Archive for the ‘FMI’ Category

FMI prepara reunião de urgência sobre a Grécia

sexta-feira, setembro 9th, 2011

O FMI prepara-se para realizar uma reunião de urgência sobre a Grécia, na próxima quarta-feira, diz hoje a imprensa grega, reunião que Atenas não confirma mas que considera “lógica”, dado o impasse na atribuição dos fundos de resgate ao país.

De acordo com os jornais Elefthérotypia e Kathimérini, esta “reunião excepcional” do conselho de administração do Fundo Monetário Internacional (FMI), a 14 de Setembro, visa transmitir informação à direcção do fundo, por parte do enviado especial à Grécia, Poul Thomsen.

Segundo os jornais, a direcção do fundo deverá discutir alterações de última hora ao programa de resgate grego, porque Thomsen deverá chegar no dia 14 de Setembro a Atenas, para recomeçar a auditoria às contas públicas gregas, ao lado dos outros elementos da ‘troika’ — o Banco Central Europeu e a União Europeia.

Na cimeira de chefes de Estado e de Governo da zona euro, em Bruxelas no dia 21 de Julho, os países da zona euro acordaram um segundo plano de ajuda à Grécia, no valor de 158,8 mil milhões de euros, cuja aplicação se tem complicado, após a missão da “troika” que avalia o programa de reforma e austeridade grego ter dito, na  semanapassada, que Atenas tem que fazer mais para reduzir o défice.

A ‘troika’ também duvida das revisões que Atenas fez no seu orçamento, indispensáveis para que a Grécia receba mais uma ‘tranche’ do resgate financeiro aprovado na primavera de 2010, que tem um valor total de 110 mil milhões de euros.

MRA Alliance/DN

FMI: Lagarde pede a governos e políticos que apoiem recuperação económica global

sexta-feira, setembro 9th, 2011

A directora do FMI declarou que os governos e os decisores políticos das economias avançadas deveriam apoiar a recuperação, dado que o risco de uma recessão ultrapassa a ameaça da inflação.

“Os países deverão agir agora – e agir audaciosamente – para orientar as suas economias através desta nova fase perigosa da recuperação”, disse Christine Lagarde num discurso em Londres realizado ontem. A política monetária nas economias avançadas “deverá permanecer altamente acomodatícia”, acrescentou.

“A actividade global abrandou e os riscos de deterioração aumentaram”, disse Lagarde, alertando que “o reequilíbrio da procura para um crescimento global sustentado estagnou”. “O fraco crescimento e os fracos balanços dos governos, as instituições financeiras e as famílias estão a contagiar o pessimismo umas às outras. Se o crescimento continuar a perder força os balanços dos governos irão piorar, a sustentabilidade fiscal será ameaçada, e o leque de políticas para salvar a recuperação irá esgotar-se”, comentou a directora do FMI.

Os banqueiros dos bancos centrais e os ministros das Finanças dos países do G-7 reúnem-se hoje em Marselha, França, para debater a recuperação global está a dar preocupantes sinais de abrandamento. Ontem, o BCE e o Banco de Inglaterra mantiveram as suas taxas de juro de referência inalteradas, por as perspectivas económicas terem piorado.

MRA Alliance/JdN

Tribunal americano retirou acusações de violação contra Strauss-Kahn

terça-feira, agosto 23rd, 2011

A justiça norte-americana retirou todas as acusações de violação contra Dominique Strauss-Kahn. O Supremo Tribunal de Justiça de Nova Iorque aceitou esta terça-feira o pedido do procurador de Manhattan para arquivar a queixa de violação que recaía sobre o antigo presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em causa está a perda de confiança nas declarações da alegada vítima. Nafissatou Diallo, a camareira de 32 anos que alega ter sido abusada sexualmente por Strauss-Kahn, recebeu a notícia com uma sensação de ultraje. Os advogados de defesa da empregada de hotel continuam a acreditar na história contada por Nafissatou Diallo e dizem que muito ficou por esclarecer.

Strauss-Kahn aguarda, agora, que o tribunal se pronuncie sobre o recurso apresentado pela defesa da alegada vítima que, caso seja favorável, permite que o antigo director do FMI possa sair dos EUA.

Apesar do processo criminal ter chegado ao fim, Dominique Strauss-Kahn ainda vai ter de enfrentar a justiça norte-americana pois Nafissatou Diallo já avançou com um processo cível.

MRA Alliance/Agências

Relatório médico confirma que Strauss-Kahn violou empregada de hotel

quarta-feira, agosto 17th, 2011

Um exame médico à empregada de quarto que acusou de agressão sexual o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn confirma que foi violada, noticia hoje a revista francesa L´Express, citando um relatório de um hospital nova-iorquino. Segundo o documento citado pela L`Express, a «causa dos ferimentos» apresentados por Nafissatou Diallo foi «agressão, violação».

O ex-diretor do FMI, que se diz inocente, é acusado de vários crimes por alegadamente ter tentado violar Diallo num hotel de Nova Iorque.

Detido a 14 de Maio, o economista e político francês está desde o início de julho em liberdade condicional.

Diallo, a alegada vítima, que segundo a imprensa americana foi apanhada em várias contradições nos seus testemunhos à polícia, prescindiu do seu direito ao anonimato e tem dado entrevistas aos “media” dos EUA.

Strauss-Kahn, que era considerado um potencial candidato à presidência de França nas eleições de 2012, regressará a tribunal numa audiência prevista para 23 de Agosto.

MRA Alliance/DD

Portugal deve receber 11,5 mil milhões já em Setembro

sexta-feira, agosto 12th, 2011
A troika fez uma avaliação positiva à implementação das medidas por parte de Portugal. Assim, o País deverá receber uma nova tranche da ajuda externa, no valor de 11,5 mil milhões de euros, em Setembro. “A conclusão desta revisão vai permitir a disponibilização de 11,5 mil milhões de euros”, revela a troika (constituída pelo BCE, pela Comissão Europeia e pelo FMI) em comunicado.

A nota enviada adianta que a disponibilização deste valor “pode ocorrer em Setembro”, ainda que esteja sujeito “à aprovação” da direcção do FMI, do Ecofin e do Eurogrupo.

O líder da missão do FMI, Poul Thomsen, afirmou hoje, em conferência de imprensa que o programa estipulado para Portugal “está no bom caminho” e por isso os responsáveis que estiveram no País a avaliar a situação vão fazer recomendações de forma a que a nova tranche do pacote financeiro seja libertado.

Ainda assim, Jurgen Kroeger, o chefe de missão da Comissão Europeia, reconhece que a troika gostaria de já ter visto mais cortes na despesa. O representante da CE reconheceu que gostaria que o Governo tivesse feito mais cortes do lado da despesa do que fez até agora.
A troika foi confrontada com a adopção de uma receita extraordinária este ano – a transferência do fundo de pensões dos bancários para a Segurança Social – que o Governo justificou com outras despesas extraordinárias não esperadas: 320 milhões de euros do BN e 277 milhões a um desequilíbrio orçamental na Madeira.

O relatório de avaliação da troika criticará esta opção, embora reconheça que se tratam de receitas extraordinárias para cobrir despesas extraordinárias.

Também Poul Thomsen, do FMI, foi claro sobre a importância de cortes de despesa: “Terá de haver cortes substanciais de despesa no Orçamento de 2012” embora tenha avisado que isso não chega: “Para os cortes serem sustentáveis, duradouros e não terem impacto no crescimento é essencial que sejam suportados também em reformas estruturais”.

MRA Alliance/JdN 

Da apendicite grega ao tumor hispano-italiano

quarta-feira, agosto 10th, 2011

A bolsa nova-iorquina interrompeu ontem um ciclo de quedas consecutivas, ao fechar com valorizações de mais de quatro por cento nos principais índices. Pouco antes do fecho da sessão, aconteceu a repentina valorização após a Reserva Federal (Fed) norte-americana ter anunciado que manterá as taxas de juro de referência próximas de zero por mais dois anos.

Entre os índices de referência, o Nasdaq Composite Index, que agrega empresas de base tecnológica, foi o que mais disparou: 5,295 por cento (para 2,482.520 pontos). O índice Standard and Poor’s 500 Index cresceu 4,741 por cento (para 1,172.530 pontos) e o industrial Dow Jones avançou 3,977 por cento (para 11,239.770 pontos).

Porém, o dia foi marcado por uma acentuada volatilidade nas bolsas europeias e norte-americanas. Wall Street abriu positiva, mas o disparo só foi visível no final da sessão, após o anúncio do Fed.

Imediatamente a seguir à divulgação da notícia, os mercados reagiram com apetite pelo risco. O Nasdaq subia pouco mais de um por cento, o índice S&P 500 valorizava 0,2 por cento e o Dow estava em terreno negativo. Os minutos finais da sessão foram determinantes para a recuperação.

Mas a recuperação de ontem será de curta ou de média duração? Em nossa opinião, os fundamentais das economias nacionais e das empresas cotadas nas bolsas dos dois lados do Atlântico não enganam: estamos na antecâmara de uma nova fase da crise sistémica de que temos vindo a falar, desde 2007 (ver  exemplos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui).

Contrariamente à reacção de ontem das bolsas norte-americanas, outras praças indicam que entraram no território dos mercados recessivos (bear market). Em Londres, o índice de referência FTSE 100 recuou 20%, desde Fevereiro. De 6091 pontos escorregou para 4855 pontos. O mesmo aconteceu em Hong Kong. O índice Hang Seng recuou 23% desde o último máximo, registado em 8 de Novembro passado.  Idêntica situação aconteceu na brasileira Bovespa  (-31%). Por outro lado, refira-se que o entusiasmo de ontem nas praças americanas está ensombrado pela acelarada perda de 18% nas cotações do índice S&P 500 registada nos últimos meses…

A decisão da agência de rating Standard & Poor´s de baixar a notação da dívida norte-americana de AAA para Aaa, na sexta-feira, na sequência do recente aumento, pelo Congresso, do tecto da dívida federal acima da fasquia de USD 14,3 trillion, apesar de ter precipitado a presente situação, é apenas mais um episódio do colossal descontrolo financeiro norte-americano. A crise não está controlada. Longe disso.

A decisão do Fed agora anunciada de manter as taxas de juro próximas de zero até 2013 é tudo menos uma boa notícia. Dinheiro fácil e escandalosamente barato é mau conselheiro. É um viveiro de bolhas especulativas. Das dotcom às hipotecas subprime insistimos em trilhar um caminho perigoso. De bolha em bolha até à definitiva implosão do sistema financeiro global. Sem pretendermos ser exaustivos, propomos uma olhada sobre os sinais. Alguns têm tanto de elucidativos como de preocupantes:  

  • Na bolsa de futuros Comex, após o anúncio do Fed,  as posições relativamente aos contratos de ouro subiram 1,8%,  fixando-se no novo recorde histórico de  1740 dólares a onça;
  • O banco J.P. Morgan emitiu ontem uma nota segundo a qual a cotação do ouro deverá atingir os 2500 dólares a onça até ao final do ano, enquanto o Goldman Sachs prevê que esteja nos 1730 dólares dentro de seis meses e nos 1900 dólares dentro de 12 meses;
  • O metal amarelo prossegue a sua escalada enquanto activo à prova de crises. Continua a ser o refúgio mais seguro que o dinheiro pode comprar nos tempos que correm. Esta opinião é partilhada por alguns governadores de importantes bancos emissores;
  • Nos dois últimos meses, o banco central da Coreia do Sul comprou 25 toneladas de ouro, aumentando em 17 vezes as suas reservas de metal amarelo. No mesmo período, também o banco central da Tailândia aumentou as suas reservas de ouro em 15,5%, tendo passado de 3523 milhões de onças, em Maio, para 4,07 milhões, em Junho. No princípio do ano, a Tailândia já adquirira 9,3 toneladas de ouro. A Rússia comprou 41,8 toneladas e o México 99,2 toneladas. A China anunciou no início do ano que pretende, até 2020, aumentar drasticamente as suas reservas de ouro.   Das actuais 1054 toneladas quer chegar às 8-10 mil toneladas;
  • Os juros implícitos (yield)  dos títulos dos EUA a dez anos baixaram de 2,32% para 2,28%, entre segunda e terça-feira;
  • Até agora, perante a visível deterioração do clima económico nos sete países mais industrializados (G7) e a profunda crise das dívidas soberanas europeias,  a maioria dos investidores e especuladores comprava, devido ao risco quase inexistente,  títulos do tesouro americano na expectativa de que se valorizassem. Porém, se em vez disso eles se depreciarem, como já está a acontecer,  tal pode significar que a bolha do mercado das obrigações norte-americanas está prestes a rebentar. As consequências serão trágicas para a economia global;
  • Desde 24 de Julho, o pânico generalizado em todos os mercados mundiais gerou perdas globais de USD 8,1 trillion (mais de metade do PIB dos EUA). Este valor  corresponde  a 14,8% da capitalização bolsista do mundo;
  • Em apenas cinco anos (2008-2012), o montante das obrigações de dívida vencidas, emitidas pelo Tesouro norte-americano, atingirá o gigantesco volume de USD 5,6 trillion.   A totalidade do crescimento da dívida do país, entre 1776 (ano da declaração de independência) e 2008, foi de 4,6 trillion. Obama vai ultrapassar em apenas cinco anos o que o conjunto dos seus 43 antecessores fez em… 232 anos!!!
  • O custo global das ajudas financeiras aos bancos e empresas financeiras dos EUA e da Europa, desde 2008, na realidade, ascende a quase USD 24 trillion, segundo a estimativa de Neil Barofsky, o inspector-geral do TARP (Troubled Asset Relief Program), o mega programa de resgate aprovado pela administração Bush e continuado pela administração Obama. Se compararmos este número com o do défice reconhecido pelo Tesouro (USD 14,7 trillion) ficamos com uma ideia mais realista da enormidade dos problemas a resolver quando for apresentada a factura para liquidação; 
  • Se tivermos em conta que o rácio dívida/PIB da Grécia já atingiu os 150%, e que os EUA estão a caminho de ultrapassar rapidamente a psicológica barreira dos 100%, as perspectivas para o biénio 2012-2013 são ainda mais negras. Os efeitos sobre a evolução do crescimento e do emprego serão devastadoras. Também o dólar, enquanto reserva cambial mundial,  terá o seu canto do cisne;

E o que nos reserva a Europa dos 17 (Zona Euro),  ou dos 27 (UE)? Será que o sonho europeu, idealizado nos anos 50 pelo eixo Bona-Paris, poderá, meio século depois,  vir a transformar-se no pesadelo do eixo Berlim-Paris? A prazo é bem possível. Para já, é avisado estarmos preparados para o pior (desintegração da UE e fim do euro).

Os altos dirigentes dos países membros mais ricos e a elite dos eurocratas têm pautado a sua actuação pela incapacidade de gerar consensos, de elaborar discursos coerentes, de afirmar um projecto europeu credível e sustentável e de ter a noção dos timings certos para agir.

Se no debate sobre a subida do tecto da dívida federal, os congressistas norte-americanos e o Presidente Obama deram aquele risível espectáculo de marcar o golo (chegar a acordo) no período de descontos (praticamente no fim do prazo), o que dizer dos líderes europeus? Com os sucessivos avanços e recuos e os constantes desmentidos das promessas feitas na véspera, uns e outros colocaram a Europa a jeito da voracidade vampírica dos mercados (leia-se especuladores).

O que ontem era uma simples apendicite grega, passou hoje a ser um desconfortável pólipo luso-irlandês, o qual, num futuro próximo, ameaça evoluir para um fatal carcinoma hispano-italiano. 

Deste lado do Atlântico, os meteorologistas da política e do dinheiro têm o dedo no botão de alerta de tsunami, atentos a alguns sinais dos chamados “mercados”:

  • Um editorialista do Financial Times escreveu ontem que o futuro da Europa depende da qualidade da defesa da Espanha e da Itália pelo triunvirato UE/BCE/FMI.
  • Embora  Madrid tenha apresentado “bons resultados” no combate ao défice e na flexibilização do mercado de trabalho, o articulista elege como positivo o facto de registar um superávit primário e de os seus empréstimos terem maturidades confortáveis. Como aspecto negativo é sublinhado o elevado peso da dívida (a terceira maior da Zona Euro), as tímidas medidas de combate ao défice e a crónica incapacidade do governo Berlusconi para fazer crescer a economia,  melhorar a capacidade  competitiva e combater o excesso de burocracia;
  • Esta análise, em nossa opinião,  peca por benigna já que passa ao lado de uma variável essencial da equação – a estratégia dos especuladores e as ferramentas de que dispõem para desestabilizar qualquer economia ou moeda, independentemente do seu peso e dimensão;
  • A manipulação pelos especuladores (privados e institucionais) de instrumentos derivativos, designadamente os famigerados seguros de incumprimento financeiro – Credit Default Swaps (CDS) -, levou à falência do banco Lehman Brothers, à nacionalização da seguradora AIG, à insolvência da Islândia e a severas crises cambiais nos anos 90 que atiraram para as cordas as moedas da Rússia, da Malásia, da Coreia do Sul, do México e por aí fora;
  • Ninguém sabe ao certo qual o montante global dos tóxicos CDS que infectam os balanços de sonantes nomes da banca europeia – do germânico Deutsche Bank, ao britânico Barclays, ao francês Paribas, passando pelo espanhol Santander e pelo italiano Unicredit – mas diversos especialistas dividem-se entre estimativas estratosféricas (trillions ou quadrillions);  
  • Certo é que, contrariamente ao que tem sido vertido em muitas páginas de jornais e revistas especializadas, existe o perigo real de um ou mais bancos europeus de grande dimensão poderem vir a ser atacados pelo vírus Lehman Brothers. Quando chegar a hora, lembrem-se  de trautear “Don’t cry for me Argentina”;
  • A França, para alguns inesperada e injustamente, está na berlinda desde sexta-feira, dia em que a S&P despromoveu a qualidade da dívida norte-americana. Comparativamente a outros países com notações triple A, os juros implícitos, os CDS e os níveis do défice que afectam a economia gaulesa são variáveis consideradas excessivas pelas maiores agências de rating;
  • Na próxima sexta-feira, a França publicará dados estatísticos sobre o crescimento da economia no segundo trimestre. A generalidade dos analistas prevê números desanimadores da ordem dos 0,2%, ou seja 0,7% abaixo do valor registado no primeiro trimestre;
  • Caso se confirmem as previsões, as campainhas de alarme alertarão para a dificuldade de a França conseguir, em 2013, atingir a prometida meta de reduzir o actual défice (7,15% do PIB) para menos de 3%;
  • O facto de os CDS sobre a dívida francesa serem superiores aos pagos pelos compradores de dívida emitida pelas autoridades do Peru, Indonésia, África do Sul e da República Eslovaca é motivo de preocupação não apenas para o governo francês. As lideranças da UE, do BCE e do FMI receiam que a equacionável perda pela França da notação AAA possa pôr em causa toda a arquitectura do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e inviabilizar futuros resgates;
  • De  resto, os recursos do FEEF (750 mil milhões de euros) são considerados insuficientes para fazer face às necessidades prováveis dos resgates. Chegam para atender o conjunto dos actuais três “clientes” – Grécia, Irlanda e Portugal e eventualmente de Chipre.  Caso a Espanha ou a Itália sejam forçadas a usá-lo precisaria de ser generosamente recapitalizado.  De resto, há mesmo quem pense que o resgate da terceira e da quarta economias da UE, a Itália e a Espanha respectivamente, necessitaria de um novo Plano Marshall, mas agora com a inclusão dos países emergentes do G20 (China, Índia, Brasil, Arábia Saudita, etc.);
  • Para apimentar o cenário, o mês de Setembro promete ser crítico. A troika irá a Atenas fazer a avaliação de desempenho do governo na aplicação dos programas de resgate em curso e em fase de implementação. A instabilidade política e social em que a Grécia está mergulhada faz temer a obtenção de resultados aquém dos desejados pelos credores, com efeitos negativos na evolução da crise europeia;
  • Na Alemanha, a Chanceler Merkel enfrenta uma resiliente frente de forças políticas e de individualidades da coligação que lidera (CDU/FDP) que discordam abertamente dos acordos pró-resgate por ela validados em Bruxelas. O regresso de férias dos deputados do Bundestag promete acessos debates.
  • Conhecida a sua propensão para o “nim”, bem como para protelar até ao limite decisões urgentes, a senhora Merkel poderá viver dias difíceis e voltar a dar sinais errados aos mercados de dívida. Qualquer sinal de instabilidade e de laisser-faire dado pela Alemanha pode complicar ainda mais as já ténues possibilidades de controlo da situação;
  • Também em Setembro, algumas “cajas de ahorros” espanholas irão ao mercado tentar obter empréstimos. Num cenário de eleições antecipadas, de escalada dos juros da dívida soberana e de insuficientes taxas de crescimento económico, para além de uma elevada taxa de desemprego (superior a 20%), este segmento da banca espanhola terá uma missão espinhosa e de resultados duvidosos;

Se, como tudo indica, nada de enérgico e proactivo for feito, em Agosto, pelos líderes europeus que ditam as políticas da UE – Merkel e Sarkozy – chegaremos a Setembro com uma situação mais degradada. Talvez irremediavelmente…

Nesse caso, e se persistirem os ataques especulativos contra as dívidas espanhola e italiana, com uma insustentável subida das taxas de juro e dos CDS, o último trimestre promete ser um osso duro de roer.

Neste momento, ninguém, do BCE ao FMI, passando por outras instituições de idêntico calibre, dispõe de recursos para resgatar financeiramente países como a Espanha e a Itália. Se tal for imperativo, como vão os mandantes da economia mundial resolver o problema?

A resposta é simples. Ninguém sabe. Nem eles…

Pedro Varanda de Castro, Consultor

MRA Alliance

Directora do FMI espera que justiça francesa a ilibe de acusações de desvio de fundos públicos

sexta-feira, agosto 5th, 2011

Christine Lagarde, actual directora do Fundo Monetário Internacional, deseja que as investigações da justiça francesa provem ser infundadas as suspeitas de ter cometido crimes de abuso de poder e desvio de fundos públicos quando aprovou o pagamento de uma multimilionária indemnização compensatória a um amigo próximo do presidente Sarkozy.

Os factos sujeitos a instrução judicial remetem à altura em que Lagarde era ministra da Economia. Para terminar uma contenda que opunha o empresário Bernard Tapie ao banco Credit Lyonnais, Lagarde decidiu atribuir uma indemnização compensatória a Tapie, amigo próximo de Nicolas Sarkozy, na ordem dos 285 milhões de euros.

Através do seu advogado, Lagarde manifesta-se completamente tranquila em relação ao processo, preferindo que avance e sirva para esclarecer “tudo o que foi dito e escrito sobre o assunto”. O causídico afirma que, “desta forma, não vão restar dúvidas, porque os factos serão apurados (…), não havendo motivos para abalar a sua serenidade”.

MRA Alliance/Euronews

Novo resgate à Grécia implica incumprimento parcial, diz Fitch

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Os termos do segundo programa financeiro que os líderes da zona euro acordaram ontem para a Grécia pressupõe uma entrada em incumprimento parcial da dívida e levará a uma descida do rating para esse nível, confirmou hoje a agência de notação Fitch, citada pelo Público.

Apesar de considerar “positivo” o acordo sobre o pacote grego, a agência norte-americana frisa que os termos do plano prefiguram uma alteração das condições iniciais dos empréstimos já concedidos a Atenas. Segundo os critérios de avaliação da Fitch, isto representa um incumprimento parcial da dívida.

O novo pacote inclui uma modificação das regras do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) com um empréstimo de 109 mil milhões de euros por este fundo de socorro que inclui uma contribuição dos credores privados (50 mil milhões), através da reestruturação da dívida. O reescalonamento ou a renovação da dívida são considerados pelas agências de rating como provas de entrada em incumprimento.

David Riley, o analista da Fitch que assina a nota emitida hoje sobre os termos do novo pacote europeu, sublinha, no entanto, que a revisão da nota da dívida da Grécia – avaliada actualmente pela agência em CCC, correspondente a default – será seguida de novas atribuições de rating aos títulos de dívida helénica que forem emitidos. Isso significa que o efeito positivo (de que fala a agência) que resulta do prolongamento das maturidades da dívida grega será tido em conta em novas notações. Durante o período de vigência do acordo caberá ao FEEF a emissão de garantias sobre os títulos de dívida helénica.

A concordância dos termos do acordo pelo BCE e pelos bancos privados, deram à cimeira de ontem a capacidade para viabilizar o cumprimento imparcial da dívida grega sem abrir novas guerras com as agências norte-americanas de avaliação de risco.

MRA Alliance

Nova acusação de violação abala regresso de Strauss-Kahn

terça-feira, julho 5th, 2011

Numa altura em que Dominique Strauss-Kahn já celebrava o provável fim do caso que enfrenta em Nova Iorque, depois dos media terem desacreditado a empregada de hotel que o acusava, é agora a vez da jornalista e escritora francesa Tristane Banon avançar com uma queixa formal de tentativa de violação perante o tribunal de Paris.

Segundo disse ao jornal ‘L’Express’ o advogado de Banon, David Koubbi, a sua cliente só decidiu avançar agora com a sua acusação porque não queria que o processo norte-americano se misturasse com o seu. Uma vez que nos próximos dias Strauss-Kahn pode ver as autoridades de Nova Iorque abandonarem o seu caso dentro de poucos dias, Banon decidiu que é altura de avançar.

“A minha cliente avança agora com uma queixa por tentativa de violação”, disse Koubbi, recordando que ela veio a público poucos dias depois da detenção do ex-director do FMI em Nova Iorque, afirmando que este lhe havia tentado retirar o sutiã e desapertar os ‘jeans’ durante uma entrevista que teve lugar em 2002.

O novo caso vem causar fortes obstáculos ao ex-patrão do FMI que se preparava para retomar a vida política na disputa da presidência francesa, contra Nicolas Sarkoz, em 2012. Esta possibilidade fora admitida no domingo pelo líder interino do PS francês, Harlem Desir, ao afirmar que Strauss-Kahn poderia tentar ser o candidato do partido ao cargo de presidente. As sondagens indicam que 49% dos eleitores franceses, desejam que o antigo líder do FMI volte à política. “Cabe a Dominique Strauss-Kahn decidir por si próprio como quer participar na vida pública logo que puder”, disse Desir.

MRA Alliance/DE

Acusação de crime sexual contra Strauss-Kahn pode ser retirada, diz New York Times

sexta-feira, julho 1st, 2011

As medidas penais contra o ex-Director-geral do FMI, Dominique Straus-Kahn, acusado de violação de uma empregada de hotel, em Nova Iorque, poderão ser retiradas em breve, informou esta madrugada o jornal New York Times (NYT), citando fontes judiciais ligadas ao processo.

Curiosamente, a notícia surge 48 horas depois de o seu cargo no FMI ter sido formalmente ocupado pela também francesa, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças do Governo Sarkozy.

Segundo o jornal, os procuradores nova-iorquinos têm dúvidas sobre a credibilidade do testemunho da suposta vítima do potencial candidato às eleições presidenciais francesas. O NYT sublinha que os juízes terão agora chegado à conclusão que a empregada mentiu repetidas vezes desde 14 de Maio, dia em que, alegadamente, terá ocorrido o incidente.

As contradições, segundo fontes citadas pelo jornal, são manifestas nas questões relacionadas com as verdadeiras razões invocadas no seu pedido de asilo nos EUA e na natureza de alguns relacionamentos pessoais que mantinha nos últimos meses. 

Provavelmente, adianta o jornal, os acusadores públicos, esta sexta-feira, quando Strauss-Kahn comparecer no tribunal, irão reconhecer que “o caso tem problemas”. “É um desastre”, comentou um funcionário judicial citado pelo NYT.

O diário de Nova Iorque admite a possibilidade de haver um “volte-face extraordinário” no caso podendo as novas provas serem suficientes para justificar a libertação do ex-Diretor-geral do FMI, em prisão domiciliária desde Maio, com pulseira electrónica, e sob apertada vigilância das  forças de segurança. 

O jornal afirma que a polícia descobriu ligações da vítima, uma guineense de 32 anos, a indivíduos presos por crimes relacionados com lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Várias pessoas terão feito depósitos superiores a 100 mil dólares, em numerário, na conta bancária da alegada vítima, durante os últimos dois anos. Após o escândalo, as autoridades norte-americanas gravaram conversas telefónicas, entre ela e indivíduos presos, durante as quais foram discutidos pagamentos pelas denúncias de agressão sexual contra Strauss-Kahn, refere o jornal.

Strauss-Kahn, de nacionalidade francesa, sempre negou as acusações de violação e agressão sexual contra a empregada, que alegou ter sido atacada quando se preparava para arrumar o quarto do hotel, em Manhattan, onde o economista e político francês estava hospedado.

MRA Alliance

Christine Lagarde Directora-geral do FMI até 2016

quarta-feira, junho 29th, 2011

Christine Lagarde assistiu hoje de manhã ao último conselho de ministros no Palácio do Eliseu, em Paris, menos de 24 horas depois de ter sido designada como a próxima responsável máxima do Fundo Monetário Internacional, em Washington.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, frisou que a nomeação constitui “uma vitória para a França e para as mulheres”. Lagarde afirmou estar “bastante emocionada, contente e orgulhosa de ter servido a França durante 4 anos e de ter, com muita energia e entusiasmo, tentado fazer o que era possível dentro de circunstâncias bastante difíceis”.

Lagarde assume a chefia do FMI com o debate centrado na Grécia, mas também nas crises em Portugal e na Irlanda, e sucede a Dominique Strauss-Kahn, em prisão domiciliária nos Estados Unidos, acusado de crimes sexuais.

O início do mandato de cinco anos no FMI está marcado para 5 de Julho e Lagarde já disse que pretende continuar as reformas iniciadas por Strauss-Kahn.

MRA Alliance/Agências

Christine Lagarde tem praticamente garantida a liderança do FMI

terça-feira, junho 28th, 2011

A candidata francesa Christine Lagarde deve ser eleita líder do FMI na próxima quinta-feira, marcando o fracasso dos países emergentes em impedir a eleição de uma europeia para o cargo. A vitória de Lagarde ficou praticamente confirmada quando ontem o governador do banco central da China, Zhou Xiaochuan, afirmou que o seu país dá “o apoio completo” à candidata de 55 anos de idade, em detrimento do seu rival, o governador do Banco do México Agustín Carstens, de 53 anos.

“É claro que ainda não sabemos qual vai ser a situação final. Mas actualmente, não parece haver dúvidas sobre o resultado”, disse Xiaochuan. Com efeito, uma sondagem informal realizada pela Reuters indica que Lagarde irá conseguir uma maioria confortável dentro do FMI para obter a liderança da instituição, embora Carstens tenha conseguido na passada sexta-feira o apoio do Canadá, Austrália, Peru e Chile, o que deu a entender que a candidatura mexicana terá alguma expressão. A corrida à sucessão de Dominique Strauss-Kahn, que abandonou a liderança do Fundo em Maio depois de ter sido implicado num escândalo sexual nos EUA, tem sido uma das mais disputadas da história do FMI, uma vez que os países emergentes manifestaram abertamente a sua discórdia com o acordo existente até agora de que o Fundo deve ser liderado por um europeu, enquanto a chefia do Banco Mundial pertence a um norte-americano.

MRA Alliance/DE

Director interino do FMI aconselha BCE a subir gradualmente as taxas de juro

segunda-feira, junho 20th, 2011

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que a zona euro está a recuperar e que o BCE deve por isso começar a subir os juros gradualmente.  “Devido à trajectória esperada da recuperação, a normalização das taxas de juro deve prosseguir gradualmente”, diz o FMI num relatório divulgado hoje. O objectivo, de acordo com a instituição agora liderada por John Lipsky, é manter a inflação controlada na zona euro, que já está acima de 2% há cinco meses consecutivos. Recorde-se que, ontem, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, voltou a dizer que o banco central está determinado em assegurar a estabilidade de preços na zona euro.

No mesmo relatório, o FMI nota que a crise de dívida da zona euro é uma ameaça à recuperação económica da região e que os países do euro devem cooperar mais para conter a crise e consolidar as contas públicas para restaurar a confiança dos mercados. “Prossegue uma recuperação alargada, mas a crise de dívida nos periféricos ameaça afectar estas perspectivas favoráveis, e ainda falta muito fazer”, escreve o FMI no relatório.

John Lipsky é um produto da banca de Wall Street e do próprio FMI, de acordo com a sua biografia oficial. Foi o quadro superior do fundo residente no Chile, então sob a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1978 e 1980, após o que regressou à sede da instituição em Washington, D.C. encarregado de desenvolver procedimentos relacionados com os mercados internacionais de capitais. Entre 1984-1998 foi quadro superior do banco Solomon Brothers, em Nova Iorque e Londres. A partir de 1994 foi o economista-chefe do SB, em Nova Iorque. Em 1998 foi contratado pelo JP Morgan para ocupar a mesma posição acumulando-a com o cargo de Administrador Executivo. Quando saiu, em 2006, Para ocupar a actual posição no fundo, era vice-presidente do banco de investimento de Wall Street.

No dia 12 de de Maio de 2011, anunciou formalmente a sua recusa em renovar o contrato de nº 2 do FMI, informando que abandonaria a organização a partir do próximo dia 31 de Agosto. O escândalo sexual que envolveu, três dias depois, e que posteriormente levou à inevitável demissão do seu superior hierárquico – o francês Dominique Strauss-Kahn – catapultou Lipsky para a primeira linha da finança internacional.

Actualmente com 64 anos, o economista norte-americano Lipsky, descendente de emigrantes judeus russos, é membro do Council on Foreign Relations (CFR), a organização elitista que. juntamente com o grupo Bilderberg e Comissão Trilateral, desde 1921, fez eleger vários presidentes e vice-presidentes dos Estados Unidos e forneceu centenas de altos membros das administrações americanas, das multinacionais, das organizações multilaterais e das chefias superiores das Forças Armadas norte-americanas.

MRA Alliance/DE

Christine Lagarde já assegurou a liderança do FMI, diz insider indiano

quinta-feira, junho 16th, 2011
A francesa Christine Lagarde já praticamente assegurou a nomeação como directora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse à agência France Press o membro indiano do conselho de administração do organismo, Arvind Virmani. “Não vejo nenhuma possibilidade de o resultado ser diferente do que foi nas últimas décadas, tendo em conta o procedimento que vi e a forma como foi feito”, disse Virmani, um dos 24 membros do conselho de administração do FMI que deverão seleccionar no final do mês o sucessor do francês Dominique Strauss-Kahn. A ministra francesa da Economia e o mexicano Agustin Carstens são os únicos candidatos ao cargo.

Arvind Virmani, no FMI desde finais de 2009, salientou não ter experiência na nomeação de um novo diretor geral e considerou que o processo “não é transparente”. Em Maio, o FMI garantiu que iria seleccionar um novo líder de “forma aberta, transparente e baseada no mérito”. “O fundamental são as quotas-partes (dos diferentes Estados membros) e é isso que determinará o resultado”, disse o administrador indiano.

Lagarde tem o apoio da União Europeia, com uma preponderante influência no conselho de administração do organismo.
MRA Alliance/JdN

Troika obriga Estado a pagar dívidas aos fornecedores a 90 dias

quinta-feira, junho 2nd, 2011

A nova versão do memorando de entendimento com o FMI, assinada pelo ministro das Finanças e pelo governador do Banco de Portugal, obriga o Estado a pagar em apenas 90 dias.

A partir deste mês, Portugal está impedido de se atrasar nos pagamentos por mais de 90 dias, para além da data a que se comprometeu a pagar aos fornecedores. Caso contrário, o financiamento prometido pelo FMI fica em causa. Esta condição faz parte de mais uma versão do memorando de entendimento com o Fundo, assinado pelo ministro das Finanças e pelo governador do Banco de Portugal, e que só ontem foi conhecida.

Para receber a ajuda financeira do FMI – 26 mil milhões de euros, de um bolo total de 78 mil milhões negociados com a ‘troika’ – não basta cortar o défice. Há 22 medidas estruturais e quatro metas quantitativas que Portugal não pode falhar este ano e para as quais já tem objectivos indicativos em 2012. Pagar a horas é uma destas metas quantitativas.

Ontem, o FMI divulgou a documentação completa e oficial que reúne os compromissos assumidos pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, em nome do Estado português.

São duas cartas, uma enviada ao antigo director do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, e outra endereçada ao Eurogrupo, Ecofin, Comissão Europeia e BCE, acompanhadas dos respectivos memorandos de entendimento. Nestes documentos, o País compromete-se a aplicar um conjunto alargado de medidas de austeridade e de reformas estruturais, em troca da ajuda financeira de que precisa para evitar a bancarrota.

MRA Alliance/DE

Krugman diz que Lagarde não é a melhor escolha para o FMI

segunda-feira, maio 30th, 2011

O economista Paul Krugman aponta o governador do Banco Central de Israel, Stanley Fischer, como a pessoa ideal para ocupar o cargo de director-geral do FMI. Já a favorita para conquistar o lugar, a francesa Christine Lagarde, deixa algumas reservas ao Nobel da Economia.

“Estamos a viver tempos que requerem pensamento criativo e independente. Um director-geral que sirva como o homem ou a mulher da frente dos suspeitos do costume, com sabedoria convencional em tempos inconvencionais não é o que precisamos”, referiu Krugman no seu blogue.

Apesar de considerar a francesa como uma pessoa “impressionante”, não a considera como alguém com um pensamento económico forte e independente. “Se ela for a nova directora-geral, terei esperança pelo melhor, mas não o esperarei”, confessa.

Em contraste, Krugman aponta Fischer como alguém com vontade “de desafiar as visões convencionais; é alguém que analisa os conselhos convencionais e cautelosos dos comités, vê os seus pontos fracos e avança para soluções reais”.

Krugman elogia o trabalho de Fischer no Banco Central de Israel e deixa uma declaração de interesses. O Nobel foi aluno de Fischer.

O ‘Wall Street Journal’ e a imprensa israelita referem que Fischer irá apresentar uma candidatura ao cargo. O governador já foi vice-director do FMI entre 1994 e 2001 e, posteriormente, foi vice-presidente do Citigroup.

MRA Alliance/DE

Acordo com a troika “não permite ficar pela cosmética”, diz Carlos Costa

sábado, maio 28th, 2011

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, defendeu que o grande desafio do acordo com a troika é “a rotura com o ‘Ancien Régime’”, considerando que, ao contrário das intervenções anteriores, “não permite ficar pela cosmética”.

No ciclo de conferências “Fórum Ciência e Educação”, no Teatro do Campo Alegre, no Porto, Carlos Costa defendeu que “alguns problemas [da economia portuguesa] são tão endémicos como a malária em alguns países”, realçando que o programa de ajuda financeira é “uma oportunidade de rotura com o ‘Ancien Régime’ [Antigo Regime]”.

O governador do BdP defendeu que “a grande diferença entre este programa e os dois anteriores — 1978 e 1983 — é que este não permite ficar pela cosmética das coisas, não é um antipirético, porque não basta restabelecer a temperatura, tem que se atacar as causas”.

Para Carlos Costa, “para acudir de forma duradoura, é preciso o desenvolvimento sustentável da economia portuguesa: romper com o ‘Ancien Régime’, que se instalou desde o reinado de D. João V. Passar do modelo de um estado paternalista para o modelo de uma sociedade moderna”, acrescentou.

“Se não tirarmos partido do actual programa de ajustamento, o problema permanece e o país pertence a um clube, onde as regras do jogo são estas, e se não cumprir vai ter cada vez mais dificuldades. Temos uma oportunidade única de pertencer a um clube seleccionado, mas para isso temos que nos ajustar aos padrões médios desse clube”, declarou numa intervenção sobre “Portugal Face à Economia Global”.

Para o governador do BdP, este “não é um processo para cinco anos, é um processo para décadas”.

Carlos Costa realçou que “o programa [assinado entre o Governo e a troika] tem 251 medidas e uma grande parte tem a ver com a rotura com o ‘Ancien Régime’, uma mudança que nunca se fez do ponto de vista dos valores”, considerando que “o reequilíbrio orçamental é muito mais fácil porque é muito mecânico”.

Na sua intervenção, o regulador afirmou que “quando a crise começou, o sector bancário estava numa situação sólida, mas com uma debilidade: ter um soberano indisciplinado”.

MRA Alliance/Público

Zona Euro apoia Lagarde para liderança do FMI

sexta-feira, maio 27th, 2011

Todos os países da Zona Euro apoiam a candidatura da ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, à liderança do FMI, anunciou esta sexta-feira o presidente do Eurogrupo.

Jean-Claude Juncker disse, citado pela Bloomberg, que a candidatura de Lagarde é «a título pessoal» e que merece «o apoio de todos os governos da Zona Euro».

A agência financeira sublinhou que a ministra poderá tornar-se a primeira mulher a liderar aquela instituição financeira desde a sua criação, em 1945.

Recorde-se que Lagarde apresentou a sua candidatura esta semana, depois da demissão de Dominique Strauss-Kahn, acusado de agressão sexual, tentativa de violação e sequestro de uma empregada de hotel em Nova Iorque.

MRA Alliance/Agências

Corrida à liderança do FMI começa hoje

segunda-feira, maio 23rd, 2011

Sucessão de Strauss-Kahn arranca hoje. A ministra francesa Cristine Lagarde é a favorita na Europa. O período de nomeações para o cargo de director-geral do FMI encerra a 10 de Junho.

Durante o processo, o FMI será dirigido pelo ‘número dois’ John Lipskey, norte-americano, seguindo o protocolo de funcionamento do organismo depois da renuncia de Strauss-Kahn que está agora em prisão domiciliária nos Estados Unidos e acusado de tentativa de violação de uma empregada de hotel de Nova Iorque.

Depois de recebidas as nomeações, que devem ser apresentadas por um governador do FMI ou por um director executivo, o comité tornará pública uma lista com três candidatos.

Se o número de candidatos propostos for superior a três pessoas, o FMI manterá “em segredo” os nomes dos pré-seleccionados até que sejam escolhidos os três finalistas “de acordo com o sistema de quotas de voto do Fundo” e num período máximo de sete dias. O processo continua com uma entrevista e uma reunião do órgão máximo do FMI para escolher quem ficará a dirigir a instituição.

A sucessão de Dominique Strauss-Kahn no FMI está a levar a um forte movimento diplomático com os países emergentes como a China a salientarem ter chegado a altura de escolher um dirigente não europeu, reflectindo no FMI a realidade económica do mundo, ao mesmo tempo que várias nações europeias não querem perder o controlo da instituição.

Por tradição, o director-geral do FMI é um europeu enquanto que o Banco Mundial é presidido por um americano, mas a nova realidade mundial permite hoje a várias nações emergentes reclamarem para si algumas decisões estratégicas e a ocupação de postos chave internacionais.

Na Europa, Cristine Lagarde é o nome favorito, tendo recebido já o apoio público de Itália, da Alemanha e do Reino Unido, além de Durão Barroso e Jean-Claude Juncker, presidentes da Comissão Europeia e do Eurogrupo, respectivamente.

MRA Alliance/DE

Bancos encarecem juros dos imóveis e troika pressiona arrendamento

quarta-feira, abril 20th, 2011

Os ‘spreads’ cobrados pelos maiores bancos a operar no mercado nacional dispararam já este mês e vão continuar a aumentar revela hoje o Diário Económico. As instituições estão a reflectir nos clientes a impossibilidade de recorrerem a financiamento no mercado externo, fruto dos sucessivos cortes de ‘rating’ após o estalar da crise política e pedido de ajuda externa.

O potencial de subida dos ‘spreads’ a curto e médio prazo vai depender, segundo os economistas contactados, da evolução do custo do financiamento nos mercados e dos termos do acordo do resgate a Portugal, sobretudo, das exigências feitas pela ‘troika’ à banca.

De acordo com os preçários das 12 instituições analisadas – CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Montepio Geral, Barclays, Banif, Crédito Agrícola, Banco Popular, Deutsche Bank e BBVA -, a média do ‘spread’ mínimo cobrado é agora de 1,55%, o que compara com 1,51% no início do mês. Para os clientes com maior perfil de risco, o custo médio aumentou de 4,35% para 4,67%.

Por estas razões, segundo o Diário Económico, os representantes do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu que se encontram em Portugal preparam-se para impor o ressurgimento da aposta no arrendamento imobiliário e diminuir o endividamento das famílias.

“Os organismos internacionais pretendem que a economia portuguesa seja mais flexível para que possa crescer mais. Sabendo-se que a existência de muitas casas próprias é um obstáculo à mobilidade e flexibilidade económica, o programa de auxílio tenderá a reduzir a necessidade de aquisição de casa própria, através da flexibilização da solução de arrendamento (como aliás o PEC IV já sugeria)”, defende Cristina Casalinho.

A economista-chefe do BPI recorda que o excesso de crédito à habitação em Portugal resulta de “uma distorção de mercado, cuja correcção deverá fazer com que os níveis de crédito à habitação regressem, desejavelmente, a patamares mais alinhados com o passado português e com a média europeia”.

Para ilustrar a distorção basta regressar a 2007, ano em que os bancos concorriam pelo melhor “spread zero” do mercado e relembrar que a lei do arrendamento urbano não vingou.

MRA Alliance

FMI avança propostas de resgate na próxima semana

quarta-feira, abril 20th, 2011

A ‘troika’ que está a negociar a ajuda externa deverá apresentar as propostas para o memorando de entendimento com Portugal até ao final da próxima semana, disse ontem o secretário-geral da UGT no final da reunião com o Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.

“O que nos foi apresentado foi um calendário apertado, que até ao final da próxima semana eles apresentarão propostas tendo em vista a levar uma proposta final ao conselho do Ecofin a realizar em meados de Maio”, disse João Proença, citado pela agência Lusa, à margem do encontro que contou com técnicos do Governo mas não com a presença de governantes.

MRA Alliance/DE 

FMI e Banco Mundial alertam para perigos de ‘crise global’

segunda-feira, abril 18th, 2011

As reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI terminaram ontem em Washington com um alerta de que o planeta pode estar à beira de uma grande crise. Segundo Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, a economia global está a “apenas um choque de uma crise completa”, que poderá ser despoletada pelo aumento dos preços dos alimentos, que são “a principal ameaça às nações mais pobres”.

Este responsável também manifestou o seu apoio à decisão dos ministros das Finanças do G20 na sexta-feira de dar apoio financeiro aos novos governos no Norte de África. “Se esperarmos que a situação estabilize, vamos perder oportunidades. Em termos revolucionários, lutar pelo ‘status quo’ não é uma boa opção”.

Na mesma ocasião, o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse estar particularmente preocupado com os elevados níveis de desemprego entre os jovens. “Esta é certamente uma retoma onde não são criados empregos suficientes”, afirmou. Para o líder do FMI, para a juventude “existe um risco de que o desemprego se transforme numa sentença perpétua, havendo a possibilidade real de uma geração perdida”.

MRA Alliance/DE

FMI admite controlos à circulação de capitais

domingo, abril 17th, 2011

Dominique Strauss-KahnO Fundo Monetário Internacional (FMI) admite restrições à circulação de capitais em casos concretos de paises que já tenham esgotado as restantes alternativas. Foi essa a posição adotada na reunião de hoje do Comité Monetário e Financeiro Internacional, o orgão de aconselhamento e definição de politicas do FMI.

Em conferência de imprensa, o recém-eleito presidente do comité, Tharan Shanmugaratnan, e o diretor do FMI, Strauss-Khan, defenderam uma posição pragmática face as necessidades específicas de cada país. Ou seja, ao contrário do que era a sua posição tradicional, o Fundo admite agora a utilização de restrições à circulação de capitais quando os outros mecanismos, como as taxas de câmbio ou as reservas cambiais, estão esgotados.

E a verdade é que em muitos países as politicas tradicionais não estão a dar o resultado pretendido e o recurso a formas diretas ou indiretas de limitar os fluxos de capitais tem sido solução para tentar evitar casos de excessiva volatidade e sobreaquecimento.

Durante anos, o Fundo Monetário Internacional opôs-se ferozmente a este tipo de práticas, por serem contrárias ao livre funcionamento dos mercados e poderem criar distorções. Strauss-Kahn já tinha lembrado na quinta-feira que “durante décadas esta instituição disse que o controlo dos capitais era o mal”. Só que a pressao da realidade obrigou a instituição a rever a sua posição, até porque o pior da crise já está ultrapassado a nivel mundial mas existem ainda diversos riscos pela frente.

MRA Alliance/Expresso

FMI: Dívida soberana fica circunscrita aos três resgatados, diz António Borges

sábado, abril 16th, 2011

António Borges, Director do FMI para a EuropaAntónio Borges, director do FMI para a Europa, espera que a crise – que desembocou no resgate financeiro da Grécia, Irlanda e agora de Portugal – fique circunscrita apenas a esses países. «Temos de lidar com ajustamentos orçamentais. É algo muito sério e ambicioso», disse Borges, em Washington, onde participa nas reuniões de Primavera do FMI. Ainda assim, António Borges admite problemas em Espanha.

A missão do FMI, BCE e Comissão Europeia está em Portugal há uma semana. António Borges assegurou que a troika vai «negociar com todos os partidos da oposição». «Temos de ter um apoio generalizado, porque há eleições à porta. Mas isso é prática normal, padrão do fundo».

O responsável defende uma maior consolidação entre bancos para combater a fragilidade do sector financeiro da Europa. Uma fragilidade que é bem «severa» na periferia, onde está Portugal.

MRA Alliance/Agências

Portugal só tem financiamento até às eleições de Junho

terça-feira, abril 12th, 2011

O Governo português espera que a ajuda financeira do FMI seja finalizada e aprovada em meados de Maio, de forma a estar apta a cobrir as necessidades de financiamento de Junho, afirmou hoje Teixeira dos Santos em entrevista à Reuters. “Temos as necessidades de financiamento satisfeitas até Junho. Mas em Junho vamos necessitar da activação do programa”, explicou o ministro.

Portugal tem um reembolso de dívida no valor de 4,9 mil milhões de euros, a 15 de Junho. Teixeira dos Santos sublinhou, na mesma entrevista, que o reembolso de dívida de 4,2 mil milhões de euros de 15 de Abril está assegurado, bem como o de Maio. “Esperamos finalizar o programa até meados de Maio e esperamos que a 16 de Maio, na reunião do Eurogrupo, possamos aprovar o programa e também a ajuda financeira que pedimos”, salientou o ministro.

Os membros das equipas técnicas da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional começaram hoje a chegar a Lisboa, dia em que está marcada a primeira reunião formal entre as equipas das três instituições com Portugal.

Quanto ao valor da ajuda, Teixeira dos Santos considera “prematuro” falar sobre o mesmo. Recorde-se que a Comissão Europeia estima que ronde os 80 mil milhões de euros. “Poderá subir ou poderá não ser necessário. Será à volta disso”, explicou Teixeira dos Santos.

MRA Alliance/JdN

Portugal: Primeira tranche do resgate financeiro UE/FMI chega em Maio

quinta-feira, abril 7th, 2011

Os contactos bilaterais entre a Comissão e Portugal nos últimos dias versaram sobre ‘timings’, instrumentos e procedimentos à disposição no quadro da UE. Se os prazos forem todos esmagados, a primeira tranche de uma ajuda financeira internacional a Portugal – nos moldes do que foi oferecido à Irlanda – deverá chegar logo no início de Maio com verbas angariadas pela Comissão Europeia (CE). Só mais tarde, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estarão em condições de se juntar ao auxílio.

Durão Barroso, presidente da CE, anunciou ontem que o pedido será “tratado da forma mais expedita possível, de acordo com as regras pertinentes”. A CE recebeu à tarde o pedido do primeiro-ministro português no seguimento de alguns contactos exploratórios a nível técnico nos últimos dias, conforme noticiou ontem o Diário Económico. Barroso mostrou-se confiante que Portugal irá superar as actuais dificuldades.

Neste momento, a única soma de referência para o montante necessário para assistir Portugal é aquela que foi confirmada há duas semanas pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, ou seja, 75 mil milhões de euros. Mas o Diário Económico sabe que esta ajuda poderá chegar a 90 mil milhões de euros. Confrontado pelo Diário Económico, Juncker remeteu uma reacção para sexta-feira na reunião de ministros das Finanças em Budapeste.

MRA Alliance/DE 

Cavaco, PSD e CDS estudam pedido de empréstimo urgente ao FMI

domingo, abril 3rd, 2011

Reunião do Conselho de EstadoO Presidente da República está a estudar a hipótese de uma ajuda de curto prazo do Fundo Monetário Internacional sem intervenção da União Europeia, noticiou este sábado o semanário “Expresso”. O assunto terá dominado o Conselho de Estado em que ficaram marcadas eleições antecipadas para 5 de Junho.

A solução para os problemas imediatos de financiamento de Portugal poderá passar por um empréstimo intercalar de urgência do Fundo Monetário Internacional sem a intervenção da União Europeia, isto caso se verifique uma situação em que já não seja possível pagar a dívida, adiantou o “Expresso”. A hipótese está a ser analisada por Belém, mas também pelo PSD e CDS.

O semanário garante que esta possibilidade foi debatida na reunião do Conselho de Estado da passada quinta-feira, e que representaria uma forma mais barata e imediata de o país ter acesso a financiamento imediato. Bruxelas opõe-se por defender solução conjunta com a União Europeia.

Portugal enfrenta dois períodos críticos para o pagamento da dívida, primeiro já em Abril e depois em Junho, quando o novo Governo não nem deverá estar formado. Dado o calendário apertado, dois conselheiros de Estado, Vítor Bento e Bagão Félix, propuseram esta hipótese, adiantou o “Expresso”, segundo o qual um conselheiro de Estado adiantou que “tal solução é possível, desde que haja consenso e a ideia seja aceite e desejada pelos portugueses”. E adiantou: “Faz sentido, do ponto de vista técnico e financeiro”.

Depois desta ajuda de emergência, o novo Governo poderia então pedir apoio ao Fundo de Estabilização Financeira da União Europeia. O PSD mostrou-se disponível para adoptar esta solução, e no CDS um grupo de três deputados estará também a avaliar a questão, adiantou o “Expresso”. Uma fonte da União Europeia adiantou ao semanário que considera a hipótese “incongruente” dado existirem mecanismos de apoio na UE.

MRA Alliance/Público

FMI: Agências de ‘rating’ são agente de instabilidade na zona euro

quarta-feira, março 30th, 2011

O FMI revela que os cortes de ‘rating’ dos países da zona euro despertam efeitos de contágio nos restantes países da região. Depois das várias críticas de governos e presidentes de alguns bancos sobre a actuação das agências de ‘rating’ nos últimos anos, foi a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) ir ao encontro de algumas dessas críticas.

De acordo com um ‘paper’ desenvolvido por Rabah Arezki, Bertrand Candelon e Amadou N. R. Sy do FMI, divulgado ontem, “os cortes dos ‘ratings’ soberanos apresentam, estatisticamente e economicamente, efeitos de contágio entre os países e os mercados financeiros, implicando que os anúncios das agências de ‘rating’ podem estimular a instabilidade financeira.”

Esta conclusão adveio de uma análise às repercussões que as notícias sobre os ‘ratings’ soberanos tiveram sobre todos os países e sobre os mercados financeiros, recorrendo a dados diários dos ‘spreads’ dos ‘credit default swaps’ (CDS), da evolução dos índices de acções e dos sub-índices do sector bancário e segurador de alguns países europeus entre 2007 e 2010.

MRA Alliance/DE

FMI: Intervenção em Portugal é agora mais provável

sexta-feira, março 25th, 2011

Fontes citadas pela agência Reuters adiantam que o FMI teme um efeito de contágio da crise portuguesa, sobretudo em Espanha. “A maior preocupação é que o elevado risco de contágio de Portugal e a incerteza global provoquem uma nova corrida aos empréstimos do fundo”, disse uma fonte próxima do assunto à Reuters, acrescentando que Espanha tem nas mãos um terço da dívida pública portuguesa.

Segundo as mesmas fontes, apesar de Portugal não ter ainda pedido a intervenção do FMI, a demissão de José Sócrates tornaram o resgate mais provável.

MRA Alliance/DE

“É essencial que Portugal confirme metas do PEC”, diz Trichet

quinta-feira, março 24th, 2011

Jean Claude Trichet, presidente do BCEO presidente do BCE juntou-se ao coro de vozes que, ao longo do dia, tem vindo a reclamar em Bruxelas um “consenso nacional” em torno das metas do PEC IV, que ditou ontem a queda do Governo. “É essencial que Portugal confirme o plano que foi concebido e aprovado”, disse Jean-Claude Trichet.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) falava à margem da cimeira europeia que decorre em Bruxelas, e que está a ser dominada pela crise política portuguesa, que coloca agora o país mais próximo de um pedido de ajuda externa que todos gostariam de evitar.

Ao longo do dia, a chanceler alemã assumiu de novo papel de pivot, tentando uma derradeira solução para que Portugal não acabe resgatado como a Irlanda e a Grécia. De manhã, Angela Merkel esteve reunida com Pedro Passos Coelho, no âmbito da reunião do Partido Popular Europeu (ao qual pertencem o PSD português e CDU alemã); e à tarde encontrou-se também a sós com José Sócrates, numa altura em que a agência de rating Fitch tornava público que baixou o “rating” de Portugal.

A chanceler desdobrou-se em declarações de apoio às decisões “corajosas” do agora primeiro-ministro demissionário e lamentado que o Parlamento português não tivesse dado seguimento às medidas “correctas” contidas no PEC IV. Perante a crise política instalada em Portugal, a chanceler alemã insistiu que a prioridade agora é enviar mensagens muito firmes de que, independentemente de quem venha a liderar o próximo Governo, as metas prometidas de redução do défice serão mantidas, de modo a tentar sossegar os mercados e evitar uma intervenção externa – dada como cada vez mais incontornável.

É preciso que “todos os responsáveis nacionais confirmem que Portugal está comprometido com os objectivos desse programa”, disse Merkel, referindo-se às metas de redução do défice para 4,6% neste ano, 3% em 2012 e 2% em 2013, ano em que também a dívida pública terá de ser reduzida, invertendo a trajectória de crescimento dos últimos anos.

Também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, avisou que é “indispensável” Portugal esclarecer que há um “consenso nacional” quanto à necessidade de cumprir os objectivos traçados para a redução do défice orçamental e da dívida pública. “Importante é que, tão depressa quanto possível, Portugal esclareça aquilo que me parece ser indispensável: que há um consenso nacional quanto à necessidade de cumprir os objectivos com os quais Portugal já se comprometeu”. “Se isso não for feito, com certeza haverá consequências bastante negativas”, advertiu o antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD.

MRA Alliance/JdN