Crescimento mundial vai cair ameaçando eclosão de nova crise bancária

O Banco Mundial anunciou hoje que o PIB – Produto Interno Bruto – mundial deve recuar 3% em 2009, devido às “cada vez mais sombrias perspectivas para as economias em desenvolvimento”. O banco indicou ainda que o crescimento deve voltar no decorrer do ano 2010, mas que o “ritmo da retomada é incerto”.

A forte revisão em baixa coincide com a cimeira do G8, grupo dos sete países mais ricos e a Rússia, programada para começar amanhã e terminar no sábado, em Itália.

A previsão anterior, publicada em Março, era de uma quebra de 1,75% do PIB mundial. “A economia mundial deve recuar este ano mais do que o previsto anteriormente, e os países pobres vão continuar sendo duramente atingidos pelas múltiplas ondas de tensões económicas”, referiu o presidente da instituição, Robert Zoellick, num comunicado hoje distribuído em Washington.

Esta visão pessimista estende-se aos países emergentes “a menos que a tendência de suas exportações, dos envios de remessas de seus emigrantes e dos investimentos estrangeiros se inverta até o fim de 2010”, sublinhou.

Uma fonte citada pela agência Reuters disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a previsão de crescimento para a economia global, em 2010, para 2,4%, acima dos 1,9% estimados em Abril, devido aos estímulos económicos e financeiros injectados por diversos países nos últimos meses, nas respectivas economias.

A informação consta de uma nota do FMI para a reunião do G8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia). A expectativa do Fundo, segundo a fonte da Reuters, é de que a recuperação da economia global seja gradual.

As perspectivas sombrias para a Europa são partilhadas pelo Banco Central Europeu (BCE). A recessão na euro-zona é “longa e profunda” e a retoma só ocorrerá daqui a 12 meses, pronosticou hoje o BCE ao mesmo tempo que não exclui a possibilidade de uma nova crise bancária se o crescimento económico regressar mais tarde.

“Após uma fase de estabilização no decorrer deste ano, só são de esperar taxas de crescimento positivas, em comparação homóloga dos trimestres, em meados do próximo ano”, afirma-se no relatório mensal do BCE, publicado em Frankfurt (Alemanha).

O prognóstico refere-se também aos efeitos nocivos da recessão na zona euro, especialmente no que se refere ao mercado de trabalho, confirmando assim recentes declarações do presidente do BCE, jean-Claude Trichet.

O banco central recomenda que as ajudas públicas ao “lay-off” ou ao trabalho parcial “devem ser provisórias e limitadas na sua dimensão” para evitar a sobrecarga das contas públicas.

O mercado de trabalho, no entender do BCE, sofrerá os efeitos retardados da recessão, “porque em média dura seis meses até a má conjuntura se reflectir no emprego”, diz-se ainda no relatório do BCE.

MRA Alliance/Agências

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