Archive for the ‘Mercados’ Category

Ouro sprinta para os USD 850/onça

quarta-feira, novembro 7th, 2007

Ouro, um porto seguro e lucrativo em momentos de criseO ouro ultrapassou hoje os USD 845/onça, e voltou a acelerar a velocidade para os patamares históricos atingidos nos anos 80. Sean Corrigan, estrategista-chefe de investimentos na Diapason Commodities Management, citado pela agência Reuters, sublinhou que “os movimentos nos mercados, nas últimas duas semanas, têm sido fenomenais. (…) O mercado está a conduzir-se a ele próprio. Chegámos aqui demasiado cedo? A partir daqui, prognósticos são como lançar uma moeda ao ar.” A volatilidade faz parte do quotidiano dos mercados, diz a generalidade dos analistas e comentadores. O dólar vai continuar a desvalorizar-se, face à incerteza quanto aos impactos de longo prazo da crise de crédito. O sector bancário americano em particular, e a economia em geral, começam a dar sinais evidentes de stresse e desorientação. (pvc/reuters)

Barril de crude nos UDS 100 até sexta-feira?

quarta-feira, novembro 7th, 2007

petróleo contra dólarOs preços do crude encontram-se hoje em forte alta nas praças de Nova Iorque e Londres. A queda do USD face ao Euro e a tempestade que afectou a produção no Mar do Norte, afectando a actividade da BP de da ConocoPhilips, são as principais causas para a vigorosa e imparável valorização da commodity. A agência Bloomberg citando a ‘Wealth Daily’, adimitiu a possibilidade de, caso a metereologia no Mar do Norte prolongue o seu comportamento, a barreira dos 100 dólares por barril poder ser atingida no final desta semana.

Empresários e advogados devem consultar portal em português sobre propriedade industrial

terça-feira, outubro 30th, 2007

Portal LusoPat - Uma ferramenta útil para advogados e empresasOs países de língua portuguesa dipõem de uma ferramenta útil para questões ligadas à propriedade industrial. Trata-se do Portal Lusopat, gerido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O presidente do Inpi, Jorge Ávila, sustenta que o portal constitui o maior banco de dados disponível na internet de documentos em língua portuguesa.
“Ele traz um benefício para os institutos de patentes, especialmente dos países africanos de língua portuguesa, que nem sempre dispõem de um banco de dados adequado, e traz um benefício muito grande para as empresas de pequeno e médio porte, que passam a poder consultar documentos de patentes em língua portuguesa diretamente na internet”, explicou Ávila.
Segundo ele, o portal tem a pretensão de ser uma ferramenta que contribua para a cooperação em todos os campos da propriedade industrial entre os países de língua portuguesa, como nas áreas de marcas e patentes, atingindo até as políticas mais amplas de propriedade industrial e inovação. “Uma empresa brasileira que queira ter sua marca registrada em Moçambique, por exemplo, encontra informações sobre como fazer isso no portal”, disse o presidente do Inpi.

Um ataque militar dos EUA contra o Irão pode estar para breve; Os cenários para 2008-2010 são preocupantes…

terça-feira, outubro 30th, 2007

Esquadrilha de caças Israelitas O diretor-geral da Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, acusou ontem Israel que querer fazer “justiça com as próprias mãos” quando atacou uma instalação na Síria e, imperialmente, não deu qualquer explicação à comunidade internacional sobre a agressão militar unilateral a um país soberano. Alegadamente, o ataque executado pela força aérea judaica, terá sido lançado para destruir um complexo nuclear secreto, em Setembro, na Síria.
Nos últimos dias, fontes credíveis vêm anunciando rumores de uma invasão certa do Irão pelos americamos. Só faltará saber o dia e a hora.
O petróleo, avançam outras fontes, pode ultrapassar os 300 USD.

Pedro Varanda de Castro, da MRA Data Mining colheu sobre esta problemática informação relevante que se encontra no espaço reservado.

Merrill Lynch assusta Wall Street; balanço deprecia activos no valor de 8 000 milhões de dólares

quarta-feira, outubro 24th, 2007

Merrill Lynch - Sede Wall StreetO banco norte-americano Merril Lynch agitou os mercados hoje de manhã ao fornecer mais dados sobre o impacto da crise do crédito no balanço do grupo reavivando receios de novos e vultuosos prejuízos. O banco anunciou que reduziu em 7,9 mil milhões/bilhões (mm/bi) de dólares os activos contabilísticos devido a investimentos especulativos nos mercados hipotecários e de crédito elevando para níveis inesperados os prejuízos do terceiro trimestre. Os prejuízos agora contabilizados superam em 2,9 mm/bi as anteriores estimativas, relacionadas com derivativos hipotecários de baixo (prime) e alto risco (subprime).

Resultados preocupamEntre os cinco maiores bancos de Wall Street, Merril Lynch foi destacadamente o mais atingido pelas ainda inacabadas sequelas da presente crise. O descontentamento dos accionistas é evidente. Entre o 2.º e o 3.º trimestre os lucros passaram respectivamente de 2,2 mm/bi de dólares ($ 2.82 de ganho por acção) para 2,14 mm/bi ($2.22 de ganho por acção). Na comparação com o 3.º trimestre de 2006 o resultado é desolador ($3,14 de ganho por acção), menos 92 cêntimos/acção. Os proveitos líquidos caíram 94 % ($577 milhões). Em 2006, aquele valor atingiu uns gordos 9,8 mm/bi de dólares mas emegreceu 100 milhões de dólares no último trimestre ($9.7 mm/bi).

Amortizações dolorosasMerril Lynch era um dos principais emissores de titulos de dívida cujo valor dependia do risco dos activos que lhes serviam de garantia (CDO’s, em inglês). Stan O’Neal, presidente e CEO, que tem o cargo em risco por negligenciar a gestão prudencial da instituição. Os avultados prejuízos nas áres de câmbio e commodities de renda fixa ($5.6 mm/bi) no último trimestre tiveram origem na securitização das posições especulativas em produtos subprime e CDO’s.

Merrill BullishO rotundo falhanço da estratégia securitizadora “risco zero” implicou uma alteração radical da estratégia da Merril Lynch: cortes de 53% nas posições em CDO’s ( para $15,2 mm/bi), de 35% em derivativos subprime (para $5.7 mm/bi); reforço nas áreas lucrativas (acções/obrigações, + 4% lucros; banca de investimento, + 24% de lucros; gestão de fortunas, + 70%). Apesar das dolorosas notícias, os números foram recebidos positivamente na Bolsa, com as acções a subirem cerca de 1%, fixando-se no patamar dos 67 dólares. (pvc)

Pico da produção mundial de petróleo já foi atingida; Estudo prevê queda de 50% até 2030

terça-feira, outubro 23rd, 2007

Petróleo começa a curva descendente A produção mundial de petróleo atingiu o seu pico (máximo da produção vs. reservas) em 2006, e deve cair pela metade até 2030, alertou o Energy Watch Group, durante uma conferência sobre “o pico do petróleo” (“peak oil”) organizada em Londres. “Isto vai reduzir a produção de tal maneira, que será difícil de enfrentar, apesar da exploração crescente de outras energias fósseis, a nuclear ou fontes alternativas”, alertou estudo do Energy Watch Group (EWG), defensor da tese do “pico de petróleo”. Esta hipótese de início da queda da produção/reservas contradiz as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), que prevê 105 milhões de barris por dia em 2020 e 116 milhões de barris por dia em 2030. (pvc)

Economistas do FMI ajudam à agonia do dólar considerando-o “sobreavaliado

quinta-feira, outubro 18th, 2007

Dólar em queda livreOs especialistas do FMI, contrariando a opinião do seu chefe Rodrigo Rato, publicaram ontem um relatório que classifica a cotação da divisa americana como “continuadamente sobreavaliada” e contrariando as teorias do que defendem que o Euro já sofreu uma apreciação excessiva. Um comentário publicado na edição de hoje do Financial Times (FT) considera que os “operadores de câmbios” têm “luz verde” para continuar a vender dólares. O espanhol Rodrigo Rato, que brevemente termina o seu mandato como n.º 1 do FMI, dissera na semana passada que “neste momento o dólar está subavaliado.” O relatório indica que a libra esterlina está igualmente acima do seu real valor. Já o iene japonês e o yuan chinês, à semelhança da divisa europeia, estão abaixo do que ditam os fundamentais das respectivas economias.

Divídas dos bancos americanos começam a afectar negativamente a economia real; contágio ameaça bancos europeus

quarta-feira, outubro 17th, 2007

Colapso financeiroA obrigatoriedade dos gigantes da banca americana terem de contabilizar nos balanços as amortizações das dívidas em incumprimento, após o colapso do mercado interbancário, começou a minar o crescimento económico, ao limitar a sua capacidade de endividamento para a concessão de novos empréstimos, segundo uma análise hoje publicada na edição online do diário económico londrino Financial Times.

O jornal acrescenta que o stresse financeiro da banca se agravou após a evaporação do mercado, no preciso momento em que foi inundado de papel comercial e de empréstimos de alto risco, que os investidores recusaram negociar. Desde o princípio de Agosto que aquele volume de dívidas atingiu os 280 mm/bi de dólares, informou o economista da Merril Lynch, David Rosenberg. Ele precisou que os activos líquidos dos bancos depositados no Fed, encolheram 40 mm/bi no mesmo período.

ligados para o bom e para o mau“Isto nunca acontecera antes, nem tão subitamente. O caso é bastante sério. Este repentino estrangulamento dos recursos dos bancos deteriora potencialmente o clima de crédito. (…) Se o problema não for resolvido, pode afectar seriamente o crescimento” da economia, acrescentou Rosenberg.

O diário londrino adianta que problemas idênticos estão a afectar bancos europeus. “Muitos observadores manifestam-se apreensivos relativamente à capacidade de alguns bancos mais pequenos conseguirem lidar com estas tensões nas contas”, destaca o FT sublinhando que este foi um dos motivos que levou a Reserva Federal dos Estados Unidos a encorajar os bancos a criarem um “superfundo” que assuma, no curto prazo, os depreciados activos, actualmente invendáveis num mercado transido de medo.

Citibank - índice de pânicoO Citigroup, o maior banco americano, é aquele que enfrenta a situação mais crítica. Sob a sua gestão está um volume de papel comercial no montante de 80 mm/bi de dólares afecto aos Veículos Estruturados de Investimentos (SIV’s, em inglês) que se viu forçado a amortizar por sua conta e risco. O elevado volume afectou os respectivos rácios de solvabilidade. Por este motivo o Citi, anunciou ontem a suspensão das operações de recompra por ter esgotado os plafonds legalmente fixados. A agência de rating Moody’s, noticiou que os SIV’s patrocinados pelo Citi registaram, em Julho, uma quebra de activos de 395 mm/bi para 320 mm/bi de dólares.

” Os grandes bancos foram obrigados a contabilizar nos balanços activos em papel comercial com que não contavam. Isto amarra-os às limitação legais de capital para operações activas o que, por seu turno, os inibe de conceder empréstimos”, explicou Rosenberg.

Greenspan afirma que o pior da crise do subprime ainda está para acontecer

quarta-feira, outubro 17th, 2007

Alan GreenspanO ex-presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana alertou que o pior da crise do mercado hipotecário de alto risco nos Estados Unidos (‘subprime’) ainda está para vir, tendo reiterado ainda que o risco da maior economia do mundo entrar em recessão é inferior a 50%. Segundo Greenspan, neste momento, a maior preocupação com a crise do ‘subprime’ reside no facto das construtoras poderem vir a baixar os preços das casas novas, já que não estão a conseguir vendê-las e o custo de manutenção dos imóveis é muito elevado. Estas afirmações foram feitas ontem à noite durante uma entrevista a uma estação de televisão norte-americana, segundo noticia a revista Valor Online. Fonte: Diário Económico

Presidente do Northern Rock apresenta demissão

terça-feira, outubro 16th, 2007

o principio do fimO presidente do banco britânico Northern Rock, Matt Ridley, anunciou hoje que comunicou ao Comité do Tesouro, a sua demissão devido à grave crise de liquidez que a entidade atravessa como resultado da crise do mercado hipotecário de alto risco nos EUA (‘subprime’), noticia o site ‘Invertia’. Os problemas de liquidez levaram o banco britânico a recorrer em Setembro ao fundo de emergência do Banco de Inglaterra (BoE). Na origem do problema está o facto do banco ter financiado 75% das suas hipotecas com dinheiro emprestado no mercado a retalho. Com a implosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos não conseguiu refinanciar a sua dívida devido ao aperto do crédito interbancário, em Agosto. As acções do oitavo banco registaram uma queda superior a 80%, nas últimas semanas. Fonte: Diário Económico

Crise Financeira Global: Situação é mais grave e instabilidade vai continuar, diz Paulson

terça-feira, outubro 16th, 2007

hankpaulson10.jpgO Secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, traçou hoje um quadro de turbulência e instabilidade nos mercados financeiros sublinhando parecer que “agora, [a crise] vai ainda continuar a afectar negativamente a economia, os mercados de capitais e muitos proprietários de valores imobiliários por mais algum tempo.”

“O movimento de correcção não vai terminar tão depressa”, a dimensão da crise “é maior do que se pensou há um ano atrás” e ultrapassa as hipotecas de alto risco [subprime], disse Paulson. (…) “Hoje o problema atinge igualmente os mutuários de hipotecas de baixo risco [prime] pois o número de incumprimentos na liquidação das prestações tem vindo a aumentar”, revelou o titular das finanças federais dos EUA.

Penhoras de Imóveis crescem exponencialmenteO executivo da administração Bush, que antecipou estarem em queda todos os indicadores relativamente à actividade da indústria de construção, aos índices do preços dos imóveis (+ de 30% em alguns estados, desde o Verão), e o número crescente de casas que não encontram compradores, defendeu a urgência de nova legislação, regras e normas para reorganizar e disciplinar um mercado actualmente à deriva.

“Algumas das práticas e condutas [dos agentes imobiliários] de que tive conhecimento são vergonhosas. Embora não fosse a regra, houve muitas práticas fraudulentas”, enfatizou Paulson.

O presidente da Reserva Federal, Ben Barnanke, que não partilha das opiniões de Paulson favoráveis às inovações financeiras tipo titularização de créditos através de estruturas de securitização, derivativos, opções, futuros e swaps, advertiu para os perigos dos “danos morais” que desacreditarão o sistema.

Ber Bernanke“Quando os investidores não têm que pagar os custos das suas más decisões, a tendência é para repitam os erros. (…) Eu não estou interessado em salvar credores ou especuladores imobiliários. Porém, devemos reconhecer os problemas reais das famílias afectadas pelo colapso imobiliário”, concluíu o presidente da Fed.

“Fundo de Salvação Nacional” nasceu quando Citigroup anunciou queda de 57% nos lucros

segunda-feira, outubro 15th, 2007

O efeito dominóO Citigroup , Bank of America e JPMorgan Chase confirmaram hà pouco notícias sobre a constituição de um sindicato bancário que está a reunir uma quantia ainda não divulgada para capitalizar um fundo de investimento através do qual serão transacionados os activos detidos em carteira e que actualmente ninguém quer comprar. Desta forma os bancos evitam temporariamente a venda de activos num mercado deprimido e avesso ao risco, mais adiam a hora da verdade. Através deste estratagema é criada mais uma saída artificial para as instituições financeiras continuarem a não assumir a amortização parcial ou total dos prejuízos existentes nos respetivos portfolios. Desta forma, os accionistas e o mercado continuarão sem saber exactamente quem deve quanto e a quem prolongando a opacidade dos mecanismos financeiros medidos pela oferta e procura de bens e serviços.

Não deixa de ser sintomática a circunstância de o anúncio ter sido feito quase em simultâneo com a divulgação pelo Citigroup dos resultados do terceiro trimestre, um dos bancos mais expostos aos produtos financeiros estruturados SIV (Structured Investment Vehicles) que o fundo em constituição tentará salvar da falência. O Citi informou que os lucros do grupo caíram 57% no período, registando 2,38 mil milhões (bilhões) de dólares. No mesmo período de 2006, o lucro havia sido de US$ 5,5 bilhões. O ganho por acção do banco foi de 0,47 dólares face a 1,10 dólares no mesmo período do ano passado.

O presidente e CEO Citigroup, Charles Prince, classificou o resultado como um “desapontamento”, mas mostrou-se confiante num melhor desempenho no futuro.

NOTA: Estamos em contacto com fontes nos EUA, China, Brasil e UE. Esta gigantesca operação só poderá funcionar se tiver a cooperação de outros bancos globais, designadamente europeus e asiáticos. Continuaremos a acompanhar o assunto com notícias. Uma análise mais aprofundada depende das reacções dos investidores, dos mercados, da banca comercial e dos bancos centrais. Pensamos que tal poderá ser possível dentro de dois/três dias.

MRA – Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro

Consultor

Observatório da crise: Operação branqueamento agita mercados

segunda-feira, outubro 15th, 2007

Mercados financeiros aguardam hoje injecções de capital e confiançaO anúncio que fizemos na madrugada de domingo (ver post abaixo), sobre a criação de um mega fundo internacional para o refinanciamento das instituições financeiras em apuros após o colapso dos mercados hipotecário e da dívida, poderá confirmar-se nas próximas horas. Observadores e analistas, nos EUA e na Europa, admitem que o Tesouro americano faça o respectivo anúncio durante o dia de hoje. Porém, tal só acontecerá se os bancos envolvidos chegarem a acordo. Pelo alcance e importância desta decisão, aguardamos a abertura dos mercados americanos, para avaliar a situação e concluir o relatório n.º 5 do nosso serviço semanal de informação «Observatório da Crise”, no qual analisamos a evolução do mercado financeiro global. O relatório estará disponível online durante a tarde de hoje.

Miguel Reis & Associados

Departamento de Data Mining

Governo e bancos americanos montam operação para evitar colapso dos derivativos financeiros de alto risco

domingo, outubro 14th, 2007

Henry Paulson, Secretário de Estado do Tesouro, EUAExecutivos de topo dos grandes bancos e altos funcionários do Tesouro dos Estados Unidos estão a estudar formas para socorrer produtos financeiros estruturados feridos de morte pela crise hipotecária e de liquidez, na sequência do colapso da bolha imobiliária, há dois meses atrás, noticiou a edição online do Wall Street Journal. “Numa operação em larga escala para responder à crise global de crédito”, o WSJ informa que “o Citygroup e outros gigantes da banca estão a reunir fundos no valor de 100 mil milhões (bilhões) de dólares para apoio financeiro a aplicações de alto risco, como obrigações imobiliárias e outros produtos financeiros”. O diário novaiorquino revela que as reuniões se iniciaram há três semanas, por iniciativa do Departamento do Tesouro. O actual Subsecretário de Estado das Finanças, Robert Steel, liderou as conversações em representação do governo. Steel é um antigo quadro do grupo financeiro Goldman Sachs, tal como o seu actual superior hierárquico, Henry ‘Hank’ Paulson. Antes de tomar posse como Secretário de Estado do Tesouro na Administração Bush (2006, Julho), Paulson foi presidente do conselho de administração do grupo Goldman Sachs. Em 2006, a revista Forbes classificou-o na 12.ª posição entre os especialistas em derivativos de crédito mais bem pagos dos EUA. A revista estimou a sua fortuna pessoal em 632,4 milhões de dólares.

JP Morgan Chase prevê demissões devido à crise do ‘subprime’

sexta-feira, outubro 12th, 2007

JP Morgan ChaseO banco de investimento norte-americano JP Morgan Chase anunciou hoje que está a ponderar despedir trabalhadores de duas divisões que foram afectadas pela crise do mercado hipotecário de alto risco (‘subprime’), mas não avançou com números. Um porta-voz do banco, Brian Marchiony, citado pela France Press/Diário Económico, disse que o banco vai “reduzir o efectivo nas divisões que registraram queda nas actividades devido à crise do crédito”. O JPMorgan Chase é o terceiro maior banco dos EUA e emprega 179 600 pessoas em todo o mundo.

Bolha hipotecária americana é mais grave do que muitos anteciparam, diz Wall Street Journal

quinta-feira, outubro 11th, 2007

Wall Street Journal“Uma análise a mais de 130 milhões de empréstimos imobiliários contraídos na última década revela que as hipotecas de alto risco afectam todo o país – das pequenas cidades da América profunda às metrópoles cosmopolitas passando pelos abastados subúrbios”, escreve hoje o diário americano Wall Street Journal.

Entre 2004-2006, cerca de 2500 instituições financeiras – bancos, organizações mutualistas, companhias hipotecárias, cooperativas de crédito, etc. – concederam um total acumulado de USD 1,5 milhões de biliões (trilhões) de empréstimos com elevadas taxas de juros, grande parte dos quais se enquadram no segmento «subprime». Nos últimos três anos foram fechados 10,3 milhões de contratos de crédito de alto risco, representando cerca de ¼ do total (43,6 milhões).

“As nossas pesquisas indicam que a ressaca «subprime» atinge um espectro de consumidores muito mais vasto do que muitos anteciparam, ignorando níveis salariais, raças e factores geográficos”, acrescenta o WSJ.

A (des)ilusão imobiliária“A indústria de crédito hipotecário foi muito agressiva. Emprestou dinheiro a pessoas para comprarem casas que não podiam pagar, numa altura em que os preços do imobiliário estavam muito caros. Isto transformou-se num castelo de cartas”, afirmou Karl Case, professor de economia do colégio Wellesley. “Estamos na fase inicial da limpeza”, afirmou.

Petro€uro e Petro¥en já substituem Petrodollar$ no Irão; No Iraque comandante americano atiça ânimos anti-Irão

segunda-feira, outubro 8th, 2007

A crise do petrodólarO Irão reduziu para apenas 15% a quantidade de crude vendida em dólares. As facturas de 65% do petróleo iraniano, desde meados do ano, são emitidas em euros e 20% em ienes.

O governo Bush, a pretexto do programa nuclear iraniano, pressionou, com êxito, alguns bancos europeus os quais, em 2007, reduziram substancialmente as suas transacções com o país dos aiatolas. Porém a NIOC – National Iranian Oil Company – tem conseguido encher os cofres estatais com abundantes fundos. Comparativamente a 2006, as reservas iranianas em divisas cresceram mais de 35%, tendo atingido os 65 mil milhões de dólares, em 30 de Junho.

Dólar cai, tensões militares sobem

General Petraeus

Se outros países da OPEP seguirem o exemplo do Irão, o quarto maior exportador mundial de petróleo, os efeitos serão devastadores para a divisa norte-americana. Por outro lado, a decisão iraniana aumenta potencialmente os riscos de um ataque militar americano. A generalidade dos observadores considera limitada a margem de manobra de Washington para obter apoios favoráveis a uma escalada militar, face ao fracasso das invasões no Iraque e no Afeganistão. No entanto, nas últimas semanas, avolumam-se as tensões e a crispação verbal entre os dirigentes dos dois países. Este fim-de-semana, o comandante do exército americano no Iraque, general David Petraeus, acusou frontalmente o exército iraniano de fornecer armas, dinheiro, treino e de conduzir acções militares que “causaram a morte a soldados americanos.” Para alguns analistas este é mais um sinal de que algo muito sério poderá acontecer em breve no Golfo Pérsico. (pvc)

Bolhas imobiliárias europeias ameaçam explodir

quinta-feira, outubro 4th, 2007

Crise do mercado imobiliárioDepois da Inglaterra, a principal ameaça vem da vizinha Espanha.

Boa parte da crise financeira que neste momento vivemos deve ser assacada à ligeireza das agências de “rating” na análise do risco e à penumbra que recai sobre os mecanismos fiscalizadores dos seus interesses e respectivos conflitos. Mas não exclusivamente. Este é um problema que se agravou a partir de 2003. Este ano assumiu proporções preocupantes e promete durar largos meses. PDF integral

Observatório da Crise nº 3 – 4Out2007

Políticos, banqueiros e analistas desvalorizam carácter sistémico da crise financeira global (Revista de imprensa)

terça-feira, outubro 2nd, 2007

BPI - Gestão de ActivosFundo BPI investiu 750 milhões em banco à beira da falência (DN)

O fundo que o BPI foi forçado a liquidar na semana passada investiu 748 milhões de euros em obrigações da Countrywide, informa o Diário de Notícias na edição de hoje. Countrywide é o maior banco de crédito imobiliário dos EUA e um dos que mais sofreu os efeitos do colapso financeiro provocado pela crise de hipotecas de alto risco (subprime). A liquidação do BPI Renda Trimestral, iniciada no passado dia 25, termina hoje.
Numa análise ao relatório do primeiro semestre do BPI Renda Trimestral, observa-se que 748,2 milhões de euros da carteira deste fundo estão investidos em títulos de dívida da Countrywide Financial Corporation, com maturidade até 2010. Este era mesmo o maior investimento deste fundo do BPI, numa carteira avaliada num total de 96,1 mil milhões de euros. Em Agosto, as acções da Countrywide afundaram-se cerca de 75% nas bolsas americanas perante o espectro de falência.
Em consequência, refere o DN, os investidores ficaram impossibilitados de vender os pacotes entretanto adquiridos.

CitiCitibank: Balanço com 6 mil milhões de perdas (FT)

Chuck Prince, CEO do Citigroup, está a sofrer pressões para se demitir após o banco americano ter anunciado ontem a contabilização de prejuízos e novos passivos no valor de 6 000 milhões de dólares (4 231 milhões de euros/mm – bilhões/bi) na sequência da turbulência nos mercados de crédito, no terceiro trimestre, noticia hoje o Financial Times.A contabilização de perdas nos activos do banco, no valor de 1.4 mm/bi de dólares seguiu-se a controversas declarações prestadas por Prince ao diário económico britânico, em Julho passado. O presidente do conselho de administração do banco controlado pela família Rockefeller, afirmou que o Citi “ainda dança” nos mercados de crédito. Na altura já era visível a contracção do apetite dos investidores para o risco. Este indicador prenunciava a eclosão da bolha imobiliária e a provável evaporação da liquidez dos mercados bancários.

Gigantes da conservadora banca suíça abalados pelo “subprime” (UOL)

Os dois maiores bancos suíços, o UBS e o Credit Suisse, admitiram ontem terem sido afectados pela crise dos créditos hipotecários de alto risco nos Estados Unidos, os chamados “subprimes”, e comunicaram pesadas perdas nos resultados do terceiro trimestre, noticiou o jornal electrónico brasileiro.

UBSO UBS, maior banco do país e número dez mundial, anunciou uma desvalorização de activos de 4 mil milhões/mm (bilhões/bi) de francos suíços (2,4 mm/bi de euros) através da sua filial norte-americana FIRC. As perdas do banco de investimentos resultaram de prejuízos em “títulos investidos no mercado” subprime precisou o UBS. O impacto dos maus resultados da FIRC resultará “provavelmente numa perda bruta de entre 600 milhões e 800 milhões de francos suíços” no terceiro trimestre. Depois deste golpe, o banco suíço decidiu demitir 1.500 pessoas de seu banco de investimentos.

Credit SuisseO Credit Suisse, segundo banco do país e número 12 da Europa, também anunciou ontem, em comunicado, que as suas actividades de banco de investimentos e de gestão de activos foram vítimas “dos recentes acontecimentos nos mercados”.
“O Credit Suisse – indicou porém o banco – não possui nenhuma indicação de que o lucro líquido das atividades no terceiro trimestre se afastará da margem dos 20% [+/- 1,3 bilhão de francos suíços].”

Embora o mercado tenha reagido com aparente tranquilidade às notícias e alguns analistas acreditem que os bancos atingidos tenham capacidade suficiente para aguentar os embates, Javier Lodeiro, analista do Sal. Oppenheim Bank, admitiu que as más notícias podem prenunciar uma crise mais grave no sector bancário europeu.

EuronextEuronext Lisbon/Abertura 2007-10-02

PSI-20 sobe quase 2% com família Sonae em destaque (DE)

A praça nacional encontra-se em forte alta, com 10 títulos do índice de referência nacional a registarem valorizações superiores a 2%, graças às estimativas de que o pior da crise do ‘subprime’ já terá passado e que os próximos trimestres irão mostrar uma melhoria da actividade económica. A registarem os maiores ganhos encontram-se os títulos das empresas da família Sonae.

NOTÍCIAS DA SEMANA PASSADA:

Artur Santos SilvaFundador BPI disse que crise terá um”impacto limitado” na Europa (DE)

“Há alguma tensão nos mercados financeiros, mas não prevejo impactos muito importantes sobre a economia e o sistema financeiro, quer na Europa quer nas economias emergentes que são também hoje grande tractores da economia mundial”, disse Artur Santos Silva, presidente da Cotec – Associação Empresarial para a Inovação.

Santos Silva, classificou o impacto da crise financeira como “muito modesto” para a União Europeia, admitindo um desvio nas previsões de crescimento de 0,1 a 0,2%”.

(…) “Que há uma avaliação de risco mais exigente, isso penso que sim,” afirmou.

Teixeira dos Santos - Ministro das FinançasTeixeira dos Santos diz que Portugal tem exposição reduzida à crise (DE)

O ministro das Finanças declarou hoje que o grau de exposição do mercado financeiro português à crise que se vive actualmente no mercado de crédito hipotecário de risco nos Estados Unidos é “reduzida”, uma vez que no nosso país existe uma melhor gestão da exposição ao risco.

Lula da SilvaBrasil “não está nem um pouco preocupado” com crise, disse Lula (UOL)

O presidente brasileiro Lula da Silva classificou de “auspicioso” o actual momento económico brasileiro, e disse que o país não está preocupado com a crise “subprime” nos Estados Unidos. “A economia brasileira vive um momento auspicioso”, disse. “Antes de nós chegarmos o Brasil devia para o FMI, para o Clube de Paris, não tinha crédito para as suas exportações. E o que temos hoje? Hoje nós temos US$ 162 bilhões de reservas, tem uma crise nos Estados Unidos e não estamos nem um pouco preocupados.”

OCDE‘Subprime’ pode afectar crescimento da economia britânica diz OCDE (DE)

Numa nota sobre a economia britânica, a OCDE admitiu que “as previsões de crescimento da economia e da inflação tornaram-se agora mais incertas e existe um risco de que o crescimento será mais débil no futuro, o que implica a necessidade de redução das taxas de juro”. Antes da crise do ‘subprime’ nos EUA, as estimativas da OCDE apontavam para um crescimento de 2,7% para o Reino Unidos em 2007 e de 2,5% em 2008.

António Perez MeteloOs prémios de risco vão subir com esta crise (DN, artigo de opinião A. P. Metelo)

Uma consulta pelos operadores nos mercados financeiros permite concluir que existe um amplo consenso sobre aquilo que se sabe e se espera da turbulência originada na crise do subprime norte-americano a 9 de Agosto passado. As regras de actuação para os detentores de poupanças decorrem, como sempre, do bom senso de cada um, tendo em conta as tendências previsíveis para os próximos meses.

Nota: Entre ontem e esta manhã registámos problemas no acesso à Internet, motivo pelo qual fomos impedidos de prosseguir a pesquisa e elaboração da nossa coluna semanal “Sistema Financeiro Global – Observatório da Crise”. Devido a compromissos profissionais previamente agendados só nos será possível disponibilizá-la amanhã. Pelo sucedido, apresentamos a nossas desculpas.

Netbank: Fed encerra o primeiro banco não hipotecário na sequência da crise de crédito

segunda-feira, outubro 1st, 2007

Netbank - Mais uma vítima da crise hipotecária americanaO Netbank, uma das marcas pioneiras da actividade financeira online e dos raros que sobreviveram à bolha tecnológica de 2000/2001, foi encerrado na sexta-feira, ao fim da tarde, por ordem da Reserva Federal. A decisão foi tomada após a intervenção do Departamento Federal de Supervisão/Office of Thrift Supervision (OTS, em inglês) e da Sociedade Federal de Garantia de Depósitos/Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, em inglês) por falta de fundos suficientes para cobrir as responsabilidades de crédito assumidas no segmento «subprime» – mercado hipotecário de alto risco, noticiou a agência financeira MSNBC.

Decisão tardia, antecipa más notícias europeias

Em 3/08 , o Netbank fora excluído da cotação do NASDAQ – bolsa tecnológica de Nova Iorque. A medida foi justificada pelos problemas financeiros decorrentes do não pagamento das prestações de hipotecas por parte de mutuários de baixos rendimentos. No último dia da cotação, as acções foram transaccionadas a 0,068 dólares. Quando foi admitida na bolsa novaiorquina, em 1997, o Netbank foi cotado a 12 dólares/acção. Em Abril de 1999, antes do rebentamento da “bolha tecnológica”, atingiu o seu valor mais alto – 249 dólares/acção. Em 2004 o seu valor estabilizou durante algum tempo nos 15 dólares/acção, 20% acima do valor da primeira oferta pública, sete anos antes.

Os depositantes com contas inferiores a 100 000 dólares serão reembolsados ao abrigo dos seguros garantidos pela FDIC. O volume global de depósitos, no dia 03/08, era de 2,5 mil milhões (bilhões) de dólares. O grupo financeiro holandês ING pagou 14 milhões de dólares pela carteira de clientes do Netbank que ascendia a 104 000 contas.

Bert Ely, consultor financeiro de Alexandria, Virgínia, citado pela agência sublinhou que o banco se encontrava “numa profunda crise” muito antes da explosão da bolha imobiliária. “Deveria ter sido encerrado há muito tempo”, sublinhou Ely criticando a passividade das autoridades monetárias americanas face um claro problema de solvência diagnosticado pelos analistas em 2006.

Para além desta má notícia outras estão a ser divulgadas esta manhã nas praças financeiras da Inglaterra, Alemanha e Suiça. Estamos a acompanhar a situação e, ao fim da tarde, publicaremos neste sítio a 3.ª edição da nossa habitual coluna semanal “Sistema Financeiro Global – Observatório da Crise”.

Pedro Varanda de Castro

Consultor

Departamento de Data Mining

Portugal afectado pelo contágio da crise financeira global

quinta-feira, setembro 27th, 2007

Crise imobiliária começa a causar primeiras vitimas em PortugalUm fundo de investimento português comunicou ao regulador ter tido necessidade de recorrer a um empréstimo bancário devido ao elevado volume de resgates das participações dos clientes, revelou ontem o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares. A informação foi fornecida durante uma conferência de imprensa, um dia depois de o BPI ter informado que irá liquidar no dia 2 de Outubro o “Fundo BPI Renda Trimestral”.

2.ª vítima protegida pelo anonimato

O fundo de investimento, que Tavares se recusou a identificar, informou a comissão ter sido forçado a recorrer a um empréstimo bancário devido ao elevado volume de resgates das participações dos clientes. O levantamento de dinheiro pelos clientes, que o presidente da CMVM também não quis quantificar, foi provocado pelo stress nos mercados de capitais, iniciado em finais de Julho após o rebentamento da bolha imobiliária e subsequente crise do sistema de crédito norte-americano. Carlos Tavares esclareceu que o recurso a empréstimos “é possível para prevenir situações de falta de liquidez” e que, no caso em concreto, o recurso ao crédito “foi usado dentro das margens normais”.
O presidente da CMVM reconheceu que “não podemos presumir que Portugal não é afectado e que não haja contágio.” (…) “Hoje já não podemos falar apenas no ‘subprime’ [crédito hipotecário de alto risco] nem dizer que pelo facto dos portugueses não terem investimento directo nestes produtos securitizados não são afectados.” (…). “Não podemos subestimar e dizer que este é um problema passageiro nem dar-lhe uma dimensão que ele pode não ter.” (…)

Obrigações são elo mais fraco

“Esta crise vai exigir muita transparência de todos os agentes”, sublinhou Carlos Tavares. “A exposição directa dos fundos portugueses ao subprime foi considerada marginal. Mas no que diz respeito ao mercado de títulos de risco fixo, como é o caso das obrigações [activos a que os fundos são muitas vezes expostos], temos um problema semelhante ao dos outros países”, afirmou. “Vai ser preciso análise e muito transparência por parte de todos os agentes do mercado para saber se há ou não problemas mais profundos e qual a sua dimensão”, disse o regulador.

A CMVM tem vindo desde há algum tempo a reunir com as sociedades gestoras para aferir a situação dos activos que compõem os fundos, verificando os riscos existentes e potenciais. Carlos Tavares deixou também um conselho aos investidores: “olhem para a carteira dos fundos e para as rendibilidades e tenham um diálogo com as sociedades gestoras, exigindo a identificação dos riscos, para tomarem decisões fundamentadas”. Esta foi a primeira vez que uma autoridade financeira reconhece a existência de potenciais problemas para as instituições financeiras portuguesas devido à sua exposição, directa ou indirecta, aos múltiplos “derivativos de risco” transaccionados fora de bolsa na Europa e nos Estados Unidos, nos últimos anos.

Crise financeira chega a Portugal: Fundo do BPI é a primeira vítima

quarta-feira, setembro 26th, 2007

O efeito dominóO BPI decidiu proceder à liquidação de um fundo de investimento mobiliário, com activos no montante de 88 milhões de euros, revela o Diário Económico na edição de hoje. Segundo um comunicado divulgado na terça-feira, o banco informou que “a decisão de extinção do Fundo [BPI Renda Trimestral] tem subjacente o interesse dos participantes” e a “simplificação da oferta de fundos de investimento”. A carteira do fundo é composta maioritariamente por obrigações de “baixo risco” com “elevada liquidez” e por “alguns créditos hipotecários”. A incerteza quanto à distribuição trimestral do rendimento dos capitais investidos foi a razão apontada para a liquidação. O reembolso da totalidade do capital aos participantes foi assegurada por uma fonte do BPI citada pelo jornal. O encerramento do fundo será concluído no dia 2 de Outubro. A mensagem pretensamente tranquilizadora arrisca-se a aumentar os receios e a desconfiança dos investidores.

Contágios do alto risco

O Diário Económico refere que “o sector financeiro português não está imune aos riscos de contágio” da crise global de crédito e classifica a decisão do banco presidido por Fernando Ulrich como a manifestação de “uma crise financeira, mas também de confiança”. O DE avança publicamente com o que a MRA tem prognosticado nos relatórios de acesso restrito “Sistema Financeiro Global Observatório da Crise“, desde Agosto, apesar da sistemática desvalorização do problema por parte das autoridades monetárias e dos «market players». A situação, porém, é grave. A sentença BPI significa o princípio do fim de outros veículos de investimento existentes no mercado português. Após o colapso do segmento hipotecário de alto risco (subprime), nos Estados Unidos, cujos sinais já eram evidentes no último trimestre de 2006, os instrumentos de dívida negociados entre investidores, bancos, fundos, corretores e outros agentes tornaram-se ilíquidos. O mercado evaporou-se. O apetite pelo risco tornou-se drásticamente volátil.

O nacional-porreirismo

Esta quarta-feira, Carlos Tavares, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) informará os investidores e o público em geral sobre os efeitos da crise no sistema financeiro português, durante uma conferência de imprensa. O jornal sublinha que “o regulador [CMVM] considera existirem, neste momento, alguns motivos para preocupação” uma vez que “não é possível garantir que não se verifiquem casos preocupantes”.Manuel Vasconcelos Guimarães, presidente da APFIPP, associação dos fundos de investimento, pensões e patrimónios, há apenas uma semana, garantira ao jornal não existirem motivos para alarme quanto a um eventual contágio pela crise ‘subprime’. “Estamos tranquilos com a indústria de fundos” afirmou então o presidente da APFIPP garantindo desconhecer “problemas no sistema”. A opinião foi emitida em contraciclo com a debandada geral dos investidores. Em Agosto, os resgates das unidades de participação atingiram níveis recorde. Tal não impediu o dirigente associativo de manifestar o seu optimismo. “Os dados de Agosto reflectem o período de incerteza que afectou os mercados financeiros. É nestas alturas que determinados investidores vêem boas oportunidades que acabarão por constituir-se como motores de novas subscrições”, sublinhou Vasconcelos Guimarães. À data, a CMVM já havia informado o mercado sobre a crescente tendência para o desinvestimento naqueles veículos de poupança e valorização de patrimónios. Era a confirmação, pelo regulador da actividade bolsista, de que os mecanismos imunitários do sistema europeu ao descalabro dos mercados da dívida não existiam. Por isso, não funcionaram.

EUA: Vendas de casas e confiança dos consumidores voltam a cair

terça-feira, setembro 25th, 2007

Adensa-se o clima recessivo. Menos crescimento. Mais desemprego. Mais Inflação.O mercado imobiliário americano continua a ser a espada de Dâmocles sobre a economia global. O número de habitações vendidas caiu de novo, prolongando um persistente clima de recessão iniciado há 13 meses. Os dados foram divulgados hoje em Nova Iorque pela Associação Nacional de Agentes Imobiliários. As vendas registaram uma queda de 4,3% desde Julho. No mercado existem actualmente 5,5 milhões de casas à espera de compradores. Este número adensa as perspectivas de uma recessão económica no mercado consumidor mais importante do mundo. O temor de uma depressão económica e a perspectiva de mais inflação e desemprego derrubou igualmente o índice de confiança dos americanos no final do presente trimestre. Os resultados de um inquérito hoje divulgados ultrapassaram as piores previsões dos analistas, atingindo o valor mais baixo desde 2005. Segundo o instituto de pesquisa Conference Board, de Nova Iorque, o Índice de Confiança dos Consumidores, entre Agosto e Setembro, caiu 6 pontos (de 105.6 para 99.8). Este número situa-se 4.7 pontos abaixo das previsões (104,5). Trata-se do pior resultado desde Novembro de 2005 (98,3) , aquando do súbito aumento do gás e do petróleo que se seguiu à devastação das zonas costeiras do Golfo, pelos furacões Katrina e Rita. Estes dois indicadores, muito aguardados pelos analistas, transmitem más notícias aos mercados. A inevitabilidade de uma crise longa e duradoura começa a impôr-se nas principais praças financeiras do planeta.

Fed só forneceu 25% da liquidez procurada pelo mercado interbancário

terça-feira, setembro 25th, 2007

NYSE - Fecho 24 Set 2007

A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos voltou a injectar na segunda-feira mais 10 mil milhões de dólares no sistema monetário, via Fed Nova York, o banco emissor encarregado das operações de liquidez. Na semana passada foram colocados no mercado 68 250 milhões de dólares. Na operação de ontem (segunda-feira) verificou-se um facto importante. Contata-se que, apesar da maciça intervenção, os bancos queriam muito mais.

De facto, o Fed aceitou a compra de dívida (prazo 1 dia) no valor de uma dezena de milhar de milhões. Porém, face às ofertas apresentadas, o mercado sinalizou «precisar» de 41 225 milhões, ou seja mais 75% do que o montante injectado. A dívida adquirida estava quase totalmente suportada por títulos do tesouro (9 334 milhões).

Pela primeira vez, e ao contrário de situações anteriores, as garantias oferecidas não foram respaldadas por créditos hipotecários. Digno de nota, também, o facto de a Reserva Federal usar a compra de créditos hipotecários para tornar mais líquido um mercado actualmente a atravessa uma grave crise. O sector bancário luta deseperadamente pelo acesso a fundos suficientes para cobrir a gigantesca quantidade de hipotecas de alto risco (subprime) já vencidas ou prestes a vencerem-se, por se encontrarem no limite da maturidade.

Sem dinheiro fresco suficiente no circuito interbancário, os receios dos investidores manifestam-se nas cotações bolsistas. No quadro acima, logo após a intervenção do Fed (12H00, Nova Iorque), as cotações recuperaram um pouco. Porém, logo que foram sendo conhecidos novos dados sobre a economia americana, que foi divulgada a posiçãodo FMI sobre o assunto, o stresse aumentou. A opinião do director-geral do FMI, Rodrigo Rato (ver post anterior), sobre as (negras) perspectivas para o último trimestre de 2007, e o seu provavel agravamento em 2008, a reacção dos investidores foi a de liquidar/reduzir posições ajudaram a toldar o clima depressivo. Todos os índices, com excepção do relativo aos títulos tecnológicos (High Tech Index), fecharam no vermelho. (Fonte: Yahoo Finance)

EUA/Grã-Bretanha: Distribuidor de produtos de construção afectado pela crise hipotecária

terça-feira, setembro 25th, 2007

Cotações da Wolseley, na Bolsa de Londres (24/09/2007)A empresa britânica Wolseley, líder mundial na distribuição de produtos para a construção civil, anunciou na segunda-feira a primeira quebra de lucros registada na última década. Os resultados são fruto da crise financeira que afecta os mercados de crédito imobiliário nos Estados Unidos e na Europa. Num comunicado, a empresa advertiu que o contágio vai afectar negativamente empresas de sectores similares, como as reparações e manutenção de bens imobiliários.

As acções da Wolseley caíram 5%, para o valor mais baixo desde 2005. O maior distribuidor mundial de produtos de canalização e aquecimento anunciou uma redução de 7,3% nos lucros em 2007 (€1 080 mil milhões). A crise hipotecária nos EUA afectou significativamente a faturação. Nos EUA, que representam 50% do volume de negócios da Wolseley a nível mundial, os resultados económicos foram preocupantes. Os lucros caíram 19%, fechando em € 696,5 milhões, após a sua subsidiária Stock ter registado perdas de proveitos da ordem dos 75%.

Director do FMI prevê 2008 como um ano de crise aguda nos EUA afectando a economia mundial

terça-feira, setembro 25th, 2007

Rodrigo Rato - Director-geral do Fundo Monetário InternacionalA agência Reuters informa que “investidores vacilantes, afectados pela contracção mundial do crédito, receberam um novo golpe na segunda-feira após o FMI ter prognosticado que os impactos económicos da crise serão mais graves em 2008, ao mesmo tempo que outras fontes revelavam que o Deutsche Bank sofrerá prejuízos de 1700 milhões de euros provocados por empréstimos de má qualidade.” “Os mercados de crédito estão em fase de correcção, mas lentamente. Não nos encontramos numa fase de estabilidade”, afirmou o director-geral do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo Rato, num seminário, em Madrid. “A economia real vai sentir os efeitos, sobretudo durante 2008, com uma intensidade maior nos Estados Unidos e menor noutras regiões”, acrescentou.

 

Hiperinflação, recessão, turbulência cambial e valorização das «commodities»

sábado, setembro 22nd, 2007

Os dados vão ser lançadosDepois de ter forçado a marca simbólica de 1,40 dólares, o euro continuou a valorizar-se ontem cotando-se a 1,412 dólares. Ferida pelo espectro da recessão e indefesa perante o inevitável efeito “boomerang” da política monetária da Reserva Federal (Fed) a «green back» vai passar por um período de reajustamento do seu valor, mais consentâneo com a economia real dos Estados Unidos. A moeda europeia fechou o dia nos 1,4076 dólares, contra 1,4065 dólares na véspera (21H00 GMT).

O dólar canadiano bateu o recorde de há 31 anos (11/1976). Outras moedas de economias ricas em «commodities» valorizaram-se – os dólares australiano e neozelandês, o real saudita, a coroa norueguesa, bem como outras divisas refúgio. Entre elas destacamos o iene japonês e o franco suiço, apesar de os respectivos bancos centrais menterem as taxas de juro francamente mais baixas do que as americanas ou britânicas. Conforme previmos no passado dia 20, no nosso primeiro relatório, o dólar confirmou o início do que promete ser uma longa fase de desvalorização face a uma alargada cesta de divisas mundiais. É nossa convição de que, com o agravar da crise financeira global e a esbanjadora política do Banco Central Europeu de apoio à liquidez do mercado interbancário, a prazo, o euro acompanhará o dólar na caminhada descendente. Neste particular o sobre-e-desce da moeda funciona opostamente ao princípio dos vasos comunicantes. Se uma desce outras sobem. Na madrugada da próxima segunda-feira (24/09) estará disponível nos sites da MRA Alliance e MRA Newsletter o relatório n.º 2 do Observatório da Crise Financeira Global, elaborado pelo Departamento de Data Mining.

Capitais americanos e árabes lutam pelo controlo das bolsas globais

sexta-feira, setembro 21st, 2007

London Stock ExchangeA bolsa tecnológica novaiorquina «Nasdaq» e a «Borse Dubai» fecharam um negócio de troca de posições accionistas para criar uma megabolsa global integrando plataformas intercontinentais de negociação de acções ligando os Estados Unidos, Europa, Médio Oriente a a Ásia, noticiou esta noite a agência Reuters. O processo de globalização das bolsas entra agora numa fase de aceleração prevendo-se que capitais do Dubai e/ou do Qatar, em consórcio com a Nasdaq, passem a controlar as praças bolsistas de Londres (London Stock Exchange) e de Estocolmo (OMX). A concentração das bolsas mundiais prenuncia o aparecimento de novos produtos financeiros e sofisticadas tecnologias de comércio electrónico. Porém, poderá ainda suscitar a oposição de uma parte dos congressistas americanos que não vêem com bons olhos a entrada de financeiros árabes na administração da Nasdaq.

Juros baixos não ressuscitam mercado americano do papel comercial

sexta-feira, setembro 21st, 2007

Papel Comercial norte-americanoO mercado estadunidense de papel comercial voltou a encolher pela sexta semana consecutiva mostrando que a redução das taxas de juro decidida pela Reserva Federal (Fed) não foi suficiente para fazer regressar os investidores ao mercado da dívida de curto prazo, noticiou esta madrugada a agência norte-americana Bloomberg. A Fed informou que aquele segmento caiu 16% desde o dia 8 de Agosto, perdendo em volume cerca de 345 mil milhões (bilhões) de dólares. Os instrumentos de dívida caucionados por activos hipotecários de alto risco/subprime (ABCP’s) foram praticamente abandonados pelos investidores após o número de incidentes de crédito ter atingido valores históricos nos últimos cinco anos. Os vendedores de ABCP’s usavam o numerário para comprar dívidas sobre hipotecas, obrigações, cartões de crédito, facturas vencidas e empréstimos automóveis caucionadas por activos de alto risco. Desde Agosto este mercado desapareceu.