Existe risco de desagregação da Zona Euro, diz Ferreira do Amaral

O economista Ferreira do Amaral criticou hoje a actuação das instituições europeias, acusando-as de reagir tarde à crise e defendeu que o endividamento externo de alguns Estados-membros coloca em risco a continuação do actual grupo de países que integra a Zona Euro.”Durante um ano [a partir de meados de 2007], as instituições europeias não fizeram nada a não ser injecção de liquidez”, disse João Ferreira do Amaral, na conferência “Crise, Justiça Social e Finanças Públicas”.

A Comissão Europeia “subavaliou o cenário de recessão”, apesar dos sinais que existiam; o Banco Central Europeu (BCE) aumentou a taxa de juro no início de 2008, quando havia sinais claros de desaceleração; e os membros do Conselho Europeu estiveram um ano a “olhar uns para os outros, a dizer que a Europa não tinha os problemas dos EUA”, referiu o professor do ISEG.

“Há um risco de desagregação da Zona Euro, se as economias se virem em dificuldades de obter financiamento externo”, acrescentou Ferreira do Amaral, já que em moeda única os países não conseguem fazer desvalorizações cambiais competitivas. Para o fazerem têm que sair do euro.

Ao longo da conferência em que se discutiu a actual crise financeira e económica e algumas das soluções para a ultrapassar,  a economista Teodora Cardoso considerou “um risco sério” os países exportadores, designadamente da Ásia e a Alemanha, só estarem preocupados em pôr os americanos a consumir mais. Tal solução estará sempre comprometida, a médio e longo prazo, devido ao elevado endividamento externo dos EUA, frisou a economista.

Para Teodora Cardoso, seria preferível que países como a China e a Alemanha adoptassem políticas de expansão da procura interna, ajudando desta forma à recuperação económica, sem agravarem ainda mais o défice externo dos EUA.

MRA Alliance/Agências

Leave a Reply