Archive for the ‘G20’ Category

China ainda não apoia nenhum candidato ao FMI

sexta-feira, maio 27th, 2011

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reclama hoje  uma “negociação democrática” entre os membros do G20 sobre a sucessão de Strauss-Kahn no lugar de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.

A China não tomou, ainda, posição formal de apoio a  nenhum dos dois candidatos já afirmados ao lugar de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), na sequência da resignação de Dominique Strauss-Kahn.

Os dois candidatos já em presença são a ministra francesa Christine Lagarde – que se apresentou, ontem, formalmente, e que conta com diversos apoios na União Europeia – e o governador do Banco Central do México, Agustín Carstens, que já pediu o apoio das economias emergentes em declarações ao Financial Times.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Beijing declarou hoje que a decisão de nomeação do novo diretor-geral “deve ser tomada através de uma consulta democrática” entre os membros do G20 com o objetivo de se chegar a “uma seleção aberta, transparente e baseada no mérito”. No entanto, Beijing acrescentou que o FMI “deve representar mais amplamente os países dos mercados emergentes e refletir as mudanças na economia global”.

Uma declaração do grupo BRICS – que além dos anteriores BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) junta a África do Sul – exigiu a “adequada representação dos membros dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento na administração” do organismo internacional.

Também os Estados Unidos não tomaram, ainda, qualquer posição formal.

MRA Alliance/Expresso

G20: Sarkozy quer regular preços dos alimentos e impor imposto sobre transacções financeiras

segunda-feira, janeiro 24th, 2011

Nicolas SarkozyA necessidade de controlo dos mercados de divisas e de matérias-primas alimentares é uma das ideias que o presidente francês Nicolas Sarkozy quer impor aos seus pares do G20, o maior fórum financeiro e industrial do mundo, onde agora detém a presidência rotativa. 

“Como é que podemos explicar que queremos regular os mercados financeiros sem o fazer no mercado de produtos básicos?” Foi assim que Nicolas Sarkozy afirmou que é preciso evitar a especulação sobre os produtos alimentares, defendendo a necessidade de desenvolver instrumentos para acalmar a subida de preços nas matérias-primas, segundo refere o “El País”.

O presidente francês apresentava as prioridades para a sua presidência no G-20, referindo que os preços actuais dos alimentos estão a níveis de há dois anos. O índice da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação para 55 matérias-primas alimentares alcançou, em Dezembro, o valor mais alto desde Junho de 2008, altura em que a crise alimentar esteve no seu auge.

A possibilidade de uma nova crise estar a regressar foi avançada há algum tempo pelas Nações Unidas, devido ao ritmo “alarmante” dos aumentos dos preços. “No dia em que haja revoltas, que país do G-20 é que vai dizer que não se preocupa com isso? Acho que nenhum”, referiu Sarkozy em relação ao tema.

Além da sua preocupação alimentar, Sarkozy salientou que “dizer que há um sistema monetário, é um grande erro”, já que defende existir um “não-sistema monetário internacional”, escreve o “Le Fígaro”.

“A emergência de novas economias poderosas conduzirá ao aparecimento de novas moedas internacionais”, disse o agora presidente do G-20. Argumenta, por isso, a necessidade de ampliação das funções do Fundo Monetário Internacional no mercado de divisas para regular as reservas dos diferentes Estados. 

Sobre a taxa sobre as transacções financeiras, Sarkozy caracterizou a medida como “moral face à crise financeira” que se está a atravessar, “útil para dissuadir a especulação” e ainda “eficaz para encontrar os novos recursos para o desenvolvimento”.

MRA Alliance/JdN

G-20 acerta reforma do FMI e rejeita “guerra cambial”

sábado, outubro 23rd, 2010

Os ministros das Finanças das nações do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os países ricos e os principais emergentes, chegaram a um acordo neste sábado, 23, para uma “ambiciosa” reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), que dará maior poder de decisão aos países em desenvolvimento e rejeitaram a “desvalorização competitiva” das divisas.No final do encontro na cidade sul-coreana de Gyeongju, o organismo expressou em comunicado que “a recuperação da economia global continua avançando, embora de maneira frágil e irregular”, e apoiou um “sistema de taxas de câmbio determinado pelo mercado, que reflita os fundamentos econômicos”.

O G-20 chegou a acordo para outorgar um maior peso aos países emergentes e em desenvolvimento no FMI, para torná-lo “mais efetivo, credível e legitimado”. Os países em desenvolvimento, até agora “pouco representados”, terão uma parcela ao redor de 6%, mais do que tinha sido decidido anteriormente pelo G20 (5%).

Os ministros de Finanças do grupo também se mostraram a favor de proteger a “margem de voto dos mais pobres” no Diretório Executivo do Fundo, de 24 membros e onde a Europa cederá dois assentos, segundo decidiu hoje o G-20.

Além disso, o fórum rejeitou “a desvalorização competitiva das divisas”, um dos assuntos que dominaram os debates durante seus dois dias de reuniões. O G-20 expressou seu apoio para “mitigar o risco de excessiva volatilidade nos fluxos de capital rumo aos países emergentes”, o que se intensificou com a crise.

Além disso, as autoridades presentes ao encontro reafirmaram seu compromisso para colaborar para “um crescimento forte, sustentado e equilibrado”, e observaram que o ritmo da atividade econômica continua sendo “modesto” em muitas economias avançadas, embora seja “forte” em vários mercados emergentes.

Em seu comunicado, o G-20 reiterou seu apoio aos planos de consolidação fiscal a médio prazo nas economias avançadas, “segundo as circunstâncias nacionais”, e a uma política monetária “apropriada para conseguir estabilidade de preços que contribua para a recuperação”.

No entanto, países como o Japão, Alemanha e Índia deixaram bem claro que não aceitarão a imposição generalizada de limites aos superávites externos, como forma de obrigar a China e outros países asiáticos a valorizar as suas moedas e travar as exportações.

Numa carta aos outros ministros das Finanças do G20, o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, propôs um limite de 4% do PIB tanto para superávites como para défices externos, defendendo que as maiores economias do mundo devem “abster-se de usar políticas cambiais elaboradas para conseguir uma vantagem competitiva, seja pelo enfraquecimento das suas moedas ou por impedir a apreciação de moedas subvalorizadas”.

Na carta, Geithner não apontou o dedo a países específicos, mas o recado era obviamente para a China, que os EUA acusam de desvalorizar artificialmente o iuan.

MRA Alliance/Estadão /DE

G8 dividido sobre medidas de austeridade e rigor fiscal

sexta-feira, junho 25th, 2010

Entre os oito países mais industrializados e desenvolvidos do mundo (G8), a França e os Estados Unidos lideram a corrente que se opõe à drástica redução dos défices públicos e orçamentais (-50%), até 2013, nas reuniões preparatórias da cimeira do G20 que se realiza no fim de semana no Canadá. O espírito de união que deu vida aos G20 na resposta à crise vai ser posto à prova nos dois encontros de alto nível, em Toronto. Tanto na reunião de dois dias do G8, que se inicia hoje, como na cimeira do G20, que decorre no fim-de-semana, os líderes das principais economias mundiais tentarão minimizar as divergências quanto à melhor receita a adoptar – assegurar mais estímulos às economias num ambiente de indispensável e urgente rigor fiscal e  consolidação orçamental.

A UE, ferida pela crise da dívida e pressionada pelos mercados, anunciou o regresso à austeridade, apesar de esperar um crescimento de 1% este ano mas com um défice que ultrapassa os 7%.

Para o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, as “políticas orçamentais sustentáveis vão ajudar a consolidar a retoma”. A chanceler alemã Angela Merkel partilha da mesma opinião e prometeu defender as medidas de austeridade do seu governo perante os restantes membros do G20. “Nós, os europeus em geral, e os alemães em particular, pensamos que a redução dos défices é indispensável para conseguir um crescimento sustentado”, sublinhou a líder germânica.

No outro lado do Atlântico, os EUA, a crescer 2,8% e com um défice próximo de 11%, receiam que o caminho escolhido pelos europeus seja perigoso.

A maioria dos analistas admitem comom provável que a cimeira don G20 se saldará por um exercício semântico que ao nível das decisões finais se traduza por um acordo genérico na base dos princípios mas suficientemente elástico para acomodar soluções diferentes que lhes permitam manter as respectivas estratégias domésticas.

MRA Alliance/DE

G20 chumba imposto sobre transacções financeiras

domingo, junho 6th, 2010

Cimeira do G20 em SeoulA cimeira de ministros e de banqueiros centrais, que terminou sábado na Coreia do Sul, revelou um xadrez muito complexo dos temas que dividem o grupo de 20 países actualmente com maior peso geopolítico. As coligações são ad hoc em muitos assuntos, mas a força da China, Brasil, Índia e até do Canadá e Coreia do Sul é evidente.

O clima escaldante que se viveu na cimeira derivou do contexto específico em que reuniu o G20 em Busan: as contingências da própria semana falam por si. A crise da dívida soberana na Europa “alargou-se” a vários países do Leste, com o incidente mais gravoso na Hungria. Uma má “tradução” de declarações oficiais incendiou os investidores do mercado de credit default swaps sobre a dívida (empurrando a Hungria para dentro do TOP 10 mundial de maior risco de default) e provocou um mini-crash nas bolsas europeias e em Wall Street.

Para além do discurso politicamente correcto do comunicado final saído da cimeira de ministros de Finanças e Economia e de banqueiros centrais do G20 (grupo de 20 países actualmente com maior peso geopolítico no mundo), reunidos sexta-feira e sábado em Busan, na Coreia do Sul, o ambiente foi de discussões “muito quentes”, como referiu aos media Shin Je-Yoon, vice-ministro das Finanças para os assuntos internacionais do país anfitrião.

Um dos temas que gerou expectativa foi o da iniciativa americana e alemã de um imposto sobre transacções financeiras que alimentasse um fundo para futuros resgates em caso de crise financeira.

O que está em jogo neste tema fracturante é que uma parte do globo – que não se considera responsável pela crise financeira e que hoje está a começar a dar cartas na geopolítica – não pretende penalizar os seus sistemas financeiros locais que estão em plena ofensiva global, aproveitando as vulnerabilidades dos eixos financeiros de Nova Iorque, Londres e Frankfurt.

Os relatos sobre esta discussão são contraditórios, consoante o ponto geográfico do mundo que os emite. Na Ásia dá-se o assunto desta taxa como encerrado, como não tendo sido incluído na agenda da próxima cimeira de alto nível em Toronto, no Canadá, a 26 e 27 de Junho. Outros, na Europa e nos EUA, afirmam que o tema regressará, pois é um ponto de honra, sobretudo do secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, e colocam esperanças no relatório que o Fundo Monetário Internacional deverá apresentar em Toronto.

Outro tema fracturante foi a questão da consolidação orçamental, suscitada pelo alastrar da crise da dívida soberana na União Europeia. Aqui as “coligações” de interesses são curiosamente distintas.

Americanos, franceses e Banco Central Europeu (BCE) repetem em uníssono que a Europa deu os passos adequados e alertam que a consolidação orçamental não pode ser cega nem exagerada, aumentando o risco de uma recaída na recessão. Por seu lado, os alemães e os asiáticos – ao que parece apoiados por “uma corrente maioritária” no G20, confessou, desapontada, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, insistem que a consolidação orçamental é a prioridade número um e o Brasil e a China teriam mesmo expressado sérias dúvidas sobre a gestão do problema na Europa.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, garantiu, no final, falando para os mercados financeiros que reabrem na segunda-feira, que teria havido um entendimento “muito bom” sobre o problema. O comunicado final bate palmas, logo no segundo ponto, à acção da União Europeia, do BCE e do FMI na questão.

As alianças ad hoc voltam a mudar quando chegamos ao tema da dinamização do comércio internacional e da procura mundial. O secretário do Tesouro americano defendeu que os principais exportadores mundiais de bens com superávites nas suas balanças comerciais (onde se encontram a China, líder mundial da exportação em 2009, Alemanha e Japão) deverão favorecer a importação, facilitando a exportação por parte dos deficitários, e abandonar as suas políticas mercantilistas. 

Sobre o tema de fundo da regulação bancária e do sistema financeiro “sombra”, a cimeira de Busan chutou, de novo, o problema para os próximos encontros. Novas regras para exigir transparência às agências de notação, à actuação dos hedge funds e ao uso dos derivados continuam em estudo.

Também para a cimeira do G20 em 11 e 12 de Novembro, em Seul, se espera que a Comissão Basel sobre Supervisão Bancária apresente as novas normas com que terão de se coser os bancos, no sentido de restringir o vício da excessiva alavancagem associada às vagas de financeirização e às crises financeiras graves que provocou desde os anos 80.

Um ponto político parece impor-se: o da urgência de reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI). À margem da cimeira, Coreia do Sul e Brasil assinaram um entendimento sobre a modificação da correlação de forças no FMI (que afectará sobretudo a “representação” dos países europeus).

O G20 é formado pelos membros do G8 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia) mais África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia, aos quais se juntam a União Europeia  e o Banco Central Europeu bem como representantes do FMI e do Banco Mundial.

MRA Alliance/Expresso

G20 debate novo imposto sobre bancos para financiar novas crises

domingo, novembro 8th, 2009

A reunião dos ministros das Finanças do G20, em Saint Andrews, no Reino Unido, terminou ontem sem grandes decisões mas com alguns compromissos quanto à possível criação de um imposto sobre as transacções financeiras internacionais para financiar um fundo de apoio a crises sistémicas.

Com os sinais da retoma a não serem ainda suficientes, as opiniões dividiram-se sobre a manutenção dos estímulos à economia tendo prevalecido a decisão de não as suspender até que os resultados da retoma sejam consistentes. Os 20 acordaram desenvolver no futuro novas estratégias conjuntas de políticas de estimulo económico.

Sobre a proposta para a criação do fundo de socorro financeiro, o presidente do FMI Dominique Staruss-Khan revelou os próximos passos: “Vamos agora ter que trabalhar sobre esta ideia. Vamos ter que fazer um relatório até à Primavera. Há muitas questões técnicas complicadas, mas penso que é legítimo – e essa foi a opinião também dos chefes de Estado e de governo em Pittsbourg – não podemos continuar num estado em que o sistema financeiro é tão arriscado, em que alguns assumem riscos mas quando correm mal quem paga é cada um de nós”.

Sobre a factura da luta contra as mudanças climáticas os ministros do G20 decidiram adiar a discussão para Copenhaga onde decorre a reunião sobre o tema, sob a égide das Nações Unidas.

Wolfgang Schaueuble, ministro alemão das Finanças disse existir um “acordo para que as nações desenvolvidas paguem a maior parte da fatia para ajudar os países pobres, mas que os países emergentes tenham que pagar a sua parte é um assunto espinhoso”.

MRA Alliance/Agências

G20: Muita parra mas pouca uva

sexta-feira, setembro 25th, 2009

G20 - Londres - Abril, 2009As 20 maiores economias do mundo decidiram acabar gradualmente com os subsídios à indústria do petróleo e intensificar os esforços para alcançar um novo acordo sobre as alterações climáticas até ao final do ano mas, no essencial, pouco avançaram na criação de uma nova arquitectura económica global.

Segundo a agência Reuters, os líderes do G20 decidiram também manter os planos de estímulo económico, até as economias estarem consolidadas, de acordo com o projecto de documento final da cimeira de Pittsburg, nos Estados Unidos.

As economias emergentes, designadamente o bloco BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – conseguiram aumentar um pouco o seu peso no processo de tomada de decisões do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas nada que ponha em risco o controlo político global dos países ricos (G7).

Relativamente ao comércio mundial e ao combate a medidas proteccionistas a reunião foi inconclusiva e adiou o anúncio de medidas para 2010, contra a vontade dos países emergentes.

Curiosamente, a proposta de comunicado final refere que os países participantes designam “o G20 como fórum principal para a nossa cooperação económica internacional”.

A generalidade dos observadores considera que tal pode significar que o G20 substituirá o G7 e o G8 enquanto fóruns de decisão global, passando aqueles a conclaves de debate  geopolítico.

No essencial nada muda. Os sete países mais ricos do mundo e o bloco aliado -União Europeia – continuarão a ditar a agenda política mundial e a fazer valer as suas estratégias à revelia da vontade dos restantes 13 países emergentes membros do G20.

G20: Reforma do sistema financeiro mundial marca passo

sábado, setembro 5th, 2009

Os ministros de Economia e Finanças do Grupo dos Vinte (G20) composto por 7 países ricos e 13 emergentes decidiram neste sábado, em Londres, manter os planos de estímulo para consolidar os indícios de recuperação da economia mundial e limitar as gratificações recebidas pelos diretores dos bancos.

A reunião, que serviu de preparação para a cimeira de chefes de Estado e de Governo do bloco, marcada para 24 e 25 de Setembro, em Pittsburgh (EUA), não gerou quaisquer consensos sobre a reforma do sistema financeiro mundial.

“Continuaremos a aplicar as medidas de apoio, incluindo as políticas monetárias e tributárias”, aprovadas na cimeira de Abril, em Londres, “até que possamos garantir a recuperação”, disse o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, no final dos trabalhos.

O ministro anunciou que a reforma do sistema financeiro “vai prosseguir”, para evitar que se repitam crises como a do ano passado e que o “sistema de gratificações” para os diretores bancários será revisto, no sentido de evitar que assumam riscos exagerados susceptíveis de comprometer a estabilidade dos mercados e de ameaçar o próprio sistema financeiro global.

Darling destacou que houve “progressos substanciais” desde que o G20 se reuniu no final de 2008 para enfrentar a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, e que “os mercados financeiros estão a estabilizar e a economia global está a melhorar”.

“Mas continuamos cautelosos sobre as perspectivas de crescimento e do emprego”, acrescentou Darling, na conferência de imprensa que encerrou o evento, no qual também participaram os presidentes dos bancos centrais.

No comunicado final, o G20 comprometeu-se a “trabalhar para combater a excessiva volatilidade dos preços das matérias-primas, melhorando a transparência dos mercados e promovendo o diálogo entre países produtores e países consumidores”.

Também houve acordo sobre a necessidade de manter os apoios às economias mais frágeis, com programas de gastos públicos e pacotes de estímulo fiscal, e de estabelecer um período de tempo mais amplo para exigir que combatam os défices públicos excessivos.

Quanto à maior influência reivindicada pelas nações emergentes na tomada de decisões em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), com Brasil, China e Índia à frente, os ministros remeteram a adopção de medidas concretas para reunião de Pittsburgh.

Em resposta aos desejos das nações emergentes, que representam 70% da população mundial, os ministros assumiram o compromisso de “combater todas as formas de protecionismo e a fechar um acordo equilibrado e ambicioso na Rodada de Doha”, no âmbito da OMC (Organização Mundial de Comércio).

O Conselho de Estabilidade Financeira, organismo internacional criado na cimeira de Abril, será encarregado de apresentar novas propostas e de supervisionar o seu cumprimento após a respectiva aprovação na próxima cimeira.

MRA Alliance/Agências

G20: China apoia dólar e França questiona representatividade do G8

segunda-feira, julho 6th, 2009

G20 - Londres - Abril, 2009O vice-ministro dos negócios Estrangeiros chinês, He Yafei, afirmou que o dólar deve manter-se ainda durante muitos anos como a principal moeda do reserva do mundo, em declarações proferidas em Itália, onde participará na reunião do G8, na próxima quarta-feira, em Átila.

“O dólar norte-americano ainda é a mais importante e principal moeda de reserva, e nós cremos que essa situação deve continuar por muitos anos”, disse He durante uma conferência de imprensa, em Roma, numa altura em que muitos analistas e políticos questionam a legitimidade do G8 para continuar a impôr as suas decisões políticas ao resto do mundo.

Pequim, juntamente com os outros países do bloco BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – tem defendido a ideia da criação de um cabaz de moedas que sirva de  alternativa ao dólar como divisa global de reserva e uma repartição mais equitativa das decisões entre os países ricos e em desenvolvimento.

A questão da representatividade do G8 foi abordada ontem, em Aix-en-Provence, no sul da França, pela ministra da Economia, Christine Lagarde. Sendo um dos nomes mais importantes do governo do presidente Nicolas Sarkozy, as declarações da ministra, durante uma reunião de economistas, surpreenderam os analistas pelo inesperado alcançe político.

“O G8 deve imperativamente ser modificado e ampliado para se adaptar à realidade dos tempos.” (…) “O G8 é uma instituição muito mais antiga e sem dúvida muito menos pertinente dada a sua composição e a evolução do mundo”, disse Lagarde.

MRA Alliance

Opinião: Montanha do G20 pariu uma ratazana falaciosa

sexta-feira, abril 3rd, 2009

Obama, Berlusconi e Medvedev durante a cimeiraNa passada quarta-feira, 24 horas antes do início formal da cimeira dos 20 maiores países industrializados e emergentes do mundo (G20), arriscámos a previsão de que a montanha iria parir um rato. Enganámo-nos. Pariu uma ratazana de falácias para enganar os incautos, num cenário idílico de unidades e consensos inexistentes, com números enganadores.

O comunicado final da cúpula das maiores economias do mundo, no essencial, quanto às novas conquistas elogiadas por Gordon Brown, Barack Obama, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, corroboradas com mais ou menos pudor por líderes dos países emergentes, diz o seguinte:

  • “Os acordos celebrados hoje visam triplicar os recursos do FMI para USD 750 mil milhões/bilhões (mm/bi), apoiar uma nova alocação de USD 250 mm/bi em Direitos Especiais de Saque [SDR, e inglês], bem como empréstimos adicionais de, pelo menos, USD 100 mm/bi pelos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento [MDB em inglês], assegurar USD 250 mm/bi em apoios a operações de apoio ao comércio e usar recursos adicionais, via venda de ouro pelo FMI, para conceder apoios financeiros aos países mais pobres, constituindo um programa adicional de USD 1.100 biliões [USD 1,1 trilhão] de apoio ao crescimento, emprego e à restauração do crédito na economia mundial”;
  • “Estamos a realizar uma expansão fiscal concertada e sem precedentes, que irá proteger ou criar milhões de empregos (…), que vai atingir USD 5.000 biliões/trilhões até ao final do próximo ano,  aumentar a produção em 4% e acelerar a transição para uma economia verde”;
  • “(…) Os nossos bancos centrais vão manter políticas expansionistas, durante o tempo que fôr necessário, e usar todos os instrumentos de política monetária possíveis, incluindo não convencionais, em consonância com a estabilidade dos preços”;
  • “Estamos empenhados em realizar todas as acções exigidas para restaurar o fluxo normal de crédito através do sistema financeiro e assegurar a solidez de instituições sistemicamente importantes, excutando as políticas em sintonia com o quadro acordado pelo G20 para restauração dos empréstimos e reparação do sector financeiro”;
  • “No mês passado, o FMI estimou que o crescimento global, em termos reais, deverá ser retomado e crescerá acima dos 2%, até ao final de 2010. Confiamos que as acções acordadas hoje (…) irão acelerar o retorno às tendências de crescimento”;

Na declaração que integra o comunicado final, os líderes do G20 publicaram uma declaração intitulada “Reforçando o Sistema Financeiro” na qual são enumerados outros consensos a que chegaram:

  • Criação de uma comissão – Financial Stability Board (FSB) – que passa a agregar o anterior Financial Stability Forum (FSF), os 20 Estados-membros do G20, a União Europeia e a Espanha; 
  • À FSB ficou cometida a tarefa de, em cooperação com o FMI, fornecer alertas de riscos financeiros ou macroeconómicos e as medidas correctivas;
  • Reformulação dos sistemas regulatórios; 
  • Alargamento da regulação e a supervisão aos fundos de cobertura de riscos (hedge funds);
  • Novas regras sobre prémios e bónus a pagar pelas instituições financeiras aos quadros executivos, assentes em resultados, qualidade do desempenho e sustentabilidade dos esquemas retributivos; 
  • “Prevenir” a excessiva alavancagem e exposição ao risco e exigir melhores rácios de capitais próprios aos agentes do sistema; 
  • Combater “jurisdições não cooperantes”, incluindo paraísos fiscais. (…) Terminou a era do segredo bancário.”
  • Adoptar novos padrões de “alta qualidade” contabilística;
  • Alargar a regulação e fiscalização das agências de notação de risco de crédito – Credit Rating Agencies – impondo-lhes a adopção de boas práticas para “prevenir conflitos de interesses inaceitáveis.” 

Descontando o facto de o texto ser omisso quanto à questão nuclear da crise – o que fazer com os bilionários activos tóxicos – é espantosa a manipulação dos números para entorpecimento da opinião pública. A retórica, vaga e dúplice,  faria corar de vergonha o inventor do canivete suíço. Senão vejamos: 

  • O montante de USD 5.000 biliões/trilhões é enganador pois, comparativamente a 2007, já inclui as novas dívidas públicas contraídas pelos governos desde 2008 até 2010; 
  • Os anunciados USD 1.100 biliões (1,1 trilhão) são constituídos por diferentes parcelas já anteriormente publicitados; 
  • Em Novembro e Março passados,  o Japão e a União Europeia anunciaram ter disponibilizado respectivamente USD 100 mm/bi e USD 101 mm/bi para  satisfazer as necessidades de capitalização de fundos próprios do FMI;
  • A China, no dia da cimeira, terá anunciado a sua disponibilidade para contribuir com mais USD 40 mm/bi, mas Pequim não confirmou nem desmentiu tal intenção;
  • Outros membros destacados – da Arábia Saudita, à Rússia, passando pela Índia, Brasil e EUA – quedaram-se por um ensurdecedor silêncio;
  • O referido comunicado final remete para Abril, data da reunião da Primavera do FMI, a questão de reforço dos fundos a alocar ao organismo multilateral pelos restantes países do G20;
  • Os USD 250 mm/bi em SDR´s – a unidade monetária do FMI resultante de um cabaz de quatro divisas (dólar, libra, euro e iéne) – resultará da criação artificial de moeda. O processo, tecnicamente descrito pelos alquimistas financeiros como  quantitative easing mais não é do que criar dinheiro electrónico sem qualquer valor fiduciário. A diferença entre este dinheiro e as notas do Monopólio é nenhuma; 
  • A parte de leão deste papel (44%) poderá ser consumida pelos países do G7 – EUA, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá – em detrimento restantes 179 membros da organização, por força dos direitos de voto estatutariamente consagrados;
  • A Alemanha, que publicamente classificou a cimeira como “um sucesso”, não apenas foi incapaz de impor a sua vontade de impedir a “fabricação” de SDR’s e como falhou na imposição de regras mais apertadas para fiscalizar a utilização dos fundos do FMI pelos países beneficiários;
  • A fiabilidade dos números e cálculos fornecidos por Gordon Brown foram questionados por um vasto grupo de jornalistas e de analistas que consideram que o primeiro-ministro inglês é useiro e vezeiro em inflacionar contas politicamente convenientes;
  • De resto, o próprio comunicado atirou para os parágrafos finais a confissão de que, relativamente ao financiamento de operações de comércio internacional, do novo “dinheiro” que sairá magicamente dos terminais de computadores do FMI (USD 250 mm/bi) apenas entre 1,5% a 2% será destinado àquele fim;
  • O documento esclarece que o montante global anunciado não é mais do que uma manifestação de intenções sobre a aplicação daqueles recursos, durante os próximos dois anos;

Contas feitas, como referiu o insuspeito Financial Times, “em vez de USD 1.100 biliões, os novos compromissos ficam aquém de USD 100 mm/bi e a maior parte deles já estavam garantidos antes da cimeira do G20”.

O futuro próximo dirá o que realmente foi conseguido na cimeira de Londres em matéria de reformas e de estímulos à economia mundial.

Para já, não passou o teste do detector de mentiras.

MRA Alliance

Pedro Varanda de Castro, Consultor

OCDE divulga duas listas de paraísos fiscais; Portugal de fora

sexta-feira, abril 3rd, 2009

A OCDE divulgou, ontem (quinta-feira), depois da decisão tomada pelo G20 de agir contra Estados não-cooperantes em matéria fiscal, duas listas de paraísos fiscais, designadamente uma lista negra que exclui Portugal mas inclui a Costa Rica, a Malásia, as Filipinas e o Uruguai.

Esta lista inclui os países que nunca se comprometeram a respeitar os padrões internacionais, precisou a Organização de cooperação e de desenvolvimento económicos no seu site na Internet.
   
Hoje, no final da cimeira de Londres, os países do G20 prometeram «agir» contra as jurisdições não-cooperantes, nomeadamente os paraísos fiscais, e deixaram para a OCDE a tarefa de publicar a lista dos países envolvidos.
   
No seu site, a OCDE divulga também uma lista de países que aplicam «substancialmente» as regras internacionais, como é o caso da França, Rússia, Estados Unidos e China.
   
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, garantiu em Londres que a Madeira não constará da «lista negra» de paraísos fiscais enumerados pela OCDE porque Portugal prometeu que irá cooperar em termos de informação fiscal.
   
«A OCDE fez a análise de cerca de 180 países ou territórios e elaborou uma lista onde enumera os países que estão a cooperar e que não são um problema, onde enumera os países que não estão a cooperar e são um problema e outros que declararam que vão cooperar», referiu.
   
«Portugal, incluindo todas as regiões de Portugal, estão na primeira categoria, dos países que não são um problema», rematou Durão Barroso.

MRA Alliance/Lusa 

G20: A montanha de Londres vai parir um rato

quarta-feira, abril 1st, 2009

Manifestantes anti-globalização - LondresOs líderes dos 20 países mais ricos e emergentes do mundo (G20) reúnem-se amanhã, em Londres, para tentarem um consenso sobre como solucionar a actual crise mundial, num clima de tensão que promete saldar-se por um rotundo fracasso político, económico e financeiro. O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, à partida para a capital inglesa, anunciou hoje que não espera “milagres” do conclave global. 

“Melhorar o que não está bem” e “é agora ou nunca” foram as expressões usadas pelo líder da União Europeia, divida e enfraquecida como nunca, sobretudo desde os anos 80, quando o timoneiro da então CEE era o francês Jacques Delors. “Temos de aproveitar as condições que nunca tivemos para chegar a um acordo”, enfatizou Barroso. 

A regulação e supervisão financeira transfronteiriça, com enfoque particular nos paraísos fiscais, bem como o redesenho da missão, objectivos e estratégias das instituições financeiras, nos planos nacional e multilateral, são necessidades urgentes.

Porém, as divisões e desacordos entre europeus e americanos, por um lado, Brasil, Rússia, China e Índia (BRIC), acompanhados por mais alguns países emergentes, por outro, fazem do sucesso da cimeira do G20 uma missão quase impossível.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy ameaçou abandonar a reunião se não ficar satisfeito com os resultados. A ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, fez saber que tal poderá acontecer pois a crise é “demasiado grave” para que a cimeira não produza  resultados palpáveis.

A chanceler alemã Angela Merkel, após uma reunião em Berlim com o presidente russo Dimitri Medvedev, também coloca pressão sobre os aliados americanos e os concorrentes asiáticos: “A crise é um profundo corte. Podemos dizer que o mundo está numa encruzilhada, e em Londres temos de fazer um trabalho ambicioso, e não nos limitarmos a palavreado”.

As posições da França e da Alemanha, dois dos principais motores da UE, fazem renascer o velho eixo Bona/Berlim-Paris em uma Europa, não a duas mas a várias velocidades, onde os antigos satélites soviéticos e os PIGS – Portugal, Itália, Grécia e Espanha – são considerados os cábulas da escola europeia.

Gordon Brown, o anfitrião da cimeira, adopta um discurso irrealistamente optimista. O sucessor de Tony Blair no nº10 de Downing Street garante que vai haver acordo. Quando lhe pediram para dar exemplos quedou-se pelas remunerações dos banqueiros… 

O presidente norte-americano, Barack Obama, prepara-se para dar um raspanete aos europeus, reninentes em criar mais dívida pública para estimular a economia e o emprego. Os alemães lideram o pelotão dos que, na UE, dizem que só haverá mais apoios aos bancos e às empresas depois de serem obtidos resultados concretos das bilionárias injecções de capital feitas desde Outubro.

O bloco dos emergentes elegeu o combate ao proteccionismo e concessões dos americanos e europeus no âmbito da Ronda de Doha como principais cavalos de batalha.

No entanto, russos e chineses querem também apear o dólar da sua posição de divisa mundial de reserva, substituindo-o por um cesto de moedas onde o euro e o iéne terão uma forte componente. A oposição ocidental é absoluta.

Perante isto, uma coisa é certa. A montanha de Londres vai parir um rato e o sistema financeiro global continuará em processo de implosão. Em câmara lenta.

As dinastias financeiras que comandam os bancos centrais preparam-se para recolher os despojos e impôr uma Nova Ordem Mundial onde só haverá lugar para duas classes – os super-ricos e os outros.

Os primeiros, segundo a Forbes, não chegam a dois mil.

Os outros rondam os 6,5 mil milhões.

MRA Alliance

Pedro Varanda de Castro, Consultor