Cimeira UE-Rússia: Muita parra e pouca uva…

Uma semana antes da cimeira União Europeia-Rússia, a União Europeia (UE)manifestou-se preocupada com a resposta de Moscovo ao escudo antimísseis americano e relevou a necessidade de reatar as negociações sobre a parceria estratégica, para a protecção dos bilionários negócios com o petróleo e gás natural da Rússia.

A UE quer negociar um novo acordo de parceria para conciliar os interesses recíprocos – relações económicas e segurança energética – com as divergências estratégicas nas áreas da defesa, segurança militar e política externa. A decisão de relançar as relações entre Bruxelas e Moscovo carece do aval dos 27 países-membros.

Em Bruxelas, a declaração do presidente russo sobre a instalação de mísseis no enclave de Kalininegrado foi interpretada como um passo político que “não contribui para estabelecer um clima de confiança e a melhoria da segurança na Europa”, de acordo com um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, país que preside aos destinos do bloco europeu, até Dezembro.

O anúncio de Medvedev foi o contra-ataque de Moscovo ao escudo antimísseis que os EUA decidiram instalar na Polónia e na República Checa, e surgiu uma semana antes da cimeira UE-Rússia. Em 14 de Novembro, na estância balenear francesa de Nice, os dois lados tentarão retomar as negociações sobre o reforço de uma parceria estratégica, suspensas após a guerra Rússia-Geórgia.

Os estados membros da UE, Lituânia e Polónia acusam Moscovo de não respeitar os compromissos do acordo de cessar-fogo entre a Rússia e Geórgia, ao ter mantido importantes forças militares nas regiões separatistas da Abcásia e da Ossétia do Sul, agora declaradas unilateralmente independentes.

O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, também criticou o anúncio de Medvedev. “É um mau sinal num mau momento”, disse numa entrevista ao diário germânico FAZ – Frankfurter Allgemeine Zeitung. Sempre cauteloso quando o tema são as relações com Moscovo o ministro germânico desejou que a Rússia não dê “origem a um novo mal-entendido”.

No entanto, a avaliar pela opinião dos especialistas militares, tecnicamente, a jogada russa será mais para consumo interno do que para combater eficazmente o escudo norte-americano a partir de Kalininegrado. “Acho que não é possível por causa dos limites da zona de cobertura”, disse Doug Richardson, director da revista Jane’s Missiles & Rockets, citado pela agência France Press. “Os russos – precisou – estão bem dotados no que diz respeito à tecnologia de enganar o radar, mas as simples leis da física tornam impossível um engano àquela distância [pelo efeito horizonte de radar reduzido pela curvatura da Terra]”.

No plano dos negócios as relações EUA-Rússia fazem orelhas moucas às picardias militares e diplomáticas. Medvedev estava sorridente e bem-disposto durante a inauguração de uma nova fábrica da General Motors, perto de São Petersburgo, 48 horas depois de ter criticado o egoísmo das políticas estadunidenses. A seu lado, também sorridente, o embaixador dos EUA em Moscovo, John Beyrle, sinalizou a boa saúde das relações bilaterais.

MRA Dep. Data/Agências

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