Archive for the ‘Gás Natural’ Category

Egipto: Primeiro alvo energético vítima de sabotagem grave

sábado, fevereiro 5th, 2011

O gasoduto que corre pelo Egipto e norte do Sinai e fornece gás a Israel, à Jordânia e alguns outros Estados da região sofreu várias explosões esta manhã na sequência de acções de sabotagem, classificadas como “de grande envergadura”, e foi fechado. Os ataques da madrugada de hoje não foram reivindicados, mas uma fonte da área da segurança citada pela Reuters atribuiu-o a “elementos estrangeiros”.

A AFP dá conta, citando um responsável egípcio, de um ataque durante a madrugada próximo da fronteira com a Faixa de Gaza, na localidade de Lehfen, na região de Cheikh Zouwayed, onde houve explosões no gasoduto e no terminal de gás local, a cerca de dez quilómetros da Faixa de Gaza, junto a Israel. Um responsável ouvido pela televisão egípcia dizia que “a situação é muito perigosa, com explosões contínuas de um local para outro” ao longo deste pipeline. “É uma grande operação terrorista”, disse um repórter da televisão egípcia.

Não é para já claro qual o impacto desta acção de sabotagem nos fornecimentos a partir do Egipto e nos preços do petróleo nos mercados mundiais, a partir da próxima semana. O país não é um grande produtor de petróleo mas os seus fornecimentos de gás natural têm expressão regional, assegurando 40 por cento das necessidades de Israel.

Este ataque surge no 12º dia de protestos contra o regime egípcio e o seu Presidente, Hosni Mubarak, e depois o dia de ontem ter sido assinalado como “Dia da Partida”, pois era o último do prazo dado pelo movimento oposicionista para o Presidente deixar o poder – o que não aconteceu.

Nos últimos dias, através da internet, grupos islamitas apelaram aos seus militantes para explorarem a contestação que está a abalar o Governo, incitando-os mesmo a atacar esta conduta de fornecimento de gás a Israel, que corre entre Arish e Ashkelon.

O Exército egípcio encerrou já a principal fonte de alimentação do gasoduto e estava ainda a tentar controlar os fogos. As cadeias árabes de televisão Al Jazeera e Al Arabiya mostraram imagens de uma torre de chamas no cenário de uma das explosões.

O consórcio israelita que assegura as importações confirmou entretanto que os fornecimentos pararam, “por precaução”, mas disse que as explosões não atingiram os fornecimentos a Israel. Uma fonte do Ministério Nacional das infra-estruturas de Israel disse no entanto à agência Reuters que não sabia por quanto tempo o fornecimento de gás egípcio ao país seria afectado.

MRA Alliance/Público 

Multinacionais europeias entram em lóbi pró-Rússia

quarta-feira, agosto 13th, 2008

O conglomerado energético russo Gazprom está a usar as parcerias siberianas com grandes empresas europeias – ENI (Itália) Total e GdF (França), BASF (Alemanha) – para a criação de um poderoso lóbi pró-russo no coração da União Europeia (UE) capaz de atenuar as reacções negativas às suas agressivas políticas. A estratégia faz parte do sonho do Kremlin de transformar o maior produtor mundial de gás e o terceiro maior produtor de petróleo, a seguir à Arábia Saudita e Irão, num activo com valor superior a mil biliões (trilhões) de dólares. Recentemente a Gazprom e grupo petroquímico BASF arrancaram com o projecto Achimgaz, na Sibéria, que produzirá 7,5 mil milhões (bilhões) de metros cúblicos por ano, o equivalente a 10% do consumo de gás na Alemanha. Em Julho, a ENI foi a primeira empresa europeia a entrar no mercado russo de venda e distribuição de gás natural através de uma parceria com a GazpromArcticgas – ao fechar um contrato com uma produtora russa de electricidade. “Pode parecer um paradoxo, mas os maiores lóbistas da Gazprom na Europa são os seus principais concorrentes, como a ENI ou a Gaz de France. Eles também sofrem com a liberalização dos mercados do gás e entendem melhor a Gazprom do que os funcionários governamentais”, afirmou Valery Nesterov, da corretora Troika Dialog, citado pela agência Reuters. A Rússia aprovou a liberalização parcial do mercado interno de energia eléctrica, a partir de 2011, o que espicaçou o apetite dos “big players” globais do sector e abre perspectivas de cooperação e expansão internacional para a Gazprom. Muitos analistas partilham a opinião de a Rússia está a ganhar a Guerra dos Oleodutos e dos Gasodutos, em detrimento da Europa e dos Estados Unidos. A adesão de muitos países europeus ao gasoduto South Stream, que transportará por ano 30 mil milhões (bilhões) de metros cúbicos de gás natural russo até à Itália, foi um duro golpe para o seu concorrente directo, o Nabuco. Este gasoduto, patrocinado pela Europa e pelos EUA, visa desviar abastecimentos do gás natural do Mar Cáspio para o sul da Europa fugindo ao monopólio da Gazprom. Chris Weafer, estrategista-chefe da UralSib, sublinhou que a gula internacional da Gazprom é preocupante: “Existe o receio de que a Gazprom se transforme numa força com demasiado poder de controlo.” MRA Dep. Data Mining