Archive for the ‘Grécia’ Category

Ratings de três grandes bancos franceses em risco

segunda-feira, setembro 12th, 2011

Os bancos franceses BNP Paribas, Société Générale e Credit Agricole poderão esta semana ser objecto de um corte na notação da sua saúde financeira por parte da agência de rating norte-americana  Moody’s.

Fontes próximas do processo revelaram à agência financeira de notícias Bloomberg que a Moody’s, após ter colocado as três instituições bancárias francesas sob observação negativa, em Junho, prepara-se para cortar o ‘rating’ destes bancos devido à exposição que têm à dívida e a activos gregos.

Quando colocou o ‘rating’ em revisão, a Moody’s explicou que iria analisar “uma potencial inconsistência” entre o impacto de  uma eventual reestruturação da dívida soberana grega, ou de uma situação de incumprimento das autoridades helénicas no pagamento dos juros aos credores, com as notações de risco daqueles bancos.

MRA Alliance/DE

Alemanha previne-se contra eventual default grego

segunda-feira, setembro 12th, 2011

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, prepara-se para a possibilidade do colapso da Grécia, depois de Atenas ter admitido que a economia do país deverá contrair 5% este ano, em vez da recessão de 3,8% anunciada em Junho. Nesse caso, será impossível atingir o défice de 7,6%, em 2011, acordado com a ‘troika, impedindo o envio da próxima parcela da ajuda financeira internacional.

A edição desta semana da revista Der Spiegel, citando fontes próximas do gabinete de Schäuble, revela que funcionários do Ministério das Finanças alemão estão a analisar cenários prevenindo um eventual incumprimento dos pagamentos da Grécia e avaliando o impacto dessa situação na zona euro.

A revista diz que estão a ser considerados dois cenários de uma eventual falência técnica da Grécia: no primeiro o país continua na zona euro, enquanto no segundo Atenas deixa a moeda única, voltando à dracma, o que provocaria uma subida em flecha da dívida pública grega, que está em euros, e o colapso dos bancos.

Nos dois cenários, os especialistas sugerem a abertura de linhas de crédito preventivas para países como Espanha e Itália, caso tenham dificuldade em financiar-se nos mercados, e az concessão de ajudas a alguns bancos da zona euro com  excesso de exposição à dívida grega.

O jornal alemão adianta que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) também têm um papel importante na elaboração daqueles cenários. Brevemente, o FEEF terá mais poderes de acordo com as decisões tomadas na cimeira extraordinária da União Europeia de 21 de Julho.

A iminência de um incumprimento grego acentuou-se depois de terem sido suspensas as negociações entre o Governo helénico e a missão de inspectores da União Europeia e do FMI devido à descoberta de uma derrapagem orçamental de 1,7 mil milhões de euros.

MRA Alliance/DE

Grécia avança com mais austeridade para evitar incumprimento

segunda-feira, setembro 12th, 2011

O ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, perante a ameaça de congelamento da próxima parcela do resgate em vigor, anunciou ontem um novo imposto sobre o imobiliário, que vai afectar todos os proprietários de casas. Atenas vai cobrar, em média, quatro euros por cada metro quadrado, oscilando entre um mínimo de 50 cêntimos nas zonas mais pobres e um máximo de 10 euros nas áreas mais ricas do país. A medida vai durar dois anos. Além disso, o Governo decidiu também cortar um mês de salário a todos os políticos.

As novas medidas de austeridade de emergência foram aprovadas num conselho de ministros extraordinário, depois de o primeiro-ministro grego ter dito ontem que a prioridade é “salvar o país da bancarrota” e garantido que irá fazer tudo o que for necessário para atingir as metas orçamentais.

“Tomámos esta decisão para evitar a catástrofe para o nosso país e os nossos cidadãos. Vamos permanecer no euro e isso significa decisões difíceis”, disse o ministro das Finanças, sublinhando que o Governo “decidiu enfrentar uma situação especialmente nefasta à Grécia na Europa e nos mercados, fazendo um novo esforço nacional”.

As duas medidas vão ajudar o Governo a atingir as metas do défice de 17,1 mil milhões de euros em 2011 e de 14,9 mil milhões de euros em 2012, colmatando uma derrapagem orçamental de dois mil milhões de euros para este ano, motivada pelo agravamento da recessão, que será perto de 5% do PIB este ano, pior que a contracção de 3,8% esperada em Junho.

A nova vaga de austeridade surge depois de o euro ter resvalado para mínimos de seis meses e de os juros gregos terem voltado a bater novos máximos desde a adesão ao euro na semana passada, com os mercados a descontarem um ‘default’ da Grécia. As ‘yields’ gregas das maturidades a um e dois anos superaram os 57% e 97%, respectivamente.

O Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, reagiu dizendo que as decisões tomadas pela Grécia demonstram o compromisso de Atenas de atingir as metas orçamentais este ano e no próximo. “A Grécia necessita de alcançar os objectivos orçamentais e levar a cabo as reformas estruturais acordadas para garantir” ajuda externa, disse.

Nos últimos dias, responsáveis da União Europeia e do Fundo avisaram que a próxima ajuda à Grécia não está garantida e que o Governo tem de cumprir as metas orçamentais acordadas. Isto depois de terem sido suspensas de uma forma intempestiva as negociações entre Atenas e a troika sobre a próxima parcela do actual resgate, no valor de 110 mil milhões de euros, concedido em 2010.

Em entrevista à edição de domingo do jornal alemão Der Tagesspiegel, publicada hoje, a chanceler Angela Merkel, revelou ter pedido ao Governo grego que não desista do seu esforço reformista e insistiu que as ajudas europeias só irão para a frente se Atenas cumprir com as condições impostas para o resgate. Num clima de crescente recusa dos alemães em prosseguir no apoio ao resgate da Grécia, Merkel pediu no entanto paciência para com o país mediterrânico, argumentando que os problemas criados durante anos não se podem resolver da noite para o dia.

MRA Alliance/DE

Alemanha prepara plano B para os bancos caso a Grécia falhe

sexta-feira, setembro 9th, 2011

O governo alemão está a ultimar um plano para proteger os bancos caso a Grécia entre em default, noticia a agência financeira Bloomberg, citando fontes da coligação governamental liderada por Angela Merkel.

O plano de emergência envolve medidas de apoio aos bancos e seguradoras face a perdas eventuais de 50 por cento na dívida grega detida pelas instituições financeiras alemãs, isto, caso os líderes europeus não cheguem a acordo para o desbloqueio da próxima tranche do plano de apoio financeiro internacional à economia helénica.

As fontes citadas pela Bloomberg pediram anonimato, uma vez que as negociações estão a decorrer de forma confidencial, mas revelaram que o fundo introduzido pela Alemanha em 2008, após o colapso do Lehman Brothers, de apoio à banca, poderá ser desenvolvido para ajudar à recapitalização das entidades que sejam prejudicadas por um eventual incumprimento grego.

MRA Alliance/DD

FMI prepara reunião de urgência sobre a Grécia

sexta-feira, setembro 9th, 2011

O FMI prepara-se para realizar uma reunião de urgência sobre a Grécia, na próxima quarta-feira, diz hoje a imprensa grega, reunião que Atenas não confirma mas que considera “lógica”, dado o impasse na atribuição dos fundos de resgate ao país.

De acordo com os jornais Elefthérotypia e Kathimérini, esta “reunião excepcional” do conselho de administração do Fundo Monetário Internacional (FMI), a 14 de Setembro, visa transmitir informação à direcção do fundo, por parte do enviado especial à Grécia, Poul Thomsen.

Segundo os jornais, a direcção do fundo deverá discutir alterações de última hora ao programa de resgate grego, porque Thomsen deverá chegar no dia 14 de Setembro a Atenas, para recomeçar a auditoria às contas públicas gregas, ao lado dos outros elementos da ‘troika’ — o Banco Central Europeu e a União Europeia.

Na cimeira de chefes de Estado e de Governo da zona euro, em Bruxelas no dia 21 de Julho, os países da zona euro acordaram um segundo plano de ajuda à Grécia, no valor de 158,8 mil milhões de euros, cuja aplicação se tem complicado, após a missão da “troika” que avalia o programa de reforma e austeridade grego ter dito, na  semanapassada, que Atenas tem que fazer mais para reduzir o défice.

A ‘troika’ também duvida das revisões que Atenas fez no seu orçamento, indispensáveis para que a Grécia receba mais uma ‘tranche’ do resgate financeiro aprovado na primavera de 2010, que tem um valor total de 110 mil milhões de euros.

MRA Alliance/DN

Juros das obrigações gregas ultrapassam 55%

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Os juros das obrigações gregas e o preço de um seguro contra o eventual incumprimento de Atenas sobem hoje até novos máximos, depois de o gabinete de estatísticas grego ter revisto em alta a quebra da economia grega de 6,9 para 7,3% nos 12 meses terminados no segundo trimestre deste ano, depois da contracção de 8,1% registada no primeiro trimestre.

“É a combinação do facto de a Grécia continuar a desapontar e provavelmente uma consciência crescente entre os investidores de que estão a deitar fora dinheiro”, comentou Gary Jenkins, especialista do Evolution Securities, à Bloomberg. “Estão finalmente a ter noção de que não vão receber de volta este dinheiro”, acrescentou.

É neste cenário que os juros das obrigações gregas sobem em todos os prazos, com a ‘yield’ a 2 anos a subir mais de 10 pontos para cima dos 55%, enquanto o juro a 3 anos dispara 28 pontos até muito perto dos 41%.

No mesmo sentido seguia o juro das obrigações a 12 meses: agravava-se em 178 pontos para 95,17%. São novos máximos desde a criação do euro, pelo menos.

No universo dos ‘credit-default swaps’ (CDS) sobre obrigações do Tesouro, que são uma espécie de seguro contra o eventual incumprimento de um Estado ou empresa, os CDS gregos eram os que registavam a subida mais acentuada, com um avanço de 105 pontos para 2.721,36 pontos. Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública grega os investidores têm de pagar um seguro anual de mais de 2.700 mil euros.

Durante a sessão, os CDS gregos atingiram os 3.045 pontos, com uma subida de 240 pontos, o que corresponde a um novo máximo. De acordo com cálculos da CMA Datavision, este valor significa que existe 91% de hipóteses de a Grécia entrar em bancarrota, ou seja, não conseguir cumprir com as suas obrigações junto dos seus credores.

MRA Alliance/DE

Alemanha ameaça congelar resgate da Grécia

quinta-feira, setembro 8th, 2011

O ministro das Finanças da Alemanha disse hoje perante o Parlamento do seu país que a Grécia não receberá a próxima parcela do plano de resgate em vigor até que cumpra as condições orçamentais definidas pelos credores internacionais.

“Senhoras e senhores, a situação na Grécia é séria”, disse Wolfgang Schaeuble, citado pela agência Reuters. “De momento a missão da troika está suspensa. Não pode haver aqui ilusões. Enquanto a missão não confirmar que a Grécia cumpriu as condições, então a próxima parcela não pode ser paga”, explicou, na sessão em que defendia perante os deputados alemães o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), decidido em Julho com o objectivo de tentar controlar a crise da dívida pública da zona euro.

Neste contexto, Schaeuble disse também, citado pela AFP, que “o debate de uma segunda ajuda [um novo pacote de resgate, já decidido em Julho] é muito prematuro face às actuais dificuldade em torno do pagamento da próxima parcela” prevista ao abrigo do programa em curso.

O ministro das Finanças dos Países Baixos, Jan Kees de Jager, disse também hoje aos jornalistas que o seu país não contribuirá para a próxima parcela do empréstimo à Grécia se a trioka composta pela Comissão Europeia, BCE e FMI concluir que a Grécia não cumpriu o acordo sobre as reformas orçamentais.

Questionado sobre se nesse cenário a Grécia deverá deixar a zona euro, Kees de Jager disse que “então teremos uma situação diferente e teremos de ver como lidar com ela”, afirmou, citado . Salvaguardou ainda que a proposta do seu Governo de obrigar os países orçamentalmente indisciplinados a deixar a zona euro, lançada ontem, não se aplica à situação actual.

O primeiro-ministro liberal dos Países Baixos, Mark Rutte, e Kees de Jager defendem que a União Europeia (UE) nomeie um responsável pelos orçamentos na zona euro, que no limite poderia expulsar países da moeda única.

MRA Alliance/Público

Finlândia põe em xeque resgate grego e faz disparar juros

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Helsínquia instou ontem os líderes europeus a definirem um “modelo aceitável” de garantias no segundo resgate a Atenas, depois de Berlim ter rejeitado o acordo bilateral entre os governos finlandês e helénico. A indefinição está a causar medo nos investidores, que acreditam cada vez menos no sucesso do segundo pacote de ajuda. Em resultado, os juros gregos a dois anos chegaram a ultrapassar os 46%.

“Se o acordo finlandês e grego não é aceitável para os outros, é tempo de todos os Estados do euro construírem um modelo que toda a gente considere aceitável”. As palavras são da ministra das Finanças finlandesa, Jutta Urpilainen, através de um comunicado citado pela Bloomberg.

Recorde-se que a ministra finlandesa anunciou na terça-feira ter chegado a um acordo bilateral com o seu homólogo grego, Evangelos Venizelos, para um modelo de garantias. Atenas depositaria dinheiro numa conta do país nórdico para este investir nos títulos soberanos com pouco risco. A partir daí, os juros gerados serviriam para aumentar o montante destinado a cobrir a contribuição da Finlândia para o resgate da Grécia.

O montante a depositar não chegou a ser revelado, mas a imprensa internacional avançou que seria entre 20% a 40% dos 1.400 milhões de euros correspondentes à parcela finlandesa do resgate. Mas o acordo motivou críticas dos outros Estados-membro e Áustria e Holanda, por exemplo, fizeram saber que, nesse caso, também queriam garantias para ajudar Atenas.

MRA Alliance/DE

Juros da dívida grega a dois anos superam os 44%

quinta-feira, agosto 25th, 2011
A taxa de juro da dívida portuguesa subiu ontem mais de 40 pontos base nas maturidades mais curtas, num dia em que a Grécia viu os juros a dois anos ultrapassarem os 44%. Em Portugal a “yield” das obrigações a dois anos subiram 26,1 pontos base para 13,276% e na dívida a cinco anos a subida foi de 41,4 pontos para 12,484%.

A subida mais acentuada registou-se na linha de financiamento a seis anos, que saltou 49,3 pontos base para 12,864%, enquanto os juros da dívida a 10 anos apreciaram 19,2 pontos base para 11,175%.

Depois de a Finlândia ter chegado a acordo para receber garantias em troco dos empréstimos concedidos a Atenas, são já mais quatro os países que pedem o mesmo tratamento.

A taxa de juro da dívida grega subiu 414,8 pontos base (4,148 pontos percentuais) para 44,025% na maturidade de dois anos e a taxa de retorno da dívida a cinco anos avançou 204,4 pontos base para 21,865

A mesma tendência de subida dos juros verificou-se em Espanha e Itália, apesar de o Banco Central Europeu ter estado a comprar dívida dos dois países.

A “yield” da dívida espanhola a dois anos apreciou 1,4 pontos base para 3,321% e na emissão a 10 anos os juros aumentaram 1,9 pontos base ara 5,010%. Também Itália viu os juros da dívida a 10 anos subir 4,1 pontos base para 4,047%.

“Existem receios de que o segundo pacote [de ajuda à Grécia] não se materialize”, disse o estratega do Commerzbank, Christoph Rieger, à Bloomberg. “Se a Finlândia cumprir a sua palavra e exigir garantias, poderemos chegar a um impasse”, acrescentou.

Também a Alemanha viu os seus juros subirem num dia em que em emitiu dívida pública e em que os investidores reduziram a sua exposição à segurança relativa das obrigações norte-americanas. A Alemanha “em geral” não concorda com acordos de entrega de garantias feitos em separado entre dois Estados-membros que ponham alguns governos em vantagem face a outros, disse o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, à imprensa. Os detalhes do acordo requerem aprovação pelos parceiros europeus, referiu o responsável em Berlim.

“Vamos acabar por ter alguma forma de reestruturação na Grécia”, disse o analista do mercado cambial do Société Général, Kit Juckes, à Bloomberg. “Se não conseguimos sequer ter o acordo quanto aos termos do resgate entre os finlandeses e os alemães, então teremos simplesmente reestruturação da dívida”, acrescentou.

MRA Alliance/JdN

Juros a pagar pela Grécia voltam a bater nos 40%

terça-feira, agosto 23rd, 2011

Os juros das obrigações gregas a 2 anos estão muito perto dos 40%, sinal do aumento do nervosismo dos mercados em relação ao país. De acordo com dados da Bloomberg, o juro das obrigações do Tesouro grego a 2 anos subiam 120 pontos base até aos 39,6%, muito perto do máximo histórico de 40,46% atingido a 20 de Julho.

Esta subida empurrou o ‘spread’ dos títulos com esta maturidade – prémio que os investidores pagam para comprar dívida grega em vez da alemã, que é a referência para o mercado – até aos 3.894 pontos, um máximo da era do euro. No mesmo sentido, o juro a 3 anos subia até aos 32,53%, enquanto a taxa a 10 anos avançava 61 pontos base para se fixar nos 17,425%.

Na base desta pressão vendedora está a incerteza em relação ao segundo pacote de ajuda à Grécia. Em cima da mesa estão 159 mil milhões de euros para Atenas mas alguns países, incluindo a Finlândia, pediram garantias em troca dos empréstimos, o que está a deixar os mercados nervosos.

“O pacote de ajuda ainda não está fora de questão, mas o mercado pensa que as coisas podem não ser tão estáveis como pareciam antes, o que está a pesar nas obrigações gregas”, explicou David Scnautz, especialista do Commerzbank, à Bloomberg.

O primeiro-ministro finlandês, Jyrku Katainen ameaçou hoje que o país pode desistir de participar no segundo resgate à Grécia se não tiver garantias sobre a sua contribuição nos empréstimos.

Questionado pela Reuters sobre se a Finlândia poderia não entrar no segundo resgate a Atenas caso uma garantia dessas fosse negada, Katainen respondeu que “sim”. “É uma decisão do nosso Parlamento que apresentamos como condição para participar no resgate”, afirmou.

Numa primeira reacção, a Chanceler alemã Angela Merkel rejeitou a possibilidade de a União Europeia tolerar a posição radical de Helsínquia.

MRA Alliance/DE

PIB da Grécia contrai 6,9 % no segundo trimestre

sexta-feira, agosto 12th, 2011

O Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia contraiu 6,9% no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2010. No primeiro trimestre do ano os dados apontavam para uma contracção de 8,1%.

A contracção registada entre Abril e Junho deve-se à redução da procura interna, ainda que a queda tenha sido limitada graças à melhoria da balança comercial, informou hoje a autoridade estatística grega.

Em números absolutos, a contracção foi de 3.060 milhões de euros anuais, já que o PIB no segundo trimestre foi de 40.900 milhões de euros, face aos 43.960 milhões de euros do mesmo período de 2010.

MRA Alliance/DE

Seria vantajoso para Portugal e Grécia abandonarem o euro, diz professor americano

quinta-feira, agosto 11th, 2011
O professor de Economia na Universidade Harvard, Martin Feldstein, defende que Portugal e a Grécia só conseguirão recuperar a competitividade e equilibrar a balança comercial se abandonarem a Zona Euro.Numa entrevista exclusiva concedida ao Jornal de Negócios, Feldstein acredita que seria vantajoso para os dois países abandonarem a moeda europeia.
“O problema não tem tanto a ver com a dívida mas sim com a competitividade”, afirmou o antigo conselheiro económico de Ronald Reagan numa entrevista concedida ao Project Syndicate, no âmbito dos artigos de opinião que o economista escreve regularmente. 
“Como é que estes dois países vão competir? Como é que vão conseguir equilibrar o seu comércio internacional?”, questionou Feldstein, fazendo um paralelo com a situação que alguns países da América Latina viveram nos anos 80.

“Alguns países entraram em incumprimento, as suas economias viveram um período de depressão mas, e este mas é muito importante, puderam desvalorizar a moeda e assim aumentar as exportações e diminuir as importações”, sublinhou o economista, acrescentando que isto não é possível fazendo parte de uma unidade monetária.

Nesta entrevista, exclusiva para Portugal, Feldstein analisou ainda a situação da Grécia, afirmando que o último pacote de ajuda da União Europeu representa um “default” e que este não será o último. A Grécia vai voltar a entrar em incumprimento e de uma forma mais significativa.

MRA Alliance

Da apendicite grega ao tumor hispano-italiano

quarta-feira, agosto 10th, 2011

A bolsa nova-iorquina interrompeu ontem um ciclo de quedas consecutivas, ao fechar com valorizações de mais de quatro por cento nos principais índices. Pouco antes do fecho da sessão, aconteceu a repentina valorização após a Reserva Federal (Fed) norte-americana ter anunciado que manterá as taxas de juro de referência próximas de zero por mais dois anos.

Entre os índices de referência, o Nasdaq Composite Index, que agrega empresas de base tecnológica, foi o que mais disparou: 5,295 por cento (para 2,482.520 pontos). O índice Standard and Poor’s 500 Index cresceu 4,741 por cento (para 1,172.530 pontos) e o industrial Dow Jones avançou 3,977 por cento (para 11,239.770 pontos).

Porém, o dia foi marcado por uma acentuada volatilidade nas bolsas europeias e norte-americanas. Wall Street abriu positiva, mas o disparo só foi visível no final da sessão, após o anúncio do Fed.

Imediatamente a seguir à divulgação da notícia, os mercados reagiram com apetite pelo risco. O Nasdaq subia pouco mais de um por cento, o índice S&P 500 valorizava 0,2 por cento e o Dow estava em terreno negativo. Os minutos finais da sessão foram determinantes para a recuperação.

Mas a recuperação de ontem será de curta ou de média duração? Em nossa opinião, os fundamentais das economias nacionais e das empresas cotadas nas bolsas dos dois lados do Atlântico não enganam: estamos na antecâmara de uma nova fase da crise sistémica de que temos vindo a falar, desde 2007 (ver  exemplos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui).

Contrariamente à reacção de ontem das bolsas norte-americanas, outras praças indicam que entraram no território dos mercados recessivos (bear market). Em Londres, o índice de referência FTSE 100 recuou 20%, desde Fevereiro. De 6091 pontos escorregou para 4855 pontos. O mesmo aconteceu em Hong Kong. O índice Hang Seng recuou 23% desde o último máximo, registado em 8 de Novembro passado.  Idêntica situação aconteceu na brasileira Bovespa  (-31%). Por outro lado, refira-se que o entusiasmo de ontem nas praças americanas está ensombrado pela acelarada perda de 18% nas cotações do índice S&P 500 registada nos últimos meses…

A decisão da agência de rating Standard & Poor´s de baixar a notação da dívida norte-americana de AAA para Aaa, na sexta-feira, na sequência do recente aumento, pelo Congresso, do tecto da dívida federal acima da fasquia de USD 14,3 trillion, apesar de ter precipitado a presente situação, é apenas mais um episódio do colossal descontrolo financeiro norte-americano. A crise não está controlada. Longe disso.

A decisão do Fed agora anunciada de manter as taxas de juro próximas de zero até 2013 é tudo menos uma boa notícia. Dinheiro fácil e escandalosamente barato é mau conselheiro. É um viveiro de bolhas especulativas. Das dotcom às hipotecas subprime insistimos em trilhar um caminho perigoso. De bolha em bolha até à definitiva implosão do sistema financeiro global. Sem pretendermos ser exaustivos, propomos uma olhada sobre os sinais. Alguns têm tanto de elucidativos como de preocupantes:  

  • Na bolsa de futuros Comex, após o anúncio do Fed,  as posições relativamente aos contratos de ouro subiram 1,8%,  fixando-se no novo recorde histórico de  1740 dólares a onça;
  • O banco J.P. Morgan emitiu ontem uma nota segundo a qual a cotação do ouro deverá atingir os 2500 dólares a onça até ao final do ano, enquanto o Goldman Sachs prevê que esteja nos 1730 dólares dentro de seis meses e nos 1900 dólares dentro de 12 meses;
  • O metal amarelo prossegue a sua escalada enquanto activo à prova de crises. Continua a ser o refúgio mais seguro que o dinheiro pode comprar nos tempos que correm. Esta opinião é partilhada por alguns governadores de importantes bancos emissores;
  • Nos dois últimos meses, o banco central da Coreia do Sul comprou 25 toneladas de ouro, aumentando em 17 vezes as suas reservas de metal amarelo. No mesmo período, também o banco central da Tailândia aumentou as suas reservas de ouro em 15,5%, tendo passado de 3523 milhões de onças, em Maio, para 4,07 milhões, em Junho. No princípio do ano, a Tailândia já adquirira 9,3 toneladas de ouro. A Rússia comprou 41,8 toneladas e o México 99,2 toneladas. A China anunciou no início do ano que pretende, até 2020, aumentar drasticamente as suas reservas de ouro.   Das actuais 1054 toneladas quer chegar às 8-10 mil toneladas;
  • Os juros implícitos (yield)  dos títulos dos EUA a dez anos baixaram de 2,32% para 2,28%, entre segunda e terça-feira;
  • Até agora, perante a visível deterioração do clima económico nos sete países mais industrializados (G7) e a profunda crise das dívidas soberanas europeias,  a maioria dos investidores e especuladores comprava, devido ao risco quase inexistente,  títulos do tesouro americano na expectativa de que se valorizassem. Porém, se em vez disso eles se depreciarem, como já está a acontecer,  tal pode significar que a bolha do mercado das obrigações norte-americanas está prestes a rebentar. As consequências serão trágicas para a economia global;
  • Desde 24 de Julho, o pânico generalizado em todos os mercados mundiais gerou perdas globais de USD 8,1 trillion (mais de metade do PIB dos EUA). Este valor  corresponde  a 14,8% da capitalização bolsista do mundo;
  • Em apenas cinco anos (2008-2012), o montante das obrigações de dívida vencidas, emitidas pelo Tesouro norte-americano, atingirá o gigantesco volume de USD 5,6 trillion.   A totalidade do crescimento da dívida do país, entre 1776 (ano da declaração de independência) e 2008, foi de 4,6 trillion. Obama vai ultrapassar em apenas cinco anos o que o conjunto dos seus 43 antecessores fez em… 232 anos!!!
  • O custo global das ajudas financeiras aos bancos e empresas financeiras dos EUA e da Europa, desde 2008, na realidade, ascende a quase USD 24 trillion, segundo a estimativa de Neil Barofsky, o inspector-geral do TARP (Troubled Asset Relief Program), o mega programa de resgate aprovado pela administração Bush e continuado pela administração Obama. Se compararmos este número com o do défice reconhecido pelo Tesouro (USD 14,7 trillion) ficamos com uma ideia mais realista da enormidade dos problemas a resolver quando for apresentada a factura para liquidação; 
  • Se tivermos em conta que o rácio dívida/PIB da Grécia já atingiu os 150%, e que os EUA estão a caminho de ultrapassar rapidamente a psicológica barreira dos 100%, as perspectivas para o biénio 2012-2013 são ainda mais negras. Os efeitos sobre a evolução do crescimento e do emprego serão devastadoras. Também o dólar, enquanto reserva cambial mundial,  terá o seu canto do cisne;

E o que nos reserva a Europa dos 17 (Zona Euro),  ou dos 27 (UE)? Será que o sonho europeu, idealizado nos anos 50 pelo eixo Bona-Paris, poderá, meio século depois,  vir a transformar-se no pesadelo do eixo Berlim-Paris? A prazo é bem possível. Para já, é avisado estarmos preparados para o pior (desintegração da UE e fim do euro).

Os altos dirigentes dos países membros mais ricos e a elite dos eurocratas têm pautado a sua actuação pela incapacidade de gerar consensos, de elaborar discursos coerentes, de afirmar um projecto europeu credível e sustentável e de ter a noção dos timings certos para agir.

Se no debate sobre a subida do tecto da dívida federal, os congressistas norte-americanos e o Presidente Obama deram aquele risível espectáculo de marcar o golo (chegar a acordo) no período de descontos (praticamente no fim do prazo), o que dizer dos líderes europeus? Com os sucessivos avanços e recuos e os constantes desmentidos das promessas feitas na véspera, uns e outros colocaram a Europa a jeito da voracidade vampírica dos mercados (leia-se especuladores).

O que ontem era uma simples apendicite grega, passou hoje a ser um desconfortável pólipo luso-irlandês, o qual, num futuro próximo, ameaça evoluir para um fatal carcinoma hispano-italiano. 

Deste lado do Atlântico, os meteorologistas da política e do dinheiro têm o dedo no botão de alerta de tsunami, atentos a alguns sinais dos chamados “mercados”:

  • Um editorialista do Financial Times escreveu ontem que o futuro da Europa depende da qualidade da defesa da Espanha e da Itália pelo triunvirato UE/BCE/FMI.
  • Embora  Madrid tenha apresentado “bons resultados” no combate ao défice e na flexibilização do mercado de trabalho, o articulista elege como positivo o facto de registar um superávit primário e de os seus empréstimos terem maturidades confortáveis. Como aspecto negativo é sublinhado o elevado peso da dívida (a terceira maior da Zona Euro), as tímidas medidas de combate ao défice e a crónica incapacidade do governo Berlusconi para fazer crescer a economia,  melhorar a capacidade  competitiva e combater o excesso de burocracia;
  • Esta análise, em nossa opinião,  peca por benigna já que passa ao lado de uma variável essencial da equação – a estratégia dos especuladores e as ferramentas de que dispõem para desestabilizar qualquer economia ou moeda, independentemente do seu peso e dimensão;
  • A manipulação pelos especuladores (privados e institucionais) de instrumentos derivativos, designadamente os famigerados seguros de incumprimento financeiro – Credit Default Swaps (CDS) -, levou à falência do banco Lehman Brothers, à nacionalização da seguradora AIG, à insolvência da Islândia e a severas crises cambiais nos anos 90 que atiraram para as cordas as moedas da Rússia, da Malásia, da Coreia do Sul, do México e por aí fora;
  • Ninguém sabe ao certo qual o montante global dos tóxicos CDS que infectam os balanços de sonantes nomes da banca europeia – do germânico Deutsche Bank, ao britânico Barclays, ao francês Paribas, passando pelo espanhol Santander e pelo italiano Unicredit – mas diversos especialistas dividem-se entre estimativas estratosféricas (trillions ou quadrillions);  
  • Certo é que, contrariamente ao que tem sido vertido em muitas páginas de jornais e revistas especializadas, existe o perigo real de um ou mais bancos europeus de grande dimensão poderem vir a ser atacados pelo vírus Lehman Brothers. Quando chegar a hora, lembrem-se  de trautear “Don’t cry for me Argentina”;
  • A França, para alguns inesperada e injustamente, está na berlinda desde sexta-feira, dia em que a S&P despromoveu a qualidade da dívida norte-americana. Comparativamente a outros países com notações triple A, os juros implícitos, os CDS e os níveis do défice que afectam a economia gaulesa são variáveis consideradas excessivas pelas maiores agências de rating;
  • Na próxima sexta-feira, a França publicará dados estatísticos sobre o crescimento da economia no segundo trimestre. A generalidade dos analistas prevê números desanimadores da ordem dos 0,2%, ou seja 0,7% abaixo do valor registado no primeiro trimestre;
  • Caso se confirmem as previsões, as campainhas de alarme alertarão para a dificuldade de a França conseguir, em 2013, atingir a prometida meta de reduzir o actual défice (7,15% do PIB) para menos de 3%;
  • O facto de os CDS sobre a dívida francesa serem superiores aos pagos pelos compradores de dívida emitida pelas autoridades do Peru, Indonésia, África do Sul e da República Eslovaca é motivo de preocupação não apenas para o governo francês. As lideranças da UE, do BCE e do FMI receiam que a equacionável perda pela França da notação AAA possa pôr em causa toda a arquitectura do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e inviabilizar futuros resgates;
  • De  resto, os recursos do FEEF (750 mil milhões de euros) são considerados insuficientes para fazer face às necessidades prováveis dos resgates. Chegam para atender o conjunto dos actuais três “clientes” – Grécia, Irlanda e Portugal e eventualmente de Chipre.  Caso a Espanha ou a Itália sejam forçadas a usá-lo precisaria de ser generosamente recapitalizado.  De resto, há mesmo quem pense que o resgate da terceira e da quarta economias da UE, a Itália e a Espanha respectivamente, necessitaria de um novo Plano Marshall, mas agora com a inclusão dos países emergentes do G20 (China, Índia, Brasil, Arábia Saudita, etc.);
  • Para apimentar o cenário, o mês de Setembro promete ser crítico. A troika irá a Atenas fazer a avaliação de desempenho do governo na aplicação dos programas de resgate em curso e em fase de implementação. A instabilidade política e social em que a Grécia está mergulhada faz temer a obtenção de resultados aquém dos desejados pelos credores, com efeitos negativos na evolução da crise europeia;
  • Na Alemanha, a Chanceler Merkel enfrenta uma resiliente frente de forças políticas e de individualidades da coligação que lidera (CDU/FDP) que discordam abertamente dos acordos pró-resgate por ela validados em Bruxelas. O regresso de férias dos deputados do Bundestag promete acessos debates.
  • Conhecida a sua propensão para o “nim”, bem como para protelar até ao limite decisões urgentes, a senhora Merkel poderá viver dias difíceis e voltar a dar sinais errados aos mercados de dívida. Qualquer sinal de instabilidade e de laisser-faire dado pela Alemanha pode complicar ainda mais as já ténues possibilidades de controlo da situação;
  • Também em Setembro, algumas “cajas de ahorros” espanholas irão ao mercado tentar obter empréstimos. Num cenário de eleições antecipadas, de escalada dos juros da dívida soberana e de insuficientes taxas de crescimento económico, para além de uma elevada taxa de desemprego (superior a 20%), este segmento da banca espanhola terá uma missão espinhosa e de resultados duvidosos;

Se, como tudo indica, nada de enérgico e proactivo for feito, em Agosto, pelos líderes europeus que ditam as políticas da UE – Merkel e Sarkozy – chegaremos a Setembro com uma situação mais degradada. Talvez irremediavelmente…

Nesse caso, e se persistirem os ataques especulativos contra as dívidas espanhola e italiana, com uma insustentável subida das taxas de juro e dos CDS, o último trimestre promete ser um osso duro de roer.

Neste momento, ninguém, do BCE ao FMI, passando por outras instituições de idêntico calibre, dispõe de recursos para resgatar financeiramente países como a Espanha e a Itália. Se tal for imperativo, como vão os mandantes da economia mundial resolver o problema?

A resposta é simples. Ninguém sabe. Nem eles…

Pedro Varanda de Castro, Consultor

MRA Alliance

Dívida: Ouro português e ilhas gregas estiveram em risco de penhora

terça-feira, julho 26th, 2011

As ilhas gregas e as reservas de ouro português foram pedidas como garantia de novos empréstimos nas sessões de preparação da cimeira de europeia, com a Holanda e a Finlândia a exigirem que alguns activos dos países resgatados fossem dados como colateral para a concessão das  futuras tranches de crédito.

As parcelas de território grego chegaram mesmo a fazer parte de um documento de trabalho durante a cimeira, no quadro do segundo resgate, e as reservas de ouro português, que não podem ser usadas para abater no défice, foram dadas como exemplo de um activo que poderia ser dado como garantia. Ou seja, no caso destes países não poderem honrar as suas dívidas com a União Europeia (UE), estas dívidas seriam cobertas por activos nacionais, antes de activar as garantias dadas pelos países do euro.

O assunto acabou por morrer, com as garantias do aumento da participação do sector privado no resgate grego, indo ao encontro dos anseios precisamente da Holanda e da Finlândia, bem como da Eslováquia e da Alemanha.

MRA Alliance/DE

Dívida soberana: Juros gregos e portugueses em queda

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Os juros das dívidas públicas grega e portuguesa, com prazos de maturidade de dez anos, registaram esta manhã uma acentuada descida. No caso da Grécia, entre ontem e hoje, caíram dos 16,65%  para 14,49% e no de Portugal baixaram dos 11,6%  para 11,1%.

Os juros da dívida soberana de países como a Itália e a Espanha – e cujo risco de contágio impôs ontem a tomada das novas medidas de resgate financeiro por Bruxelas – continuam a rondar os 5%. Os da Espanha desceram de 5,774% para  5,669% mas os da Itália subiram dos 5,669% para 5,774%.

MRA Alliance/Agências

Novo resgate à Grécia implica incumprimento parcial, diz Fitch

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Os termos do segundo programa financeiro que os líderes da zona euro acordaram ontem para a Grécia pressupõe uma entrada em incumprimento parcial da dívida e levará a uma descida do rating para esse nível, confirmou hoje a agência de notação Fitch, citada pelo Público.

Apesar de considerar “positivo” o acordo sobre o pacote grego, a agência norte-americana frisa que os termos do plano prefiguram uma alteração das condições iniciais dos empréstimos já concedidos a Atenas. Segundo os critérios de avaliação da Fitch, isto representa um incumprimento parcial da dívida.

O novo pacote inclui uma modificação das regras do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) com um empréstimo de 109 mil milhões de euros por este fundo de socorro que inclui uma contribuição dos credores privados (50 mil milhões), através da reestruturação da dívida. O reescalonamento ou a renovação da dívida são considerados pelas agências de rating como provas de entrada em incumprimento.

David Riley, o analista da Fitch que assina a nota emitida hoje sobre os termos do novo pacote europeu, sublinha, no entanto, que a revisão da nota da dívida da Grécia – avaliada actualmente pela agência em CCC, correspondente a default – será seguida de novas atribuições de rating aos títulos de dívida helénica que forem emitidos. Isso significa que o efeito positivo (de que fala a agência) que resulta do prolongamento das maturidades da dívida grega será tido em conta em novas notações. Durante o período de vigência do acordo caberá ao FEEF a emissão de garantias sobre os títulos de dívida helénica.

A concordância dos termos do acordo pelo BCE e pelos bancos privados, deram à cimeira de ontem a capacidade para viabilizar o cumprimento imparcial da dívida grega sem abrir novas guerras com as agências norte-americanas de avaliação de risco.

MRA Alliance

Dívida: Europa vai aliviar condições financeiras do resgate aos periféricos

quinta-feira, julho 21st, 2011

A cimeira extraordinária  dos líderes da zona euro, em Bruxelas, sobre o novo resgate à Grécia, aprovou condições e modalidades financeiras menos pesadas e mais amplas, que poderão igualmente favorecer Portugal e a Irlanda, de acordo com o esboço do documento final da reunião.

Portugal deverá assim beneficiar de uma redução das taxas de juro que poderá aplicar-se às tranches dos empréstimos futuros, ou mesmo às taxas dos empréstimos já contratados. No entanto,  a actual versão do documento ainda é inconclusiva sobre a matéria.

As condições hoje acordadas para os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) prevêem o alargamento do prazo do novo empréstimo concedido à Grécia – entre os 7,5 e os 15 anos -, tal como a redução da taxa de juro de 4,5 para 3,5 por cento.

Por outro lado, os 17 países membros da zona euro, deverão dar luz verde à utilização do FEEF para a compra de dívida no mercado secundário, uma alternativa até agora firmemente rejeitada pela Alemanha.  No entanto, segundo um diplomata europeu, citado pelo Público, esta possibilidade só deverá ser admitida para a Grécia, que poderá reduzir por esta via uma parte do volume da dívida.

A questão mais difícil das negociações, o envolvimento dos credores privados no novo pacote de ajuda à Grécia, deverá ser resolvida no quadro de um acordo que está a ser concebido com os principais banqueiros europeus que também participam na cimeira. 

Admite-se a possibilidade de os bancos aceitarem a reestruturação da dívida grega, nos próximos cinco anos, com uma perda de 20% em juros e capital, para um valor a rondar os 150 mil milhões de euros.

MRA Alliance/Agências

Ministro britânico diz que Grécia está «claramente insolvente»

quinta-feira, julho 21st, 2011

O ministro britânico do Comércio, Vince Cable, disse hoje que a Grécia se tornou «claramente insolvente» e que os países da zona euro terão de aceitar que Atenas não poderá reembolsar as dívidas na íntegra. «Os gregos estão claramente insolventes. Tornou-se evidente desde há algum tempo, e os países da zona euro não podem ignorar esse problema. Eles vão ter de reconhecer que parte das dívidas [deverá ser] apagada», declarou Vince Cable à cadeia televisiva Sky News.

Por outro lado, Cable frisou que o fracasso da Grécia aumenta exponencialmente os perigos para a economia britânica, já que a zona euro absorve metade das exportações britânicas: «Não sabemos que impacto teria um incumprimento de pagamentos a grande escala, mas isso seria evidentemente muito perigoso e penso que isso implica sobretudo que devemos começar a endireitar os nossos próprios bancos e a reformá-los.”

MRA Alliance/Agências

Merkel e Sarkozy de acordo sobre novo resgate grego

quinta-feira, julho 21st, 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegaram a acordo esta madrugada sobre uma nova ajuda à Grécia, com o apoio do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Nas cerca de sete horas de reunião, em Berlim, para debater a crise da dívida na Europa, Sarkozy e Merkel «acordaram uma posição comum que foi transmitida ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, para integrar estes elementos nas suas consultas preparatórias da reunião dos líderes da Zona Euro», que terá hoje lugar, em Bruxelas, refere um comunicado da presidência francesa.

Também o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, informou que Merkel e Sarkozy estão determinados em aprovar o resgate grego e que o seu plano foi discutido com o presidente do BCE, que se juntou à reunião em Berlim, como com o presidente do Conselho Europeu, por telefone.

MRA Alliance/Agências

Juro grego a dois anos perto dos 40%

terça-feira, julho 19th, 2011

A ‘yield’ dos títulos de dívida da Grécia a dois anos subiu hoje 300 pontos base para um novo recorde, face à incerteza sobre o segundo resgate ao país, que será discutido na cimeira europeia extraordinária de quinta-feira, em Bruxelas.

Os títulos de dívida gregos a dois anos tingiram 39,13%, um novo máximo desde que a Grécia entrou para a zona euro. No mesmo sentido, seguem as taxas a cinco, oito e nove anos, que galgaram até aos 21,766%, 20,376% e 19,496%, respectivamente.

Apesar deste clima de alta tensão, a Grécia conseguiu vender hoje 1,25 mil milhões de euros em títulos a três meses no mercado primário a uma taxa média ponderada de 4,58%, ligeiramente abaixo dos 4,62% registados no último leilão comparável realizado a 21 de Junho.

Hoje, as autoridades gregas informaram que a taxa de desemprego em Abril atingiu os 15,8% , mais 3,9 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado.

MRA Alliance/DE

Berlim pressiona BCE a admitir default grego

quinta-feira, julho 14th, 2011

O Banco Central Europeu está sob forte pressão da Alemanha para mudar de tom e explicar como vai manter a torneira aberta à Grécia mesmo que o país não honre as suas obrigações e seja forçado a entrar em incumprimento parcial.

Este braço-de-ferro ficou bem exposto no recente Eurogrupo, onde se abriram várias portas a uma reestruturação grega, e continua a subir de tom com a indicação de que a chanceler Angela Merkel se recusa a participar numa cimeira sem resultados. A revisão do Fundo de socorro europeu ainda não está concluída e o encontro seria sempre inconclusivo se o BCE não validasse um ‘default’ grego.

Analistas e fontes diplomáticas recordavam ontem que há várias soluções no quadro da actuação dos bancos centrais para segurar a economia grega após um incumprimento. O problema, como já alertou o membro do BCE, Lorenzo Bini-Smaghi, é que um ‘default’ sairia muito mais caro aos contribuintes europeus. A nível técnico, a primeira solução de financiamento pode vir de uma assistência de emergência de liquidez através dos bancos centrais.

Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, insiste na reunião. Tentou apresentar esta cimeira extraordinária em Madrid e depois em Lisboa, apontando para sexta-feira, mas Berlim continua a invocar problemas. Wolfgang Schaüble, o ministro alemão das Finanças, disse ontem que não há razão para tomar “decisões apressadas” visto que a Grécia tem “financiamento garantido até Setembro”, mas admite que um tal encontro pode ser preciso para dar “um sinal psicológico” aos mercados, caso não o tenham percebido com a declaração do Eurogrupo.

Mas os mercados devem ter percebido bem esse sinal porque continuaram ontem a penalizar os países periféricos, receando que estes sigam o caminho da Grécia – depois de rotular a dívida portuguesa como “lixo”, a Moody’s fez o mesmo à Irlanda.

A irritação entre os líderes dos periféricos é patente nas palavras do líder espanhol que acusou de forma velada a Alemanha de atiçar o contágio. Mas a consequência é mais aperto, até porque estes países não têm, nesta fase, qualquer margem negocial no Conselho. Por exemplo, a ministra espanhola, Elena Salgado, aceitou a contragosto empurrar a Grécia para o incumprimento e quando chegou a Madrid admitiu necessidade de novos cortes. “O tecto de despesa [para 2012] pode ser inferior ao apresentado agora” que já implica um corte de 3,8%. “É mais necessário do que nunca demonstrar o nosso compromisso com a austeridade”, explicou, saudando o facto de o país não ter previsto ir ao mercado esta semana.

MRA Alliance/DE

Crise grega precisa de 15 anos para ser resolvida, diz Presidente da Alemanha

terça-feira, julho 12th, 2011

A Grécia precisará de muito mais tempo para resolver os problemas com a dívida soberana do que tem sido admitido até agora na Europa, diz o Presidente da Alemanha, Christian Wulff, numa entrevista a ser transmitida, no próximo domingo, pelo canal alemão ZDF.

Segundo a agência Reuters, o antigo líder do partido democrata-cristão (CDU) da Chanceler Angela Merkel,  defendeu a necessidade de “uma resposta global” para a solução da crise da dívida na Europa. “Não pode ser algo apenas para três meses,  antes deve apresentar soluções a serem aplicadas nos próximos 10 a 15 anos, disse Wulff. “A Grécia – acrescentou – precisa de um prazo muito mais alargado do que até agora tem sido reconhecido na Europa, acrescentou Wulff, cujo cargo é, no plano politico, meramente protocolar. 

O chefe de Estado alemão defendeu igualmente uma maior responsabilização dos bancos e das agências de rating pelo seu papel na presente crise financeira e sublinhou que a impunidade de que gozam tem escandalizado a opinião pública.

MRA Alliance

Silva Lopes diz que se a Grécia cair, Portugal vai a seguir

terça-feira, julho 5th, 2011

«Se acontecer alguma coisa à Grécia, não dou um mês para acontecer o mesmo a Portugal». As palavras foram proferidas pelo economista José Silva Lopes, aludindo à possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento e de o mesmo vir a acontecer a Portugal.

Na conferência «E depois da troika?», organizada pelo pelo Instituto de Direito Econonómico Financeiro e Fiscal (IDEFF) e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC), em Lisboa, Silva Lopes acusou os líderes europeus de terem «condenado» a Grécia a pagar um juro de dez por cento ao ano, o que considerou «um desastre».

Para o economista, evitar que Portugal entre em incumprimento passa por «cumprir o acordo com a troika, o que não é garantido». «Um dos maiores riscos é que a União Europeia não arranje numa solução para isto [crise da dívida na Europa] e não está a mostrar nenhuma vontade de resolver», disse o ex-ministro das Finanças.

«O esforço que vamos fazer é necessário mas não é suficiente porque falta uma solução vinda da União Europeia. A Alemanha e alguns países vão recusar essa solução e vão destruir a Europa», acrescentou.

MRA Alliance/A Bola

Mário Soares teme em Portugal idênticos episódios de violência da Grécia

terça-feira, julho 5th, 2011

O ex-Presidente da República afirmou hoje  ter uma “dúvida metódica” sobre se as medidas de austeridade do Governo  serão suficientes para ultrapassar a crise, mas advertiu que os episódios  de violência na Grécia podem estender-se a Portugal. 

Mário Soares  falava aos jornalistas antes de lançar mais um livro da  sua autoria intitulado “Portugal  tem saída”, editado pela “Objectiva”. Interrogado sobre a forma como está a acompanhar os episódios de violência  social na Grécia, Mário Soares considerou que tudo “resulta do desespero”.

“As pessoas estão desesperadas, não sabem como vão passar os dias seguintes,  como vão de dar de comer aos filhos — e como as pessoas se sentem desesperadas  vão para a rua gritar e às vezes fazer coisas piores. Não é impensável que  isto também possa acontecer em Portugal”, advertiu o ex-chefe de Estado.

Interrogado se as medidas já tomadas pelo novo Governo serão suficientes  para ultrapassar a crise, Mário Soares observou que essas medidas visam  precisamente “uma folga” ao nível orçamental. “Mas não sei se isso vai ser suficiente e se isso vai poder resolver  o problema. É uma dúvida metódica, como diria Descartes”, respondeu, antes  de referir que um Governo por si liderado, o do “Bloco Central”, também  cortou parte do subsídio de Natal, tal como agora anunciou o primeiro-ministro,  Pedro Passos Coelho.

“É verdade que cortei no subsídio de Natal, mas acertei, assumi as  minhas responsabilidades e consegui que Portugal tivesse à custa disso dez  anos de grande estabilidade”, acrescentou.

MRA Alliance/SIC Notícias

O novo plano de ajuda será suficiente para salvar a Grécia?

quarta-feira, junho 29th, 2011

A equipa de analistas do Société Générale respondeu hoje ao Financial Times a um conjunto de perguntas relativas ao projecto francês que prevê a participação da banca no segundo pacote de ajudas à Grécia, com o objectivo de evitar a bancarrota do país.

1. O plano prevê uma participação de 30 mil milhões de euros por parte do sector privado?

Dificilmente. Um rollover (renovação das linhas de crédito) de 49% dos 85,5 mil milhões de euros representaria uma participação de 42 mil milhões. No entanto, nem todos os credores vão participar, pelo que na melhor das hipóteses um rollover privado deverá atingir os 30 mil milhões. Assumindo que os bancos detêm cerca de 30% de dívida grega, a participação dos bancos seria apenas de 13 mil milhões de euros. Parece-nos que o governo francês está a tentar uma participação mais alargada que poderá incluir seguradoras, fundos de pensões e gestoras.

2. O plano é suficientemente positivo que evite as agências de rating de declararem um incumprimento da Grécia?

Pensamos que sim. No entanto, as agências podem argumentar que a Grécia continua a pedir dinheiro a uma taxa bastante inferior à dos níveis de mercado – o que poderia ser a causa para um default. Ainda assim o projecto francês deixa bem claro que para a ajuda da banca será necessário que as agência de notação financeira não considerem que a Grécia entra em incumprimento

3. O plano de ajuda da banca resolve os problemas de solvência da Grécia?

De forma alguma. O acordo prevê que a Grécia pague 5,5% mais um juro de 8%. O maior risco que existe é a possibilidade do país rejeitar o segundo pacote de ajuda, mas ainda assim existe margem para discutir o juro aplicado. De qualquer forma, apesar do plano poder aliviar a actual crise, os resultados terão de ser analisados novamente mais tarde. O falhanço em conseguir cumprir os objectivos poderá levar a novas medidas de austeridade, que seriam chumbadas no Parlamento, pelo que ao risco de execução das actuais medidas continua elevado. Como já afirmámos, estas iniciativas que envolvem a ajuda da banca apenas permitem ganhar tempo e restaurar a estabilidade durante algum tempo, se e desde que a Grécia cumpra os objectivos.

MRA Alliance

Barroso e Van Rompuy saúdam “sim” grego ao plano de austeridade

quarta-feira, junho 29th, 2011

Os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Conselho da União Europeia, Herman Van Rompuy, saudaram hoje a aprovação pelo parlamento grego do novo plano de austeridade, considerando que se tratou de um “voto de responsabilidade nacional”. O parlamento grego aprovou hoje o novo plano de austeridade apresentado pelo Governo socialista, com 154 votos a favor e 138 contra, necessário para que Atenas continue a receber ajuda internacional e evite a bancarrota.

Numa declaração conjunta divulgada em Bruxelas, logo a seguir ao voto do parlamento grego, Durão Barroso e Van Rompuy afirmam que a Grécia deu “um importante passo em frente no necessário caminho da consolidação orçamental e das reformas estruturais” com vista ao crescimento, e um também “fundamental passo atrás” relativamente ao cenário de bancarrota que se avizinhava.

Os presidentes do executivo comunitário e do Conselho recordam no entanto que terá ainda lugar outra importante votação, na quinta-feira, quando o parlamento grego for chamado a votar a implementação das medidas concretas do programa. Este “segundo voto positivo” abrirá então o caminho definitivo para o desembolso da próxima tranche de assistência financeira. Durão Barroso e Van Rompuy confirmaram que o segundo voto positivo também permitirá que a UE avance para um segundo pacote de ajuda financeira.

Também o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, aplaudiu o voto do parlamento grego e reconheceu que “não foi uma escolha fácil”. “Nos próximos anos, este poderá ser interpretado como o ponto de viragem para a Grécia e para a Zona Euro”, vaticinou Buzek.

MRA Alliance/Agências

Grécia: Governo prepara novo plano de austeridade após ter passado teste parlamentar

quarta-feira, junho 22nd, 2011

Após obter a confiança do Parlamento, o governo socialista grego prepara nesta quarta-feira o novo plano de austeridade exigido pelo FMI e pela União Europeia (UE), que será submetido ao voto do legislativo antes do fim do mês. O conselho de ministros confirma nesta quarta-feira a “lei de aplicação”, que detalha as controversas medidas de um novo programa econômico plurianual, que será votado antes de 30 de junho, como exige a UE. Este texto, que tem o aval da UE e do FMI, prevê uma subida dos impostos diretos e indiretos.

Inicialmente, deveria ser votado no início de julho, mas o primeiro-ministro Giorgos Papandreou decidiu acelerar seu trâmite em meio à pressão da zona do euro, após recuperar a iniciativa política graças a uma remodelação do governo e ao voto de confiança obtido na terça-feira à noite. Todos os deputados da oposição presentes, 143, votaram contra, mas Papandreou conquistou o apoio total dos votos socialistas (155 sobre um total de 300), descartando assim o risco de que seus projetos fossem rejeitados pelo Parlamento. “Peço o voto de confiança para poder continuar a enfrentar a crise e os défices, para evitar o default, e assegurar que a Grécia se mantenha no núcleo do euro”, disse Papandreou no fim do debate parlamentar.

“Os deputados renderam-se sem condições”, ironizava nesta quarta-feira o jornal de esquerda Eleftherotypia; “o plano ainda mais duro após o voto”, lamentava o diário de direita, Eleftheros Typos, alinhado com a oposição conservadora, que se nega a apoiar o governo. Para alcançar os objetivos do plano orçamental, que prevê até 2015 poupanças de 28,4 mil mlhões de euros, mais 50 mil milhões das privarizações, o texto detalha os cortes previstos. Segundo o ministério das Finanças as novas medidas passam pela redução das aposentadorias, dos subsídios sociais, da massa salarial e do número de empregos no setor público.

MRA Alliance/AFP

Grécia: “Bancarrota seria uma catástrofe”, diz Papandreou

domingo, junho 19th, 2011

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, afirmou esta tarde no parlamento helénico que as “consequências de uma bancarrota violenta ou a saída do euro” seriam uma “catástrofe imediata” para as pessoas, para os bancos e para a credibilidade do país.

No discurso que marcou o início de um debate de três dias sobre o novo plano de austeridade que terá de ser aprovado na terça-feira pelo Parlamento, Papandreou relembrou, de acordo com a Reuters, que o país está numa encruzilhada e que as suas reservas de dinheiro chegarão ao fim caso a Grécia não recebe a quinta tranche do apoio da UE e do FMI, no valor de cerca de 12 mil milhões de euros.

E, para que isso aconteça, o mais recente plano de corte de custos e aumento de receitas (nomeadamente via privatizações e subida dos impostos) terá de ter luz verde por parte da maioria dos deputados. À partida, isso terá sido assegurado pela remodelação governamental que Papandreou orquestrou no final desta semana, com destaque para a indigitação de Evangelos Venizelos na pasta das Finanças, substituindo Papaconstantinou.

Uma forma de apaziguar o interior do seu próprio partido, o Pasok, que detém a maioria no Parlamento. Venizelos, que era até aqui ministro da Defesa, tinha entrado em confronto com Papaconstantinou, e foi já como responsável das finanças que o responsável pelas contas gregas se deslocou hoje à reunião dos ministros da zona euro no Luxemburgo.

Em declarações aos jornalistas, antes da reunião, Venizelos garantiu que a Grécia irá cumprir as suas promessas de cortes orçamentais e de redução do défice. “Esta é uma boa ocasião para eu reafirmar a dedicação do governo grego e a vontade firme da população no sentido de cumprir o programa” de reajustamento acordado com a UE e com o FMI, afirmou o responsável, citado pela AFP.

A disponibilização da quinta fatia da ajuda à Grécia, bem como um novo tipo de apoio que poderá envolver, de forma voluntária, os detentores de dívida pública grega (como os bancos) é o tema central do encontro dos ministros das Finanças da zona euro, que termina amanhã. Nesta reunião também será feito o ponto da situação do programa de assistência financeira a Portugal, que se encontra representado pelo embaixador junto das instituições europeias, Manuel Lobo Antunes.

MRA Alliance/Público

Grécia testa mercados e resiliência da Zona Euro

quinta-feira, junho 16th, 2011

As bolsas europeias fecharam mais uma vez em queda esta quinta-feira, pressionadas pelo impasse na solução da crise grega. Os investidores mostram que o efeito de contágio a outras economias é uma forte probabilidade. Na Grécia, os juros da dívida no curto prazo estão já acima dos 30% e a 10 anos passaram a barreira dos 18%.

Os juros das obrigações do Tesouro de Portugal também registaram novos máximos, tendo chegado a romper a barreira dos 14% nas maturidades a 3 anos. O índice bolsista nacional (PSI20) tocou no valor mais baixo dos últimos 11 meses. No entanto, a queda foi de 0,59% fixando-se nos 7.149,48 pontos.

A banca esteve na berlinda. Desde o início do ano, a banca portuguesa está a perder 13 milhões de euros por dia na Bolsa. Só o Millennium bcp perde em média 7 milhões a cada 24 horas. O BCP chegou hoje a cotar-se a menos de 40 cêntimos por acção, o valor mais baixo na história daquele título. O banco já acumula um saldo negativo superior a 500 milhões de euros, desde Janeiro, em capitalização bolsista. Ainda assim, no fim da sessão o BCP acabou por ganhar 1,21% e fechou a 42 cêntimos/acção.

Enquanto o BES esteve melhor – subiu 0,52% para 2,53 euros – o BPI  caiu 0,64% para 0,94 euros, mas chegou a registar um novo mínimo dos últimos 15 anos, ao ter sido negociado a 92 cêntimos durante a sessão. Este ano, o banco liderado por Fernando Ulrich acumula uma queda de cerca de 15% e já vale menos de mil milhões de euros. O Banif também perdeu 1,8% e vale agora 70 cêntimos por acção. Os sectores da energia e da distribuição – EDP, Galp, Sonae e Jerónimo Martins – também não escaparam à sangria com todos os papéis a perderam valor.

Enquanto nos Estados Unidos as bolsas recuperaram hoje dos resultados negativos registados nas últimas semanas, na Europa os sinais foram preocupantes. Dos 12 índices mais importantes o DAX alemão registou uma queda irrisória (0,07%) mas todos os outros registaram recuos importantes -entre 0,15% (IBEX 35) e 0,92% (SMI).

MRA Alliance/Agências

 

S&P prevê um ou mais ‘defaults’ da Grécia

quarta-feira, junho 15th, 2011

A Standard & Poor’s (S&P) voltou a cortar o ‘rating’ da Grécia, desta vez para ‘CCC’. A S&P acredita que há “uma forte possibilidade de um ou mais ‘defaults'” por parte da Grécia e, nesse sentido, voltou hoje a reduzir a notação financeira de Atenas em um nível, de ‘B’ para ‘CCC’.

Além do corte de ‘rating’, a agência de notação financeira anunciou que a perspectiva para a dívida pública grega continua a ser ‘negativa’, o que poderá indiciar novos cortes. Para a agência de notação, a Grécia não conseguirá chegar aos mercados financeiros em 2012, o que vai inviabilizar o cumprimento do acordo com a União Europeia e o FMI no valor de 110 mil milhões de euros assinado no ano passado.

Além disso, o ‘downgrade’ reflecte os riscos crescentes da implementação do programa da UE e FMI, tendo em conta o complicado ambiente político que se vive em Atenas e as dificuldades económicas actuais. Na semana passada, o Eurostat revelou que a economia grega encolheu 4,8% no primeiro trimestre do ano, devido às fortes medidas de austeridade impostas pelo programa de ajuda internacional.

MRA Alliance/DE