Archive for the ‘Lóbis’ Category

EUA montam e apertam cerco ao fundador do Wikileaks

quinta-feira, dezembro 2nd, 2010

O australiano Julian Assange, 39 anos, não apareceu em público depois de uma conferência de imprensa que deu a 5 de Novembro, em Genebra, e concedeu apenas entrevistas on-line desde que foi divulgado um comunicado do seu advogado, referindo que o ‘hacker’ estaria a ser acusado na Suécia por crimes sexuais.

A responsável do Ministério Público da Suécia, Marianne Ny, afirmou que foi emitido um mandado de detenção europeu devido a estas suspeitas. Mark Stephens, o advogado de Assange, informou ainda não ter sido notificado formalmente das acusações feitas ao seu cliente, o que considerou ser uma exigência legal no âmbito da legislação europeia.

O advogado, com escritório em Londres, não poupou Mariane Ny, num e-mail dirigido à agência noticiosa AP, referindo “negligência ocasional” das suas obrigações e considerou que o caso é uma “perseguição e não uma acusação”. Sobre Assange pendem acusações de violação, assédio sexual e coerção ilegal.

Entretanto na guerra assimétrica EUA-Wikileaks surgem novos actores. Um grupo de ex-colaboradores de Julian Assange, fundador do Wikileaks, vai criar um novo portal sobre informação secreta, na sequência de alegados desentendimentos com o fundador do site, noticiou ontem a agência EFE. Um antigo porta-voz da plataforma afirmou que o novo site se propõe fazer com que «o maior número possível de pessoas tenha acesso ao maior número possível de documentos».

Desta forma, está em marcha um novo episódio na guerra entre informação e desinformação da opinião pública global. O prato da balança, a prazo, poderá brevemente virar-se contra Assange.

MRA Alliance/Agências/pvc

PT compra Oi e cede Vivo à Telefónica após intervenção de Lula

quarta-feira, julho 28th, 2010

A Portugal Telecom prepara-se para aprovar a venda da Vivo à Telefónica e a entrada no capital da brasileira Oi. A Telefónica vai pagar 7,5 mil milhões à PT para ficar com a Vivo e a PT paga 3,75 mil milhões para comprar 23% da Oi. Apenas um accionista da Oi, o Grupo Jereissati, que controla quase 20% da holding Telemar, se opõe claramente ao negócio patrocinado pelo Presidente Lula.

Nos termos deste negócio, depois da venda da Vivo e da compra da Oi, a PT fica ainda 3,75 mil milhões de euros de ‘cash’. O acordo deverá ficar formalizado ao longo desta semana, havendo possibilidade de haver luz verde ainda hoje (quarta-feira).

O semanário Económico apurou que o acordo prevê a venda da Vivo aos espanhóis por um valor ligeiramente acima dos 7,15 mil milhões que constavam da última proposta da operadora espanhola.

Com estas duas operações, a administração da PT consegue uma solução salomónica que poderá agradar aos accionistas e ao Governo de José Sócrates – que já afirmou que a PT tem de continuar no Brasil – que na última assembleia-geral utilizou a ‘golden share’ para vetar a venda da Vivo à Telefónica.

Na altura, em cima da mesa estava uma proposta da Telefónica para comprar os 50% que a PT detém na Brasilcel por 7,15 mil milhões de euros. A Brasilcel é uma ‘holding’ que controla 60% do capital da Vivo. Na altura, a proposta da Telefónica mereceu a aprovação de 75% dos accionistas presentes na assembleia-geral de 30 de Junho.

O argumento dado pelo Governo para vetar o negócio foi a necessidade de manter a PT com uma dimensão internacional. O negócio da PT no Brasil já representa mais de metade da facturação da empresa.

Com esta nova solução, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava vão de encontro à vontade da maioria dos accionistas, sem afrontar o poder político, já que a entrada da PT na Oi permitirá à operadora nacional manter uma presença num mercado com 170 milhões de utilizadores móveis.

A solução da Oi tem vindo a ser defendida por accionistas de referência. Ainda esta semana, na apresentação das contas, Ricardo Salgado do BES, actualmente o maior accionista da PT, disse que a Oi “tem com certeza um grandíssimo potencial”, recordando ainda as palavras do presidente brasileiro Lula da Silva que afirmou querer que a PT continue no Brasil.

Ontem, a imprensa brasileira deu conta das movimentações entre Lula da Silva e de José Sócrates para a concretização do negócio e surgiram as primeiras notícias sobre as razões estratégicas da oposição do Grupo Jereissati.

MRA Alliance

Vara fez lobby para favorecer farmácias

domingo, fevereiro 28th, 2010

Armando VaraUm documento apreendido em casa do gestor bancário Armando Vara é referido no despacho do Procurador Geral da República indiciando o favorecimento da Associação Nacional das Farmácias em matéria de políticas públicas, revelou hoje o Diário de Notícias.

João Cordeiro, o presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), terá pedido a ajuda do ex-vice-presidente do Millennium BCP Armando Vara para intervir junto do Executivo de José Sócrates, no sentido de ser alterada a legislação para o sector.

O primeiro foi detectado através das escutas do processo “Face Oculta” e tinha a ver com a lei de concessão das farmácias hospitalares a privados – como o Sol avançou na última edição.

O segundo, apurou o DN, foi detectado através de documento apreendido pela Polícia Judiciária nas buscas a casa do ex-gestor do BCP. O documento é referido no despacho do procurador-geral da República e tinha a ver com a proposta de alteração ao regime jurídico de formação dos preços dos medicamentos sujeitos a receita médica e não sujeitos a receita médica comparticipada.

No despacho, o PGR diz que “importa agora apreciar e valorar, no seu conjunto, os elementos de prova constantes das diversas certidões acima discriminadas”. E, entre outros elementos de prova há “a certidão dirigida a este procedimento – relacionada com o resultado de busca efectuada a casa de Armando Vara – foi junta a processo relacionado com a Associação Nacional das Farmácias”.

Contactada pelo DN, fonte próxima de Armando Vara confirmou que o documento apreendido em casa do ex-gestor do BCP dizia respeito à legislação referente aos preços dos medicamentos. A mesma fonte adiantou: “É natural que, sendo Armando Vara e João Cordeiro conhecidos de há muito tempo, este último possa ter tentado ajuda para intervir junto de Sócrates. No entanto, salvaguarda: “Isso não quer dizer que Armando Vara o tenha ajudado.”

MRA Alliance/DN

Obama critica decisão do supremo sobre financiamento partidário por empresas

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O presidente norte-americano criticou hoje a decisão do Supremo Tribunal de levantar todos os limites ao financiamento de campanhas por empresas alertando para a “erupção brutal” de dinheiro de grupos de pressão nas eleições norte-americanas.

“Trata-se de uma vitória para as grandes companhias petrolíferas, os bancos de Wall Street, as sociedades de seguros de saúde e todos os grandes interesses que trabalham diariamente em Washington para retirar a voz ao povo americano”, considerou Barack Obama, num comunicado.

Obama anunciou também a sua intenção de “trabalhar imediatamente com o Congresso sobre esta questão”, a fim de se opor a uma decisão que, segundo ele, dá “ainda mais poder aos grupos de pressão em Washington, limitando a influência de cada americano que faz pequenas doações ao candidato que apoia”.

MRA Alliance/Agências

Mário Soares, Van Rompuy e Bilderberg Group

terça-feira, novembro 24th, 2009

O antigo presidente da República Mário Soares fez uma expressiva crítica, esta terça-feira, à escolha do até aqui primeiro-ministro belga para a presidência do Conselho Europeu (CE). Para Soares, Van Rompuy «é um presidente que vai ser um burocrata».

Confessando-se «espantado» com a escolha do belga para a liderança do CE, Mário Soares sublinhou que «os europeus em geral não sabem quem é, e isso é mau».

«O directório que hoje governa a Europa não quer que lhe façam sombra», afirmou, citado pelo ‘Expresso’ online.

«É um presidente que vai ser um burocrata, se calhar, vamos ver. Espero que não», perspectivou, à margem do seminário “Portugal e Espanha: O que fazer em conjunto na Europa?”, que decorre em Lisboa.

Para Soares, a escolha de Van Rompuy, prova que todo o processo de nomeação do presidente do CE não passou de «um cozinhado feito sem o conhecimento de ninguém».

Ainda assim, o antigo chefe de Estado não deixou de desejar que Van Rompuy «tenha êxito, o que é importante para todos nós».

Rompuy e o Grupo Bilderberg

Escassos dias antes da sua escolha, Van Rompuy participou e discursou durante um jantar organizado pelo secretivo lóbi globalista “Bilderberg Group”, em Bruxelas, onde manteve contactos com influentes membros da comissão de selecção e recrutamento de associados e colaboradores. 

Durante o discurso, o então primeiro-ministro belga defendeu a revisão de um conjunto de impostos relacionados com transportes aéreos, combustíveis e IVA para reforçar os cofres da União Europeia. 

“As possibilidades de arrecadação fiscal a nível europeu deverá ser seriamente escritunada e, pela primeira vez, a maior parte dos países da UE está aberta a isso. (…) Por si só, não basta a recuperação da economia para eliminar os enormes défices orçamentais de muitas economias europeias”, disse Van Rompuy, citado pelo jornal flamengo De Tijd.

A notícia indica que, na ocasião, para além de um breve encontro com Henry Kissinger, um velho membro do Grupo Bilderberg, Van Rompuy manteve conversações com o actual presidente da opaca organização, Étienne Davignon, vice-presidente da União Europeia entre 1981 e 1985.

Em Março passado, em entrevista ao jornal EU Obvserver, o visconde Davignon lembrou que o Grupo Bilderberg desempenhou um papel crucial nas movimentações políticas e financeiras que levaram à criação da moeda única europeia, nos anos 90.

Pouco antes de serem primeiros-ministros de Portugal, Durão Barroso e Santana Lopes participaram em reuniões anuais da agremiação globalista.

MRA Alliance

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Portugal em ‘lobby’ eléctrico do Sul da Europa

domingo, outubro 4th, 2009

Portugal, Espanha e Itália estão a preparar a criação de um lobby de companhias de electricidade do Sul da Europa, noticia o el Economista, citado hoje pelo Diário de Notícias.

Na quarta-feira, os presidentes de três associações do sector – o português João Manso, da Elecpor, o espanhol Pedro Rivero, da Unesa e o italiano Enzo Gatta, da Unei – vão selar uma aliança para constituir um agrupamento de empresa que sirva para defender os interesses das companhias junto dos governos e das instâncias europeias.

Facilitar a relação entre as diferentes empresas, já que todas operam em países diferentes, realizar estudos do sector e proceder a acções de formação são outro dos objectivos por detrás da aliança entre as três associações sectoriais.

Portugueses e espanhóis – recorde-se – já colaboram no desenvolvimento do Mercado Ibérico da Electricidade (Mibel).

MRA Alliance/DN 

Compra de submarinos origina buscas a sociedades de advogados

terça-feira, setembro 29th, 2009

Investigadores do Ministério Público, dirigidos pelo juiz Carlos Alexandre, estiveram hoje na sede da sociedade de advogados Vasco Vieira de Almeida & Associados, no âmbito de uma investigação relacionada com um concurso público para a compra de submarinos, realizado em 2003. 

Fontes da sociedade confirmaram à agência Lusa as diligências do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Foram ouvidos todos os advogados que prestaram assessoria jurídica a um cliente que integrou um dos consórcios internacionais concorrentes.

A operação do Ministério Público abrangeu outras três sociedades de advogados, entre as quais a Sérvulo Correia & Associados.   

A operação estará relacionada com «suspeitas de corrupção, tráfico de influências e financiamento ilegal de partidos políticos no processo de aquisição dos dois submarinos U-214 adquiridos pelo Estado português ao German Submarine Consortium (GSC)».

Os dois referidos escritórios de advogados participaram na montagem do negócio, avaliado em 875 milhões de euros, formalizado contratualmente em Abril de 2004, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas.

MRA Alliance/Agências

Globalistas da Carlyle preparam investimentos milionários em Portugal

terça-feira, setembro 1st, 2009

Comissão TrilateralO Grupo Carlyle irá canalizar uma parte do seu fundo imobiliário CEREP III para investimentos em Portugal através de uma parceria com a empresa portuguesa Crimson Investment Management, noticia hoje o Jornal de Negócios. Criado em 2007, com 2,2 mil milhões de euros, o fundo já investiu em França, Espanha, Alemanha e no Norte da Europa.

Iniciada há alguns meses, a parceria estratégica entre a Carlyle e a Crimson permanece ainda sem qualquer transacção concretizada prevendo-se que as primeiras aquisições tenham lugar no último trimestre. 

Segundo um artigo publicado em 30 de Junho pelo jornal Oje “a sociedade portuguesa, liderada por Carlos Félix Moedas, ex-presidente da Aguirre Portugal, procura investimentos nas áreas dos escritórios, retalho, hotelaria e turismo residencial para um novo fundo do grupo Carlyle. Em Portugal está previsto um investimento da ordem dos 50 milhões de euros anuais ao longo dos próximos três anos, avançou Carlos Moedas”.

O Oje informou então que “em Portugal os activos mais interessantes que estão definidos envolvem escritórios em Lisboa, com bons yields; ainda o retalho com potencial de transacção no futuro; a par de hotéis em Lisboa, que tanto poderão ser boutiques como unidades de cinco estrelas e, por último, o turismo residencial, uma vertente que está, por enquanto, inflacionada em Portugal. A Carlyle procura, globalmente, portfólios de activos de qualidade com yields atractivas e/ou activos inseridos em companhias ligadas ao sector imobiliário. A Crimson irá, em exclusivo, fazer trabalho de adviser, concretizar os investimentos e fará toda a futura gestão daqueles investimentos.”

Carlyle e Portugal

O Grupo Carlyle é a maior empresa de equity capital do mundo gerindo fundos superiores a 84 mil milhões de dólares, emprega directamente quase 900 pessoas, 500 das quais são especialistas em montar operações de alavancagem financeira e capital de risco. Com sede em Washington, o conglomerado opera nos cinco continentes, com empresas participadas que empregam mais de 415 mil pessoas.

De acordo com o relatório e contas de 2008, o Grupo Carlyle investiu os recursos dos seus mais de 1300 investidores, espalhados por 71 países, nos sectores da energia (22%), imobiliário (19%), tecnologia (15%), distribuição e consumo (8%) indústria transformadora (8%), telecomunicações e media (6%), transportes (6%), cuidados de saúde (6%) e indústria aeroespacial (5%). Entre as centenas de empresas que controla, muitas são fornecedoras do Pentágono.

Em Portugal, uma das suas últimas aquisições foi o outlet Freeport, situado nas imediações dos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, onde será construído o futuro aeroporto de Lisboa. O investimento foi concretizado nove meses antes de o actual governo socialista ter abandonado a opção Ota para a localização do novo e polémico complexo aeroportuário. A decisão do executivo deu azo a operações imobiliárias amplamente noticiadas pela imprensa portuguesa no início deste ano, bem como a uma discreta manifestação de agrado por parte da gestão portuguesa do Freeport.

Entre 1992 e 2005, o Grupo Carlyle, foi liderado por Frank Carlucci, ex-embaixador dos Estados Unidos em Portugal após a queda do governo de Marcelo Caetano (1975-1977), director-adjunto da CIA (1978-1981), Secretário-adjunto da Defesa (1981-1983), Conselheiro Nacional de Segurança (1986-1987) e Secretário da Defesa (1987-1989). 

Durante o consulado de Carlucci, ocuparam posições de relevo na companhia, na qualidade de “consultores séniores”, personalidades da alta roda da política e da  finança global, como o ex-presidente dos EUA George H. W. Bush, o antigo primeiro-ministro britânico John Major, o antigo Secretário de Estado norte-americano James Baker, o antigo presidente das Filipinas Fidel Ramos, bem como Karl Otto Pöhl, antigo presidente do banco central da Alemanha  (Bundesbank) e  George Soros, bilionário gestor de “hedge funds”. Olivier Sarkozy, meio-irmão do presidente francês Nicolas Sarkozy, desde Março de 2008, co-preside e administra a divisão de serviços financeiros globais, criada após a eclosão da crise subprime. Todos são membros de poderosas organizações globalistas – como o Grupo Bilderberg, Council on Foreign Relations e Comissão Trilateral – que se caracterizam pelo secretismo e acesso restrito às elites que pretendem liderar a geopolítica e a economia mundial.

Os parceiros portugueses

A Crimson Investment Management, fundada em Novembro de 2008, é dirigida pelo engenheiro civil Carlos Félix Moedas, que na última década enveredou pela gestão financeira, após um mestrado concluído em Harvard. No final do primeiro ano do Master and Business Administration, estagiou no banco de investimento Goldman Sachs, em Wall Street. No final do MBA, passou a quadro da instituição, em Londres. Foi igualmente quadro do Eurohypo, banco alemão especializado em crédito hipotecário, nos escritórios da capital britânica. Em 2006, após 11 anos no estrangeiro, voltou para Portugal como director-geral da corretora imobiliária espanhola Aguirre Newman.

Nessa qualidade, em entrevista ao site Construir, especializado em indústria da construção, confessou-se um admirador da ex-Secretária de Estado norte-americana Madelaine Albright e do cineasta Steven Spielberg, designadamente do filme Munique, que colhe a sua preferência. “É interessante ver a capacidade que um povo como o de Israel tem para se levantar, combater…e perceber toda a história em que a Mossad vai buscar, um a um, os autores do massacre dos Jogos Olímpicos de Munique.”

De acordo com o jornal Oje, “a Crimson é participada por investidores como Miguel Paes do Amaral, João Brion Sanches, Alexandre Relvas e Filipe de Botton”, este último membro do grupo português da Comissão Trilateral, também conhecido pela designação Fórum Portugal Global.

Segundo a revista “Função Pública”, número 3, de 2005, “nas actividades do grupo português da Trilateral têm ainda participado, designadamente, Jorge Sampaio, Durão Barroso, Miguel Cadilhe, Eduardo Ferro Rodrigues, António Vitorino, Franklin Alves, António Amorim, Filipe de Botton, Luís Valente de Oliveira, António Borges e João Cravinho.” 

MRA Data Mining 

Ted Kennedy era um poderoso apoiante do complexo industrial militar

quinta-feira, agosto 27th, 2009

Senador Ted KennedyEntre os grupos mais discretos ligados ao senador Edward Kennedy está a indústria bélica dos EUA, que agora espera um sucessor idêntico em poder e capacidade de manobra no Senado.

O democrata, que morreu na terça-feira aos 77 anos, vítima de cancro no cérebro,  detinha uma importante posição na comissão do Senado que aprova equipamentos bélicos. A indústria receia que, agora, vários programas de armamento possam sofrer cortes caso o seu substituto não demonstre interesse similar ou não tenha tanta influência quanto a que Kennedy exerceu em favor do setor.

“É óbvio que ele foi um grande protetor [das empresas de defesa da Nova Inglaterra]”, disse Owen Cote, especialista em segurança do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “Sem dúvida o segundo motor do F-35 não existiria sem ele.” A observação refere-se ao motor de um caça produzido conjuntamente pela General Electric e pela Rolls-Royce na fábrica da GE em Lynn, Massachusetts, que gera milhares de empregos. O motor compete com um produto similar da United Technologies Corp, e o seu financiamento será alvo de novas negociações neste semestre, em Washington.

Embora fosse considerado um pacifista em questões de política externa, o empenho de Kennedy em prol da indústria bélica e bases militares da Nova Inglaterra (nordeste dos EUA) ajudou a consolidar sua popularidade na região.

O setor bélico tem grande importância económica em Massachusetts. Segundo um estudo da Universidade de Massachusetts, os gastos com defesa totalizaram 9,2 bilhões de dólares em 2005, além de 5,5 bilhões de dólares em gastos indiretos, representando 4,6 por cento do PIB local.

MRA Alliance/O Globo

Accionistas portugueses tentaram vender SLN ao Grupo Carlyle

quarta-feira, abril 15th, 2009

Joaquim Coimbra, empresário e um dos maiores accionistas da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), afirmou ontem na comissão de inquérito parlamentar que, após a saída de Oliveira Costa, desenvolveu contactos junto do representante da Carlyle em Portugal para a venda do grupo aos americanos, noticia o Correio da Manhã, na edição online.

“Após a saída fui interveniente no processo Carlyle”, explicou Joaquim Coimbra. “Em finais de Fevereiro, fui contactado pelo representante da Carlyle em Portugal para uma reunião”, contou o empresário à comissão parlamentar, acrescentando ter estado “numa reunião com o sr. Almiro Silva [accionista] e com o representante da Carlyle” onde foram referidos os “contactos que tinha tido com o dr. Oliveira Costa”. “Informou-nos que a Carlyle poderia voltar a estar interessada nas negociações”, disse Joaquim Coimbra. 

O accionista confirmou ainda que “a Carlyle representava um grupo de investidores angolanos, cuja proposta  tinha um plano estratégico”. Segundo Coimbra, “a aquisição passava por 40% ou mais, se os accionistas o  entendessem”. “Foi-nos informado que as autoridades portuguesas tinham conhecimento do negócio”, afirmou o empresário, sublinhando que a Carlyle lhes comunicou que  “havia a necessidade de fazer uma auditoria” ao grupo, a qual deveria ser feita pelo Morgan Stanley ou pelo banco UBS, acrescenta o CM.

“O presidente da Carlyle prontificava-se a vir falar com o Banco de Portugal e com as autoridades portuguesas”, disse Joaquim Coimbra, garantindo que “ficou acordado que o Conselho de Administração daria início a um processo negocial”. O accionista diz ter ouvido queixas da Carlyle sobre a falta de andamento do processo de venda, mas explicou desconhecer as razões práticas que impediram o negócio. “Foi um processo que demorou algum tempo e que por razões que desconheço, porventura de conjuntura ou das auditorias que levariam muito tempo, da situação provisória do dr. Vakil ou até talvez a pressão exercida pelo Banco de Portugal exercida nos meses de Maio e Abril, não tenham feito andar o negócio.”

Joaquim Coimbra revelou ainda aos deputados só ter tido conhecimento do Banco Insular no dia 12 de Fevereiro, na reunião da Comissão de Avaliação e Nomeações que ditou a saída de Oliveira e Costa do grupo. Segundo o empresário, foi nesta reunião que, além do Insular, os accionistas tiveram conhecimento dos activos imobiliários não registados nas contas do grupo, do uso de testas de ferro e do buraco financeiro da instituição. “Quando o dr. Oliveira Costa disse que o problema era o BI achávamos que lhe faltava o Bilhete de Identidade, afinal era o dito buraco”, afirmou Joaquim Coimbra. O accionista disse ainda que lhes foi assegurado que o buraco financeiro “não atingiria os 150 milhões de euros e que tinha cobertura”, conclui o jornal, sem contudo fornecer detalhes sobre a multinacional estadunidense.

O que é o Grupo Carlyle?

É uma das maiores empresas de equity capital (capital de risco) do mundo, com profundas ligação à CIA e ao complexo industrial-militar norte-americano. O antigo embaixador dos Estados Unidos em Portugal, durante o Verão Quente de 1974, Frank Carlucci, ex-director geral da CIA e ex-secretário da Defesa na segunda administração Reagan, presidiu aos destinos do grupo entre 1989 e 2005. O Grupo Carlyle é o actual proprietário do célebre outlet de Alcochete – Freeport.

O conglomerado é um grupo discreto mas poderoso que gere aplicações de grandes empresas, fundos de pensões e parte das fortunas de alguns multimilionários globais. Entre eles, contou-se o grupo de construção saudita Binladin Group, propriedade da família do famigerado Osama bin Laden.

Não está cotado em Bolsa, apenas presta contas aos seus 550 investidores e gere recursos superiores a USD 90 mil milhões/bilhões, aplicados nos sectores da defesa, indústria espacial, sistemas de segurança, tecnologias de informação e telecomunicações, biotecnologia e nanotecnologias. A jóia da coroa United Defense Industries, 11º fornecedor do Pentágono – mísseis, blindados, veículos de transporte e sofisticados sistemas de segurança e detecção – foi vendida em 2004 à britânica BAE por USD 4 mm/bi, mas o grupo continua muito activo no sector, através de participações cruzadas, directas e indirectas.

A esmagadora maioria das empresas que controla são fornecedores qualificados dos governos e administrações dos mais de 20 países onde actua. Em uma das suas brochuras institucionais pode ler-se: “ Investimos nas oportunidades criadas nas indústrias fortemente afectadas pelas mudanças de política governamental ”. Por esta razão, não admira que os seus associados constituam uma verdadeira lista “Quem é Quem” no mundo dos negócios e da política global:

  • George H. W. Bush, antigo vice-presidente (1981-1989) e presidente dos EUA (1989-1993); Desempenhou funções de “Consultor Sénior” na Carlyle Asia entre 1998-2003); 

  • George W. Bush, ex-governador do Texas e presidente dos EUA (2001-2009). Antes de chegar ao poder no Texas foi consultor de uma das empresas do grupo Caterair (1990-1992);

  • James Baker III, ex-secretário de Estado na administração George H. W. Bush;
  • Henry Paulson Jr., ex-secretário do Tesouro na administração George W. Bush, responsável pelos primeiros programas de salvação da indústria financeira dos EUA e ex-presidente do banco Goldman Sachs, é a mais recente aquisição do grupo
  • Richard Darman, ex-director do U.S. Office of Management and Budget na administração George H. W. Bush, ocupa funções de “Consultor Sénior” e de “Administrador Executivo”, desde 1993;
  • Allan Gotlieb, antigo embaixador canadiano nos EUA (1981-1989), é membro do conselho consultivo no Canadá; 
  • Arthur Levitt, presidente do regulador da bolsa Securities and Exchange Commission (SEC), durante a administração Clinton, é “Conselheiro Sénior” desde 2001;
  • Peter Lougheed – Primeiro-ministro do Estado de Alberta, Canadá (1971-85);
  • Luis Téllez Kuenzler, antigo secretário de estado das Comunicações e Transportes e da energia do México; 
  • Mack McLarty, antigo chefe da Casa Civil (White House Chief of Staff) durante a administração Clinton (1993-1994), é “Consultor Sénior” desde 2003;
  • John Major, antigo primeiro-ministro de Inglaterra, presidiu à Carlyle Europe (2002-2005);
  • Liu Hong-Ru, antigo presidente da CMVM da China; “Consultor Sénior” 
  • Anand Panyarachun, ex-primeiro-ministro da Tailândia; “Consultor Sénior”;
  • Thaksin Shinawatra, primeiro-ministro deposto da Tailândia, demitiu-se do cargo de “Consultor Sénior”, em 2001, quando chegou ao poder; Actualmente no exílio, nas Bahamas e na China, inspira as actuais manifestações populares que exigem a demissão do governo tailandês;   
  • Fidel Ramos, ex-presidente das Filipinas, foi “Consultor Sénior até 2004;
  • Olivier Sarkozy, meio-irmão do presidente francês Nicolas Sarkozy, desde Março de 2008, dirige a divisão de serviços financeiros globais do grupo;
  • Karl Otto Pöhl, ex-presidente do banco central alemão Bundesbank e do banco de investimento Oppenheimer Bank; “Consultor Sénior”;
  • Jason Chang,  fundador e presidente do ASE Group, de Taiwan, é um dos 20 homens mais ricos do país; “Consultor Sénior”;
  • Laurent Beaudoin, CEO do grupo canadiano Bombardier desde 1979; “Consultor Sénior”;
  • David Moffett – CEO do pré-falido conglomerado imobiliário norte-americano Freddie Mac; “Consultor Sénior”;  
  • Norman Pearlstine, editor-chefe da revista norte-americana Time (1995-2005), é “Consultor Sénior”;

A estes podem ainda juntar-se os nomes do general na reserva e ex-secretário de Estado, Colin Powel, o ex-secretário da defesa Caspar Weinberger e alguns filhos e familiares chegados de outros altos dignitários estadunidenses.

Negócios e casos

O Carlyle é um modelo construído à escala planetária com base na gestão de relações pessoais, onde as acções de lóbi e tráfico de influências assumem papel preponderante. 

“Não é possível estar mais próximo da administração do que está a Carlyle”, afirmou ao “Le Monde, em 2003, Charles Lewis, director do Centro para a Integridade Pública, uma ONG de Washington. “George Bush, pai, ganhou dinheiro proveniente de interesses privados que trabalham para o governo do qual o filho é presidente. Poder-se-á mesmo dizer que o presidente virá um dia a beneficiar financeiramente, por via dos investimentos do pai, das decisões políticas que tomou”, acrescentou.

O projecto Carlyle nasceu em 1987 com 5 milhões de dólares de capital. Os seus fundadores, quatro juristas com ligações ao Congresso e à Casa Branca queriam aproveitar uma falha na legislação tributária, que permitia às sociedades detidas por esquimós, no Alasca, a vender passivos a empresas interessadas em reduzir a carga fiscal. 

Carlucci, um dos íntimos do influente Donald Rumsfeld – gestor, político e ex-chefe do Pentágono – foi o arquitecto do modelo de negócio que colocaria a Carlyle na alta roda dos negócios globais. Os seus inimigos apelidaram a fórmula de OPM – Other People’s Money – por usar dinheiro alheio para comprar favores e influências em negócios obscuros, duvidosos e, não raras vezes, ilegais. Alguns exemplos:

– Compra da BDM International e alia-se, em 1992, aos franceses da Thomson-CSF para adquirir a a divisão aerospacial da LTV mas a operação foi reprovada pelo  Congresso por razões de “segurança interna”; Carlucci virou-se para a Lorale Northrop, e adquiriram a LTV Aerospace, mais tarde Vought Aircraft, envolvida na fabricação dos bombardeiros B1 e B2;

– Via BDM International, a Vinnell, empresa com ligações à CIA, uma das principais fornecedoras de mercenários ao exército americano e  aliados foi enquadrada nas forças armadas sauditas e na guarda pessoal ao rei Fahd e participou na primeira guerra do Golfo ao lado das tropas sauditas;

– Em 1997, face aos polémicos negócios da BDM e da Vinnell, a Carlyle vendeu-as logo que a consolidação da compra da United Defense Industries começou a dar frutos e garantiu os negócios com o Pentágono;

– No final dos anos 90, foram adquiridas empresas estratégicas como a Magnavox Electronic Systems, (imagens por radar), a DGE (mapas electrónicos para mísseis cruzeiro), Magnetek, IT Group e EG & G Technical Services (descontaminação nuclear, química e bacteriológica);

– A reunião entre George H. W. Bush e Shafiq Bin Laden, um dos 50 meio-irmãos de Osama, na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, no hotel Ritz Carlton, em  Washington, no âmbito de uma cimeira de investidores, lançou uma núvem de suspeições sobre as relações da Carlyle agravadas pela protecção dada a todos os membros da família que se encontravam no país e que foram autorizados a abandoná-lo, em aviões privados, quando o espaço aéreo ainda estava fechado. Oficialmente, os investimentos do Grupo Binladin na Carlyle terminaram em Outubro de 2001, mas muitos analistas e observadores duvidam, face ao peso que a família saudita tem no Golfo Pérsico. A compra, em Setembro de 2007, pelo fundo soberano dos Emiratos Árabes Unidos (Mubadala Development Company) de uma participação institucional no grupo americano – 7,5% pelo preço de USD 1,35 mm/bi – dá razão aos cépticos.

– Em Janeiro de 2001, George Bush, filho, rompeu as negociações com a Coreia do Norte; A Carlyle tinha e mantém interesses importantes, na Coreia do Sul, que receava uma reacção negativa de Pyongyang. Em Junho de 2001, Washington retomou as discussões com os comunistas norte-coreanos;

– Falência do empresa financeira Carlyle Capital (USD 16,6 mm/bi) especializada em derivativos de crédito, em Março de 2008, situação que levou à contratação milionária de Olivier Sarkozy, especialista do sector;

– As brasas do último escândalo ainda não arrefeceram quando, em Março passado,  o Procurador Geral de Nova Iorque, Andrew Cuomo, anunciou estar a investigar cinco casos de corrupção e subornos alegadamente pagos pelo Grupo Carlyle a gestores do fundo de pensões estadual;

MRA Alliance

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Baxter, Tamiflu, Rumsfeld e gripe das aves: Contaminação e tratamento

domingo, março 8th, 2009

A multinacional farmacêutica norte-americana Baxter International, com sede em Deerfield, Illinois, nos últimos meses, vendeu vacinas contaminadas com o vírus da gripe das aves, a duas dezenas de países, entre os quais europeus, alerta o site científico alemão LifeGen. Esta notícia tem implicações directas com uma substância activa patenteada pela Gilead Sciences, uma empresa fundada há 20 anos pelo ex-chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld. 

Caso Bartex

O caso foi descoberto pela rede científica PROMED segundo a qual a Bartex, através da sua subsidiária na Áustria,  “forneceu, não intencionalmente, amostras contaminadas com o vírus da gripe das aves, que foram usadas em laboratórios de três países vizinhos.”

A PROMED revelou que a contaminação foi descoberta em Fevereiro, num laboratório da República Checa após a morte de doninhas inoculadas com vacinas produzidas a partir das amostras enviadas da sede da Bartex, em Deerfield, Illinois, para a sua subsidiária na Áustria. A empresa norte-americana comunicou o incidente ao ministério da Saúde, em Viena. A porta-voz do ministério, Sigrid Rosenberger, confirmou à PROMED a contaminação das amostras com o vírus H5N1.

Vlad Dan Georgescu, co-autor do livro  “A Máfia da Saúde: Como nós, Pacientes, Somos Vigarizados”, num artigo publicado no site – Fora de Controlo: Laboratórios sob ameaça bioterrorista e pandémica -levanta uma série de questões sobre a negligência da empresa, e das autoridades sanitárias dos EUA e da UE, relativamente à manipulação de amostras de alto risco. Georgescu considera o “Caso Bartex”  uma real ameaça à saúde pública. Num outro texto refere a existência de “sérios sinais de a muito esperada pandemia da gripe das aves estar prestes a contaminar o mundo, mesmo sem o erro da Baxter.”

Georgescu deixa o aviso: “Enquanto os cientistas aguardam que a pandemia alastre num futuro próximo, o novo presidente [norte-americano, Barack Obama] também deve estar alerta: uma futura pandemia provocada pela gripe das aves poderá piorar a economia global, mesmo sem crise financeira, recessão, ou a Baxter.”

O articulista, baseado nos factos recolhidos pela PROMED, refere o reaparecimento de dois casos de contaminação na Ásia e em África, detectados em duas crianças de tenra idade. Na China, uma menina de dois anos foi detectada na região de Hunan, no centro do país, no dia 7 de Janeiro, encontrando-se hospitalizada em estado crítico. As autoridades chinesas estão convencidas de que a contaminação com o vírus H5N1 ocorreu no norte do país, na província de Shanxi. O outro caso foi detectado no Egipto, na região de Kerdasa, e envolve uma criança de 21 meses, do sexo feminino. Segundo investigações da PROMED, a contaminação poderá ter ocorrido através do contacto com frangos doentes ou mortos. No Egipto já foram registados 23 casos mortais causados por circunstâncias idênticas.

Caso Tamiflu

Segundo dados recolhidos pelas autoridades sanitárias europeias junto de médicos e virologistas a estirpe gripal dominante na Europa, em 2008/2009, é a H3N2.

Uma das substâncias activas que alegadamente provou ser eficaz no tratamento daquele vírus dá pelo nome de oseltamivir, descoberta nos anos 90 pela empresa norte-americana de biotecnologia, Gilead Sciences. Sob a designação comercial Tamiflu, o medicamento antigripal é actualmente produzido pela multinacional suíça Hoffman-La Roche. 

Porém, os méritos curativos do Tamiflu são questionados por vastos sectores das comunidades médica e científica e desencadearam acesa controvérsia, conforme notícias publicadas nos sites MSNBC, New York Times, Medical News Today e Bloomberg. Denúncias de efeitos psiquiátricos colaterais abundam em publicações especializadas acessíveis via Internet.

Em 1996, a Roche adquiriu à Gilead Sciences os direitos para a produção do Tamiflu. Em 2005, as duas empresas acertaram o pagamento de royalties. Desde então, a Gilead recebe anualmente entre 14% a 22% do resultado obtido com as vendas líquidas do antiviral selectivo.

Rumfsfeld lucra com gripe das aves

Em 1988, o médico Michael Riordan e o político e gestor profissional Donald Rumsfeld, fundaram a Gilead Sciences. Durante quatro anos (1997-2001), Rumsfeld presidiu aos destinos da empresa, cargo que abandonou para assumir o posto de secretário da Defesa, em Janeiro de 2001, na primeira administração Bush/Cheney.

Quando se encontrava na liderança do Pentágono, Rumsfeld mobilizou esforços para que a gripe das aves fosse vista pelos poderes executivo e legislativo como “uma ameaça à segurança nacional”. A tese vingou e também foi bem acolhida pelo Partido Democrata, então na oposição. “Uma pandemia de gripe é real e as suas consequências seriam dramáticas”, pode ler-se num dos seus documentos

Em Julho de 2005, o Pentágono, liderado por Rumsfeld, encomendou à Gilead USD 58 milhões de Tamiflu para “tratamento das tropas estacionadas no estrangeiro”. Meses depois, em Novembro, o Congresso aprovou um pacote legislativo para a criação de um fundo de emergência para combate à possível pandemia gripal, no montante de USD 7,1 mil milhões. A lei previa a compra e distribuição de Tamiflu. Valor orçamentado a favor da Roche/Gilead – mil milhões de dólares.

Naquele ano, segundo a CNN, Rumsfeld declarou às finanças norte-americanas ser detentor de uma carteira de acções com títulos da Gilead. O chefe do Pentágono indicou o respectivo valor entre USD 5 e 25 milhões de dólares.

No passado dia 27 de Janeiro, a Gilead publicou o relatório e contas relativo a 2008. A receita total ascendeu a USD 5,34 mil milhões, mais 26% comparativamente aos lucros do ano anterior – USD 4,23 mil milhões.

De acordo com as contas apresentadas o desempenho do Tamiflu foi modesto face aos resultados atingidos no exercício anterior. Em 2008, royalties, contratos e outras receitas ascenderam a USD 251 milhões, menos 49% do que em 2007 (USD 496,9 milhões). A redução durante 2008, em comparação com 2007, deveu-se principalmente aos royalties do Tamiflu, pagos pela Roche – USD 155,5 milhões (2008) contra USD 414,5 milhões (2007).

“A quebra de royalties do Tamiflu, no quarto trimestre e durante todo o ano de 2008, foi provocada pela redução das vendas da Roche relacionadas com as iniciativas mundiais de combate à pandemia”, refere o relatório.

Quem é quem na Gilead?

De acordo com a lista de actuais accionistas e dirigentes da Gilead, com direito a opções de compra de acções da empresa (stock options) a preços abaixo das cotações do mercado, é curioso notar que, em 2009, Donald Rumsfeld não consta da lista fornecida pela empresa ao regulador da bolsa – Securities and Exchange Comission (SEC) – e disponível no site MarketWatch.

Os lucros de Rumsfeld através das suas participações accionistas na Gilead foram noticiadas em Outubro de 2005, entre outros, pelo jornalista Nelson D. Schwartz, no site da CNN. “Os receios de uma pendemia e as subsequentes disputas sobre o Tamiflu fizeram passar os títulos da Gilead de USD 35 para USD 47 dólares por acção, tornando o chefe do Pentágono – que já é um dos homens mais abastados do governo Bush – ainda mais rico em, pelo menos, um milhão de dólares.”

Refira-se que, quando Rumsfeld abandonou a presidência da companhia (2001) as acções estavam cotadas a USD 7 dólares. A partir de 2004, os títulos registaram uma apreciação superior a 57%, voltando a subir mais 20% até Novembro. As valorizações correspondem aos meses em que o Pentágono realizou as primeiras compras e à aprovação do fundo de emergência, pelo Congresso. 

Entre os actuais accionistas e directores mais conhecidos da farmacêutica norte-americana destacam-se dois pesos pesados da política global: um belga,  Étienne Davignon, e outro americano, George Schultz.

O primeiro, antigo vice-presidente da Comissão Europeia, é um destacado membro do Grupo Bilderberg, organização de acesso muito restrito, que reúne 130 pessoas muito influentes, a nível mundial, num evento anual rodeado de segurança e secretismo. 

O segundo, desempenhou importantes cargos governamentais em administrações republicanas – Secretário de Estado (Reagan), Secretário do Tesouro e do Trabalho (Nixon) – presidiu aos destinos da poderosa Bechtel Corporation, uma das principais fornecedoras do Pentágono, e foi administrador do grupo financeiro Charles Schwab. A sua ligação à Gilead remonta a 1996.

De acordo com as últimas informações prestadas à SEC, Davignon e Schultz detém os seguintes cargos e interesses na Gilead:

ETIENNE DAVIGNON

Participações Declaradas
Cargo/Companhia    Info/Data Acções                               Valor
Director
Gilead Sciences Inc
 
11/18/2008 563250 em : 11/18/2008
em : 03/06/2009
$25,425,105.00
$24,788,632.50

* Acções detidas indirectamente
 

 GEORGE SHULTZ

Participações declaradas
Cargo/Companhia Info/Data Acções                                 Valor
Director                �
Gilead Science Inc 
        07/22/2005 55000 em : 07/22/2005
em : 03/06/2009
$0.00
$2,420,550.00

As ligações de Rumsfeld a Davignon e a Schultz são várias. No caso do primeiro, o ex-secretário da Defesa é um dos membros do Grupo Bilderberg. Relativamente ao segundo, o relacionamento remonta à década de 80.

Em 1983 e 1984, na qualidade de representante da Bechtel e do governo Reagan, Donald Rumsfeld esteve envolvido nas negociações com Saddam Hussein, em Bagdade, para a construção de um oleoduto e para o rearmamento do Iraque, no auge da guerra contra o Irão. 

Em Washington, Schultz chefiava a diplomacia norte-americana.

Em 1985, rebentou o escândalo Irangate e Irão-Contras.

Em 2009, retirado da política, após a sua demissão, há três anos, da liderança do complexo industrial-militar dos EUA, em St. Michaels, Maryland, Rumsfeld gere negócios, relações pessoais e influências.

MRA Alliance/MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

EUA: Lóbista Abramoff condenado a quatro anos de prisão

quinta-feira, setembro 4th, 2008

Jack AbramoffUm juiz federal norte-americano condenou hoje o lóbista Jack Abramoff a uma pena de quatro anos de prisão no âmbito do escândalo político envolvendo membros do Congresso e da administração Bush/Cheney em actos de corrupção, tráfico de influências, conspiração e fraude electrónica. O magistrado não o condenou à pena pedida pela acusação – 11 anos – por o réu ter cooperado com os investigadores do FBI, a polícia criminal dos Estados Unidos. Desde que se declarou culpado, em 2006, Abramoff forneceu provas aos investigadores que levaram à prisão do congressista republicano Bob Ney (Ohio) e do ex-secretário do Interior, James Steven Griles. Antigo lóbista da indústria do carvão, à data da sua demissão, em Dezembro de 2004, Griles era o representante do vice-presidente Dick Cheney no controverso Grupo de Trabalho da Energia. Abramoff admitiu ter subornado detentores de cargos públicos em troca de favores políticos e administrativos. Os analistas atribuíram a derrota eleitoral dos republicanos, nas eleições para o Congresso, em 2006, ao escândalo Abramoff. “Muito do acontece em Washington passa por envolopes, contorna as regras, e vive dos buracos legislativos. Mesmo face a estes padrões, eu ultrapassei todos os limites possíveis”, afirmou Abramoff numa carta dirigida ao tribunal antes da leitura da sentença. O ex-lóbista já se encontra a cumprir uma pena de seis anos por um crime relacionado com o negócio de um casino, na Florida. MRA/Agências

Barroso pressionado para reduzir peso dos lóbis no processo legislativo

terça-feira, agosto 12th, 2008

Activistas europeus dos movimentos a favor da transparência política enviaram cartas a sete comissários europeus para que cumpram a promessa de publicar os nomes dos participantes nos grupos de especialistas que influenciam o processo legislativo na União Europeia (UE), em áreas consideradas chave. A organização Alter-EU, que integra 160 organizações cívicas e ONG’s, endereçou as missivas a José Manuel Durão Barroso, ao seu vice-presidente e comissário para as Empresas e Indústria, Günther Verheugen, e aos comissários da Energia, Investigação e Desenvolvimento, Saúde e Ambiente para que concretizem a intenção de publicarem os nomes “durante o Verão”, conforme foi prometido no início do ano. O grupo revelou que Verheugen coordena 127 grupos de especialistas, mas em apenas 19 é conhecida a sua composição. O grupo da biotecnologia reúne 20 representantes da indústria, 6 académicos e apenas um de uma Organização Não Governamental (ONG). Janez Potocnik, comissário para a Investigação e Desenvolvimento, controla 97 grupos, mas apenas 17 revelaram a sua composição. O comissário para a Energia, Andris Piebals superintende 36, sendo que, menos de 10% revelaram a sua composição. O mesmo sucede no sector da Saúde, com a comissária Androulla Vassilou a supervisionar 70, mas onde apenas 8 são conhecidos do público. Pior a situação no Ambiente, onde o comissário Stavros Dimas regista um rácio de 95/3. Dado o seu papel na redução das emissões de carbono a situação é considerada “preocupante”. A comissão revelou no início do ano que 2/3 dos painéis de especialistas são compostos por especialistas de organismos nacionais e agências. A Alter-EU informou que, desde 2000, o número de grupos de especialistas aumentou 40%, envolvendo um total de 50 mil pessoas. Uma porta-voz da comissão confirmou a intenção de que a promessa seja cumprida mas advertiu que “não será um big bang”, pois o processo “é um pouco mais lento” devido a problemas relacionados com a privacidade dos dados pessoais dos especialistas. O registos de lóbistas na UE é um processo voluntário e não obrigatório. MRA Dep. Data Mining

Lóbis: Comentador e lóbista pedem transparência

sexta-feira, fevereiro 1st, 2008

Dinheiros e Regras - Cartoon americano sobre LóbismoTransparência foi a receita comum do comentador político Pacheco Pereira e de Luís Paixão Martins, administrador da LPM, para lidar com os lóbis, num debate realizado ontem à noite na Universidade Lusíada, em Lisboa. À questão «Como lidar com os lóbis?», Pacheco Pereira afirmou que é «normal em democracia que os interesses se organizem e defendam os seus pontos de vista». O comentador político social-democrata, criticou o «lóbismo disfarçado, que é na verdade tráfico de influências». «Com os lóbis na sombra, ganham os interesses. Se estiverem às claras, haveria menos intermediação que se pode qualificar de tráfico de influências», argumentou. Contudo, referindo-se ao parlamento português, destacou que «o poder da Assembleia da República é escassíssimo» na feitura de leis e que a legislação subordinada a grupos de interesses «vem é do governo».

Luís Paixão Martins, administrador da empresa LPM, coincidiu na procura de transparência, sublinhando que «nunca é plenamente atingida». O responsável da LPM lembrou que a empresa pediu «há seis meses» para ser acreditada no Parlamento e aí poder «formalmente» comunicar com os deputados, «indicando os interesses que representasse» (lista de clientes). À resposta da Assembleia faltou «seriedade», disse, argumentando ter sido negativa sem no entanto «nunca se dizer não» explicitamente. Martins acrescentou que alguns grupos de interesses já têm representantes no Parlamento, exemplificando com os deputados que são dirigentes sindicais.

Pacheco Pereira, por seu turno, defendeu a introdução de novas incompatibilidades no estatuto dos deputados, nomeadamente nos deputados que trabalham em «grandes sociedades de advogados», sem no entanto acumular incompatibilidades, o que, afirmou, conduziria a uma cada vez maior «profissionalização da política». pvc/Diário Digital / Lusa