Cimeira climática termina com acordo pífio

O acordo sobre alterações climáticas entre a comunidade internacional, anunciado hoje em Copenhaga, não é vinculativo e frustrou seriamente as ambições da ONU, dos líderes dos principais países do G7 e dos banqueiros internacionais que apostavam na criação do primeiro imposto global sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2).

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi a Copenhaga com objectivos ambiciosos, mas o desejado acordo esbarrou na recusa do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao de permitir que a China seja monitorizada internacionalmente.

No entanto, numa segunda reunião entre Obama e os líderes dos quatro principais países emergentes (Brasil, África do Sul, Índia e China), responsáveis por 40% das emissões mundiais de CO2 e considerados chave para um sucesso em Copenhaga, foi alcançado um acordo mínimo.

As partes acordaram que, até ao final de 2010, tem de estar preparado um tratado sobre o clima. O acordo de princípio prevê um objectivo global de reduzir em 50% as emissões de gases de efeito de estufa até 2050, 80% para os países industrializados. O aumento das temperaturas médias deve também estar limitado a 2º centígrados, em relação à era pré-industrial, com uma revisão para valores inferiores, em 2016. Neste acordo, as metas para 2020 não foram abordadas. Segundo os diplomatas, esses marcos serão discutidos em Janeiro do próximo ano.

O presidente dos EUA assumiu as limitações das negociações na capital dinamarquesa, mas realçou que elas devem ser ponto de partida para que o mundo avance para um compromisso mais ambicioso.

Obama admitiu que as decisões saídas de Copenhaga não serão legalmente vinculativas, mas prometeu que os EUA vão cumprir com as metas a que se haviam proposto, independentemente de terem consideradas insuficientes pelas organizações ambientalistas.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy considerou que o acordo alcançado na capital dinamarquesa inclui toda a comunidade internacional. O chefe de Estado gaulês salientou que todos os países, incluindo a China, irão entregar por escrito os cortes de emissões de CO2 com que se comprometem até Janeiro de 2010.

A chanceler alemã Angela Merkel organizará negociações em Bona, «dentro de seis meses», para preparar a próxima conferência climática no México, em finais de 2010, revelou ainda Sarkozy, que acabou por considerar que o acordo desta sexta-feira é uma «decepção».

MRA Alliance/Agências

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