista individual da instituição. O fundo soberano de Qatar, passou a ser o segundo accionista de referência, com 12,7%, correspondentes a 3,5 mm/bi de libras de investimento. O fundo Challenger, do Qatar, controlado pela família do primeiro-ministro, xeique Hamad ben Jassem ben Jabr Al-Thani, investiu 300 millhões de libras para assumir o controlo de 2,8% do capital do Barclays. Em conjunto os investidores árabes passam a deter uma posição de 31,8%.

Os 3 mm/bi de libras para recapitalização pagarão uma taxa de juro de 14% enquanto os 4,3 mm/bi de libras em títulos convertíveis serão remunerados à taxa de 9,5%.

“Foi pedido aos accionistas que pagassem um preço muito elevado para permitir ao banco livrar-se do controlo estatal”, disse um grande investidor citado pelo diário Financial Times. “O desafio para [John] Varley – escreveu o jornal – está em provar que o Barclays obterá benefícios mais tangíveis em ter como maiores investidores governos do Médio Oriente e lugar do estado britânico.”

A estratégia de recapitalização encetada pelo presidente do conselho de administração do banco, John Varley, está a ser vista como “o último de uma série de testes” desde a eclosão da crise bancária global. A saúde financeira do Barclays tem sido questionada e as acções foram penalizadas, nos últimos 12 meses, com uma desvalorização superior a 62%.

Os rumores incidem sobretudo no alto grau de exposição aos mesmos instrumentos derivativos de crédito que levaram à falência do banco norte-americano Lehman BrothersCredit Default Swaps (CDS) – e na recusa em reavaliar os activos de alto risco a preços actuais do mercado, conferindo maior transparência ao balanço.

“Nas várias fases [do processo] os accionistas enviaram uma mensagem clara ao Sr. Varley. Se ele errar vão exigir a sua cabeça”, precisou o Financial Times. MRA Dep. Data Mining

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