Archive for the ‘Regulação’ Category

BCE classifica opinião de agências de ‘rating’ sobre dívida portuguesa como “lixo”

sexta-feira, julho 8th, 2011

Jean-Claude Trichet avançou hoje que o Banco Central Europeu (BCE) vai continuar a aceitar dívida portuguesa como colateral nas operações de refinanciamento dos bancos, apesar da notação da República ter sido reduzida para “lixo” pela agência Moody’s.

“Hoje o conselho de governadores decidiu suspender a aplicação do requisito mínimo para crédito em relação a obrigações garantidas pelo governo português”, disse Jean Claude Trichet. O programa de ajustamento adoptado pelo governo portugues é “apropriado”, disse o presidente do BCE.

Trichet falava na habitual conferência de imprensa que se segue à reunião mensal de política monetária, que hoje decidiu subir os juros em 25 pontos base para 1,50%. Esta “excepção” hoje anunciada para Portugal também já tinha sido accionada para a Grécia e a Irlanda, os outros países do euro que também pediram assistência financeira e que também fora alvo de sucessivos ‘downgrades’ por parte das agências de ‘rating’.

Isto significa que mesmo que as quatros agências decidam baixar o ‘rating’ de Portugal para notação conhecida como lixo, no seguimento da decisão da Moody’s esta semana, o BCE vai continuar a aceitar a divida soberana portuguesa como boa para continuar a fornecer liquidez ao sistema bancário.

A decisão de classificar como “lixo” as opiniões dos raters norte-americanos foi tomada hoje unanimemente pelo conselho de governadores do BCE em Frankfurt.

MRA Alliance/DE

Reguladores exigem rácios de capital mais elevados aos grandes bancos

sábado, junho 25th, 2011

Os grandes bancos mundiais terão que deter um rácio de capital mais forte que os restantes a partir de 2019, de acordo com o acordado hoje pelos principais reguladores do sistema financeiro mundial. O plano acordado hoje pelos reguladores reunidos no  Banco Internacional de Pagamentos, em Basileia, na Suíça, terá ainda que ser aprovado pelo G-20 em Novembro. As regras deverão começar a ser implementadas em 2016, de modo a estarem integralmente em funcionamento em 2019.

O requisito extra de capital vai variar entre 1 e 2,5%, dependendo da dimensão e risco sistémico da instituição financeira. Aos bancos que forem classificados de “significativamente grandes” pode ser exigido um rácio de capital ainda mais elevado, sendo que o valor adicional do rácio de capital Tier One pode chegar aos 3,5%.

Esta medida, acertada no âmbito das regras Basileia III, surgem na sequência da crise financeira iniciada em 2007, que provocou a falência do banco Lehman Brothers e desencadeou uma forte turbulência no sistema financeiro mundial.

Com esta exigência extra aos maiores bancos, os reguladores pretendem desincentivar a criação de bancos gigantes, que depois possam representar um risco para a estabilidade do sector, caso enfrentem dificuldades. Do lado dos bancos surgem críticas a este plano, pois defendem que vai limitar a capacidade das instituições financeiras concederem crédito.

Os reguladores tinham já acertado que todos os bancos mundiais terão que elevar os seus rácios de capital Cote Tier 1 para valores superiores a 7%, a partir de 2013. No âmbito do pedido de ajuda externa, os bancos portugueses enfrentam já exigências mais apertadas, pois terão que atingir um core tier 1 mínimo de 9% este ano e de 10% no final de 2012.

Outra decisão tomada hoje pelos reguladores diz respeito aos activos seleccionados para os rácios que os bancos têm que atingir. O extra terá que ser conseguido através de capital próprio, pelo que as obrigações convertíveis, e outros títulos similares, não serão considerados.

O comité de Basileia anunciará no final de Julho mais detalhes sobre os critérios de capital a exigir aos bancos, bem como quantos terão que constituir esta almofada de capital adicional. Não é ainda certo se os nomes das instituições serão conhecidas.

De acordo com a Bloomberg, serão entre 28 a 30 os bancos mundiais afectados por estas regras, sendo que oito deles são norte-americanos. Um “research” do Morgan Stanley refere que o norte-americano Citigroup, o britânico HSBC e o alemão Deutsche Bank serão dos bancos mais penalizados.

MRA Alliance/JdN

Crise financeira global surgiu porque responsáveis “ignoraram avisos”

sexta-feira, janeiro 28th, 2011

A Comissão de Inquérito à Crise Financeira concluiu que a crise iniciada nos EUA era “evitável”. E aponta o dedo a reguladores, políticos e banqueiros, que “ignoraram avisos e falharam em questionar, perceber e gerir os riscos crescentes.

“A comissão que foi criada para avaliar as causas da crise nos EUA considera que esta era “evitável” e que “resultou de acção e inacção humana, não da Mãe Natureza ou de modelos que falharam”, releva o relatório publicado e citado pela BBC.

“Os capitães das finanças e os administradores públicos do nosso sistema financeiro ignoraram avisos e falharam em questionar, perceber e gerir os riscos crescentes dentro de um sistema essencial ao bem-estar do povo americano”, adianta a mesma fonte. “Foi uma grande falha, não foi um tropeção”

O relatório conclui que a banca corre riscos excessivos e que houve negligência dos reguladores financeiros. “Ao fazer estas observações, respeitamos e apreciamos profundamente os esforços feitos pelo secretário Paulson, pelo presidente Bernanke e por Timothy Geithner… e de outros tantos que trabalharam para estabilizar o nosso sistema financeiro e a nossa economia nas circunstâncias mais caóticas e desafiantes”, adianta a mesma fonte. “Apesar da posição expressa de muitas pessoas de Wall Street e de Washington de que a crise não podia ser prevista ou evitada, havia sinais”, salientou Phil Angelides, presidente da comissão, citado pela BBC.

“A grande tragédia seria aceitar o refrão de que ninguém podia ver que isto estava para vir e por isso nada podia ter sido feito”. “Se aceitarmos isto, vai acontecer outra vez”, alerta.

MRA Alliance/JdN

G20: Sarkozy quer regular preços dos alimentos e impor imposto sobre transacções financeiras

segunda-feira, janeiro 24th, 2011

Nicolas SarkozyA necessidade de controlo dos mercados de divisas e de matérias-primas alimentares é uma das ideias que o presidente francês Nicolas Sarkozy quer impor aos seus pares do G20, o maior fórum financeiro e industrial do mundo, onde agora detém a presidência rotativa. 

“Como é que podemos explicar que queremos regular os mercados financeiros sem o fazer no mercado de produtos básicos?” Foi assim que Nicolas Sarkozy afirmou que é preciso evitar a especulação sobre os produtos alimentares, defendendo a necessidade de desenvolver instrumentos para acalmar a subida de preços nas matérias-primas, segundo refere o “El País”.

O presidente francês apresentava as prioridades para a sua presidência no G-20, referindo que os preços actuais dos alimentos estão a níveis de há dois anos. O índice da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação para 55 matérias-primas alimentares alcançou, em Dezembro, o valor mais alto desde Junho de 2008, altura em que a crise alimentar esteve no seu auge.

A possibilidade de uma nova crise estar a regressar foi avançada há algum tempo pelas Nações Unidas, devido ao ritmo “alarmante” dos aumentos dos preços. “No dia em que haja revoltas, que país do G-20 é que vai dizer que não se preocupa com isso? Acho que nenhum”, referiu Sarkozy em relação ao tema.

Além da sua preocupação alimentar, Sarkozy salientou que “dizer que há um sistema monetário, é um grande erro”, já que defende existir um “não-sistema monetário internacional”, escreve o “Le Fígaro”.

“A emergência de novas economias poderosas conduzirá ao aparecimento de novas moedas internacionais”, disse o agora presidente do G-20. Argumenta, por isso, a necessidade de ampliação das funções do Fundo Monetário Internacional no mercado de divisas para regular as reservas dos diferentes Estados. 

Sobre a taxa sobre as transacções financeiras, Sarkozy caracterizou a medida como “moral face à crise financeira” que se está a atravessar, “útil para dissuadir a especulação” e ainda “eficaz para encontrar os novos recursos para o desenvolvimento”.

MRA Alliance/JdN

Carlos Costa assume o leme do Banco de Portugal e promete mais supervisão e regulação

segunda-feira, junho 7th, 2010

Carlos Costa - Governador do Banco de PortugalO economista Carlos Costa assumiu hoje o cargo de governador do Banco de Portugal, sucedendo a Vítor Constâncio. Nomeado pelo Governo a 23 de Abril, o até agora vice-presidente do Banco Europeu de Investimento foi empossado pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que salientou “a necessidade de reforçar o quadro de regulação e de supervisão financeiras a nível nacional e internacional”. O novo governador afina pelo mesmo tom.

A banca não pode trabalhar em regime de auto-regulação e impõe-se “prosseguir e reforçar a supervisão permanente das instituições financeiras”. O sucessor de Vítor Constâncio na liderança do Banco de Portugal sintetiza nestes termos a agenda que se propõe cumprir. O sistema financeiro do país, ressalva o novo governador, “está sólido”, uma vez que teve uma exposição reduzida ao terramoto do crédito hipotecário de alto risco e “reforçou a sua base de capital” por “iniciativa do Banco de Portugal”. Ainda assim, é hoje “imperioso e urgente demonstrar aos agentes financiadores externos que as trajectórias de endividamento são sustentáveis”.

“Importará ter presente que a evidência de que o risco sistémico tem natureza transfronteiriça e que, por consequência, necessita de uma resposta concertada tanto a nível europeu como internacional, o que já determinou a emergência de um conjunto de inovações institucionais e de propostas de novas regras prudenciais”, sublinhou Carlos Costa no salão nobre do Ministério das Finanças.

O Banco de Portugal, destacou, “tem vindo a dar resposta a estes desenvolvimentos, que se integram num processo em curso”: “E teremos que continuar a acompanhar estes desenvolvimentos com maior atenção, tendo em conta que deles depende a manutenção da credibilidade das instituições financeiras nacionais”.

Uma das lições a retirar da crise financeira e económica é, segundo Teixeira dos Santos, “a necessidade de responder de forma global” a um abalo que é “igualmente global”. A “forte integração dos mercados financeiros internacionais”, sustentou o ministro das Finanças na tomada de posse de Carlos Costa, “exige que o reforço de supervisão e de regulação financeiras seja coordenado entre os vários países”: “O G20 e a União Europeia têm claramente responsabilidade e obrigação de desenvolver trabalho neste domínio, que não podemos, a nível interno, ignorar”.

MRA Alliance/RTP

Assessor de Obama pede a Wall Street para aceitar novas regras

sábado, outubro 17th, 2009

O principal assessor económico da Casa Branca, Lawrence Summers, pediu hoje a Wall Street para que aceite a aplicação de novas normas reguladoras para evitar outras crises e disse que os Estados Unidos precisam de “mudanças fundamentais” no sector financeiro.

“Chegou o momento de iniciar mudanças fundamentais no sector financeiro da nossa economia, tanto na maneira como as instituições dirigem os negócios, como na forma como são reguladas”, disse Summers durante uma reunião de economistas em Nova York.

O director do Conselho Económico Nacional destacou que, a cada três anos, emerge uma nova recessão financeira no mundo, como a crise económica mexicana de 1994, a asiática de 1997 e a explosão da bolha tecnológica em 2000.

“Um sistema que produz tantos incidentes desta gravidade é, com certeza, um sistema que precisa de uma reforma”, argumentou.

Summers disse que um sistema financeiro, alegadamente, “desenhado para gerir, distribuir e controlar o risco foi a fonte dos problemas, com consequências devastadoras para os trabalhadores, consumidores e contribuintes”.

O economista, que foi secretário do Tesouro durante a Administração Clinton, adiantou que o Governo americano está disposto a impulsionar um crescimento da economia real, assente na produção e na distribuição de bens e serviços em vez de fabricar bolhas financeiras.

Summers apelou para o envolvimento de Wall Street neste processo de mudança, já que a bolsa nova-iorquina “não foi exatamente uma pequena causa da crise e deve ser parte da solução”.

Ontem, a Administração Obama teve sua primeira vitória em política de reforma financeira em meses após a Comissão de Serviços Financeiros do Congresso ter aprovado uma nova regulação sobre derivativos financeiros, negociados fora dos mercados regulados.

O projecto de lei quer combater o excesso de especulação, com os derivativos a desempenhar um papel fulcral na eclosão da crise financeira do ano passado.

MRA Alliance/Agências 

EUA: Supervisão mais cara vai encarecer serviços bancários

sábado, agosto 15th, 2009

A administração Obama prepara-se para introduzir alterações no sistema financeiro dos EUA que contemplam a protecção dos direitos dos clientes e o agravamento dos encargos de supervisão cobrados aos bancos de maior dimensão.

De acordo com diário Washington Post, os bancos com activos superiores a 10 000 milhões de dólares terão os encargos aumentados, os quais, inevitavelmente, irão repassar para os clientes encarecendo os serviços. 

Um funcionário do Tesouro dos Estados Unidos explicou que a alteração tem a ver com os riscos e custos da supervisão.

As grandes instituições têm mais clientes e oferecem produtos mais complexos. Por isso, dão mais trabalho e exigem um controlo mais apertado.

MRA Alliance/Agências

Governo vai reforçar poderes de supervisão do Banco de Portugal

domingo, julho 19th, 2009

O Executivo socialista está a preparar a reforma do sistema de supervisão financeira, assente na criação de um sistema fiscalização bipartido entre o Banco de Portugal e, eventualmente, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o qual implicará o reforço dos poderes do banco central.

A informação foi divulgada no final da semana num comunicado do Ministério das Finanças, que dá conta da intenção de dividir os poderes de supervisão prudencial e de supervisão comportamental por dois reguladores distintos.

A supervisão prudencial, que procura acautelar as situações de colapso das entidades financeiras, irá ficar sob a alçada do Banco de Portugal.

A supervisão comportamental, que assegura o cumprimento das normas do sector, será da responsabilidade de um organismo «vocacionado para monitorizar a conduta dos agentes nos mercados financeiros e para promover a protecção dos consumidores de produtos financeiros», indica o Ministério. Os observadores especulam que será a CMVM.

O novo modelo será sujeito a consulta pública no início de Setembro.

MRA Alliance/Agências

Obama dá força ao Fed e cria agência para proteger consumidores

quarta-feira, junho 17th, 2009

Barack Obama anunciou hoje uma “reforma profunda” do sistema de regulação e supervisão financeiro norte-americano, durante um discurso proferido na Casa Branca, em Washington.

“Uma cultura de irresponsabilidade ganhou raízes de Wall Street [rua dos banqueiros] a Washington até à Main Street [rua do povo]”, criticou o presidente dos Estados Unidos, defendendo “regras que permitam aos mercados promover a inovação e desencorajar o abuso”.

“É indiscutível que um dos principais responsáveis pela actual situação económica foi a falta de estruturas de regulação adequadas para prevenir abusos e excessos”, disse Obama.

Entre as propostas apresentadas, o presidente destacou as que vão privilegiar a segurança das instituições e a estabilidade do sistema financeiro “como um todo”.

O governo vai conceder mais poderes ao banco central dos EUA, a  Reserva Federal (Fed), para que possa fiscalizar e regular as empresas que representem um “risco de colapso para a economia”.

No contexto da reforma, Obama anunciou também a criação de uma agência que proteja os consumidores de produtos financeiros. O novo organismo vai poder banir “práticas e condições injustas” devendo fornecer aos consumidores “informação simples e transparente”.

MRA Alliance/Agências

Bruxelas prepara medidas fortalecer supervisão dos bancos

segunda-feira, maio 25th, 2009

O Conselho Europeu de Junho vai tentar vencer as reticências do Reino Unido e aplicar uma nova norma de supervisão dos bancos, já em 2010, procurando adiantar-se aos Estados Unidos na definição da futura regulação dos mercados financeiros, noticia hoje o Público online. “A Comissão Europeia pretende reforçar os seus sistemas de vigilância e de controlo, depois dos fracassos das regras financeiras terem reforçado a crise global”, refere o jornal.

A CE pretende criar dois organismos distintos – um para avaliar os riscos sistémicos das finanças europeias (Conselho Europeu de Risco Sistémico), e outro para regular os mercados bancário, segurador e bolsista (Sistema Europeu de Supervisores Financeiros).

A proposta deverá ser discutida no próximo Conselho Europeu, em meados de Junho. O executivo comunitário pretende vencer a relutância do Governo britânico, que se recusa a aceitar as normas comuns para todos os países. Londres considera que cabe às suas autoridades fixar os critérios de inspecção das suas instituições financeiras, apesar do fraco desempenho dos reguladores do Reino Unido na gestão da própria crise.

MRA Alliance/Público

EUA: Geithener quer “novas regras do jogo” para sector financeiro

quinta-feira, março 26th, 2009

Timothy GeithnerO secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, apresentou hoje ao Congresso as novas “regras do jogo” para o sector financeiro, que incluem o controlo mais rigoroso sobre hedge funds e o alargamento da regulação federal às operações com produtos financeiros derivados e estruturados.

Com as novas propostas, as instituições financeiras serão obrigadas a constituir maiores reservas de capital para cobrir prejuízos e a apertar as normas de gestão do risco.

Geithner defendeu a criação de uma única autoridade reguladora para fiscalizar as grandes empresas não bancárias do sector financeiro, como hedge funds e private equity, bem como os instrumentos derivativos de risco. 

“Os grandes conglomerados e os mercados devem estar sujeitos a um quadro regulatório mais conservador e consistente”, defendeu Geithner, no discurso que leu perante a Comissão de Serviços Financeiros do Congresso. 

O secretário do Tesouro defendeu novas regras para as compensações financeiras de executivos do sector e reconheceu que o sistema falhou em áreas fundamentais.

“O sistema provou ser muito instável e frágil, sujeito a rápidas crises cíclicas e a bolhas periódicas, nos mercados imobiliários e de crédito, seguidas por implosões e contracções”, disse.

MRA Alliance/Agências

Comissão de Basileia para Supervisão Bancária alargada a metade do G20

sábado, março 14th, 2009

O Banco Central informou na sexta-feira que o Brasil e outros países do G20 foram convidados para integrar a Comissão de Basileia para Supervisão Bancária – Basel Committee on Banking Supervision (BCBS)- sedeada na Suíça. O convite é extensivo à Rússia, Índia, China, Austrália, México e Coreia do Sul.  

A decisão atende a proposta do G20, o grupo de países em desenvolvimento, que de há muito exige a revisão dos critérios de associação impostos pelos organismos multilaterais que estabelecem as normas mundiais de regulação financeira.

O BCBS, integrado no Banco Internacional de Pagamentos (BIS, em inglês), tem como missão promover e fortalecer as práticas de supervisão e de gestão de riscos financeiros a nível mundial.

Os presidentes dos bancos centrais daqueles países vão passar a estar representados na governação da Comissão de Basileia onde, até agora, apenas tinham assento 12 países – Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha, Suíça, Bélgica, Luxemburgo, Holanda e Japão.

“O convite ao Brasil é reflexo da qualidade da regulação e supervisão do sistema financeiro, implementadas pelo país”, refere o Banco Central do Brasil, em nota distribuída ontem.

O Brasil foi igualmente convidado a integrar o Fórum de Estabilidade Financeira, cujo objectivo visa promover a estabilidade global do sistema através do intercâmbio de informações e da cooperação.

Também foram convidados a integrar o fórum outros nove países do G-20 – África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, China, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia.

MRA Alliance/Agência Brasil

UE aperta controlos e regras para agências de notação de risco

quinta-feira, novembro 13th, 2008

A Comissão Europeia (CE) acaba de propor a adopção de medidas mais rigorosas de regulação e fiscalização das agências de qualificação de risco, para assegurar a sua independência face às entidades financeiras que avaliam e a credibilidade das análises que produzem.

A iniciativa pretende reparar os danos provocados por aquelas agências no contexto da actual crise financeira, por terem avaliado incorrectamente a qualidade dos riscos de certos produtos – designadamente derivativos de crédito – bem como o grau de exposição e a saúde financeira dos seus clientes, no Estados Unidos e no resto do mundo.

“Normas mais apertadas são necessárias para restaurar a confiança do mercado e garantir a independência analítica das agências” disse o comissário europeu do Mercado Interno e Serviços, Charlie McCreevy, durante uma conferência de imprensa, em Bruxelas.

O comissário sublinhou que as agências ”vão deixar de se poder defender com o argumento de que as suas notações de risco são meras opiniões” e, caso não actuem em conformidade com a lei, serão penalizadas. De acordo com as novas regras, as agências de notação de risco:

– Passam a estar sujeitas a supervisão dupla: 1) das autoridades nacionais que regulamentam os mercados financeiros; 2) através de um registo na Comissão de Reguladores Financeiros Europeus (CESR, em inglês), organismo de consulta independente que cooperará com os supervisores nacionais;

– Estão proíbidas de prestar serviços de assessoria;

– É-lhes vedado qualificar instrumentos financeiros caso não disponham de informação com qualidade suficiente para a emissão dos pareceres;

– Passam a ser obrigadas a implantar uma estrutura interna de revisão da qualidade de suas classificações;

– Os seus Conselhos de Administração ou de Supervisão serão obrigados a ter no mínimo três directores independentes, cuja remuneração não esteja submetida aos resultados da agência, devendo pelo menos um deles ser especializado em seguros e em instrumentos financeiros derivados. Os administradores serão nomeados para um mandato único, não-superior a cinco anos, podendo ser destituídos por falhas profissionais;

– As agências deverão informar os reguladores sobre os modelos, metodologias e fundamentos técnicos que servem de base para as suas notações, bem como apresentar todos os anos um relatório sobre a transparência das suas actividades.

O comissário McCreevy julga as medidas serão bem aceites pelo sector pois melhoram a reputação e a credibilidade das empresas, muito afectadas desde a implosão da crise hipotecária e de crédito, no Verão de 2007.

A proposta da Comissão Europeia é particularmente crítica sobre as suas ”duvidosas práticas” e “conflitos de interesses”, acusando as agências de terem comprometido a sua função para obterem mais lucros.

McCreevy informou que as medidas agora apresentadas poderão entrar em vigor dentro de um ano, se o Parlamento Europeu e a Presidência da União Europeia, actuarem com celeridade.

Segundo o comissário, a Comissão Europeia vai propor aos Estados Unidos a adopção destas medidas e irá pô-las em prática independentemente das decisões do governo estadunidense.

O tema será abordado na cimeira do G20, no próximo fim-de-semana, em Washington, durante a qual as vinte maiores economias do mundo vão debater as reformas do sistema financeiro global.

MRA Dep. Data Mining/Agências

pvc

Sintonia euro-asiática sobre regulação financeira global

domingo, outubro 26th, 2008

Os chefes de estado e de governo europeus e asiáticos, reunidos em Pequim, apoiaram a proposta do presidente em exercício da UE/União Europeia, Nicolas Sarkozy, tendente ao endurecimento da regulação dos mercados financeiros a nível global, num comunidado distribuído no final da cimeira euro-asiática. Os participantes defendem “uma reforma eficaz e abrangente dos sistemas monetário e financeiro internacionais.” O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, após o conclave que reuniu 40 altos dignitários dos governos dos blocos europeu e asiático, afirmou ser necessária “muito mais regulação para assegurar a estabilidade financeira.”

O tema promete ser polémico entre os dirigentes americanos e europeus, durante a próxima cimeira internacional, a realizar no dia 15 de Novembro, em Washington, para debater as reformas do sistema financeiro global. Os americanos opõe-se ao excesso de regulação e, apesar da crise, continuam a defender o primado da liberdade económica. A maioria dos europeus, liderados por Sarkozy, defende uma maior intervenção do Estado na economia e maior rigor e controlo das actividades do sector privado, sobretudo na área financeira. MRA Dep. Data Mining

Annan considera sistema financeiro «inapropriado e obsoleto»

domingo, outubro 12th, 2008

Kofi AnnanO antigo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, classificou como inadequado e obsoleto o sistema que regula os mercados financeiros internacionais. No entender do ex-líder da ONU “os mercados tornaram-se globais mas os nossos mecanismos de regulação continuam a ser locais.” Annan defendeu o desenvolvimento de mecanismos de controlo e regulação internacionais. O diplomata ganês foi distinguido na Alemanha pela sua carreira e obra. Kofi Annan foi laureado, em 2001, com o Prémio Nobel da Paz. MRA Dep. Data Mining

Talidomida regressa para combater cancro, mas teve problemas no Brasil

domingo, junho 29th, 2008

Talidomida - Vítima - Lorraine MercerO medicamento «Talidomida» que nos anos 60 provocou dezenas de milhares de malformações em recém-nascidos , voltou este ano a ser comercializado com um novo nome «Talomida» após ter sido banido do mercado pelas autoridades sanitárias europeias, em 1962. A rebaptizada droga é agora apresentada nos Estados Unidos e na Europa como um «poderoso tratamento contra o cancro». O último número do Jornal Americano de Oncologia Clínica dá conta dos resultados dos testes terapêuticos efectuados em doentes com Carcinoma Celular Renal Metastático (MRCC), um tipo de tumor maligno (mieloma) que afecta o sangue. A Agência Europeia do Medicamento, em Abril deu luz verde à comercialização para tratamento daquela patologia. O chefe da equipa de investigação da Clínica Mayo, Minnesota, EUA, em declarações à imprensa especializada informou que “dos 16 doentes envolvidos no teste, apenas dois registaram um agravamento progressivo do mieloma.” A organização britânica Thalidomide UK denunciou entretanto que desde a reemergência do fármaco para o tratamento da lepra no Brasil, em 1985, nasceram «800 crianças» com malformações. Não foram detectados casos nem nos EUA nem na Europa. A organização manifestou-se preocupada com a biodisponilidade e a bioequivalência da substância activa. “Problemático e preocupante é a circunstância de alguns hospitais na Europa se terem abastecido do fármaco no Brasil, por ser mais barato” , afirmou Freddie Astbury, fundador e presidente da organização. “Eu nunca afirmei que não poderá nascer outro ‘bébé talidomida’ na Europa, mas penso que as actuais regras reflectem as melhores práticas que poderíamos ter conseguido”, concluiu. A empresa americana Celgene será a única detentora da licença de comercialização na Europa e a ela caberá responsabilidade pela boa aplicação das regras de utilização do medicamento.

MRA Dep. Data Mining

Governo Bush lança maior programa de regulação financeira desde a crise de 1929

segunda-feira, março 31st, 2008

“Hank” PaulsonO secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry “Hank” Paulson, apresentou hoje as propostas do Governo norte-americano visando realizar a maior reforma do sistema de regulação financeiro, desde a Grande Depressão. As propostas, contidas num documento de 218 páginas, não indicam uma saída rápida para a contracção de crédito que pode levar os Estados Unidos a uma recessão. Mesmo assim, Paulson disse que o sistema de supervisão do capitalismo norte-americano precisa melhorar normas e regulação para enfrentar “inevitáveis disrupções do mercado”. Ao falar na sede do Tesouro dos EUA, para presentar o “Projecto para Reforma Regulatória”, encomendado dois meses antes do início da crise do crédito hipotecário de alto risco (subprime), Paulson sublinhou que mais regras não são “a resposta” para a actual turbulência. O actual sistema, com sete reguladores federais, seria reestruturado em apenas três agências: a Fed, um recém-criado regulador financeiro e uma terceira agência para protecção dos consumidores e promoção de boas práticas.O antigo líder do banco de investimento Goldman Sachs, considerou que a actual estrutura de regulamentação dos bancos e outras empresas financeiras está desactualizada. Por outro lado, sugeriu que a Reserva Federal (Fed) deverá expandir os seus poderes de supervisão dos serviços financeiros para entidades não bancárias. Neste contexto Paulson recomenda que a Fed passe a auditar os dados empresariais, a elaborar as regras e a intervir na prevenção de crises económicas. Enquanto último garante da liquidez do mercado, a Reserva Federal poderia alargar os empréstimos federais às seguradoras e a outras instituições financeiras.Paulson destacou que a regulamentação vai ser suficientemente suave para manter as inovações do mercado. Wall Street e a generalidade dos analistas reagiram com aparente tranquilidade às sugestões do Secretário do Tesouro por, alegadamente, terem consciência de que só deverão ser adoptadas após a saída da actual administração Bush/Cheney, em Janeiro de 2009. (MRA/Agências)