Archive for the ‘Tunísia’ Category

Estado tunisino irá apreender todos os bens do partido de Ben Ali

quinta-feira, janeiro 20th, 2011

O Estado tunisiano irá apreender todos os bens da Reunião Constitucional Democrática (RCD), o partido do regime do presidente deposto, Zine el Abidine Ben Ali, anunciou nesta quinta-feira o porta-voz do Governo de transição, Taieb Bacuche. “O Conselho de Ministros decidiu confiscar todos os bens móveis e imóveis do RCD”, disse Bacuche.O RCD controlava o poder e a administração do Estado durante o regime de Ben Ali, a nível central, regional e local até ao ponto de as suas estruturas se confundirem com as públicas.

O primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, tinha prometido nesta semana separar o Estado do partido de Ben Ali e também o presidente interino, Fouad Mebazaa, se comprometeu realizar uma separação de poderes.

Desde a fuga do presidente na sexta-feira passada, os tunisinos reivindicaram em todo o país a dissolução do RCD e a saída dos membros daquele partido do Governo de transição.

MRA Alliance/Terra

Fator “Tunísia” ameaça poder de Mubarak no Egipto e estabilidade no mundo árabe

terça-feira, janeiro 18th, 2011

Hosni Mubarak“Mubarak, o teu avião já está à espera”, é a frase usada por manifestantes egípcios que reclamam a destituição do ditador Hosni Mubarak, após a fuga do ditador tunisino Ben Ali, que voou precipitadamente para o exílio na Arábia Saudita. As manifestações começaram por reunir algumas dezenas de pessoas, mas rapidamente foram encaradas como a ponta visível de um iceberg.

Não existe no Egipto, com a sua dura repressão policial, um hábito arreigado de manifestações de rua e era inevitável que tudo começasse por acções minoritárias. Mas o destemor dos manifestantes chamou a atenção, encarando a polícia e reclamando de Hosni Mubarak que siga o exemplo do seu confrade tunisino e parta, como ele, para o exílio, indica seguramente um clima político em mutação acelerada.

Com as eleições presidenciais à vista, já marcadas para Outubro deste ano, permanece a dúvida sobre uma possível recandidatura de Mubarak, hoje com 82 anos de idade e três décadas de poder despótico – mais, portanto, do que os de Ben Ali. Em alternativa, especula-se sobre uma outra possibilidade, que seria a de Mubarak impor o seu filho Gamal, para ser plebiscitado nessa mesma eleição. Com eleições habitualmente fraudulentas e com um parlamento fantoche, o Egipto conta, por outro lado, com uma oposição extra-parlamentar relativamente forte – a da Irmandade Muçulmana, agora tonificada pelo exemplo tunisino.

Outros elos fracos no mundo árabe são Marrocos, a Argélia, a Jordânia, a Líbia e o Jemen. Na Argélia, há cerca de uma semana, voltou a registar-se uma “revolta do pão”, com um saldo de cinco mortos e de 800 feridos. Apesar das receitas do gás e do petróleo, e apesar do encerramento da etapa de guerra civil que lhe custou mais de 100.000 mortos, o país permanece em situação altamente volátil, com revoltas localizadas praticamente todas as semanas, segundo Isabelle Werenfels, da Fundação Ciência e Política, citada pelo diário online Der Spiegel.

A monarquia marroquina fez um esforço para apresentar uma imagem modernizada em relação aos tempos de Hassan II, e para empolar o significado dos partidos de oposição que efectivamente têm existência legal. Mas nem assim conseguiu dissimular a brutalidade da repressão contra o povo do Sahara Ocidental e, por outro lado, a deprimente realidade social marroquina, com taxas de desemprego na ordem dos 30 por cento.

Também a monarquia jordana procura dar de si uma imagem modernizada e tolerante, mas continua a viver de crise em crise, ora por motivo de revoltas sociais contra os aumentos de preços, ora por motivo de derrapagens do sistema repressivo. Amã foi uma das capitais árabes em que se olhou com maior ansiedade para a derrocada da ditadura tunisina.

Grande nervosismo manifestou também o ditador líbio Muhamar al-Khadaffi, que confessou sentir-se “dolorosamente atingido” pelas notícias chegadas da Tunísia. Outros países, como o Jemen ou a Síria, parecem fragilizados por ameaças de secessão ou por fracturas de carácter étnico.

Curiosamente, o regime que parece mais confiante no seu futuro, e por isso mesmo se deu ao luxo de acolher o fugitivo ditador Ben Ali, é o da Arábia Saudita – uma monarquia absolutista, desprovida do menor arremedo de instituição parlamentar ou de observância de direitos humanos, mas a nadar no mais seguro dos elementos líquidos, o dos petrodólares.

MRA Alliance/RTP

Tunísia: Mulher de Ben Ali suspeita de ter roubado 1,5 toneladas de ouro

segunda-feira, janeiro 17th, 2011

Ben Ali e mulher Leila TrabelsiOs serviços secretos franceses suspeitam que Leila Trabelsi, mulher do deposto Presidente tunisino, Zine El-Abidine Ben Ali, fugiu do país com uma tonelada e meia de ouro, que terá levado do Banco Central, horas antes de o marido ser forçado a abandonar o poder, noticiou o “Le Monde”, citado pelo Público. O diário francês cita um conselheiro do Eliseu, revelando que a informação partiu essencialmente de fonte tunisina, em particular o Banco Central, tendo sido “relativamente confirmada”.

Segundo estas fontes, Trabelsi – cuja família é suspeita de se ter apropriado de várias empresas do país – terá ido pessoalmente ao banco exigir os lingotes, o que lhe foi recusado pelo governador. “Telefonou então ao marido que primeiro lhe repetiu a recusa, mas depois cedeu”, referem as mesmas fontes, adiantando que a ainda primeira-dama apanhou um avião em direcção ao Dubai antes de se juntar ao marido na Arábia Saudita.

No entanto, o Banco Central da Tunísia (BCT) negou hoje que a esposa do presidente derrubado Zine el Abidine Ben Ali, Leila, teria roubado o ouro antes de fugir do país. “As reservas de ouro do banco central da Tunísia não foram tocadas nos últimos dias”, declarou à AFP uma fonte oficial da instituição. “As reservas em moeda tampouco foram tocadas, o país tem regras muito estritas”, acrescentou a fonte, afirmando que “o diretor do BCT não recebeu ninguém nos últimos dias, inclusive Leila (Trabelsi) ou o próprio Ben Ali”.

O Governo francês, que tem sido acusado pela oposição de reagir tardiamente aos acontecimentos na Tunísia, mantendo até quase ao fim o apoio a Ben Ali, prometeu sábado “bloquear administrativamente” todos os “movimentos financeiros suspeitos envolvendo bens tunisinos em França”, onde a família do ex-ditador tunisino tem várias propriedades e contas.

O desespero e a revolta demonstrados por cidadãos tunisinos estão a alastrar-se a outros países do mundo árabe, refere a edição de hoje do jornal Público. Um homem egípcio imolou-se esta manhã junto ao edifício do Parlamento, no Cairo, num protesto contra as precárias condições de vida, reproduzindo actos similares que ocorreram nas últimas semanas na Tunísia e na Argélia. Um outro homem também se imolou na Mauritânia, junto ao palácio presidencial.

MRA Alliance/pvc 

Tunísia é um alerta para o mundo árabe, dizem analistas

sábado, janeiro 15th, 2011

Analistas ouvidos pela BBC Brasil disseram que os violentos protestos na Tunísia, que culminaram com a renuncia do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, na última sexta-feira, servem como uma mensagem de alerta aos governos da região de que um novo ativismo começa a surgir no mundo árabe.

Segundo eles, governos totalitários enfrentam cada vez mais a insatisfação popular com a falta de soluções para os problemas econômicos, sociais e de liberdades individuais. No entanto, dizem que ainda é cedo para falar em reações semelhantes em outros países árabes em médio prazo.

“Embora muitos tenham ficado perplexos com os protestos que sacudiram a Tunísia nas últimas semanas, eles não podem ser vistos como uma surpresa para aqueles que acompanham o cenário da região”, disse o analista político libanês Rami Khouri, do Instituto Fares da Universidade Americana de Beirute. De acordo com Khouri, a região vive um renascimento do ativismo árabe entre as populações mais jovens e mais conscientes, com fome de liberdades individuais, emprego e desenvolvimento. “O problema que assola a região é comum a todos -, a atual ordem política e econômica do mundo árabe, que é instável e insustentável, porque traz instatisfação para a imensa maioria de seus cidadãos”.

O clima de tensão na Tunísia começou no dia 17 de dezembro, quando o desempregado Sidi Bouzeid, de 26 anos e com formação superior, foi abordado por policiais enquanto vendia verduras na rua. Após ter sua mercadoria apreendida, ele foi impedido de prestar queixa. Desesperado, o jovem ateou fogo no próprio corpo e morreu dias depois no hospital. A morte de Bouzeid iniciou uma série de protestos que se espalharam rapidamente pelo país e a capital Túnis. Centenas de milhares de pessoas, entre estudantes, sindicatos e partidos de oposição, protestaram contra o desemprego, corrupção e falta de democracia.

O presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos, tentou reprimir as manifestações com policiais nas ruas. Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 60 pessoas morreram nos confrontos e centenas de manifestantes ficaram feridos. Antes de renunciar, Ben Ali dissolveu o Parlamento e governo, e fugiu do país com a sua famíla tendo obtido refúgio na Arábia Saudita.

“A Tunísia é um modelo de mudança na região porque foi orquestrado pelos seus cidadãos, que chegaram ao ponto de enfrentar as forças da repressão. O que se viu nas ruas de Túnis foi uma mensagem clara aos ditadores árabes, de que quando os cidadãos não temem mais as balas das armas dos governantes, então os dias destes ditadores estão contados”, salientou Khouri.

Para o egípcio Haitham Bahy, analista político e diretor da Academia de Democracia Egípcia, as populações árabes mais conscientes não se deixam mais levar pelas velhas desculpas dos governantes. Segundo ele, durante décadas, os ditadores árabes usavam Israel ou países ocidentais como desculpa para seus próprios fracassos.

“Para justificar suas políticas e incompetências, presidentes e monarcas árabes colocavam sempre a culpa em Israel ou outros países estrangeiros como forma de ganhar apoio popular e legimitização de seus poderes”. Ele aponta os novos tempos – fluxo de informação, globalização e ativismo na internet – como implacáveis para os ditadores da região, que não conseguem mais controlar os corações e mentes como antes.

“Os governantes árabes deveriam aprender as lições da Tunísia, de que já é hora de promover reformas democráticas no mundo árabe, e os líderes da região deveriam fazer isso antes que sofram do mesmo destino do agora ex-presidente tunisiano”, diz.

Haitham Bahy acredita que os acontecimentos na Tunísia irão repercutir durante algum tempo na região. Ele diz que ainda é cedo para avaliar o sucesso dos acontecimentos no país do norte da África, mas acha que a Tunísia deverá avançar em vários aspectos após a queda do presidente Ben Ali. “Arrisco dizer que uma nova era começou na região, e as massas populares muito provavelmente se espelharão no sucesso dos protestos na Tunísia. Os países da região reúnem uma combinação de fatores comum a todos: pobreza, desemprego e repressão política”, diz.

Para ele, o próximo país a ser palco de conflitos poderá ser a Argélia, onde já acontecem protestos por motivos econômicos e sociais. “Embora em menor escala, os protestos na Argélia, inspirados por seus vizinhos, podem muito bem aumentar e resultar em mudanças naquele país”, disse ele

No entanto, o libanês Rami Khouri não acha que que mudanças em médio prazo ocorrerão em países de peso no mundo árabe, como Egito, Síria e Árabia Saudita. “Estamos falando de Estados fortemente protegidos por um aparato de segurança e forças militares. Protestos semelhantes aos da Tunísia nestes países seriam muito mais complexos”, explicou Khouri. “Eu venho dizendo isso por anos, que nós não podemos prever quando, onde, como e por quem as transformações de autocracias para democracias começarão no mundo árabe. Mas nós sabemos que essas trasnformações inevitavelmente começarão”.

MRA Alliance/BBC Brasil

Tunísia: Tensões continuam e Presidente Ben Ali foge para local desconhecido

sexta-feira, janeiro 14th, 2011

Manifestação anti-presidencial na TunísiaO primeiro-ministro da Tunísia, Mohammed Ghannouchi, anunciou que vai assumir interinamente a presidência, substituindo o Presidente Zine El Abidine Ben Ali terá entretanto abandonado o país, garantem fontes que lhe são próximas.

Horas antes, Ben Ali demitira o Governo, convocou eleições para Junho e  declarou o estado de emergência sob uma forte onda de contestação política e social dos tunisinos que continuam a exigir a demissão imediata do chefe de Estado. As medidas foram anunciadas um dia depois de Ben Ali ter declarado que não iria concorrer às Presidenciais de 2014, ao cabo de 23 anos no poder, e de ter decretado a redução de preços de vários bens essenciais.

A comunicação não bastou para pôr termo aos protestos que hoje prosseguem nas ruas das principais cidades tunisinas. As manifestações, que duram desde Dezembro, causaram pelo menos 23 mortos, segundo o Governo, ou mais de 60, de acordo com a oposição ao regime. Durante a última noite, e segundo fontes médicas, terão morrido 13 pessoas na capital do país, Tunes.

Nas ruas, continuam os apelos à demissão imediata de Ben Ali. As forças de segurança ameaçam recorrer de novo às armas, depois do próprio Presidente ter supostamente proibido o recurso a munição real.

Os protestos na Tunísia começaram em Dezembro após o suicídio de um jovem diplomado no desemprego, a quem a polícia confiscou a banca de fruta que garantia a sua subsistência. O desemprego, a inflação, a censura e as suspeitas de corrupção que pairam sobre a família de Ben Ali, que controla a economia do país, são os principais motivos para a inédita vaga de contestação na nação norte-africana, tida até agora como uma das mais estáveis do continente.

MRA Alliance/Agências