Costa do Marfim perto da guerra civil

A situação na Costa do Marfim está cada vez mais instável desde as eleições de 28 de Novembro. O Presidente derrotado, Laurent Gbagbo, continua a recusar abanadonar o cargo e inaugurou, esta semana, um rol de ameaças à comunidade internacional, que exige o reconhecimento do candidato da oposição, Alassane Ouattara, como o novo Presidente.

No início deste mês, antes da segunda volta que deu a vitória a Ouattara, o analista do “AllAfrica”, Charles Onunaiju, referia-se à ida às urnas como “o último bálsamo curativo para um país há muito fracturado”. Mas depois de várias semanas de manifestações – que, segundo as Nações Unidas, já levaram à morte de 173 opositores – os analistas são cada vez mais unânimes: já não há bálsamo capaz de impedir que a Costa do Marfim mergulhe numa nova guerra civil.

Desde a assinatura de um cessar-fogo com as forças rebeldes no país, em 2003, o país criou um currículo invejável no continente. As forças rebeldes foram lentamente introduzidas no sistema político marfinense, com o chefe de uma das guerrilhas, Guillaume Soro, a assumir o cargo de primeiro-ministro num governo de coligação em 2007. O cacau potenciou o desenvolvimento económico do país, que é hoje o maior produtor e exportador mundial do ingrediente. Mas as conquistas recentes estão a começar a desmoronar.

A ONU continua atenta ao desenrolar dos acontecimentos. Apesar das ameaças do presidente aos os capacetes azuis que não abanadonarem o país, a organização já anunciou que vai enviar mais tropas a juntar às dez mil já em missão de paz no país.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU teve ontem uma reunião de emergência, onde, para além dos 173 mortos confirmados, falou em, pelo menos, 90 casos de tortura provados, só nesta última semana. “Infelizmente tem sido impossível investigar todas as alegações de violações dos direitos humanos, incluindo rumores de valas comuns, devido às restrições de movimento impostas ao pessoal da ONU”, disse na reunião Betty E. King, embaixadora norte-americana no Conselho.

Os EUA, bem como a UE, já impuseram sanções à Costa do Marfim, que impedem Gbagbo, a sua família e apoiantes de viajar para os países. Os analistas, contudo, dizem que será preciso mais do que sanções para acabar com a crise política marfinense.

MRA Alliance/ionline

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