Estado poderá perder 800 milhões com falência do BPP

O Governo deu o aval ao Banco Privado Português (BPP), mas as garantias apresentadas pela instituição não terão actualmente qualquer valor, noticia hoje o Correio da Manhã (CM), citando fonte próxima do processo. “Se a instituição falir, o Estado arrisca-se a perder perto de 800 milhões de euros”, sublinha o diário lisboeta.

Na prática, em caso de insolvência, o Governo terá de assumir os 450 milhões de euros emprestados pelo BCP, BES, CGD, BPI, Totta e Crédito Agrícola, em Dezembro e ficará na lista de credores, atrás dos bancos Citigroup, Fortis, ABN Amro e HSBC. Segundo o ‘Diário Económico’, citado pelo CM, aquelas instituições são credoras com garantias reais das dívidas, que totalizam os 261 milhões de euros.

Segundo o CM, esta semana termina o prazo para o pagamento pelo BPP de uma tranche do empréstimo concedido pelo Citibank no montante de 150 milhões de euros.

Ao valor do aval do Estado português somam-se ainda cerca de 350 milhões de euros em depósitos à ordem e a prazo que o Estado é obrigado a garantir. Feitas as contas, cada português terá de contribuir com 80 euros para tapar o buraco financeiro da instituição anteriormente liderada por João Rendeiro. De fora destas contas ficam os produtos de retorno absoluto, que absorvem mais de 1,2 mil milhões de euros de clientes do banco.

Ontem, a administração do banco, presidida por Adão da Fonseca, reuniu com três representantes do Movimento Retorno Absoluto. Sem avançar pormenores, Durval Padrão, porta-voz do grupo, disse que a proposta do conselho de administração passa por ‘garantir o capital e os juros’ prometidos aos clientes neste tipo de aplicações. ‘Os clientes não vão ficar defraudados’, assegurou o representante do movimento.

Segundo o CM, o dinheiro deverá ser devolvido aos clientes, na totalidade, num prazo de quatro anos, em vez dos dez anos propostos pelo BPP no plano entregue por Adão da Fonseca ao Banco de Portugal.

A posição da CMVM, que tem apoiado a defesa dos clientes, terá tido influência no encurtamento do prazo de reembolso. O Movimento Retorno Absoluto junta cerca de 450 clientes, com aplicações financeiras que se situam entre os 300 a 400 milhões de euros.

Entretanto, o Banco de Portugal entregou ontem ao ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o plano que determina o futuro do BPP. O parecer foi elaborado com a ajuda da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O Governo tem agora cinco dias úteis, a partir de ontem, para tomar a decisão final: salvar o BPP ou deixá-lo ir à falência.

MRA Alliance/Correio da Manhã

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