Crise financeira e futuro do dólar na agenda da cimeira BRIC

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China informou que os líderes do Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) vão discutir hoje as medidas de combate à crise financeira durante a cimeira do bloco que se realiza em Yekaterinburgo, na Rússia. Wu Hailong, director de assuntos internacionais da chancelaria chinesa, durante uma conferência de imprensa em Pequim, revelou que os presidentes dos quatro países também deverão debater a reforma do sistema financeiro internacional.

A criação de um sistema de moeda única, sugerida por alguns países, é baseada na garantia da segurança das reservas monetárias, na estabilização do sistema financeiro internacional e na promoção da economia mundial. A China pretende aperfeiçoar o sistema monetário internacional, implementar um mecanismo de controlo da emissão de moeda e manter estável a taxa cambial das principais divisas mundiais bem como diversificar as moedas internacionais.

Num artigo publicado hoje pelo jornal espanhol El País, o Presidente Lula da Silva diz que a primeira cimeira oficial dos BRIC marca o início da maioridade do grupo de economias emergentes fazendo observações e perguntas incómodas. “Vamos selar o compromisso de ajudar a oferecer respostas novas para velhos problemas e uma liderança audaz frente à inércia e à indecisão”, escreveu Lula. “Temos diante de nós ameaças que nos afetam a todos, mas para as quais alguns contribuíram enormemente, enquanto outros não são mais do que vítimas impotentes”, prosseguiu. 

“Os países ricos – pergunta Lula – estão dispostos a aceitar uma supervisão e controle supranacionais do sistema financeiro internacional a fim de evitar o risco de outra crise económica mundial?” (…) “Estão dispostos a renunciar ao seu controlo sobre as decisões do Banco Mundial e do FMI?” (…) “Estarão de acordo em cobrir os custos da adaptação tecnológica necessária para que as pessoas dos países em vias de desenvolvimento também se beneficiem do progresso científico sem causar danos ao meio ambiente mundial?” (…) “Eliminarão os subsídios que tornam a agricultura moderna inviável em muitos países em vias de desenvolvimento e deixam os camponeses pobres à mercê dos especuladores de matérias primas e doadores generosos?”

“Essas são as perguntas para as quais os países do BRIC querem resposta”, afirma Lula no artigo publicado pelo El País.

MRA Alliance/Agências

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