EUA: Prejuízos com dinheiro de plástico são a próxima ameaça para os bancos

Os 19 maiores bancos dos Estados Unidos poderão acumular prejuízos superiores a USD 82 mil milhões/bilhões (mm/bi), até ao final de 2010, caso se confirme o pior cenário económico possível traçado pelos analistas da Reserva Federal (Fed), encarregados de avaliar os resultados dos testes de resistência (stress tests) da banca, publicados na passada quinta-feira. O endividamento médio das famílias norte-americanas através de cartões de crédito ascende a USD 8.400 por agregado familiar, segundo o site Economy.com, citado pelo jornal New York Times.

Segundo o diário novaiorquino, as previsões relativamente a incidentes de crédito naquele segmento poderão ser fácilmente ultrapassados desde que a taxa de desemprego ultrapasse os 10%. Nos próximos 20 meses, os bancos Citigroup, JP Morgan Chase e American Express correm o risco de um em cada cinco dos clientes com cartões de crédito não conseguir pagar as prestações. No caso do Bank of America e do Wells Fargo o risco é de um em cada quatro. 

A empresa de consultoria financeira Oliver Wyman estima que os prejuízos com dinheiro de plástico, para os bancos sujeitos ao teste, poderão ultrapassar USD 141 mm/bi, em 2010. O risco para a totalidade do sector bancário norte-americano pode atingir USD 180 mm/bi.

O critério adoptado pelos reguladores esconde grande parte dos prejuízos potenciais ao permitir a utilização de esquemas contabilísticos de rigor e seriedade questionáveis.  

De acordo com o diário novaiorquino, em 2008, os bancos amortizaram apenas 5,5% dos incumprimentos relacionados com créditos concedidos através de cartões electrónicos quando a taxa de desemprego oficial já era de 5,8%. No final do ano passado, a taxa de amortizações chegou aos 6,3%. Os especialistas admitem a possibilidade de a taxa de incumprimento das mensalidades dos cartões poder ultrapassar a taxa de desemprego devido à letal combinação entre crise imobiliária, recessão económica e quebra de confiança dos consumidores.

Históricamente, 2009 deverá ser o pior ano para este segmento do crédito bancário, não apenas pelas sombrias perspectivas económicas mas pela adopção de legislação contra práticas predatórias e usura, para conter a revolta dos consumidores e eleitores.

As empresas estão a ter crescentes dificuldades em controlar incumprimentos. Por seu turno, os consumidores estão a fugir deste meio de financiamento caro, estimulador de gastos irracionais e descontrolados e destruidor da capacidade de aforro.

MRA Alliance/NYT/pvc

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