Dominó financeiro: Lehman, Merrill, AIG, WaMu e…

“Num dos dias mais dramáticos na história de Wall Street, Merrill Lynch esteve próximo de um acordo para ultrapassar a crise, enquanto o [banco] Lehman Brothers caminha para a falência.” Foi nestes termos que o New York Times abriu o comentário, esta madrugada, sobre as frenéticas negociações que nos últimos dias envolveram políticos, banqueiros e reguladores nos salões do poder financeiro norte-americano. Paulatinamente, a realidade que temos vindo a retratar desde há um ano começa agora a saltar para as manchetes da media global. Segundo o NYT são estas as cenas do próximo capítulo da crise sistémica que afecta o sector financeiro da economia global:

– O conglomerado financeiro Lehman Brothers Holdings vai pedir a protecção de credores nas próximas horas. Será a maior insolvência de um banco de investimento desde 1990 – ano do colapso do banco Drexel Burnham Lambert; As subsidiárias continuarão a operar enquanto a casa-mãe liquida as suas participações; Um consórcio de bancos financiará as operações necessárias para o gradual desaparecimento da instituição fundada há 158 anos; O regulador Federal Reserve concordou aceitar “activos de baixa qualidade” como garantia de empréstimos governamentais. “Não se sabe se o governo vai nomear um administrador para supervisionar a falência, nem qual a dimensão financeira do colapso”, refere o diário novaiorquino.

– O banco de investimento Merrill Lynch está em negociações avançadas para ser adquirido pelo Bank of America por USD 50,3 mil milhões/bilhões (mm/bi); O Merrill não dispõe de recursos próprios para liquidar as dívidas, conforme prevíramos no passado dia 10; Nos últimos 12 meses o seu valor bolsista encolheu 68% e os prejuízos estimados até ao final do ano prometem ser dramáticos.

– A seguradora AIG/American International Group junta-se à equipa dos aflitos e prepara uma gigantesca reestruturação para se salvar da anunciada insolvência; A mega empresa perdeu 79% do valor nos últimos 12 meses e também se encontra à beira do colapso;

Estes três casos são a notícia do dia. De acordo com as nossas pesquisas, para além das dezenas de PME’s financeiras americanas que estão em situação idêntica, ou pior, outros nomes sonantes estão na calha. Se tiverem sorte, o caminho será idêntico ao seguido pelo Merrill Lynch – uma fusão com alguém mais saudável e com um músculo financeiro mais adequado ao momento. A exposição aos derivativos de crédito chega a ultrapassar sete (7) vezes o capital social. A última notação de risco, que será revista este mês, oscilava entre o moderado (C+) e o fraco (D+), leia-se entre o mau e o muito mau.

Bancos

Rating Risco a Derivativos Activos Totais/mm/bi

CITYBANK

C- 279% USD 1290

WACHOVIA

C+ 78% USD 665

HSCB USA

D+ 721% USD 185

O Washington Mutual Bank (WaMu BANK), a maior caixa económica (Saving & Loan Association) dos EUA está igualmente prestes a atirar a toalha ao tapete. O elevado risco de insolvência do WaMu também assenta em garantias hipotecárias de alto risco, superiores a USD 180 mm/bi. Os prejuízos estimados para 2008 oscilam entre os USD 9-14 mm/bi. A situação é má. Infelizmente, ainda está longe do fim.

 

MRA Dep. Data Mining

 

Pedro Varanda de Castro, Consultor

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