Archive for the ‘Rússia’ Category

Multinacionais europeias entram em lóbi pró-Rússia

quarta-feira, agosto 13th, 2008

O conglomerado energético russo Gazprom está a usar as parcerias siberianas com grandes empresas europeias – ENI (Itália) Total e GdF (França), BASF (Alemanha) – para a criação de um poderoso lóbi pró-russo no coração da União Europeia (UE) capaz de atenuar as reacções negativas às suas agressivas políticas. A estratégia faz parte do sonho do Kremlin de transformar o maior produtor mundial de gás e o terceiro maior produtor de petróleo, a seguir à Arábia Saudita e Irão, num activo com valor superior a mil biliões (trilhões) de dólares. Recentemente a Gazprom e grupo petroquímico BASF arrancaram com o projecto Achimgaz, na Sibéria, que produzirá 7,5 mil milhões (bilhões) de metros cúblicos por ano, o equivalente a 10% do consumo de gás na Alemanha. Em Julho, a ENI foi a primeira empresa europeia a entrar no mercado russo de venda e distribuição de gás natural através de uma parceria com a GazpromArcticgas – ao fechar um contrato com uma produtora russa de electricidade. “Pode parecer um paradoxo, mas os maiores lóbistas da Gazprom na Europa são os seus principais concorrentes, como a ENI ou a Gaz de France. Eles também sofrem com a liberalização dos mercados do gás e entendem melhor a Gazprom do que os funcionários governamentais”, afirmou Valery Nesterov, da corretora Troika Dialog, citado pela agência Reuters. A Rússia aprovou a liberalização parcial do mercado interno de energia eléctrica, a partir de 2011, o que espicaçou o apetite dos “big players” globais do sector e abre perspectivas de cooperação e expansão internacional para a Gazprom. Muitos analistas partilham a opinião de a Rússia está a ganhar a Guerra dos Oleodutos e dos Gasodutos, em detrimento da Europa e dos Estados Unidos. A adesão de muitos países europeus ao gasoduto South Stream, que transportará por ano 30 mil milhões (bilhões) de metros cúbicos de gás natural russo até à Itália, foi um duro golpe para o seu concorrente directo, o Nabuco. Este gasoduto, patrocinado pela Europa e pelos EUA, visa desviar abastecimentos do gás natural do Mar Cáspio para o sul da Europa fugindo ao monopólio da Gazprom. Chris Weafer, estrategista-chefe da UralSib, sublinhou que a gula internacional da Gazprom é preocupante: “Existe o receio de que a Gazprom se transforme numa força com demasiado poder de controlo.” MRA Dep. Data Mining

Rússia e Geórgia em estado de guerra

sexta-feira, agosto 8th, 2008

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse hoje que a Rússia está a executar “bombardeamentos contínuos” sobre o território georgiano atingindo “especificamente” civis. Saakashvili informou que as forças georgianas abateram dois aviões russos. Um dos aviões bombardeou “um hospital civil ferindo médicos e doentes” bem como um mercado “muito movimentado” onde “uma multidão de pessoas” foi atingida. “A Rússia está a lutar connosco no nosso território. Esta é uma clara agressão russa. Estamos a sofrer porque queremos ser livres e porque queremos uma democracia multi-étnica”, afirmou Saakaschvili em entrevista à CNN. O presidente adiantou frisou que a Géorgia está a lutar “com um vizinho grande e poderoso” e lembrou que o seu país, com apenas cinco milhões de habitantes, não tem forças comparáveis às da Rússia. O presidente georgiano pediu o apoio dos EUA. “Somos uma nação que ama a liberdade e que está agora sob ataque”, acrescentou. Antes, o presidente russo Dmitri Medvedev advertira que a morte de seus “compatriotas” – 70 mil – na Ossétia do Sul, não ficaria “impune.” “Conforme a constituição e a legislação federal e como presidente russo sou obrigado a defender a vida e a dignidade dos cidadãos russos onde quer que eles se encontrem”, afirmou Medvedev. Numa reunião do Conselho de Segurança russo, Medvedev acrescentou que os “culpados” da morte de cidadãos russos “receberão o castigo merecido”. Entretanto, tropas russas começaram a ser mobilizadas na direção da Ossétia do Sul, informaram emissoras de televisão em Moscovo. A notícia surgiu após o primeiro-ministro, Vladimir Putin, ter advertido a Geórgia que a ofensiva contra a Ossétia do Sul era passível de retaliação. O canal 1 da televisão russa exibiu imagens de um comboio de tanques russos e assegurou que os veículos de guerra entraram hoje na Ossétia do Sul. Segundo a emissora, os tanques chegarão a Tskhinvali, capital da província, dentro de algumas horas. MRA Dep. Data Mining

Rússia é o segundo maior produtor mundial de diamantes

sábado, junho 28th, 2008

A Rússia é o segundo maior produtor de diamantes do mundo, informou hoje o Jornal de Angola. A produção russa representa 25% da extracção mundial. Segundo o periódico de Luanda, os números oficiais mantidos secretos pelo governo de Moscovo, deverão ter atingido USD 2,57 mil milhões em valor e ultrapassado os 38 milhões de quilates em volume. O mineral precioso abunda em Yakutia, região do leste da Sibéria. O país tem uma capacidade de produção de diamante polido por ano, avaliada entre 650 e 800 milhões de dólares. A distribuição de diamantes na Rússia faz-se através da Diamond Chamber of Russia e da Moscow Diamond Bourse, membro da World Federation of Diamond Bourses. MRA-Dep. Data Mining

Putin assume controlo pessoal de IDE em áreas estratégicas

quinta-feira, junho 5th, 2008

V.Putin no comando…O primeiro-ministro russo Vladimir Putin vai chefiar uma comissão governamental encarregada de controlar os fluxos de IDE – Investimento Directo Estrangeiro – para impedir que áreas estratégicas da economia possam ser controladas por capitais estrangeiros, segundo o jornal austríaco «Die Presse». O proteccionismo russo destina-se a suster uma eventual avalanche de investimentos por parte de fundos soberanos de terceiros países. A comissão foi criada por uma lei aprovada no mês passado. Quarenta e dois sectores da economia russa estão abrangidos, com destaque para as indústrias extractivas, nuclear e de armamentos. Caso algum investidor estrangeiro manifeste interesse em controlar mais do que 50% das “empresas estratégicas” russas, deverá passar pelo escrutínio da comissão liderada pelo ex-presidente russo. Se os fundos forem controlados por empresas ou organismos estatais estrangeiros a participação não poderá ultrapassar os 25%, durante um período não determinado. As restrições são mais apertadas nos sectores energético e das matérias-primas. O jornal austríaco cita Putin como tendo afirmado que “a lei não pretende proibir investimentos” antes procura “criar procedimentos mais transparentes e compreensíveis para os investidores.” Porém, o articulista manifesta-se céptico face ao histórico das políticas do Kremlin nos últimos anos: “A «renacionalização» de sectores chave [da economia russa] condenou ao fracasso vários projectos de grande dimensão protagonizados por conglomerados energéticos ocidentais.” Segundo o “Die Presse” Putin terá afirmado: “Quando observamos que em alguns países estão a ser impostos limites ao investimento estrangeiro em sectores estratégicos somos obrigados a reagir da mesma forma”. MRA

Rússia: Banco Mundial alerta para sobreaquecimento da economia

quarta-feira, junho 4th, 2008

Casa Branca - Moscovo - Sede do governo russoSeis meses depois de ter publicado uma previsão cor-de-rosa para a Rússia, o Banco Mundial manifestou esta semana receios de que o sobreaquecimento da economia esteja a atingir níveis incontroláveis. Os analistas sublinham que, até 2040, se o governo não adoptar políticas mais coerentes, porá em risco as reservas monetárias acumuladas nas fases de matérias-primas tendencialmente caras. No relatório de Junho, o banco adverte para os perigos de um brusco arrefecimento económico face a dinâmicas contraditórias entre as despesas e as receitas públicas. “A expansão económica russa da última década acelerou em 2007-2008, a despeito de o ambiente global ter piorado. Porém, numa economia em sobreaquecimento, o ajustamento do «mix» macroeconómico será necessário para reduzir a inflação. O novo governo precisa dar novo impulso a adiadas reformas estruturais, para dinamizar a produtitividade e assegurar taxas de crescimento económico sustentáveis”, diz o documento. Os analistas do banco não exluem a possibilidade de uma retracção económica, mesmo com os preços do petróleo em alta, face às dinâmicas contraditórias do crescimento das despesas federais e das arriscadas políticas públicas da “Casa Branca Russa” (sede do governo), agora liderada pelo ex-presidente Vladimir Putin. Este cenário contradiz fortemente com as previsões avançadas no relatório anterior (Novembro, 2007) do Banco Mundial que enfatizou “o crescimento da procura interna, em particular, o animado consumo dos agregados familiares e do investimento empresarial.” A comentadora económica da agência RIA Novosti , Yelena Zagorodnyaya considerou que “o Banco Mundial disse o que muitos líderes russos pensam: a economia está sobreaquecida. A razão prende-se com o facto de a Rússia se ter como simultaneamente como metas dar benefícios ao povo e melhorar o clima dos negócios. Ambos são ambiciosos mas reciprocramente contraditórios.” MRA

Presidente do «Barclays Capital» alerta para «Queda Global» da economia

segunda-feira, abril 21st, 2008

Inflação ameaça RússiaO presidente do Barclays Capital Hans-Joerg Rudloff declarou que a Rússia não passará imune ao arrefecimento global da economia e, se quiser ter sucesso, tem que ajustar o elevado crescimento do PIB com o combate à inflação, noticiou o diário Moscow Times.

Rudloff, membro do conselho de supervisão da petrolífera russa Rosneft, afirmou que “fundamentalmente, a história do crescimento russo permanece intacta, mas passará a navegar em águas muito mais difíceis,” devido aos efeitos da crise hipotecária americana e ao espectro de recessão nos Estados Unidos. Os prejuízos para as grandes empresas financeiras ocidentais e para os globalizados mercados de capitais aí estão para o demonstrar.

Após nove anos sucessivos de crescimento, com destaque para os dois últimos – 8.1% (2007) e 6.7% (2006) – “a situação actual será geradora de uma redução do crescimento, mesmo em países como a Rússia e a China,” sustentou o financeiro ocidental. O jornal afirma que entre os ministros russos existem duas correntes antagónicas sobre as políticas macroeconómicas e que, provavelmente, a Rússia não vai conseguir combater a espiral inflacionista de acordo com os planos do governo. MRA Dep. Data Mining

Russia vai usar fundos orçamentais para salvar aperto da banca

quinta-feira, abril 17th, 2008

Banco Central da RússiaO Ministério das Finanças da Rússia estabeleceu um tecto mínimo de taxas de juro anuais nos 7,5% para os primeiros leilões de fundos orçamentais que vão ter lugar para ajudar a banca russa a enfrentar o impacto da escassez global de liquidez do sistema financeiro. O primeiro leilão, marcado para hoje, ascende a 300 mil milhões/bi (mm/bi) de rublos (USD 12.79 mm/bi). Os empréstimos à banca têm um prazo de pagamento até 14 de Maio. A banca russa contraíu avultados empréstimos no estrangeiro mas ainda não deu sinais de ter sido severamente afectada pela crise global de liquidez como a que perturbou vários mercados, entre os quais o vizinho Cazaquistão.

A súbita quebra do crescimento bancário nalguns segmentos levou os bancos russos a pedirem ajuda ao Banco Central e ao governo para disnibilizarem fundos de emergência para aliviar a pressão.

Analistas, entretanto alertaram para os perigos de consequências dramáticas no processo inflacionário doméstico. “O uso deste dinheiro pelos bancos pode afectar a economia. (…) O impacto na taxa de inflação, em lugar dos estimados USD 13 mm/bi, pode ser 20 vezes superior”, disse Maxim Osadchy, analista da Antanta Capital, referindo-se ao montante anunciado para o leilão. “O valor pode galgar facilmente para os USD 260 mm/bi.” disse. Na Rússia, em 2007, a taxa de inflação ultrapassou largamente as previsões oficiais (12%) e, em 2008, a espiral ascendente tem-se agravado, podendo atingir os 15%, de acordo com os analistas. Todavia, o ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, ontem, admitiu “ser possível” uma taxa de 10%, em 2008. O discurso do ministro foi interpretado como o primeiro sinal do governo de que manter a inflação abaixo dos dois dígitos será difícil.

As medidas anunciadas irão ter um impacto temporário positivo na capacidade de financimaneto dos grandes bancos mas excluiu os pequenos do processo fazendo temer pela sua solvabilidade. Os especialistas prognosticam uma fase de concentração com as grandes instituições a assumirem o controlo das pequenas, mais vulneráveis e cujo preço se vai tornar atractivo para serem comprados. MRA/Agências

Russia e Mongólia acordam exploração de urânio e cooperação militar

sábado, abril 12th, 2008

Urânio - MongóliaA Rússia fechou ontem um acordo, em Moscovo, com o governo mongol para a exploração das ricas jazidas de urânio com o antigo satélite soviético, assinado pelos primeiros-ministros Viktor Zubkov e Bayar Sanjaa. A agência nuclear russa Rosatom informou que o compromisso estabelece o novo quadro da cooperação do complexo industrial-nuclear e militar russo na exploração, extracção e processamento do minério de urânio na Mongólia e na modernização das suas infra-estruturas de defesa e segurança. O aumento das encomendas para a construção de novas centrais nucleares em todo o mundo acentua a importância estratégica do acordo bilateral reinicia um período cooperação praticamente interrompido desde o colapso do império soviético, em 1991. O presidente russo Vladimir Putin, que teve uma reunião a sós com Sanjaa, no Kremlin, revelou que o tempo perdido nas relações diplomáticas e no intercâmbio comercial entre os dois países será recuperado rapidamente. O chefe do governo mongol agradeceu a cooperação militar russa e manifestou o seu interesse futuro “em desenvolver esta esfera de cooperação.”

MRA – Dep. Data Mining

Putin reforça poder e influência na Rússia pós-Putin

quinta-feira, abril 10th, 2008

Vladimir Putin, o presidente russo cessante, está a construir um vasto aparelho de fiéis e leais servidores susceptível de o transformar no único primeiro-ministro da “Mãe Rússia” com poderes domésticos idênticos aos de Ivan IV VasilyevichIvan “O Terrível” – o primeiro governante russo a ostentar o título de Czar e a alargar, consolidar e dominar territorialmente um extenso império, no século XVI. O instrumento para consolidar tamanho poder, 500 anos depois, reside no controlo dos “emissários regionais.”

“Os ‘emissários’ desempenharão um novo papel. As suas funções assemelhar-se-ão às de super governadores regionais, com poderes outorgados pelo Kremlin, para fiscalizarem todo o aparelho político-administrativo regional [dependente do poder central moscovita]. Eles prestarão contas ao governo liderado por Putin”, revelou hoje o diário Vedomosti, de São Petersburgo (cidade natal de Putin), controlado pelos influentes grupos de informação económica que publicam o britânico Financial Times (Pearson plc) e o norte-americano Wall Street Journal (Dow Jones & Co.). O jornal atribuiu a “fontes da presidência” a interpretação dos referidos factos e a confirmação de que “está a ser considerada uma reforma no aparelho administrativo do Kremlin.”

De acordo com as nossas pesquisas, após a tomada de posse (2000), Putin institucionalizou os “emissários” no processo de reorganização político-administrativa da Rússia. As 89 regiões/províncias russas passaram a integrar 7 distritos federais. O objectivo foi reforçar o controlo do governo central sobre todo o país, após a traumática implosão da ex-URSS, e recuperar a autoridade do Estado sobre o seu vasto território.

Os super governadores regionais – emissários – passaram então a ser a interface entre os poderes regionais e o Kremlin, dispondo de ampla influência, assegurando a harmonização legislativa entre a federação e as regiões, e aconselhando Putin na escolha de candidatos para os governos regionais.

Na actual fase de transição, segundo o relato do Vedemosti, a reestruturação do poder regional e local está a ser concebida e elaborada pela administração do Kremlin, fiel a Putin. “Pode ser interpretada como uma tentativa para assegurar ao ainda presidente renovados poderes na sua qualidade de futuro primeiro-ministro,” remata o diário russo. MRA-Dep. Data Mining

Putin e Bush acordaram deixar aos seus sucessores a resolução das questões geoestratégicas

segunda-feira, abril 7th, 2008

Vladimir Putin e George W. Bush fizeram tímidos progressos em relação ao delicado tema do escudo antimíssil na Europa. Todavia, mesmo sem um acordo formal, ambos defenderam a criação de um sistema comum de defesa antimísseis com os países da Europa. Os dois presidentes, que participaram no seu último encontro como chefes de Estado, ontem, em Sotchi, nas margens do Mar Negro, adoptaram uma “declaração de cunho estratégico” clarificando a oposição do Kremlin ao projecto norte-americano. As medidas propostas por Washington para dar garantias a Moscovo são “importantes e úteis” limitou-se a admitir o cessante Chefe de Estado russo. Mais…

(MRA/Agências)

Putin elogia talento de Bush como «dançarino»

segunda-feira, abril 7th, 2008

Bush - Danças - UgandaO presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, é “um brilhante dançarino”, afirmou hoje seu homólogo russo, Vladimir Putin, na reunião em que os dois tentaram estabelecer o caminho da futura relação entre seus países. Embora os assuntos discutidos em Sochi sejam sérios –como o escudo antimísseis que os EUA querem instalar no leste europeu e a luta contra a proliferação de armas de destruição em massa–, os dois governantes encontraram tempo para brincar e comentar sobre a dança que ocorreu ontem à noite durante um jantar social. “O único alívio que tenho é que a imprensa não chegou a ver-me dançar”, afirmou Bush. “Tivemos a oportunidade de ver que o senhor é um brilhante dançarino”, respondeu Putin.

Os dois governantes jantaram no sábado à noite ao lado da primeira-dama americana, Laura Bush, e do presidente eleito russo, Dmitri Medvedev, numa atmosfera que a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, descreveu como “relaxada e muito confortável”. O jantar contou com apresentações de música e danças regionais. Segundo Perino, em um dado momento os dois presidentes “juntaram-se aos dançarinos no palco”, numa versão “russa do baile africano”. A porta-voz se referia à “performance” de Bush no Uganda com um grupo de dança tradicional, durante a sua viagem pela África, em Fevereiro. MRA/Agências

KGB da Bielorússia prende advogado especialista na defesa de crimes económicos

sexta-feira, março 28th, 2008

Emanuel Zeltser Emanuel Zeltser, advogado russo naturalizado americano, especialista em crimes de lavagem de dinheiro na antiga União Soviética, foi preso no dia 12 de Março, pela polícia secreta da Bielorússia, em Minsk, sob a acusação de ter na sua posse documentos falsificados. A KGB local confirmou a detenção sem dar pormenores limitando-se a informar que, caso seja condenado, Zeltser poderá ter que cumprir uma pena de três anos de prisão.

Com 54 anos, o advogado russo-americano é um especialista em crime organizado e lavagem de dinheiro. A sua lista de clientes inclui nomes sonantes da era Yeltsin: Pavel Borodin, funcionário do Kremlin condenado por um tribunal suíço por lavagem de dinheiro e Badri Patarkatsishvili, o falecido multimilionário georgiano que declarou guerra ao actual governo da Geórgia.

O jornal Kommersant, citou ontem Joseph Kay, um parente afastado de Patarkatsishvili, cliente de Zeltser, alegadamente detentor de uma procuração do falecido conferindo-lhe poderes para distribuir a herança pela família, que envolveu no caso o conhecido Boris Berezovsky, arqui-inimigo de Putin. Segundo Kay o advogado deslocou-se a Minsk por sugestão, e no avião privado, do auto-exilado bilionário Berezovsky. Acompanhava-o Anatoly Motkin, o israelita que geriu a campanha presidencial de Patarkatsishvili. A visita tinha como objectivo impedir o presidente bielorusso Alexander Lukashenko de vender as empresas petrolíferas propriedade de Patarkatsishvili. A viúva, Inna Gudavadze, acusou Kay de ter falsificado o testamento do marido.

Fonte: The Moscow Times

Bush surpreende e agrada ao Kremlin e a Putin

sexta-feira, março 28th, 2008

George W. Bush, ao aceitar um convite de Vladimir Putin para uma cimeira informal de um dia (05-06/Abril), em Soshi (estância nas margens do Mar Negro), supreendeu tudo e todos, em Washington e Moscovo. “O convite foi-lhe dirigido há algum tempo e aceitação de Bush é altamente apreciada como um sinal pessoal de uma atitude construtiva”, disse uma fonte do Kremlin, citada pelo jornal russo de língua inglesa “The Moscow Times“.

A fonte anónima referiu que Bush contrariou alguns dos seus conselheiros mais próximos, desfavoráveis ao encontro. Bush, de acordo com o website da Casa Branca, informou jornalistas em Washington, que irá a Soshi para debater o relacionamento estratégico bilateral. “A parte crucial [do encontro] relaciona-se com a defesa anti-míssil”, precisou. Este será o último encontro entre ambos. Putin transmite o poder ao presidente eleito, Dmitry Medvedev, em Maio. Bush cessa funções em janeiro de 2009. O governo americano manifestou interesse na presença de Medvedev. O encontro bilateral parece ter como objectivo a reunião que ambos terão na próxima semana, no âmbito da Cimeira da primavera da NATO, a realizar em Bucareste (Roménia). A Aliança Atlântica irá debater temas que não agradam a Moscovo: o início do processo de adesão de mais ex-repúblicas soviéticas à aliança militar ocidental – a Ucrânia e a Geórgia.

O jornal polaco Gazeta Wyborcza especulou recentemente com a posssibilidade de Moscovo aceitar cooperar militarmente com a NATO na guerra contra os talibãs, no Afeganistão, se os seus dois ex-satélites forem impedidos de aderir à aliança militar americano-europeia.

Gigante russa Gazprom alarga tentáculos ao gás natural da Bolívia

quarta-feira, março 19th, 2008

Bolívia_Hidrocarbonetos - YPBFO consórcio russo Gazprom e a companhia estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) assinaram um acordo para a prospecção em jazidas de gás bolivianas, informou a maior empresa de energia da Rússia e uma das maiores do mundo.

Os trabalhos serão realizados no sudeste da Bolívia, na bacia petrolífera e de gás Subandino Sur. Segundo especialistas do sector, a região boliviana poderá ter reservas até 300 mil milhões/bilhões de metros cúbicos (m3) de gás natural.

O acordo obriga a Gazprom a iniciar os trabalhos de prospecção em 2009. Concluídos aqueles, o conglomerado energético russo, caso a viabilidade do negócio se confirme, investirá no projecto conjunto cerca de USD 2 mil milhões/bilhões.

A estratégia de internacionalização da Gazprom prevê igualmente a possibilidade de cooperação regional com as companhias Repsol (Espanha), Tecpetrol (Argentina)e Guaracachi (Bolívia), que já operam em vários países sul-americanos. MRA/UOL

O enigma pós-Putin e as relações EUA-Rússia

domingo, março 2nd, 2008

Mapa “geopetrolítico” de Dick CheneyNo dia da eleição do candidato escolhido pelo presidente cesssante, Vladimir Putin, para o substituir Dmitry Medvedev – as relações americano-russas encontram-se numa fase de esperar-para-ver. Assim se manterão até 20/01/2009, data da tomada de posse do novo presidente dos EUA, que inaugurará a era pós-Bush. Por estas razões, 2008, promete um clima geopolítico de tensão e manobras tácticas entre as duas superpotências. Porém, não impedirá que Rússia e China, de um lado, e EUA mais respectivos aliados, do outro, prossigam as suas estratégias globais e regionais preparando-se para o novo ciclo da globalização. O Departamento de Data Mining da MRA Alliance publica hoje uma breve análise sobre o que está em jogo e as macrotendências globais que se prefiguram no horizonte próximo. Mais…

Rússia diz que missão da UE ao Kosovo é “ilegal”

sexta-feira, fevereiro 29th, 2008

Servia e Rússia contra independência do KosovoA Rússia afirmou ontem perante o Conselho de Segurança da ONU que a missão que a União Europeia (UE) deve enviar ao Kosovo é “ilegal”, pois a autoridade no terreno continua nas mãos das Nações Unidas.

“O envio de uma missão da UE seria ilegal e, portanto, qualquer tentativa de usurpar as funções da Unmik (a administração interina da ONU no Kosovo) é contrária à resolução 1.244” que rege os destinos do Kosovo, defendeu o embaixador russo junto da ONU, Vitaly Churkin.

No entanto, a UE reiterou no passado a legalidade da missão no território balcânico, e o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, no dia 21 de Fevereiro, disse ter obtido “o acordo das Nações Unidas”. (pvc/agências)

Putin: “Kosovo estilhaça sistema de relações internacionais”…

sábado, fevereiro 23rd, 2008

Putin avisaA independência do Kosovo cria um “precedente horrível” que se atravessará “na garganta” dos ocidentais, declarou ontem, em Moscovo, o presidente russo, Vladimir Putin, durante um encontro com os dirigentes da Comunidade de Estados Independentes (ex-URSS sem Estados bálticos).“O precedente do Kosovo é horrível. De facto, fez voar em estilhaços todo o sistema das relações internacionais existente não apenas há décadas mas séculos”, disse Putin.

Evocando os países que já reconheceram a proclamação da independência do Kosovo, o presidente russo estimou que a situação terá “consequências imprevisíveis”. “Eles não pensam nas consequências do que fazem. No final, é como um pau de dois bicos e um dia uma das pontas vai ficar-lhes atravessada na garganta”, acrescentou Putin dirigindo-se aos países ocidentais.

A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e tradicional aliado da Sérvia, opõe-se inflexívelmente à independência do Kosovo. (pvc/agências)

Mafioso russo procurado pelo FBI e preso em Moscovo vai ser acusado amanhã

quarta-feira, janeiro 30th, 2008

Semyon MogilevichSemyon Mogilevich, um dos principais chefes da máfia russa, preso em Moscovo durante uma operação especial da Polícia, no dia 23, vai ser amanhã formalmente acusado de vários crimes informaram hoje vários orgãos da imrensa russa. Procurado pelo FBI (polícia federal americana) desde 2003, vai ser acusado de crimes fiscais, juntamente como o dono de uma grande rede de perfumarias. “Os serviços de segurança de muitos países buscaram Mogilevich por várias décadas. Ele possui várias nacionalidades”, declarou um porta-voz da Polícia. O FBI, por seu turno, acusa-o de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Mogilevich desempenhou um papel central num escândalo largamente noticiado pela imprensa russa, há uns anos atrás, envolvendo membros ligados ao então presidente russo Boris Yeltsin suspeitos de desviarem, com ajuda da máfia, créditos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ucraniano de 60 anos, naturalizado israelita, em 1992, apresenta-se como um “empresário” com interesses na Rússia, Hungria, Estados Unidos e Reino Unido, entre outros países. (pvc/agências)

Rússia e Grã-Bretanha novamente em rota de colisão

segunda-feira, janeiro 14th, 2008

Braço-de-ferro Putin/BrownO ministério russo dos Negócios Estrangeiros informou hoje o Embaixador da Grã-Bretanha sobre um conjunto de medidas tomadas contra as actividades culturais britânicas na Rússia, após Londres ter desreipeitado ordens de Moscovo para fechar duas filiais do British Council (BC). O ministério informou o diplomata inglês que vai dar início a acções administrativas e judiciais com o objectivo de recuperar impostos da delegação do BC, em São Petersburgo, bem como de impôr restrições à acreditação de diplomatas que trabalham nas delegações regionais. A recusa da passagem de vistos de estadia aos novos empregados da instituição britânica foi outra das medidas tomadas pelas autoridades russas.

Numa nota publicada no site do ministério, o governo do Kremlin informa que “se reserva o direito de adoptar medidas adicionais” tendo em vista exercer pressão sobre “a delegação do British Council em Moscovo.” A delegação do British Council em São Petersburgo abriu na segunda-feira, em Nevsky Prospekt, apesar de ter recebido ordens oficiais para cancelar as suas actividades. A outra delegação, em Yekaterinburg, reabriu na semana passada. “Ao termos aberto as portas hoje quisemos transmitir a mensagem de que desejamos prosseguir o nosso trabalho na Rússia,” disse James Kennedy, director do British Council na Rússia, e responsável pela inauguração da delegação na cidade natal do presidente Vladimir Putin.

A Rússia alega que a instituição opera ilegalmente no país. O governo de Londres contraria a opinião de Moscovo dizendo que a base legal para a operação do organismo cultural britânico na Rússia é “bastante sólida”. A divergência evid~encia uma nova crise nas relações diplomáticas anglo-russas que promete agudizar-se nas próximas semanas com retaliações do governo britânico contra interesses russos no Reino Unido. pvc/Moscow Times

Independendência do Kosovo reconhecida pela UE em Março, diz DN

sábado, janeiro 12th, 2008

Kosovo e ServiaA União Europeia (UE) tem tudo a postos para proceder de forma concertada ao reconhecimento de uma Declaração Coordenada de Independência do Kosovo que, segundo a edição de hoje do Diário de Notícias, é esperada por Bruxelas entre o final de Fevereiro e o início de Março. “A presidência eslovena – acrescenta o jornal – só deverá reconhecer a soberania da província sérvia num quadro de coordenação internacional que envolva pelo menos os Estados Unidos.”
Citando fontes não identificadas da Comissão Europeia, em Bruxelas, o diário lisboeta refere que “o calendário do executivo comunitário já está delineado” precisando que “em Fevereiro a Missão Civil e Policial da UE para o Kosovo deverá estar pronta a avançar para o terreno” sendo em Março “reconhecida a soberania de Pristina.” O calendário e as medidas, de acordo com o relato do DN será definido na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, a realizar na Eslovénia nos dias 28 e 29 de Março.

Até lá um conjunto de outras iniciativas diplomáticas deverão ser concretizadas para dar consistência às iniciativas diplomáticas de Bruxelas: 1) Assinatura do Acordo de Associação e Estabilização (AAE) com a Sérvia ainda em Janeiro, antes das presidenciais sérvias, a 3 de Fevereiro; 2) A assinatura poderá evitar que o candidato ultranacionalista, Tomislav Nikolic, caso derrote o Presidente Boris Tadic, possa bloquear a adesão sérvia à UE integrando-se antes num bloco regional controlado pela Rússia. 3) O resultado das eleições, de acordo com a agenda de Bruxelas, poderá influenciar a reacção do país à independência do Kosovo e aceitação de uma missão da UE com a missão de assumir o comando internacional na província sob a égide das Nações Unidas. (pvc)

Putin será primeiro-ministro se Medvedev vencer

segunda-feira, dezembro 17th, 2007

Putin pronto para novas batalhasO presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje que, se for convidado, está disponível para ser primeiro-ministro da Rússia se o candidato do partido no poder, Rússia Unida, Dimitri Medvedev, ganhar as eleições presidenciais de Março de 2008, acaba de informar o jornal alemão “Frankfurter Allgemeine Zeitung”.

Eleições parlamentares no Quirguizistão podem terminar com instabilidade

segunda-feira, dezembro 17th, 2007

Hu Jintao (China) com Bakiyev (Quirguizistão)As eleições parlamentares no Quirguizistão, independente da ex-União Soviética desde 1991, devem dar a vitória ao partido do actual presidente, Kurmanbek Bakiyev, na sequência da “Revolução das Túlipas”, em 2005. Os eleitores escolhem um novo primeiro-ministro numas eleições que podem colocar um ponto final em dois anos de agitação política. A Rússia, a China e vários países europeus estão preocupados com a instável situação política interna, receando que alastre aos países vizinhos. As eleições foram convocadas pelo presidente na sequência de uma reforma constitucional que a oposição classificou como um instrumento para um poder mais autoritário. Os apoiantes de Bakiyev defendem que a reforma torna o “sistema mais justo e democrático”.

Embora não possua petróleo nem gás natural, é um país rico em reservas minerais de carvão, ouro, urânio e antimónio (essencial para as indústrias electrónica (semicondutores), armamento (ligeiro e balas tracejantes), borracha, ligas metálicas (chumbo e estanho), cerâmica, e metais raros. A indústria metalúrgica é uma das mais importantes do pequeno país euroasiático. O governo definiu como prioridade atrair investimento directo estrangeiro para este sector, para a exploração de minas de outro e para o desenvolvimento dos importantes mas inexplorados recursos hídricos para a exportação de energia eléctrica. (pvc/agências russas e alemãs)

Opinião: Rússia, Putin e a autoridade moral do Ocidente para os apoucar

segunda-feira, dezembro 3rd, 2007

Políticas, Democracias, Fraudes e outras “desgracias”A generalidade das chancelarias ocidentais e organizações multilaterais controladas pelos países ricos, afinam pelo mesmo diapasão dos oposicionistas russos: as eleições russas foram um logro, uma fraude, recheada de violações à lei, de atropelos intoleráveis aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, e a “democraticidade do processo” foi deliberamente posta em causa pela pobre logística eleitoral disponibilizada pelo Czar Putin. Será que os russos deveriam seguir o exemplo das eleições presidenciais nos EUA, de 2000?
Ver o comentário de Pedro Varanda de Castro.

Partido de Putin com larga vantagem após escrutínio de 50% dos votos nas eleições

segunda-feira, dezembro 3rd, 2007

Vladimir Putin cumprimentando apoiantes em MoscovoOs primeiros resultados parciais dão ao Rússia Unida mais de 63% de votos, o que significa a maioria absoluta do futuro Parlamento russo. O líder do Partido Rússia Unida, Boris Grizlov, admitiu a existência de “algumas infrações” durante o pleito, mas rejeitou que possa ser posto em dúvida o seu “carácter democrático”. Os comunistas russos já anunciaram hoje que recorrerão judicialmente dos resultados do escrutínio no Supremo Tribunal da Federação Russa alegando “infracções eleitorais” que, em sua opinião “ultrapassaram todos os limites admissíveis“. A oposição liberal também anunciou que apelará aos tribunais usando argumentos idênticos.

Numa primeira reacção aos resultados preliminares das legislativas russas, o governo dos Estados Unidos solicitou esta noite às autoridades da superpotência euroasiática que investiguem as denúncias de alegadas irregularidades no processo eleitoral. “Informações preliminares vindas da Rússia incluem denúncias de supostas infrações no pleito de hoje. Pedimos às autoridades russas que investiguem este assunto”, referiu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, num comunicado aos «media».

A Casa Branca, nos últimos dias, deu eco aos protestos de activistas anti-Putin e de ONG’s, russas e internacionais, cuja actividade tem sido fortemente controlada pelo Kremlin.

O presidente russo, ex-dirigente da polícia secreta soviética (antes KGB, hoje FSB – Comissão para a Segurança do Estado), repetidamente classificou a esmagadora maioria das ONG’s que operam no seu país como “organizações infiltradas de agentes encobertos e espiões” ao serviço de “potências estrangeiras” decretando a sua re-acreditação oficial junto do governo de Moscovo.

A nota da Casa Branca, justificou o seu pedido ao governo de Moscovo devido ao alegado “uso de recursos estatais e administrativos” favoráveis ao partido apoiado por Putin, ao uso “dos meios de comunicação favoráveis ao Governo em prol de seus interesses” , à eventual “intimidação da oposição e a ausência de oportunidades iguais para os candidatos de outros partidos“, às “limitações impostas pela Rússia às missões de observadores internacionais”. (pvc/agências)

Polícia russa prende principal crítico de Putin uma semana antes das eleições

domingo, novembro 25th, 2007

Putin - Judoca - Cinturão Negro Kasparov - Mestre de Xadrez

A Justiça russa condenou o principal líder da oposição a cinco dias de cadeia, a uma semana das legislativas. O antigo campeão do mundo de xadrez e líder do partido Outra Rússia, Garry Kasparov, foi condenado por participar numa manifestação não autorizada contra o governo, em Moscovo. Kasparov anunciou já que vai recorrer da sentença, que considera infundada, uma vez que a sua detenção ocorreu durante uma concentração previamente autorizada. Outras 44 pessoas foram detidas pela polícia anti-motim, quando mais de 2 mil manifestantes se dirigiam para a sede da Comissão Eleitoral Russa para protestar contra o favorecimento da formação Russia Unida de Vladimir Putin.

Há semanas a Comissão Europeia tinha apelado a Vladimir Putin para que respeite as regras democráticas. A falta de cooperação de Moscovo com a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) tinha levado a organização a cancelar o envio de observadores internacionais para acompanhar o sufrágio.

EUA e Rússia vão banir 68 toneladas de plutónio

terça-feira, novembro 20th, 2007

Processo de eliminação de 68 toneladas de plutónio nos EUA e RússiaOs Governos dos Estados Unidos e da Rússia concordaram prosseguir a cooperação para a transformação de 68 toneladas de plutónio em combustível, eliminando-as dos respectivos arsenais militares. Recentemente foi assinado um novo acordo para suprimir o excesso de 34 toneladas de plutónio do programa militar russo, informou o Departamento de Energia estadunidense. Segundo o acordo agora assinado, o governo americano colaborará com a Rússia na transformação do plutónio usado para fabricar armas nucleares em combustível para reactores atómicos.

Os EUA comprometem-se em manter a cooperação Washington-Moscovo no desenvolvimento de outro reactor de alta temperatura, refrigerado a gás, como alternativa tecnológica para eliminar de forma mais eficiente o plutónio russo. O pacto prevê que a Rússia comece a eliminar o plutónio em 2012. Em conjunto, os dois reactores poderão eliminar anualmente cerca de 1,5 toneladas de plutónio.

Os EUA asseguram o financiamento do projecto, com uma linha de crédito de USD 400 milhões, integrado no programa russo de não proliferação de armas nucleares, acordado entre as partes, em 2000, . Naquele ano os governos americano e russo assinaram o “Acordo sobre Gestão e Eliminação de Plutónio”. O compromisso obriga os EUA a tomarem idêntica medida – a exclusão dos seus arsenais militares de 34 toneladas de plutónio usado no fabrico de novas armas nucleares.

Consultar nota à imprensa e texto completo do acordo aqui. (pvc)

Ahmadinejad e Lavrov discutem questão nuclear iraniana; Americanos aprovam ataque contra Irão

quarta-feira, outubro 31st, 2007

Mahmoud Ahmadinejad e Serguei LavrovO presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, recebeu ontem em Teerão o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, para discutirem o programa nuclear iraniano e as relações bilaterais, noticiou a emissora iraniana “Alalam”. Na ocasião, Lavrov criticou a decisão americana de impor novas sanções ao Irão pois “não ajudam” a resolver as actividades nucleares iranianas, noticiou a agência russa Interfax. As sanções unilaterais contra o Irão “prejudicam a continuação dos esforços colectivos” para resolver a questão, disse o ministro russo. “A Rússia defende uma solução pacífica para as questões relacionadas com o programa nuclear iraniano. Vigiaremos atentamente as decisões tomadas pelo Conselho de Segurança da ONU”, sublinhou o chefe da diplomacia do Kremlin.

Recorde-se que, na semana passada, os Estados Unidos impuseram, através da ONU, novas sanções ao Exército iraniano e a três bancos públicos do Irão, acusando-os de apoiar o terrorismo. Neste contexto, o Putin e Ahmadinejad, em Teerãopresidente russo, Vladimir Putin, adoptou uma posição de distanciamento dos países aliados dos EUA, membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Enfáticamente, Putin limitou-se a repetir o que afirma há mais de um ano. Argumenta que não pode tomar outra posição pois não dispõe de quaisquer provas que confirmem a existência de um programa nuclear para fins militares, executado pelo governo de Teerão.

As últimas sanções americanas foram dirigidas a destacados membros da Guarda Revolucionária iraniana, acusados de contribuir para a proliferação de armas de destruição maciça e de apoiar organizações e actividades terroristas. Segundo os Estados Unidos, o Exército da República Islâmica do Irão treina e fornece armas a milícias xiitas iraquianas que, alegadamente, executam acções militares contra as tropas americanas e britânicas que ocupam o Iraque.

Esta retórica é interpretada por um crescente número de comentadores, observadores e analistas militares, como um expediente do Pentágono e da Casa Branca para criar um clima anti-iraniano junto do eleitorado americano. À semelhança da estratégia de desinformação que precedeu a invasão e ocupação do Iraque, em 2003, para destruir as armas de destruição maciça alegadamente na posse de Saddam Hussein – acusação que se revelou falsa e enganadora – as novas sanções contra objectivos militares e económicos iranianos visam pôr em prática os planos de ataque desenvolvidos pelos militares do Pentágono, pelo menos, desde Junho passado.

bandeiras EUA -IraqueNa passada segunda-feira, uma sondagem publicada nos Estados Unidos, revelou que mais da metade dos americanos é favorável a um ataque militar dos EUA contra o Irão. A maioria dos inquiridos acredita que isso pode acontecer antes das eleições presidenciais de Novembro, de 2008. O estudo de opinião foi realizado pelo Instituto Zogby. De acordo com os resultados, 52% dos entrevistados são favoráveis a ataques preventivos para impedir o governo do Irão de fabricar uma bomba nuclear. Apenas 29% acham que os EUA não deveriam atacar a República Islâmica.

Estes factos revelam que o índice de probabilidades de um ataque militar – exclusivamente a cargo da força áraea americana e/ou israelita – aumentou significativamente nos últimos meses. Por isso, a visita de Sergei Lavrov, que surpreendeu a generalidade dos observadores por Putin ter visitado oficialmente o Irão, na semana passada, assume um acrescido significado político e, indirectamente, militar. Por outro lado, a sua inesperada deslocação, coincide com as negociações que representantes iranianos e funcionários da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) mantêm, desde segunda-feira, em Teerão, sobre as centrífugas P1 e P2 utilizadas para o enriquecimento de urânio.

AlBaradei - AIEA - 2007A importância das conversações Irão-AIEA residem no facto de serem as últimas que o diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, conduzirá no país do Golfo Pérsico, antes de apresentar mais um relatório oficial sobre o programa iraniano, na próxima reunião do Conselho de Governadores do organismo da ONU, marcada para 22 de Novembro. A despeito das sucessivas inspecções da AIEA, o Irão continua a manter actividades nucleares, com o argumento de que são para fins pacíficos. Paralelamente insiste que, como país soberano, membro de pleno direito da agência de não proliferação nuclear, o Estado iraniano procede ao enriquecimento de urânio no exercício dos seus “legítimos direitos”. Os Estados Unidos e União Europeia (UE), em contrapartida, suspeitam que o programa tem fins militares e exigem que Teerão cumpra as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e cancele a sua execução.

O ministro Lavrov, segundo o telegrama da “IRNA”, manteve igualmente reuniões de trabalho com o seu homólogo do Irão, Manouchehr Mottaki. Ambos “abordaram as necessidades e as iniciativas adequadas ao fortalecimento das relações bilaterais”, acrescentou a agência de informação islâmica. No plano bilateral, a Rússia e o Irão fecharam, desde 1995, vários acordos para a reconstrução e ampliação da central nuclear de Bushehr, no sudoeste do país. O arranque das operações, no entanto, está atrasado desde Setembro, por questões relacionadas com disputas entre Moscovo e Teerão sobre os custos e a forma de pagamento. (pvc/agências)

Putin abre campeonato EU-Rússia sobre democracia e direitos humanos (Parte III)

sábado, outubro 27th, 2007

Recebido com todas as Honras, disse TASS

Vladimir Putin comprometido com os direitos humanos e a democracia surpreendeu os menos habituados às técnicas de persuasão, pela surpresa, em que o chefe do Kremlin é mestre.

Putin e Sócrates, em MafraNa imponente biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, o presidente russo manifestou às altas esferas da União Europeia que deseja e aceita a presença de observadores da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) para fiscalizarem as eleições legislativas de Dezembro, na Rússia.

Golpe palaciano, em MafraLogo a seguir, foi mais longe e desconcertou todos quantos o acham um político frio, calculista e implacável. Até poderá sê-lo. Mas revela uma perspicácia notável e um sentido da politica palaciana digna do florentino Maquiavel.Vladimir Putin tomou a iniciativa de propor a criação de um instituto euro-russo para a promoção dos direitos humanos.
Na vigésima cimeira UE-Rússia, a última que liderou no actual mandato, o estadista russo repetiu que não pretende fazer nenhum golpe de estado constitucional para poder legalmente, recandidatar-se a um terceiro consulado presidencial, nas eleições de Março do próximo ano.

Tom calmo e apaziguadorÀs ONG’s que o acusam de défice democrático na condução do estado russo, de perseguições aos opositores políticos, de perpetrar ou mandar liquidar jornalistas independentes, ex-agentes secretos russos, capangas das várias organizações do crime organizado que querem controlar sectores chave da sociedade russa e, obviamente, da implacável perseguição aos terroristas e independentistas chechenos, Putin propôs que o novo instituto se situe em Bruxelas, ou em qualquer outra capital europeia. Para ele, o importante é se torne uma realidade. Depois se verá quem tem mais autoridade na matéria…

Anúncio de Putin, Vitória para SócratesO presidente da UE, José Sócrates, indicou que vai estudar a proposta e afirmou esperar que “ninguém minimize o facto de esta ser a primeira cimeira em que há resultados nestes domínios [dos direitos humanos e da democracia]”. O primeiro-ministro classificou a cimeira euro-russa como “construtiva” e destacou dois acordos: um sobre o combate ao narcotráfico e outro relacionado com as exportações de aço.

Com cara de poucos amigos…A persistência de desinteligências entre as duas partes, que continuam a impedir a reactivação de uma parceria estratégica Bruxelas-Moscovo não foi escamoteada, nem por Sócrates e nem por Putin. A abertura e franqueza no diálogo bilateral terá continuação, em 2008, sob a égide da nova administração russa e, provavelmente, da presidência francesa da UE, durante o segundo semestre. A intenção americana da administração Bush de instalar um sistema de defesa anti-míssil na Polónia e/ou na República Checa, bem como o embargo russo à carne polaca são dois dos pomos da discórdia. A mudança de governos em Varsóvia e em Washington, nos próximos 12 meses, poderá facilitar futuros entendimentos.

No sector energético, Sócrates destacou progressos no sistema de alerta precoce sobre eventuais cortes de gás aos países da União Mas também houve pretextos para sorrir.enquanto Putin desdramatizou os receios europeus relativamente à estratégia empresarial do gigante energético Gazprom de participação accionistas em empresas concorrentes do ocidente europeu. O líder do Kremlin preferiu enfatizar a necessidades de parcerias empresariais entre os dois blocos e de reciprocidade nos projectos de investimento em áreas consideradas estratégicas.

O presidete da Comissão Europeia, Durão Barroso, reafirmou o apoio de Bruxelas à entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio e sublinhou que se não fosse o “ruído político” nos contactos bilaterais os acordos económicos e comerciais entre as partes teriam sido bem mais expressivos.

Kosovo, Eurásia, Afeganistão, Iraque e Irão, entremeados com o escudo antimísseis que os EUA querem instalar na Europa, foram tratados com Nas questões geoestratégicas, não houve cedênciasabertura e realismo. Putin, que na conferência de imprensa nunca se referiu directamente à sensível questão do Kosovo – em que apoia a posição da Sérvia contra os desejos da maioria albanesa e dos seus protectores da ONU e da NATO, advertiu ser importante o respeito “pelos princípios que regem o direito internacional.”

Jornal PravdaA este propósito, um editorial do jornal russo Pravda, em Julho passado, sublinhava claramente a posição de Moscovo sobre o assunto, e aconselhava “Portugal e a União Europeia” a “não se imiscuírem no assunto” e a deixarem a soberania sérvia resolver a questão, “quando e como melhor entender.”

Rússia-Sérvia-Kosovo“A União Europeia – explicitava o articulista – não tem qualquer legitimidade para determinar o que acontece fora das suas fronteiras. Em especial porque não possui qualquer jurisdição para alterar a Constituição da República da Sérvia. Também a ONU só pode tomar decisões no âmbito do Conselho de Segurança e a sua Carta não lhe permite, unilateralmente, alterar a Constituição de um Estado legítimo, que vive num clima de paz e harmonia com os seus vizinhos. Qualquer forma de independência do Kosovo só criaria o precedente para justificar um infindável conjunto de ‘causas’ e conflitos, varrendo, por esse motivo, dos manuais da diplomacia a noção da inviolabilidade das fronteiras já legalmente reconhecidas.”

Nato, EUA, Kosovo - Um barril de pólvoraUm passo em falso, ou uma habilidade toscamente ensaiada, por um qualquer aprendiz de feiticeiro da chamada “Civilização Ocidental”, transformaria o Kosovo não apenas num crime contra a Humanidade mas, seguramente, no maior erro político europeu, desde o dia 28 de Junho de 1914,em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina. Naquela data, o assassínio do Arquiduque da Áustria, Franz Ferdinand, herdeiro ao trono do Império Austro-Húngaro, foi cometido em nome da “Grande Sérvia”, e desencadeou a Primeira Grande Guerra. Esperemos que outra manobra político-militar, patrocinada pela Nato, e secretamente urdida nas chancelarias de Bruxelas, Washinton e Londres, não tenha como leitmotiv “a Grande Albânia” mas a “Grande Desestabilização da Europa”. A quem interessaria, pela terceira vez, uma Europa a ferro e fogo?

Pedro Varanda de Castro

Lisboa,27/10/2007

Sócrates-Putin: Uma oportunidade a não perder… (Parte II)

quinta-feira, outubro 25th, 2007

Putin recebeu Sócrates no KremlinA cimeira política bilateral que juntará hoje à tarde, em Lisboa, o presidente russo Vladimir Putin e José Sócrates, primeiro-ministro português e presidente do Conselho Europeu, tem possibilidades de resultar em algo de concreto e de interesse recíproco. Já a solene reunião magna EU-Rússia, aprazada para amanhã, está envenenada por ambiguidades e incongruências toscamente urdidas por Washington. Prevemos que dela resultará um rol de intenções, de declarações ‘politicamente correctas’ e de projectos bilaterais que dificilmente terão pés para andar, antes do resultado das eleições americanas, em Dezembro de 2008.

No Palácio de Mafra, Sócrates recebe PutinJosé Sócrates e Vladimir Putin, aproveitam a ocasião para a assinatura de acordos económicos entre Lisboa e Moscovo, um deles para desenvolver uma linha de crédito de 200 milhões de euros. Segundo fonte do executivo socialista, citado pela Lusa, a assinatura dos acordos insere-se num clima político “muito positivo nas relações entre Portugal e a Rússia” – ao qual não terá sido alheia a visita de Sócrates ao Kremlin, em Maio passado.

As matrioscas podem esconder algumas surpresasOs dois países vão assinar pelo menos três acordos bilaterais nas áreas financeira e económica (infra-estruturas e vias de comunicação). Uma linha de crédito de 200 milhões de euros vai envolver a Caixa Geral de Depósitos e um banco russo. Os dois bancos vão “colaborar mutuamente na identificação e desenvolvimento de oportunidades para a exportação de bens e serviços”, com enfoque para a promoção do IDE de empresas russas em Portugal e de empresas portuguesas na Rússia. Do lado português, a linha de crédito apoiará a construção de infra-estruturas russas.

Um tranquilo repasto entre duas gerações de “realpolitikern”As relações Sócrates-Putin constam que são boas. Mas as do mestre geopolítico e judoca russo com a matreira raposa germano-americana, Henry Kissinger, roem de inveja, causando perplexidades e mal disfarçados receios em muitos círculos do poder global. Porque será?

Uma pequena parte do acervo da colecção Hermitage vai estar em Lisboa. A não perder!Enquanto nos entretemos com estas singularidades do “great chest game”, acrescente-se que, no total, 1 300 forças policiais garantirão a segurança do presidente russo durante os dois dias em que permanecerá em Portugal. Esta é a segunda visita oficial de Putin à pátria de Pessoa, marcada por uma iniciativa cultural imperdível: a exposição “De Pedro, o Grande, a Nicolau II – Arte e Cultura do Império Russo na Colecção Hermitage”. Será que, a soberba mostra, quer diferenciar, de forma «imperial» ,a primeira visita de Putin, a Lisboa, em Novembro de 2004, para retribuir a que Jorge Sampaio efectuou à Rússia, em Outubro de 2001? (pvc)

UE e Rússia dificilmente resolvem divergências na cimeira de Mafra (Parte I)

quarta-feira, outubro 24th, 2007

Bandeiras UE e RussaA cimeira União Europeia-Rússia deve confirmar as várias divergências entre as duas partes, mas pode terminar com a declaração de “vontade política” de continuar o investimento na aproximação estratégica de europeus e russos. Esta é a opinião de dois alto-responsáveis político-diplomáticos, um russo e um europeu, ouvidos pela Lusa, em Moscovo, nas vésperas da cimeira UE-Rússia, marcada para a próxima sexta-feira, em Mafra, Lisboa.Acordos prejudicados pelos mísseis americanosApesar do provável aparato da delegação russa, liderada por seu presidente, Vladimir Putin, e do peso político da delegação da UE, dirigida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, Mafra não deverá ser o cenário para a assinatura de acordos concretos. Na melhor das hipóteses, segundo os representantes das duas potências, deve ser assinada uma declaração sobre a cooperação futura entre o bloco europeu e o seu maior vizinho.

Palácio de Mafra“Não vale a pena esperar a assinatura de novos tratados. Na cimeira, serão analisados, antes de tudo, os resultados do trabalho até agora realizado para avaliar o futuro”, reconheceu à Lusa Marc Franco, representante da Comissão Europeia em Moscovo. A cimiera de Mafra, poderá preparar o estabelecimento de uma nova parceria estratégica, reforçada e ampliada, entre a UE e a Rússia, disse Franco.

A chave euro-russaAs sérias divergências ainda existentes entre Bruxelas e Moscovo ainda estão longe de serem superadas. Elas acontecem nos domínios económico, comercial e energético, bem como nas disputas de influência geo-estratégica e militar no Velho Continente. No campo da cooperação energética, por exemplo, a União Europeia e a Rússia projectam tomar medidas unilaterais que ameaçam dificultar ainda mais um acordo fundamental. Moscovo viu, nas propostas sobre energia feitas pela Comissão Européia, no mês passado, uma forma de impedir a entrada de empresas russas no mercado europeu. Em resposta, o Parlamento russo deve aprovar uma lei que limita os investimentos europeus na economia russa , mas, enquanto isso, Putin tenta aproveitar a actual inexistência de uma política energética comum na UE, para fechar acordos bilaterais com Estados-membros da União. O “pano de fundo” das conversações da cúpula de Mafra é a celebração entre UE e Rússia de um novo Acordo Estratégico e de Parceria entre os dois blocos económicos e políticos que, concretamente, depois só progredirá após os resultados da reunião de sexta-feira.

“Give me a break, Georgie boy…”Segundo Vassili Likhatchov, vice-presidente do Conselho da Federação (Câmara Alta) do Parlamento russo, nas conversas com os dirigentes da UE, Vladimir Putin vai levantar as sensíveis questões do projeto norte-americano de instalação de um sistema de defesa antimíssil no espaço europeu e da ratificação do Tratado sobre Forças Armadas Convencionais na Europa pelos Estados da UE. “A bola está do lado dos parceiros europeus e ninguém pode dizer que as pretensões russas não têm fundamento”, considerou Likhatchov.

Na terça-feira, em Berlim, o primeiro-ministro português, José Sócrates, reconheceu que o momento não é ainda o mais adequado para se resolverem alguns dos problemas mais sensíveis das relações UE-Rússia. Em alternativa, Sócrates defendeu que, em Mafra, as duas partes deverão “procurar desenvolver outros temas, na área da economia e da cultura”.

comércio florescenteApesar do vasto leque de divergências políticas, militares e econômicas, o comércio entre as duas partes é próspero. Segundo o senador russo Vassili Likhatchov “as trocas comerciais bilaterais representaram, no ano passado, US$ 230 mil milhões/bilhões e 70% dos investimentos europeus foram feitos na Rússia”. “Muito se fala das divergências entre a Rússia e a Polônia, mas se esquecem que ela é o nosso quarto parceiro comercial na União Européia”, frisou Likhatchov. Por isso, Moscovo investe os seus esforços empresariais e diplomáticos no Fórum Económico UE-Rússia, a realizar na quinta-feira, em Lisboa.

Comitiva russa: Chefiada por Vladimir Putin, inclui Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores; Serguei Iastrmjembski, assessor do Kremlin para as relações com a União Européia, e Andrei Fursenko, ministro da Educação e da Ciência da Rússia, entre outros. Destes destaca-se, à frente da comitiva empresarial russa, Anatoli Tchubais, o “pai das privatizações” na Rússia e actual diretor-executivo da Companhia de Energia Elétrica do país.

Comitiva da UE: Liderada por José Sócrates, inclui o presidente da Comissão Européia, Durão Barroso; o alto-representante para a Política Externa europeia, Javier Solana; o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado (presidente do Conselho de Ministros da UE); a comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner, e o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson. (pvc)