Archive for the ‘Opinião’ Category

“Sem a UE estávamos na bancarrota”, diz Mário Soares

quarta-feira, junho 16th, 2010

Mário SoaresO antigo Presidente da República não está pessimista em relação à crise que a Europa atravessa e mantém a esperança de que esta será resolvida e ultrapassada “com bom senso”. Numa intervenção que proferiu na Póvoa de Varzim, durante a conferência comemorativa do centenário da implantação da República, Soares defendeu que “a Europa tem de continuar a ser a referência do melhor, do mais progressista e humanitário” que há.Em relação à situação actual, que acredita ser ultrapassável, Mário Soares, reconheceu existir uma “grande crise financeira, económica, social e civilizacional”, que “nada tem a ver com governos, mas com a situação internacional”. Instado pelo público sobre a especulação que, por vezes, surge em relação ao euro, Mário Soares sublinhou que se não tivéssemos aderido à União Europeia e, consequentemente, à moeda única, “estávamos na bancarrota”.

MRA Alliance/DE

O colapso da Califórnia será um aviso à navegação…

terça-feira, junho 23rd, 2009

“Os nossos bolsos estão vazios. O nosso banco fechou. O nosso crédito evaporou-se”. As palavras foram proferidas recentemente pelo governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger pouco antes de uma dramática reunião do orgão legislativo do estado norte-americano para tentar encontrar uma saída para a falência anunciada…

O problema económico e financeiro do estado da Califórnia ultrapassa-o largamente. O seu PIB é maior que o do Canadá, ou ao de qualquer um de três BRIC -Brasil, Rússia ou Índia. A economia californiana é responsável por cerca de 13% do PIB dos Estados Unidos (USD 1,7 mil biliões). Para além de ser o estado que produz mais riqueza para o bolo nacional, é também o primeiro em população (mais de 33,8 milhões de habitantes), bem como em produção industrial e agropecuária. A mega fábrica de sonhos de Hollywood está situada no terceiro maior estado norte-americano, logo a seguir ao Alasca e ao Texas. As quatro maiores cidades californianas – Los Angeles, São José, San Diego e São Francisco – estão entre as 20 maiores do país. Em 2008, se fosse um estado independente, a Califórnia era a 8.ª maior economia do mundo…

A Califórnia tem um buraco orçamental de 24 mil milhões de dólares (17,3 mil milhões de euros) no exercício que termina em Junho de 2010. O secretário estadual do Tesouro, John Chiang, avisou que os cofres do maior produtor de vinho do país ficarão vazios dentro de seis semanas e classificou a situação como a “pior crise de liquidez desde a Grande Depressão.” Mesmo assim, a administração Obama não se comoveu e, este mês, fez saber que não está disponível para equiparar o “estado dourado” aos bancos de Wall Street e aos fabricantes automóveis GM e Chrysler integrando-o no grupo dos privilegiados com direito a cheques em branco do Tesouro federal…

Schwarzenegger nem sequer dramatizou a situação ao admitir a possibilidade de uma “paralisia total” do estado caso não seja encontrada uma saída para o descalabro financeiro iniciado com a crise hipotecária subprime, o aperto do crédito e a severa recessão que se lhe seguiu…

O cenário imobiliário rivaliza com os usados nos sangrentos filmes protagonizados pelo actor-governador. Os incumprimentos no pagamento das prestações mensais com hipotecas não só crescem como prometem acelerar nos próximos meses. Hoje, no município de Los Angeles 5,2% das hipotecas estão vencidas há mais de 90 dias. Mas noutros a situação é bem mais grave. Em Monterrey e San Bernadino ultrapassam os 8%, em Madeira e San Joaquin 9%, em Riverside e Merced 10%.  O pior é que estão a expirar as moratórias que alguns bancos concederam aos clientes para normalização dos pagamentos. “O número de penhoras no pipeline é brutal (…) e vai começar a manifestar-se dentro em breve”, revelou recentemente um analista entrevistado pela Bloomberg…

O desemprego oficial subiu nos últimos meses para 11,5%, atingindo a taxa mais alta desde a II Guerra Mundial. Nos últimos dois anos, a Califórnia perdeu quase 860 mil empregos. O relatório Anderson Forecast, publicado pela universidade local UCLA, prevê que, mesmo com uma “ligeira melhoria” do ambiente económico, a “taxa média” de desemprego possa ultrapassar os 12% até meados do próximo ano. Como tal “melhoria” parece ser uma miragem, a probabilidade de mais de 15% da população activa ficar sem emprego é real…

Segundo a agência de notações de risco Fitch, a Califórnia detém o pior rating dos 50 estados da União. Falta pouco para que esta e outras agências classifiquem como junk (lixo) os títulos de dívida emitidos pelo governo californiano e que o espectro da insolvência se agrave ainda mais. 

“A crise orçamental da Califórnia pode muito bem detonar uma segunda calamidade financeira que seria muito pior do que tudo aquilo por que passámos nos últimos 18 meses”, escreveu recentemente Kevin Hassett no artigo “Califórnia empurra EUA para abismo do incumprimento da dívida”, publicado no site da Bloomberg. Perante isto, alguns dirão: “- Que exagero!”…

Porém, os números dão-lhe razão. De acordo com os dados da Casa Branca o rácio nacional dívida pública/PIB estimado para 2009 deverá ser de 12,9%. Contas feitas, se a Califórnia registasse um rácio idêntico, o seu buraco orçamental rondaria os 230 mil milhões de dólares. Ou seja 10 vezes mais que o défice actual…

Por esta razão, o iminente colapso californiano é, antes de mais, um aviso à navegação. Depois, apertem os cintos…

MRA Alliance, Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Opinião: O Fed vai deixar de estar acima da lei?

sexta-feira, junho 12th, 2009

“Helicopter Ben (Bernanke)”O Congresso dos Estados Unidos dá crescentes sinais de que pretende controlar e auditar com mais rigor a actividade do banco central (Fed), e do seu presidente Ben Bernanke, e eventualmente retirar-lhes autoridade caso se prove que exorbitaram poderes ou cometeram ilegalidades antes e depois da eclosão da actual crise financeira. 

Os congressistas Edolphus Towns (Democrata, Nova Iorque) e Darrell Issa (Republicano, Califórnia) anunciaram ontem que vão convocar Bernanke a depôr perante os legisladores do país para esclarecer as pressões que alegadamente terá exercido, juntamente como então secretário do Tesouro Hank Paulson, sobre a administração do Bank of America, para a rápida finalização da compra do banco de investimento Merril Lynch, em 2008.

Outros congressistas seguem na mesma direcção com propósitos bem mais ambiciosos para o actualmente manietado fiscalizador do Fed – Government Accountability Office (GAO).

Uma proposta legislativa apresentada no primeiro trimestre pelo congressista republicano Ron Paul (Republicano, Texas) já conseguiu obter o apoio de 208 co-patrocinadores para que o GAO apresente um relatório de auditoria ao Fed até ao final de 2010.

Se tal acontecer, significa que o banco central dos EUA perdeu o privilégio tácito de estar acima da lei, em vigor no país há mais de meio século. Conforme referimos em Março passado, se for obrigado a revelar as suas contas, e as suas práticas, o resultado poderá ser, no mínimo, surpreendente.

O republicano Spencer Bachus (Alabama), membro da influente Comissão de Serviços Financeiros do Congresso (HFSC, em inglês), também apresentou uma proposta legislativa para limitar os poderes de supervisão do Fed e a sua capacidade para intervir no mercado.

Analistas e comentadores admitem que estará igualmente em perigo a função do Fed como supervisor único dos riscos sistémicos que afectam o sector financeiro estadunidense.  Segundo a agência Bloomberg, o actual presidente da HFSC, Barney Frank, tido como um dos maiores apoiantes das polémicas e controversas decisões de Ben Bernanke, já não estará pelos ajustes, conforme defendera em Novembro.

“Os congressistas finalmente estão a querer esclarecer o âmbito de actuação do Fed”, disse Dino Kos, administrador da empresa Portales Partners e ex-vice-presidente do Fed de Nova Iorque. “Os bancos centrais podem facilmente tomar decisões chave sem aprovação do Congresso.” 

Acusado de arrogância e prepotência, Bernanke recusou-se repetidamente a fornecer dados aos congressistas sobre os protagonistas, as quantias e as modalidades de acesso às bilionárias injecções financeiras estatais.

Porém, face às pressões, no passado dia 10, o Fed acedeu divulgar alguns detalhes das operações. Concretamente forneceu informação sobre o número de bancos que acedeu às facilidades de crédito do banco central bem como sobre a qualidade das garantias apresentadas (ratings de risco).

Ainda assim, a atitude do banco central está a ser interpretada por sectores da sociedade e da media dos EUA como “tardia” e “insuficiente”, face aos montantes estratosféricos usados por Bernanke para salvar as vetustas instituições que detém o controlo accionista do Fed – os bancos de Wall Street. 

Entre as medidas mais controversas estão as compras de activos tóxicos do Citigroup, Bank of America, JP Morgan Chase, Bear Stearns, bem como da seguradora AIG e de outras instituições.

Estimativas conservadoras dizem que o balanço do Fed terá ficado entupido com qualquer coisa como USD 250 mil milhões/bilhões (mm/bi) de activos potencialmente incobráveis. Outros sustentam que USD 500 mm/bi será um montante, para já, mais realista. 

Porém, na realidade, ninguém faz a menor ideia!

MRA Alliance, Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro

Consultor

Opinião: Os dogmas do capitalismo também se abatem

quinta-feira, junho 4th, 2009

A chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a influência negativa do Fed e do Banco de Inglaterra no combate à presente crise financeira, sugerindo que a estratégia adoptada pode estar a criar as bases para um novo colapso, com a complacência do Banco Central Europeu.

A situação é tão rara que merece a atenção do