CPLP: Líderes lusófonos querem globalizar a língua portuguesa

O primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje, no final da 7.ª cimeira da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, que vai convocar uma reunião de ministros dos oito países da CPLP para um entendimento sobre a data da entrada em vigor do acordo ortográfico. “Agora é connosco, agora somos nós que temos o dever de liderar a CPLP, que constitui a prioridade das prioridades da política externa portuguesa”, afirmou Sócrates, no final dos trabalhos, que decorreram no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Portugal definiu como ponto central da sua presidência o reforço e promoção da língua portuguesa, um tema que, segundo o Presidente Cavaco Silva, reúne o consenso de todos os membros: “Esta cimeira ficará como marco da afirmação do português na cena internacional”. No início da reunião, o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad, anunciou que o seu país projecta para 2011-2012 a entrada em vigor do acordo ortográfico. Há cerca de 240 milhões de falantes de português no mundo. Segundo projecções baseadas na evolução demográfica dos oito países que têm o português como língua oficial, o número de falantes pode totalizar 335 milhões em 2050. Portugal e o Brasil, no último ano, têm enfatizado a necessidade de “globalizar” o português, através de políticas mais agressivas que o tornem idioma oficial em organizações multilaterais e aproveitem a Internet para a sua disseminação. A criação de uma rede de escolas e bibliotecas, bem como de uma WebTV, gerida em conjunto pelos oito membros da Comunidade, são alguns dos objectivos previstos no programa da presidência portuguesa. Os países membros concordaram com outras três prioridades apresentadas por Portugal: cidadania lusófona, concertação político-diplomática nos fóruns internacionais e a aumento da cooperação nos sectores da educação, cultura, energia e segurança alimentar. A Guiné Equatorial, actual observador da CPLP, propôs-se hoje ser admitido como Estado-membro, assumindo a responsabilidade de adoptar o português como língua oficial. O Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, não se opõe por a ex-colónia espanhola ter sido inicialmente colonizada por Portugal. As Ilhas Maurícias e o Senegal têm o estatuto de observadores. Marrocos apresentou a sua candidatura. A proposta está em fase de análise. No final do seu mandato, em 2010, Portugal passará o testemunho da presidência a Angola. MRA/Agências

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