Crise financeira: Antigos líderes europeus atacam neoliberalismo e exigem soluções de emergência

Catorze antigos altos responsáveis europeus, incluindo ex-primeiros-ministros ou ministros da Economia, criticam a presente “loucura financeira”, apelando à criação de uma comisão europeia que estude soluções para a crise, formas de combate às turbulências financeiras e de contenção dos riscos na UE. Num texto publicado hoje no jornal francês ‘Le Monde’, intitulado “A loucura financeira não nos pode governar”, os antigos dirigentes afirmam que “é tempo de criar uma comissão de crise que agrupe representantes políticos de alto nível, antigos chefes de Estado e de Governo ou ministros das Finanças, assim como economistas de renome e peritos financeiros”. Entre os mais destacados encontram-se ex-presidentes da Comissão Europeia, Jacques Delors e Jacques Santer, o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt, antigos primeiros-ministros franceses, Michel Rocard e Lionel Jospin, e o antigo primeiro-ministro dinamarquês Poul Rasmussen. Em sua opinião, o grupo deveria fazer “uma análise pormenorizada da crise financeira, identificar os riscos para a economia real, em particular na Europa e propor uma série de medidas ao Conselho da União Europeia”. A actual crise financeira “mostra o fracasso dos mercados pouco ou mal regulados , mais uma vez, que estes não são capazes de auto-regulação”, sublinham os autores. “Os mercados financeiros são cada vez mais opacos”, acrescentam. Por outro lado, denunciam os “produtos financeiros extremamente complexos, regimes de prémios inadequados, empréstimos hipotecários duvidosos”, considerando ser um “imperativo melhorar o controlo e o quadro regulamentar dos bancos”. De acordo com o texto, a crise evidencia “as preocupantes desigualdades de rendimentos”. “O mundo das finanças acumulou uma fictícia massa gigantesca de capital que não melhora a condição humana nem o meio ambiente”. Enfatizando tratar-se de uma questão ética e moral, os ex-líderes europeus dizem que a proposta visa “repensar as regras da finança internacional e trabalhar para um futuro melhor para todos os europeus.” MRA/Agências

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