Archive for the ‘Portugal’ Category

Trilateral lidera reorganização da diplomacia económica portuguesa

quarta-feira, julho 20th, 2011
O antigo ministro das Finanças e destacado membro da Comissão Trilateral, Jorge Braga de Macedo, vai coordenar o grupo de trabalho que proporá ao Governo o novo modelo de organização dos serviços do Estado ligados à diplomacia económica.
O economista e professor universitário Luís Campos e Cunha e o embaixador António Monteiro também farão parte do grupo. A equipa a criar pelo Governo será composta por seis elementos e deverá apresentar o seu relatório de actividades no prazo de 45 dias, disse à Lusa fonte governamental.

O objectivo do Governo é reestruturar os serviços e organismos públicos envolvidos na promoção e captação de investimento estrangeiro, na internacionalização da economia portuguesa e na cooperação para o desenvolvimento. Pretende-se a adopção de um modelo de coordenação de áreas tradicionalmente tuteladas pelos ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros que seja mais forte e eficiente.

A Comissão Trilateral foi fundada em 1973, pelo banqueiro David Rockefeller, adepto da globalização e de um novo modelo de Ordem Mundial, partilhada entre os EUA, a UE e o Japão, após a ter proposto meses antes durante uma cimeira do Grupo Bilderberg.
MRA Alliance/Agências 

Portugal: Exposição à dívida soberana é o maior risco da banca portuguesa, diz Fitch

quarta-feira, julho 20th, 2011

A exposição da banca portuguesa à dívida soberana do País é significativa, estando compreendida entre 59% e 183% do “core capital”. O alerta é lançado pela agência de “rating” Fitch no seu terceiro relatório dedicado à análise dos testes de stress, cujos resultados foram divulgados na semana passada. Os quatro bancos portugueses submetidos aos testes de resistência – Grupo BES, BPI, BCP e CGD – passaram nas provas.

A Fitch salienta que todos os bancos poderão ser significativamente afectados por um potencial “haircut” de 25% sobre a dívida soberana apresentada nos balanços. Essa dívida tem, na sua grande maioria, maturidades de médio prazo. “Haircut”, recorde-se, é a perda de capital e/ou juros resultante da renegociação da dívida ou do incumprimento no pagamento dos juros ou reembolsos.

Segundo o relatório da agência norte-americana de rating, o rácio “Tier 1” resultante cairia para 3,7% no caso do BPI, para 4,6% na CGD e para 4,7% no Millennium bcp. “Isto sublinha a vulnerabilidade do capital aos choques soberanos e a necessidade de um reforço adicional dos seus níveis de capital devido aos crescentes receios em torno da dívida soberana”, refere o documento.

A agência espera que os bancos nacionais reforcem os seus rácios de capital. , Os bancos deverão ter um “Core Tier 1” de 9% no final de 2011 e de 10% no final de 2012. “Se os bancos não conseguirem [estes níveis], terão de recorrer ao fundo de recapitalização de 12 mil milhões de euros providenciado pela UE e pelo FMI no âmbito do pacote de resgate a Portugal no valor de 78 mil milhões de euros”, diz a Fitch .

A agência norte-americana conclui dizendo que os “ratings” para a dívida de longo prazo dos bancos portugueses continuam sob vigilância negativa.

MRA Alliance/Agências

Governo vai reduzir cargos dirigentes em 15% e indemnizações por despedimento para 20 dias

quarta-feira, julho 20th, 2011

O Conselho de Ministros aprovou hoje a redução de 15 por cento das estruturas orgânicas de cada ministério e ainda o número de cargos dirigentes superiores e intermédios, anunciou o secretário de Estado da Presidência, Marques Guedes, no final do encontro.«Este processo será finalizado no Conselho de Ministros de 26 de Outubro, que aprovará as leis orgânicas dos ministérios», acrescentou.

O gabinete também aprovou hoje a alteração ao Código de Trabalho que abre a porta à redução do valor das indemnizações por despedimento. O Governo garante que as novas regras serão apenas aplicadas aos contratos de trabalho assinados depois da entrada em vigor da nova legislação, em Setembro.

Incerto ainda é o futuro do novo fundo para despedimentos, também previsto no memorando da troika, e que implica um aumento dos descontos das empresas. O documento prevê que as indemnizações por despedimento ou por dispensa de contratados desçam de 30 para 20 dias de salário-base por ano trabalhado.

Numa primeira fase, a reforma deve apenas aplicar-se a contratos assinados depois da entrada em vigor da lei. Metade deste valor deve ser assegurado por um novo fundo, alimentado por contribuições das empresas (que podem chegar a 1% do salário do trabalhador). O objectivo é que o fundo garanta o pagamento de pelo menos metade da indemnização, o que nem sempre acontece.

MRA Alliance/Agências

Dívida: Portugal leiloou 750 milhões para manter juros abaixo de 5%

quarta-feira, julho 20th, 2011

O Tesouro português colocou hoje 750 milhões de euros em dívida de curto prazo. A emissão foi feita pelo valor mínimo, o que permitiu manter as taxas de juro abaixo dos cinco por cento.

No leilão  de 450 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) a três meses, a taxa de juro foi de 4,982 por cento, contra os 4,926 por cento registados no leilão de 6 de Julho. Na emissão de  300 milhões em BT a seis meses, a taxa de juro foi de 4,960 por cento, contra 4,954 por cento na última emissão comparável.

“Portugal colocou o valor mínimo para que a emissão não ultrapasse a fasquia dos cinco por cento”, disse ao Público Filipe Silva, gestor do mercado da dívida do Banco Carregosa.  Para este especialista, as taxas de juro cobradas são positivas, visto que são bem mais baixas do que o mercado secundário está a exigir para comprar dívida a três e a seis meses – 5,25 por cento e quase 7 por cento, respectivamente.

Segundo Filipe Silva, para que a pressão dos mercados acalme não basta que Portugal consiga executar as medidas da troika e as do Governo. “A Europa precisa de tomar decisões concretas sobre como se vai resolver a crise da dívida”, concluiu.

MRA Alliance

Principais credores da dívida pública portuguesa

terça-feira, julho 19th, 2011
Os 90 bancos europeus analisados nos testes de esforço detinham, no final do ano passado, €40,2 mil milhões em dívida pública portuguesa. Os dados detalhados por banco foram divulgados juntamente com os resultados dos testes em que chumbaram oito instituições do Velho Continente.
Os maiores credores são, de longe, os bancos portugueses. As quatro instituições nacionais testadas – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Espírito Santo Financial Group e BPI – detinham €19,6 mil milhões em dezembro de 2010. O 1.º lugar da lista é ocupado pelo banco público, com uma exposição direta bruta de €6530 milhões.

Além das quatro instituições nacionais, destacam-se as posições da banca espanhola (€5492 milhões), a francesa (€4751 milhões) e alemã (€3320 milhões). Entre os 90 bancos submetidos ao teste, apenas 49 revelaram possuir dívida pública portuguesa.

MRA Alliance/Expresso

Alemanha tem bons lucros com resgate da dívida portuguesa

domingo, julho 17th, 2011

Os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido um bom negócio para os países que lhes concederam garantias, revelou hoje o presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

“Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão”, garantiu Regling precisando que este “é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá, mas que os contribuintes alemães não acreditam”.

MRA Alliance

Comunidade brasileira é a maior em Portugal

terça-feira, julho 12th, 2011

Os brasileiros são o maior grupo de estrangeiros residentes em Portugal, seguindo-se os ucranianos e os cabo-verdianos, de acordo com um relatório da OCDE sobre tendências migratórias apresentado hoje em Bruxelas.

«O maior grupo é o dos brasileiros (que respondem por 26 por cento do total da população estrangeira com uma autorização de residência válida), seguidos dos ucranianos (12 por cento) e dos cabo-verdianos (11 por cento)», refere o estudo da OCDE.

«O número de naturalizações continua a subir e atingiu um novo pico de 25 500 em 2009, sete vezes mais do que em 2006», sendo que a maior parte tem origem nos PALOP.

MRA Alliance/A Bola

MNE vai este mês a Angola, Moçambique e Brasil

sábado, julho 9th, 2011

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, vai fazer visitas oficiais a Angola, Moçambique e Brasil no final do mês. Portas começa a 21 de Julho em Angola e termina a 25 em Brasília. 

O MNE irá ainda ao Peru, a 27 e 28 de Julho, para representar Portugal na tomada de posse do novo Presidente, Ollanta Humala.

MRA Alliance/Agências

Portugal: Risco de bancarrota galga de 11,7% para 57%

sexta-feira, julho 8th, 2011

O custo dos credit default swaps (cds, derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento) ligados à dívida soberana portuguesa ultrapassaram ontem o limiar dos 1000 pontos base, fixando um máximo de valor de fecho em 1023,63 pontos base. Hoje o Expresso faz as contas e publica a cronologia de uma bancarrota (quase) anunciada, recorrendo a dados da da CMA DataVision, relativos ao primeiro e último trimestres desde 2009.

1º trimestre de 2009: o risco de default finalizou em 11,7%, o custo dos cds fecharam em 139,6 pontos base, e Portugal ocupava o 25º lugar no ranking dos países com maior probabilidade de entrar em incumprimento.

4º trimestre de 2009: o risco baixou para 6,2%, o custo dos cds contraiu-se significativamente para 74 pontos base, e Portugal desceu substancialmente para 47º lugar no ranking. Nada faria, aparentemente, prever a tormenta que se desencadearia no ano seguinte.

1º trimestre de 2010: o risco subiu de novo para 11,7%, o custo dos cds estava em 139,6 pontos base e Portugal subiu para 26º lugar, uma situação quase similar à do início de 2009. Neste trimestre, a Moody’s a 13 de janeiro veio falar da “morte lenta” da Grécia e de Portugal, amalgamando as duas situações, apesar da Grécia ter 25% de risco e estar em 9º lugar no ranking.

4º trimestre de 2010: o risco continuou a subir e fixou-se em 35,9%, o custo dos cds aumentou para 497,3 pontos base, e Portugal galgou 22 lugares no ranking, posicionando-se em 4º lugar (depois da Grécia, Venezuela e Irlanda).

1º trimestre de 2011: o risco prosseguiu a subida até 40,1%, o custo dos cds passou para 578,6 pontos base, e Portugal conservou o 4º lugar no ranking.

Hoje, já depois da assinatura do memorando de entendimento com a troika em maio, o risco de default fechou em 57,01%, o custo dos cds em 1023,63 pontos base (tendo estado inclusive ao final da manhã em 1065,49 pontos base antes do “efeito Trichet”), e Portugal subiu para o 2º lugar do ranking.

No espaço de dois anos e meio, o custo dos cds multiplicou por 7 vezes e a probabilidade de default aumentou quase 45 pontos percentuais, ou seja multiplicou quase por 5.

MRA Alliance

Downgrading do rating obriga RTP a dar 208 milhões a um banco

sexta-feira, julho 8th, 2011

A descida do rating da República terá um forte impacto na RTP, que foi obrigada a renegociar a dívida com o Depfa Bank, entidade que em 2003 garantiu 800 milhões de euros para que a empresa pública pudesse avançar com o plano de reestruturação, informa o Correio da Manhã, citando uma fonte não identificada.

A mesma fonte revela que a RTP está agora obrigada a diminuir a “sua dívida ao Depfa no montante de 208 milhões de euros e não de 47,5 milhões como estava previsto”. Isto significa um aumento de 438 por cento.

Além disso, “a amortização antecipada do empréstimo pode implicar a compra em 2011 do arquivo da RTP”, um negócio que deveria ser concluído até 2013, sublinha o jornal. A operação será efectuada por um valor entre os 110 e os 150 milhões de euros. Para atingir os 208 milhões de euros de amortização, a empresa poderá ser obrigada a outras medidas. Este processo poderá mesmo acelerar a privatização de um dos canais generalistas do grupo, previsto no programa de Governo.

Segundo o CM a referida renegociação começou após a anterior descida do rating e durou várias semanas. O resultado “implica a revisão do plano de amortização do empréstimo, com antecipação de parte do reembolso final, inicialmente previsto para 2013 e o agravamento das condições de pricing”, neste caso, diz a empresa, só em 2011 o aumento dos custos financeiros será na ordem dos 10 milhões de euros.

MRA Alliance

Marcelo diz que caso Moody’s encaixa na “estratégia americana contra o Euro”

sexta-feira, julho 8th, 2011

Marcelo Rebelo de Sousa considerou hoje que a descida do ‘rating’ de Portugal se insere numa estratégia dos Estados Unidos contra o Euro e favorável ao Dólar, defendendo que “há muito” que devia existir uma agência de notação europeia, escreve o Diário de Notícias

“Para mim, é evidente que isto entra numa estratégia americana contra o Euro e contra a Europa, em que as agências de ‘rating’ têm um papel muito importante, são americanas, puxam pelo dólar, têm posições em momentos cruciais desfavoráveis ao Euro e a economias europeias”, afirmou o antigo presidente do PSD aos jornalistas.

O social-democrata e também comentador político falava hoje à entrada para um seminário na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, numa curta declaração aos jornalistas. Para Marcelo Rebelo de Sousa, as agências norte-americanas de notação financeira estão a querer “à  força, neste momento, inviabilizar o apoio à Grécia e colar Portugal à Grécia”. “Foi este o objectivo, nitidamente, da Moody’s”, advogou.

Rebelo de Sousa defendeu ainda que a União Europeia “já devia ter criado há muito tempo” uma agência própria e teceu críticas ao modo de actuar dos 27.

“A União Europeia está a reagir ao que se está a passar com um atraso de dois a três anos, esses dois a três anos estão a ser muito graves para as economias europeias”, concluiu.

MRA Alliance

Câmara do Porto não renova contrato com a Fitch

sexta-feira, julho 8th, 2011

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, afirmou hoje que a autarquia não renovou o contrato com a agência de rating Fitch por ter “uma dificuldade tremenda” em trabalhar com quem não considera sério.

“Tenho visto esta recente notícia da Moody’s [redução do nível atribuído à dívida pública portuguesa] da mesma maneira que vi outras e que me levaram, enquanto presidente da Câmara do Porto, pura e simplesmente, a não renovar o contrato com a agência de ‘rating’ que tínhamos, já que não considero que sejam atitudes sérias. Eu tenho uma dificuldade tremenda em trabalhar com quem não considero sério”, disse Rui Rio à Lusa, à margem da apresentação do livro Não Basta Mudar as Moscas, de Jaime Ramos.

Segundo o presidente da Câmara do Porto, quando as agências de ‘rating’ fazem isto, “obviamente não estão a fazer um trabalho sério”. Com esta consideração, adiantou, a Câmara do Porto, que admite que terá sido a primeira a pedir um ‘rating’ em Portugal, é também a primeira que não renovou o contrato – “porque para isto não estou”, enfatizou.

Pelas mesmas razões a Câmara Municipal de Sintra denunciou o contrato que mantinha com a Moody’s. Por seu turno, o presidente do Governo da  Região Autonónoma da Madeira informou que “a partir de hoje nenhuma agência de rating norte-americana” volta a operar no território.

MRA Alliance/DE

BCE classifica opinião de agências de ‘rating’ sobre dívida portuguesa como “lixo”

sexta-feira, julho 8th, 2011

Jean-Claude Trichet avançou hoje que o Banco Central Europeu (BCE) vai continuar a aceitar dívida portuguesa como colateral nas operações de refinanciamento dos bancos, apesar da notação da República ter sido reduzida para “lixo” pela agência Moody’s.

“Hoje o conselho de governadores decidiu suspender a aplicação do requisito mínimo para crédito em relação a obrigações garantidas pelo governo português”, disse Jean Claude Trichet. O programa de ajustamento adoptado pelo governo portugues é “apropriado”, disse o presidente do BCE.

Trichet falava na habitual conferência de imprensa que se segue à reunião mensal de política monetária, que hoje decidiu subir os juros em 25 pontos base para 1,50%. Esta “excepção” hoje anunciada para Portugal também já tinha sido accionada para a Grécia e a Irlanda, os outros países do euro que também pediram assistência financeira e que também fora alvo de sucessivos ‘downgrades’ por parte das agências de ‘rating’.

Isto significa que mesmo que as quatros agências decidam baixar o ‘rating’ de Portugal para notação conhecida como lixo, no seguimento da decisão da Moody’s esta semana, o BCE vai continuar a aceitar a divida soberana portuguesa como boa para continuar a fornecer liquidez ao sistema bancário.

A decisão de classificar como “lixo” as opiniões dos raters norte-americanos foi tomada hoje unanimemente pelo conselho de governadores do BCE em Frankfurt.

MRA Alliance/DE

Moody’s aponta fragilidades da banca portuguesa e europeia

quarta-feira, julho 6th, 2011

A agência de notação financeira refere que o eventual chumbo nos testes de resistência não deverão implicar cortes de ‘rating’. Numa nota enviada hoje à imprensa, a Moody’s refere que dos 91 bancos europeus que irão submeter-se aos próximos testes de ‘stress’ pela autoridade europeia do sector bancário, e que serão divulgados já este mês, “26 têm um elevado risco de necessitarem de um apoio externo extraordinário, como é indicado pelo seu ‘rating’ de ‘non investment grade [carácter especulativo]'”.

Os quatro bancos nacionais avaliados pela Moody’s e que irão submeter-se aos testes de esforço estão todos nestas condições: BES, BPI e Caixa Geral de Depósitos apresentam um ‘bank financial strength’ de “D+” e estão em revisão para um possível novo corte. O BCP está numa situação mais delicada, apresentado um ‘bank financial strength’ de “D” (um nível abaixo do ‘rating’ de “D+”) e também em revisão para um possível ‘downgrade’.

Além dos quatro bancos portugueses na lista de possíveis “chumbos” deverá ainda figurar quatro bancos gregos, actualmente com um ‘bank financial strength’ de “E” (quatro níveis abaixo de “D+”), os irlandeses Bank of Ireland e Allied Irish Bank, quatro instituições alemãs, duas italianas, três espanholas e uma série de bancos de outras nacionalidades.

MRA Alliance/DE

Portugal provoca baixa do euro e do petróleo

quarta-feira, julho 6th, 2011

Os alarmes voltaram a soar na Europa, depois de a Moddy’s ter descido o ‘rating’ de Portugal em quatro níveis para o nível de lixo (‘Ba2′), Quer isto dizer que a agência de notação financeira considera o investimento em dívida nacional uma aplicação especulativa e, por isso, de alto risco.

A moeda única perde, nesta altura, 0,43% para 1,4367 dólares. “As preocupações em torno de Portugal irão pesar sobre o euro”, afirmou Lee Hardman, especialista da unidade cambial do Bank of Tokyo-Mitsubishi, à Bloomberg.

O ‘downgrade’ de Portugal está ainda a ter efeitos negativos no mercado petrolífero, devido ao receio de que a crise de dívida na Europa limite a procura por combustíveis. O barril de ‘brent’, a referência para as importações portuguesas, perde 0,75% para 112,76 dólares, em Londres, ao mesmo tempo que o barril de crude desce 0,25% para 96,64 dólares em Nova Iorque.

Nas bolsas europeias assiste-se também a quedas acentuadas, depois de um ‘rally’ de sete dias, com Lisboa a protagonizar o pior desempenho. O índice de referência, o PSI 20, desce 2,55%, arrastado sobretudo pelos títulos da banca. O BCP, que tem um banco na Grécia, tomba 5,33% para 0,37 euros, mas já esteve a descer mais de 6% para 0,36 euros, um novo mínimo de sempre. BPI, BES e Banif caem mais de 3%. “O corte do ‘rating’ de Portugal é definitivamente a notícia que está por detrás da atmosfera de hoje”, comentou Mattias Jasper, perito do WGZ Bank.

Nos mercados de dívida os periféricos são os que mais sofrem. No caso de Portugal, os juros das obrigações dispararam hoje mais de 100 pontos base nos prazos mais curtos, ao mesmo tempo que o preço do seguro contra o eventual incumprimento do Estado português escalou mais de 80 pontos.

MRA Alliance/DE

Estado emite dívida na ressaca do corte de rating

quarta-feira, julho 6th, 2011

Portugal realiza hoje o quinto leilão de dívida desde que pediu ajuda externa e 24 horas depois de ter sofrido novo corte de rating para a temível classificação de «lixo». O Estado pretende angariar entre 750 e mil milhões de euros numa emissão de dívida com maturidade a três meses.

A agência de notação financeira Moody`s cortou em quatro níveis o rating de Portugal de Baa1 para Ba2, igual a lixo (junk, no jargão financeiro ibnternacional), colocando a dívida soberana portuguesa como na categoria de alto risco para os investidores. A decisão promete por isso causar turbulência nos mercados. Na bolsa, o PSI20 abriu no vermelho,  com a banca em destaque.

De acordo com o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), o leilão de hoje tem um montante indicativo entre os 750 e os mil milhões de euros a colocar na linha de Bilhetes do Tesouro com maturidade em 21 de Outubro deste ano.

Depois do pedido de ajuda endereçado a Bruxelas e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) – Portugal deverá receber 78 mil milhões de euros caso cumpra o programa de ajustamento acordado com a troika -, Portugal orientou o seu programa de financiamento para empréstimos de curto prazo.

Durante o terceiro trimestre, de acordo com as linhas mestras publicadas pelo IGCP, Portugal irá tentar financiar no mercado entre 4,5 e 6,75 mil milhões de euros, através de dívida de curto prazo, maioritariamente em linhas que atingem a maturidade este ano.

Entretanto a decisão da Moody’s suscitou um conjunto de reacções que oscilam entre a irritação e a relativização por parte dos agentes económicos e analistas.

Manuel Caldeira Cabral disse esta terça-feira que a decisão da Moody¿s de cortar em quatro níveis o «rating» de Portugal «é profundamente injusta e mal fundamentada na análise económica». Para o economista «é um erro estar a associar demasiado o caso português ao caso grego».

«Prefiro uma crise em «v», afundar rápido para depois começar a subir, do que uma crise que não tem «v», é só um dos lados, é um plano inclinado», afirmou ontem o economista João Duque, presidente do ISEG, citado pela Lusa. Com «algum esforço e muita dureza» Portugal pode «voltar rapidamente aos eixos», e o importante agora, frisa João Duque, é mostrar «até final do ano» que o país está a cumprir o acordo firmado com a «troika» internacional.

O Ministério das Finanças, em comunicado citado pela Reuters, reagiu ontem afirmando que «o downgrade ora anunciado revela o ambiente adverso da crise da dívida soberana e as vulnerabilidades da economia portuguesa neste contexto». A seguir, acrescentou que a agência «não terá tido em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika, traduzidas numa votação de mais de 80% nos partidos que subscreveram os memorandos».

Por seu turno, o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Faria de Oliveira, exige que as autoridades europeias se manifestem contra o «ataque» da agência de notação classificando a sua decisão de «imoral e insultuosa». «Imoral em relação aos argumentos e fundamentos, insultuosa para Portugal, que com um novo Governo maioritário e o apoio de 80% dos eleitores está a aplicar rápida e determinadamente o acordo com a troika», disse à Lusa o presidente da CGD.

O economista Luís Nazaré, ex-presidente dos CTT, considerou hoje que o corte de rating de Portugal pela Moody’s é a confirmação do «comportamento incompetente e lesivo das economias europeias periféricas», mas também da incompetência das agências de notação, que pelas regras do mercado, já deviam ter desaparecido.

«Este corte significa a confirmação das motivações e do comportamento incompetente e lesivo das economias europeias, principalmente das periféricas, mas não só, também das agências de notação», disse à Lusa Luís Nazaré horas depois de a Moody’s ter cortado o rating de Portugal para «lixo».

«Se o mercado (de que as agências tanto reclamam) funcionasse como deve ser, as três agências de notação internacionais norte-americanas já teriam sido varridas a alcatrão e penas da cena internacional, dadas as provas manifestas de completa incompetência que revelaram no passado e que conduziram em larga medida à situação que hoje vivemos», disse o economista.

O Estado e as empresas portuguesas paguem por ano cerca de 9 milhões de euros às agências de rating que têm baixado sucessivamente a nota à dívida soberana e que a colocam agora a nível de lixo financeiro.

O Estado ou um banco pagam de que cada vez que pedem uma avaliação das agências de rating. Em mercado, esta é a forma de cumprirem as exigências dos investidores, que confiam nas notas das agências… para decidirem onde, como e quanto devem investir.

Agências de rating há muitas, mas só três norte-americanas são seguidas pelos investidores: Standard and Poor’s, Moody’s e Fitch que, entre elas, representm 95% do mercado. Na Europa também as há, e em Portugal também, mas não convencem quem decide onde vai aplicar o seu dinheiro.

Seja como for e à falta de alternativa, são as agências norte-americanas que ditam as regras do jogo da alta finança mundial. As mesmas que antes da crise financeira davam como bons investimentos de alto risco.

MRA Alliance/AF

Silva Lopes diz que se a Grécia cair, Portugal vai a seguir

terça-feira, julho 5th, 2011

«Se acontecer alguma coisa à Grécia, não dou um mês para acontecer o mesmo a Portugal». As palavras foram proferidas pelo economista José Silva Lopes, aludindo à possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento e de o mesmo vir a acontecer a Portugal.

Na conferência «E depois da troika?», organizada pelo pelo Instituto de Direito Econonómico Financeiro e Fiscal (IDEFF) e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC), em Lisboa, Silva Lopes acusou os líderes europeus de terem «condenado» a Grécia a pagar um juro de dez por cento ao ano, o que considerou «um desastre».

Para o economista, evitar que Portugal entre em incumprimento passa por «cumprir o acordo com a troika, o que não é garantido». «Um dos maiores riscos é que a União Europeia não arranje numa solução para isto [crise da dívida na Europa] e não está a mostrar nenhuma vontade de resolver», disse o ex-ministro das Finanças.

«O esforço que vamos fazer é necessário mas não é suficiente porque falta uma solução vinda da União Europeia. A Alemanha e alguns países vão recusar essa solução e vão destruir a Europa», acrescentou.

MRA Alliance/A Bola

Mário Soares teme em Portugal idênticos episódios de violência da Grécia

terça-feira, julho 5th, 2011

O ex-Presidente da República afirmou hoje  ter uma “dúvida metódica” sobre se as medidas de austeridade do Governo  serão suficientes para ultrapassar a crise, mas advertiu que os episódios  de violência na Grécia podem estender-se a Portugal. 

Mário Soares  falava aos jornalistas antes de lançar mais um livro da  sua autoria intitulado “Portugal  tem saída”, editado pela “Objectiva”. Interrogado sobre a forma como está a acompanhar os episódios de violência  social na Grécia, Mário Soares considerou que tudo “resulta do desespero”.

“As pessoas estão desesperadas, não sabem como vão passar os dias seguintes,  como vão de dar de comer aos filhos — e como as pessoas se sentem desesperadas  vão para a rua gritar e às vezes fazer coisas piores. Não é impensável que  isto também possa acontecer em Portugal”, advertiu o ex-chefe de Estado.

Interrogado se as medidas já tomadas pelo novo Governo serão suficientes  para ultrapassar a crise, Mário Soares observou que essas medidas visam  precisamente “uma folga” ao nível orçamental. “Mas não sei se isso vai ser suficiente e se isso vai poder resolver  o problema. É uma dúvida metódica, como diria Descartes”, respondeu, antes  de referir que um Governo por si liderado, o do “Bloco Central”, também  cortou parte do subsídio de Natal, tal como agora anunciou o primeiro-ministro,  Pedro Passos Coelho.

“É verdade que cortei no subsídio de Natal, mas acertei, assumi as  minhas responsabilidades e consegui que Portugal tivesse à custa disso dez  anos de grande estabilidade”, acrescentou.

MRA Alliance/SIC Notícias

“Não temos condições para estar no euro muito mais tempo”, diz Ferreira do Amaral

terça-feira, julho 5th, 2011

“Este programa da ‘troika’ pode resolver o problema de financiamento público nos próximos anos, mas não resolve o problema da economia. O programa da troika porá a economia em maiores dificuldades”, considerou hoje o economista João Ferreira do Amaral.

Numa conferência organizada pelo Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal (IDEFF) e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) o economista do ISEG defendeu também que Portugal terá de abandonar a moeda única e que o deveria fazer de forma organizada, caso contrário será “empurrado” para uma situação muito pior do que aquela em que se encontra.

“Fui contra a entrada mas não fui adepto da saída, até que verifiquei que a questão se põe agora em moldes diferentes do que há dois, três anos. A questão é se nós podemos permanecer no euro. Do meu ponto de vista não temos condições para permanecer no euro muito mais tempo”, disse.

MRA Alliance/DE

Economia paralela vale 20% do PIB português

quinta-feira, junho 30th, 2011

A economia paralela em Portugal representa quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que equivale a 33 mil milhões de euros, segundo um estudo apresentado hoje pela Visa Europe e pela A.T Kearney, sob o tema “Economia paralela na Europa, 2010”. Os sectores mais afectados são a venda de automóveis, restaurantes e bares, táxis, lojas com serviços não especializados e cantinas e serviços de catering.

De acordo com o estudo, o valor está dentro da média europeia, representando no total 2,1 biliões de euros. No conjunto europeu, os países do leste são aqueles em que a economia subterrânea tem maior peso. Na Bulgária o peso é de 33% do PIB. No sul da Europa, a Grécia tem os piores valores, com 25% e pela positiva, destaca-se a Suíça que tem uma economia fantasma de apenas 8% do PIB.

Portugal tem introduzido nos últimos anos medidas com o objectivo de combater o trabalho e as vendas não declaradas como por exemplo a Campanha feita pela Direcção Geral dos Impostos – Peça Factura. Além disso, no último Orçamento do Estado, foi introduzida uma medida que tem como objectivo controlar os pagamentos feitos através de multibanco, com os chamados terminais de pagamento automático (TPA).

O estudo sugere o aumento de pagamentos electrónicos para aumentar o controlo e a existência de benefícios fiscais para incentivar o uso de cartões como descontos no IVA.

MRA Alliance/DE

Portugal emite dívida de curto prazo na próxima semana

quinta-feira, junho 30th, 2011

O IGCP, órgão responsável pelo crédito público, vai tentar colocar no mercado, no próximo dia 6 de Julho, uma emissão de Bilhetes do Tesouro a três meses. O montante indicativo da operação foi fixado entre 750/1.000 milhões de euros. De acordo com as linhas de actuação divulgadas hoje pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) para o terceiro trimestre deste ano, o Estado deverá voltar ao mercado seis vezes no terceiro trimestre.

Nos seis dias específicos em que planeia realizar operações, três operações têm como destino o incremento de uma linha (diferente em cada uma destas) em valores entre os 750 e os mil milhões de euros, todas a vencer ainda este ano. Nas restantes três operações, que deverão realizar-se sempre de forma intercalar, o montante indicativo a colocar varia entre os 750 e os 1.250 milhões de euros, partilhados por duas linhas já existentes, uma que vence este ano e outra que vence em 2012

 Portugal tem recorrido ao mercado para obter financiamento de curto prazo, mesmo após a intervenção tripartida do BCE/UE/FMI. Esta é a primeira emissão desde que o novo Governo português tomou posse e após a aprovação, pelo parlamento grego, de um novo pacote de austeridade para evitar o incumprimento helénico no reembolso da dívida.

MRA Alliance/Agências

Banif pode precisar de fundos estatais para se recapitalizar, diz Moody’s

quarta-feira, junho 22nd, 2011

A agência Moody’s cortou hoje o ‘rating’ do Banif para ‘lixo’ e admite que o banco precise do apoio do Estado. O ‘rating’ atribuído pela Moody’s desceu em dois níveis – de Baa3 para Ba2 – para uma categoria considerada especulativa. Na prática, isto significa dificuldades de financiamento acrescidas para o Banif. A Moody’s não descarta que o Banif tenha de recorrer aos fundos disponibilizados pelo Estado para capitalizar as instituições financeiras.

Numa nota difundida pelas agências internacionais, a Moody’s explica que esta acção vem no seguimento da reavaliação do ‘rating’ dos outros bancos portugueses realizada a 6 de Abril. A classificação do Banif permanece ainda assim em revisão para possível ‘downgrade’. E o ‘rating’ será novamente cortado se Portugal for alvo de ‘downgrade’, se o Banif não atingir os níveis de capital exigidos pela ‘troika’, se os seus níveis de liquidez e de qualidade de activos se deteriorarem ou se o banco se revelar incapaz de melhorar os seus níveis de rentabilidade e eficiência, avisa a agência.

A agência de notação financeira colocou também, para além do Banif, outros seis bancos portugueses sob vigilância negativa tendo em vista um possível corte de ‘rating’, explicando que a decisão se deve ao difícil ambiente operacional e à pressão sobre a dívida soberana portuguesa. Os bancos analisados são a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP), o Banco Espírito Santo (BES), o Banco Santander Totta, o Banco BPI e a Caixa Económica Montepio Geral.
Segundo a Moody’s, estas acções sobre o ‘rating’ [Bank Financial Strength Ratings, ou BFSRs), aumentam as possibilidades de ser feito um corte do ‘rating’ dos bancos portugueses em questão, devido «ao cada vez mais desafiante ambiente operacional em que eles operam, facto que deverá pressionar a sua rendibilidade e qualidade de activos, enquanto que também se poderão agravar as restrições do acesso ao mercado de financiamento».

Por outro lado, explicou a Moody’s, a vigilância negativa fica igualmente a dever-se à pressão sobre o perfil de crédito da República Portuguesa, cujo actual ‘rating’ também se encontra em observação para possível revisão em baixa.

MRA Alliance/DE/Agências

PIB português 20 por cento abaixo da média europeia

terça-feira, junho 21st, 2011

O Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal, expresso em paridades do poder de compra, em 2010 situou-se quase 20 por cento abaixo da média dos países da União Europeia, revelou hoje o organismo oficial de estatísticas da União Europeia (Eurostat). De acordo com o documento, a riqueza produzida por cada português correspondeu, no ano passado, a 81 por cento da média dos seus parceiros europeus.

A lista foi liderada pelo Luxemburgo, com quase o triplo da média (283 por cento). Este valor, segundo o Eurostat,  é ‘distorcido’ pelo alto nível de trabalhadores que não moram no país, e que assim inflacionam os seus valores. Os Países Baixos ficaram em segundo lugar, com 134 por cento.

Na tabela há nove países onde os cidadãos, em média, são mais pobres do que em Portugal, e há 17 onde os cidadãos auferem, em média, rendimentos superiores aos cidadãos nacionais. Os valores hoje divulgados representam uma ligeira melhoria face aos dados de 2009, ano em que os portugueses tinham um PIB ‘per capita’ expresso em paridade do poder de compra na ordem dos 80 por cento da média europeia.

A Grécia, confrontada com uma grave crise financeira, tinha, ainda assim, um PIB por habitante superior ao português em 2010, com 89 por cento da média europeia em paridades de poder de compra. Espanha, por outro lado, estava no ano passado praticamente em linha com a média, ficando apenas um ponto acima.

MRA Alliance/Público

Portugal: Défice público diminuiu 89 por cento até Maio e satisfaz Eurogrupo

segunda-feira, junho 20th, 2011

Nos cinco primeiros meses do ano, o défice global da Administração Central e da Segurança Social registou uma diminuição de 89 por cento face aos mesmos meses do ano passado, para os 285 milhões de euros. A despesa efectiva do Estado caiu 7,2 por cento, enquanto a receita fiscal cresceu seis por cento. De acordo com o boletim de execução orçamental publicado hoje pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO) para os primeiros cinco meses do ano, a despesa registou em Maio a maior redução em termos homólogos verificada este ano.

Olhando apenas para a despesa primária (que excluiu os juros), a diminuição é ligeiramente inferior, mas está acima da projectada no Orçamento de Estado (OE). Até Maio, a contracção foi de 5,9 por cento, embora para a totalidade do ano o OE aponte para uma diminuição de quatro por cento.

Ao nível da cobrança fiscal, a receita de IRS teve uma variação acumulada de 12,5 por cento, que a DGO explica com o facto de a entrega deste imposto via Internet ter ocorrido este ano um mês mais tarde do que no ano passado, fazendo com que os reembolsos mais elevados tenham sido atrasados. Até ao mês anterior, a receita de IRS tinha crescido 30,7 por cento.

Já a receita de IRC registou uma queda de 4,8 por cento. Nos impostos directos, o IVA teve uma variação positiva de 13,7 por cento, explicada por um aumento da receita bruta “que deriva do incremento das taxas de IVA”. Ainda assim, em Maio assistiu-se a uma diminuição da receita líquida que resulta do elevado montante de reembolsos.

Entretanto, hoje os ministros das Finanças da zona euro declararam-se “satisfeitos com os progressos” realizados por Portugal e pela Irlanda no cumprimento dos programas de ajustamento assumidos pelos respectivos governos como contrapartida de uma ajuda externa.

“Os programas de ajustamento da Irlanda e de Portugal avançam bem tanto em termos de reformas orçamentais como de reformas estruturais”, afirmou Jean-Claude Juncker, ministro das finanças do Luxemburgo e presidente ao Eurogrupo (o fórum informal de coordenação das políticas ecomómicas dos dezassete países do euro).
Segundo Juncker, ambos receberem “um satisfecit total do Eurogrupo”, durante a reunião da manhã, no Luxemburgo.

Klaus Regling, director do fundo europeu de estabilidade financeira (FEFF), precisou, por seu lado, que Portugal receberá esta semana uma nova tranche da ajuda europeia a partir do levantamento de 5 mil milhões de euros de empréstimos a 10 anos realizado na semana passada.

MRA Alliance/Público

Economista Ferreira do Amaral defende saída digna da moeda única

segunda-feira, junho 20th, 2011

O economista João Ferreira do Amaral considera que os políticos estão a negar a saída da moeda única como adiaram o fim da guerra colonial, mas deviam, em vez disso, «estar a preparar uma saída ordenada e digna enquanto é tempo». João Ferreira do Amaral defende, na entrevista ao DN e JN, citada pela TSF, que lutar por outro tipo de políticas e ficar no Euro começa a ser uma «possibilidade bastante remota».

O professor de politica económica refere que Portugal só tem duas soluções: «ou a Zona Euro muda muito a sua forma de funcionar ou mais cedo ou mais tarde teremos de sair». Como a primeira hipótese lhe parece «pouco provável» resta ao país preparar-se para uma «saída ordenada e com o apoio comunitário», defende.

João Ferreira do Amaral acha que o plano que a “troika” nos impôs não «irá dar resultados ao nível do crescimento económico» e, por isso, quando a ajuda externa acabar vamos ser confrontados com taxas de juro que podem rondar os 12 por cento.

MRA Alliance

MRA Alliance/DN

“Políticas orçamentais insustentáveis” provocaram a crise, diz governador do BdP

quinta-feira, junho 16th, 2011

O Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defende que países em dificuldades devem beneficiar de injecções de liquidez e considera que a crise portuguesa resulta em parte de “políticas orçamentais insustentáveis”.

Carlos Costa considera que o Pacto de Estabilidade e Crescimento revelou-se “insuficientemente robusto” para impedir o descontrolo orçamental nos países do euro, e que o modelo de governação económica da Zona Euro actual é “inadequado”.

No mesmo discurso, Carlos Costa salientou que “a situação actual da economia portuguesa é fruto de importantes debilidades estruturais e de políticas orçamentais insustentáveis, cujos efeitos foram potenciados e amplificados pela crise internacional e por um modelo incompleto de governação económica na área do euro”.

Repetindo que o pedido de ajuda externa de Portugal tornou-se “inevitável”, o Governador afirmou que “o ajustamento da economia portuguesa implica a desalavancagem do sector financeiro, o reforço da poupança interna e a reposição do equilíbrio das contas públicas, o que se traduzirá necessariamente numa contracção da procura interna”.

Deste modo, o Governador do Banco de Portugal defendeu, no almoço-debate promovido pelo Fórum dos Administradores de Empresas, que “é fundamental um reforço do modelo de governação económica através da criação de mecanismos eficazes de controlo da disciplina financeira e de preservação da competitividade, que garantam o desenvolvimento sustentável das economias da área do euro”.

MRA Alliance/JdN

Grécia testa mercados e resiliência da Zona Euro

quinta-feira, junho 16th, 2011

As bolsas europeias fecharam mais uma vez em queda esta quinta-feira, pressionadas pelo impasse na solução da crise grega. Os investidores mostram que o efeito de contágio a outras economias é uma forte probabilidade. Na Grécia, os juros da dívida no curto prazo estão já acima dos 30% e a 10 anos passaram a barreira dos 18%.

Os juros das obrigações do Tesouro de Portugal também registaram novos máximos, tendo chegado a romper a barreira dos 14% nas maturidades a 3 anos. O índice bolsista nacional (PSI20) tocou no valor mais baixo dos últimos 11 meses. No entanto, a queda foi de 0,59% fixando-se nos 7.149,48 pontos.

A banca esteve na berlinda. Desde o início do ano, a banca portuguesa está a perder 13 milhões de euros por dia na Bolsa. Só o Millennium bcp perde em média 7 milhões a cada 24 horas. O BCP chegou hoje a cotar-se a menos de 40 cêntimos por acção, o valor mais baixo na história daquele título. O banco já acumula um saldo negativo superior a 500 milhões de euros, desde Janeiro, em capitalização bolsista. Ainda assim, no fim da sessão o BCP acabou por ganhar 1,21% e fechou a 42 cêntimos/acção.

Enquanto o BES esteve melhor – subiu 0,52% para 2,53 euros – o BPI  caiu 0,64% para 0,94 euros, mas chegou a registar um novo mínimo dos últimos 15 anos, ao ter sido negociado a 92 cêntimos durante a sessão. Este ano, o banco liderado por Fernando Ulrich acumula uma queda de cerca de 15% e já vale menos de mil milhões de euros. O Banif também perdeu 1,8% e vale agora 70 cêntimos por acção. Os sectores da energia e da distribuição – EDP, Galp, Sonae e Jerónimo Martins – também não escaparam à sangria com todos os papéis a perderam valor.

Enquanto nos Estados Unidos as bolsas recuperaram hoje dos resultados negativos registados nas últimas semanas, na Europa os sinais foram preocupantes. Dos 12 índices mais importantes o DAX alemão registou uma queda irrisória (0,07%) mas todos os outros registaram recuos importantes -entre 0,15% (IBEX 35) e 0,92% (SMI).

MRA Alliance/Agências

 

Portugal é o quarto país da OCDE com maior taxa de desemprego

quarta-feira, junho 15th, 2011

Portugal registou uma taxa de desemprego de 12,6 por cento, em abril, segundo os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mais desempregados só Espanha, com uma taxa de 20,7 por cento, Irlanda, com 14,7, e Eslováquia, com 13,9. O desemprego na zona euro manteve-se estável até abril, nos 9,9 por cento. Entre as 34 economias da OCDE, o valor baixou para os 8,1 por cento, com 44,1 milhões de desempregados.

Segundo os mesmos dados, entre as 34 economias do grupo, Portugal foi o segundo país onde o desemprego mais se agravou ao longo deste ano, ao subir 1,7 pontos percentuais. Ainda entre os 34 da OCDE, não se registava uma descida do desemprego como no mês de abril, desde 2007. Apenas os Estados Unidos, o Japão, o Luxemburgo, o México e a Eslovénia registaram subidas. Nos dados apresentados não estão incluidos alguns países como a Grécia, Islândia, Reino Unido ou Suíça.
MRA Alliance/Agências

Japão compra 22 por cento da dívida emitida para resgate a Portugal

quarta-feira, junho 15th, 2011

O Japão comprou 22 por cento dos cinco mil milhões de euros de dívida que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) emitiu hoje para pagar a primeira parte da sua contribuição no pacote de assistência financeira a Portugal. O Ministério japonês das Finanças comprou 1,1 mil milhões de euros, numa emissão em que procura superou a oferta em cerca de oito mil milhões de euros e que contou com maior apetite por parte de investidores asiáticos, de acordo com uma nota publicada no site do FEEF.

A operação de hoje, que o FEEF pagará com uma taxa de juro de 3,5 por cento, com uma maturidade de dez anos, foi realizada no âmbito da fatia destinada pela União Europeia ao resgate financeiro a Portugal. Do total de 78 mil milhões de euros que o país vai receber das instâncias internacionais durante três anos, 52 mil milhões são accionados do lado europeu: 26 mil milhões do FEEF e outra parte igual através do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF).

Da parte do FEEF, a primeira tranche vai ser recebida na próxima semana. O FMI e o MEEF já accionaram a sua primeira tranche.

MRA Alliance/Público

Portugal deverá deixar a zona euro em cinco anos, prevê Roubini

quarta-feira, junho 15th, 2011

O economista que previu a crise financeira mundial deixa o aviso: Os países da periferia da zona euro vão ter de abandonar a moeda única. Num artigo de opinião publicado no Financial Times com o título “A zona euro encaminha-se para a separação”, Nouriel Roubini, o profeta da desgraça, como é conhecido, afirma que a actual crise das dívidas soberanas mostra tudo o que falhou na construção da União Monetária e no projecto da convergência.

Para o economista, nesta altura, só existe uma forma de recuperar a competitividade nos países do Sul da Europa: “Para regressarem ao crescimento e à competitividade, [os periféricos] devem deixar o euro e regressar à moeda nacional”, alerta o responsável. Roubini considera mesmo que, face às diferenças económicas, de políticas orçamentais, de taxas de câmbio reais e de competitividade no seio da Zona Euro, não restará outra alternativa aos países da periferia.

“Este cenário parece inconcebível nos dias que correm mesmo em Atenas ou Lisboa. Mas devido à inexistência de reformas estruturais profundas e aceleradas que compenssem essas diferenças, os cenários que hoje parecem absurdos poderão fazer todo o sentido daqui a cinco anos”, esclarece o professor da universidade de Nova Iorque. E conclui: “Os benefícios de [os países] se manterem [na zona euro] serão menores do que os benefícios de a abandonar, por muito atribulada e desordenada que essa saída venha a ser”.

MRA Alliance/DE