Crise sistémica: Subida das taxas interbancárias levam bancos centrais a novas medidas críticas

As taxas de crédito interbancário atingiram ontem novos recordes, levando os bancos centrais a anunciar mais injecções de dinheiro nos mercados monetários, a par de facilidades de acesso ao crédito pelas instituições bancárias. Segundo a Associação Britânica de Banqueiros, a taxa crédito interbancário Libor a 3 meses atingiu um máximo histórico em euros (5,33%). Em dólares, subiu para o valor mais alto desde Janeiro deste ano. A agência Bloomberg noticiou que o spread Libor-OIS – medida de escassez de crédito entre instituições bancárias – também registou um valor recorde. As taxas entre bancos, em Hong Kong e no Japão, subiram para o máximo de há 9 meses. Para evitar a secagem dos mercados, alguns dos principais bancos centrais anunciaram novas injecções de liquidez. O BCE/ Banco Central Europeu anunciou o leilão de USD 50 mil milhões/bilhões (mm/bi) no sistema bancário da Zona Euro, alargando também o conjunto de instituições participantes. Na Inglaterra, o banco central vai flexibilizar os critérios de aceitação de garantias para crédito a três meses, numa tentativa de facilitar aos bancos o acesso a empréstimos. Ofereceu ainda USD 30 mm/bi em fundos a uma semana e USD 10 mm/bi em empréstimos “overnight”. Mervyn King, governador do Bank of England, afirmou: “Nestas condições de mercado extraordinárias, o Banco de Inglaterra vai tomar todas as medidas necessárias para garantir que o sistema bancário tenha suficiente acesso a liquidez.” Na 13ª intervenção consecutiva em dias úteis, o Banco do Japão comunicou que vai aplicar USD 7,6 mm/bi no sistema bancário do país, enquanto o Banco da Austrália disponibilizou USD 1,2 mm/bi. Greg Gibbs, director de estratégia para os mercados monetários do banco ABN Amro, em Sidney, considerou que “os problemas do sector financeiro estão a avolumar-se como uma bola-de-neve e a ganhar um ímpeto que será difícil deter“. Joshua Williamson, da TDSecurities, disse que o mercado interbancário está “emperrado” pois os bancos continuam a acumular liquidez e não emprestam dinheiro entre si. “As pressões sobre o financiamento deverão continuar elevadas. A manter-se esta situação, aumenta a probabilidade de os bancos repassarem os custos aos clientes”, disse. O Congresso dos Estados Unidos aprovou ontem por 263 votos a favor e 171 votos contra, a versão reformulada do plano de saneamento do sistema financeiro, avaliado em 700 mil milhões de dólares, conhecido como Plano Paulson. Ontem, após a aprovação, o presidente dos EUA disse que os norte-americanos não devem esperar resultados imediatos. Bush já promulgou a nova legislação. O autor do projecto legislativo inicial e secretário das Finanças, Henry Paulson, prometeu que irá tentar pô-lo em práctica o mais rapidamente possível. MRA Dep. Data Mining

Leave a Reply