Divídas dos bancos americanos começam a afectar negativamente a economia real; contágio ameaça bancos europeus

Colapso financeiroA obrigatoriedade dos gigantes da banca americana terem de contabilizar nos balanços as amortizações das dívidas em incumprimento, após o colapso do mercado interbancário, começou a minar o crescimento económico, ao limitar a sua capacidade de endividamento para a concessão de novos empréstimos, segundo uma análise hoje publicada na edição online do diário económico londrino Financial Times.

O jornal acrescenta que o stresse financeiro da banca se agravou após a evaporação do mercado, no preciso momento em que foi inundado de papel comercial e de empréstimos de alto risco, que os investidores recusaram negociar. Desde o princípio de Agosto que aquele volume de dívidas atingiu os 280 mm/bi de dólares, informou o economista da Merril Lynch, David Rosenberg. Ele precisou que os activos líquidos dos bancos depositados no Fed, encolheram 40 mm/bi no mesmo período.

ligados para o bom e para o mau“Isto nunca acontecera antes, nem tão subitamente. O caso é bastante sério. Este repentino estrangulamento dos recursos dos bancos deteriora potencialmente o clima de crédito. (…) Se o problema não for resolvido, pode afectar seriamente o crescimento” da economia, acrescentou Rosenberg.

O diário londrino adianta que problemas idênticos estão a afectar bancos europeus. “Muitos observadores manifestam-se apreensivos relativamente à capacidade de alguns bancos mais pequenos conseguirem lidar com estas tensões nas contas”, destaca o FT sublinhando que este foi um dos motivos que levou a Reserva Federal dos Estados Unidos a encorajar os bancos a criarem um “superfundo” que assuma, no curto prazo, os depreciados activos, actualmente invendáveis num mercado transido de medo.

Citibank - índice de pânicoO Citigroup, o maior banco americano, é aquele que enfrenta a situação mais crítica. Sob a sua gestão está um volume de papel comercial no montante de 80 mm/bi de dólares afecto aos Veículos Estruturados de Investimentos (SIV’s, em inglês) que se viu forçado a amortizar por sua conta e risco. O elevado volume afectou os respectivos rácios de solvabilidade. Por este motivo o Citi, anunciou ontem a suspensão das operações de recompra por ter esgotado os plafonds legalmente fixados. A agência de rating Moody’s, noticiou que os SIV’s patrocinados pelo Citi registaram, em Julho, uma quebra de activos de 395 mm/bi para 320 mm/bi de dólares.

” Os grandes bancos foram obrigados a contabilizar nos balanços activos em papel comercial com que não contavam. Isto amarra-os às limitação legais de capital para operações activas o que, por seu turno, os inibe de conceder empréstimos”, explicou Rosenberg.

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