Archive for the ‘Finanças’ Category

Expansão do crédito cairá 50%, em 2008, prevê Fitch Rating

quarta-feira, outubro 22nd, 2008

A crise do sistema financeiro global deverá reduzir para metade o crescimento esperado para a concessão de crédito, em 2008, diz um relatório divulgado hoje pela agência de notação de riscos Fitch Ratings. A “desalavancagem do sistema financeiro”, o “aumento da aversão a risco” bem como a “desaceleração do crescimento económico” mundial são apontados como os principais causadores da rarefacção do crédito. O documento analisa o risco sistémico da banca. A Fitch estima que o crescimento do crédito passará dos 16% (2007) para os 7%, no final deste ano. Em 2009, voltará a cair para os 5%. A Europa será uma das regiões mais atingidas com uma deseleração acentuada na América Latina. O Médio Oriente e a Ásia serão os menos atingidos. A agência destaca que mais de 60% dos 86 países analisados exibiam moderadas ou altas indicações de “potencial stresse financeiro”, neles se incluindo também 80% dos países desenvolvidos. As turbulências vão persistir, de acordo com a Fitch, com a dificuldade acrescida de acesso ao crédito e à subida do preço do dinheiro. MRA Dep. Data Mining

Annan considera sistema financeiro «inapropriado e obsoleto»

domingo, outubro 12th, 2008

Kofi AnnanO antigo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, classificou como inadequado e obsoleto o sistema que regula os mercados financeiros internacionais. No entender do ex-líder da ONU “os mercados tornaram-se globais mas os nossos mecanismos de regulação continuam a ser locais.” Annan defendeu o desenvolvimento de mecanismos de controlo e regulação internacionais. O diplomata ganês foi distinguido na Alemanha pela sua carreira e obra. Kofi Annan foi laureado, em 2001, com o Prémio Nobel da Paz. MRA Dep. Data Mining

UE: Perspectivas «excepcionalmente incertas» diz Almunia

domingo, outubro 12th, 2008

Joaquín AlmuniaO comissário Joaquín Almunia referiu, na reunião do Comité Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), principal órgão director do Fundo Monetário Internacional (FMI), que «as perspectivas para a economia da UE tornaram-se excepcionalmente incertas nas últimas semanas». «Os eventos acontecem de forma rápida e imprevisível. A confiança entre os participantes dos mercados financeiros foi demolida, o que desacelerou de forma significativa o fluxo do crédito», adiantou o comissário. No terceiro trimestre deste ano, a actividade económica na Europa vai sofrer uma desaceleração «adicional» de acordo com os indicadores disponíveis, avançou. O comissário salientou, ainda, que a inflação está a recuar na União Europeia devido à queda dos preços das matérias-primas, o que pode levar a novos cortes das taxas de juro. «Se forem confirmados, estes novos factos poderiam justificar alguma redução das taxas de juro a curto prazo», disse Almunia. MRA Dep. Data Mining

Islândia: Um país subprime

terça-feira, outubro 7th, 2008

O primeiro-ministro islandês Geir Haarde admitiu ontem que toda a banca da Islândia pode entrar em colapso e alertou a população para se preparar para o pior, durante uma sombria intervenção televisiva. Haarde frisou que o desmoronamento da banca levará ao colapso total da economia e à falência do próprio Estado. Caso se mantenha o nervosismo, o país pode ser, dentro de alguns dias, uma ilha na bancarrota, alertou. Na tentativa de controlar danos e prevenir riscos, o parlamento aprovou um plano de emergência que suspendeu as cotações dos bancos islandeses na bolsa de valores de Reykjavik. O Estado passou a controlar todas as decisões do sector bancário privado. A Islândia, com uma população de apenas 313 mil habitantes, apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, está à beira da ruptura devido ao peso do sector financeiro na economia e à irresponsabilidade dos banqueiros do país em manobras especulativas. Nos últimos dez anos, o recurso a agressivas políticas de endividamento, através de bilionários empréstimos em países com taxas de juro muito baixas (Japão, por exemplo), os banqueiros e empreendores islandeses adquiriram activos no estrangeiro e internacionalizaram a economia da ilha. Só o sector financeiro representava, em Setembro último, oito vezes o PIB nacional. Bancos, fundos de investimento, hotéis, centros comerciais e cadeias de retalho em vários países da Europa, Américas e Ásia passaram a ostentar marcas islandesas. As operações, fortemente alavancadas com instrumentos derivativos de crédito, geraram um boom artificial e insustentável. A implosão do mercado hipotecário norte-americano, e o aperto global do crédito que se lhe seguiu, marcou o príncípio do fim das aventuras financeiras vikings. Em 2006, o défice externo era 1/4 do PIB nacional. Em 2007, voltou a crescer mais 17%. A dívida líquida externa de curto prazo era 15 vezes superior ao total das reservas monetárias do banco central da Islândia, e 2 vezes superior ao PIB. A mesma dívida, mas de longo prazo, era 350% superior à riqueza nacional. Nos balanços dos bancos islandeses, em Dezembro de 2007, o total dos activos contabilizados era 10 vezes superior ao PIB. Os excessos foram agravados com a privatização da banca em 2000. A gestão bancária caiu nas mãos de yuppies, sem experiência no sector, e de fundamentalistas das teorias económicas laissez-faire protagonizadas pelo economista norte-americano, Milton Friedman. O concubinato entre banqueiros e governantes ultra liberais, então no poder, encarregou-se do resto. A ausência de regulação e de regras prudenciais ditaram a falência do modelo islandês. O país transformou-se num verdadeiro hedge fund onde a orgia especulativa não conheceu limites. A ausência de riqueza nacional, suficiente para cobrir a especucalção meramente financeira, está agora a sentir-se. A moeda nacional – krona – perdeu metade do valor desde Janeiro. A inflação caminha aceleradamente para os 20%. Agora, o governo encara a possibilidade de controlar totalmente o sector financeiro, após ter nacionalizado parcialmente o banco Glitnir com uma injecção de EUR 600 milhões e assumido o controlo de 75% do capital. Num mundo onde o crédito é crescentemente escasso e caro, sem o apoio de outros países e de organizações financeiras multilaterais, será difícil evitar o colapso das finanças públicas islandesas. Depois da festa da dívida, a ressaca da conta. A Islândia ficará na história como o primeiro país subprime do mundo.

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Brasil: Crédito com recurso externo recuou 2,6% em 15 dias

sexta-feira, setembro 26th, 2008

O Banco Central (BC) do Brasil informou na sexta-feira que o aperto do crédito se acentuou na primeira quinzena de Setembro. Até ao dia 15, os empréstimos com recursos externos diminuíram 2,6%, em USD. O chefe do Departamento Económico do BC, Altamir Lopes, sublinhou que a tendência já era observada antes da agudização da crise de liquidez a nível global, precipitada pela falência do Lehman Brothers, o 4.º maior banco de investimentos dos Estados Unidos. A expansão do crédito brasileiro mantém-se mas com recurso a fundos domésticos. Nos primeiros onze dias de Setembro, os empréstimos às empresas cresceram 3,9% e aos particulares 0,9%, comparativamente ao mesmo período de Agosto. A alta foi estimulada pelos empréstimos a pessoas jurídicas, (+ 3,9%) e moderadamente (+ 0,9%) a pessoas físicas. MRA Dep. Data Mining

EUA: Razões para o fracasso do plano de salvação financeira

domingo, setembro 21st, 2008

Em Abril passado, publicámos uma notícia sobre a próxima hecatombe – o rebentamento da bolha CDS/Credit Default Swaps. Este instrumento, uma apólice de seguro para protecção de riscos financeiros, tem um peso muito maior do que as hipotecas de alto risco e derivativos correlatos. O seu impacto atinge sectores estratégicos e nucleares do sistema. Por esta razão, inevitavelmente, terá consequências mais devastadoras a nível global. A depreciação do dólar, a retracção das bolsas e a forte apreciação do ouro, provavelmente, serão consequências imediatas face ao agravamento da dívida pública e dos fundamentais da economia americana. As medidas propostas pelo Tesouro dos Estados Unidos em vez de ajudarem a resolver problemas, a prazo e de forma sustentável, são meros paliativos. Na melhor das hipóteses funcionarão durante poucas semanas, ou meses. Na pior, e mais provável, durarão duas mãos cheias de dias, mas vazias de resultados. Em jeito de antecipação sobre o futuro próximo, alinhamos dois factos que jogam contra a tentativa de matar o leão com a fisga.

1. CDS/Credit Default Swaps: A nacionalização da seguradora AIG resultou da sua incomportável exposição ao mercado CDS. A AIG vendeu USD 441 mil milhões/bilhões desta modalidade de seguros de crédito. O valor é 760% superior às coberturas relacionadas com hipotecas de alto risco (subprime) – USD 58 mm/bi. O afundanço da AIG é um pré-aviso para as empresas de seguros e resseguros que pisaram o risco das regras prudenciais. As agências de rating, responsáveis por esta trapalhada e objecto de crescentes processos judiciais, não são fiáveis nas notações que atribuem. Ainda assim, a Standard & Poor’s recentemente penalizou algumas seguradoras baixando (moderadamente) os respectivos ratings. A tendência foi confirmada pela Mood’s Ratings. O caso AIG prenuncia dias negros para as seguradoras e resseguradoras mais temerárias. Largos segmentos da economia real – produção e consumo de bens e serviços – serão afectados. Em dimensão, os segmentos contaminados são obscenos. O cancro subprime, em fase adiantada de desenvolvimento, representa USD 855 mm/bi. Prestes a rebentar, segue-se a bolha hipotecária Alt-A (risco médio) que ascende a USD 1 mil biliões/1 trilhão (mibi/tri). Quando olhamos para o mercado CDS percebemos a gravidade e o tamanho do problema. Este segmento dos derivativos de crédito, de per si, envolve contratos que, em 2008, totalizam USD 62 mibi/tri. Em 1996, rondava os USD 180 mm/bi… O falido Lehman Brothers, assente em alavancas financeiras 30 vezes superiores aos seus activos, estava no grupo das 10 principais instituições que garantiram riscos de crédito. Sandy Chen, do banco de investimento britânico Panmure Gordon, estima em USD 350 mm/bi as “apólices” CDS garantidas pelo Lehman. Se lhes adicionarmos a carteira dos derivativos ABS/Asset Backed Securities, não é difícil concluir que, nos dias que se aproximam, a falência Lehman provocará stresse agudo nos mercados. A pressão para a venda de activos pelos administradores da falência Lehman Brothers irá provocar uma queda de preços com impacto nos mercados da dívida e de capitais. Diversos analistas estimam entre USD 150 e 300 mm/bi os prejuízos (só no sector bancário). Os principais atingidos deverão ser os bancos Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Deutsche Bank e ABN Amro. Dá para imaginar a dimensão dos prejuízos gerados pelos Credit Default Swaps e o seu impacto nos balanços das seguradoras e resseguradoras, até ao final do ano, e em 2009? E se lhe adicionarmos o facto de mais de 95% destes mercados funcionarem segundo a lei da selva – sem qualquer tipo de controlo por parte dos reguladores?

2. Vendas a descoberto: Esta técnica permite a um especulador vender títulos sem os deter, na expectativa de os adquirir, depois, a preços baixos, ganhando com a flutuação das cotações. A modalidade – conhecida como short selling – desde que usada dentro das regras e com parcimónia, é uma ferramenta reguladora do mercado usada pelos principais agentes – bancos, corretoras, fundos (sobretudo “hedge”) e empresas de arbitragem. O dinâmico processo de “destapar” e “tapar” posições nos diversos mercados permite mecanismos de cobertura de riscos, induz equilíbrio e reduz a volatilidade das cotações. A decisão da SEC/Securities and Exchange Comission de proibir operações de short selling sobre 799 títulos financeiros é susceptível de matar aquilo que se pretende curar. Na prática, de acordo com os paladinos da técnica, ainda que temporária, a decisão da SEC pode desencadear um contra movimento que atingirá sectores colaterais à banca e imediatamente expostos à crise – fábricas de equipamentos de construção, automóveis, centros comerciais etc. – que irão sofrer os impactos conjugados da recessão económica, da quebra do consumo e da subida das taxas de juro. Tem ainda uma outra consequência perversa: afecta directamente o mercado regulado das opções. Este, sem vendas a descoberto, sofrerá uma hemorragia de consequências imprevisíveis. Problemas de liquidez, agravamento da manipulação e prémios mais caros nas opções de venda (put option) serão as consequências imediatas. De facto, os riscos de o mercado morrer da cura são reais. “As autoridades reguladoras advertiram publicamente que a venda especulativa de acções a descoberto, através da circulação de rumores, será severamente punida. Porém, também declararam (…) que, sendo ‘a normal venda a descoberto uma parte essencial do mercado aberto de títulos’ a proibição de tais vendas ‘pode provocar a destruição do mercado’ sendo por isso, em qualquer caso, ‘um preço demasiado alto para eliminar os poucos que abusam desta prática legítima.'” A citação não pode ser mais actual. Todavia não foi escrita agora. Foi publicada, sob o título original “Short Selling”, na edição de 18 de Outubro de 1930, do New York Times (assinatura).

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

P.S.: A Moody’s estima que, em 2008, a taxa global de incumprimento de “junk bonds” aumentará para 7,4% contra 2,7% em 2007. Jan Hatzius, da Goldman Sachs, estima que uma desvalorização de mais 10% nos preços dos imóveis, nos EUA, aumentará os prejuízos da banca, no segmento hipotecário, para USD 636 mm/bi, provocará uma contracção de USD 2 mibi/tri na concessão de crédito e cortará 1,8% na taxa de crescimento do PIB estadunidense. A edição online da revista britânica Economist também prevê que a redução da liquidez no mercado global se situe nos USD 2 mibi/tri de dólares. pvc

Bancos europeus drogados com injecções encobertas do BCE

sábado, agosto 23rd, 2008

Nout Wellink, governador do Banco da Holanda manifestou-se preocupado com a crescente dependência dos generosos fundos de financiamento do BCE/Banco Central Europeu por parte dos bancos europeus. A situação está a causar algum embaraço em Frankfurt, embora ninguém o querira assumir publicamente. “Existe um limite para se fazer isto. (…) Se vemos os bancos a ficarem demasiado dependentes dos bancos centrais temos que os pressionar para procurarem outras fontes de financiamento”, disse Wellink ao jornal financeiro holandês Het Finacieele Dagblad. Boa parte da persistente procura de liquidez, a coberto da opinião pública e, alguma vezes, contornando as próprias leis nacionais, é originada por instituições sedeadas em países afectados pelas crises imobiliária e hipotecária. Países como a Espanha, a Holanda, a Irlanda e a Grã-Bretanha estão na primeira fila. O Banco de Espanha revelou na sua última estatísta sobre o tema que os bancos espanhóis aumentaram os seus empréstimos junto do BCE para o valor recorde de quase €50 mil milhões (bilhões). Segundo o jornal britânico “Daily Telegraph” a situação “está a tornar-se numa questão sensível”, por ser uma forma encoberta de salvar bancos comerciais em dificuldades, impedindo que o mercado funcione correctamente. “Ninguém tem coragem de apontar o país envolvido pois logo que o façamos causaremos uma reacção do mercado que conduziria a uma corrida aos bancos”, disse a fonte citada pelo diário britânico. MRA Dep. Data Mining

Fannie Mae e Freddie Mac não têm património líquido, diz Buffet

sexta-feira, agosto 22nd, 2008

O investidor Warren Buffett disse hoje que “a festa acabou” para as maiores agências hipotecárias dos Estados UnidosFannie Mae e Freddie Mac – desesperadamente em luta pela sobrevivência face à descapitalização que sofreram com a implosão do mercado “subprime“. Num blogue interactivo da CNBC, Buffett considerou que, em certa medida, ambas faliram pois não conseguem sobreviver sem o apoio financeiro do governo. “Calcularam mal o risco. (…) Não têm qualquer património líquido”, disse o fundador da Berkshire Hathaway, um dos papéis mais sólidos do mercado americano de capitais. O septuagenário, conhecido nos meios financeiros como o “Oráculo de Omaha”, considerou que, embora as duas agências “sejam demasiado grandes para cair”, os accionistas podem “perder muito dinheiro”. A Freddie Mac e a Fannie Mae atingiram ontem a cotação mais baixa dos últimos 20 anos em Wall Street. Os investidores estão a fugir dos papéis com receio que o governo seja forçado a intervir para as salvar da insolvência e evitar uma crise de consequências imprevisíveis. O Congresso aprovou recentemente legislação que permite ao governo injectar fundos de emergência nas empresas. Ambas são responsáveis por mais de metade do mercado hipotecário americano (USD 12 milhões de biliões/trilhões). Uma operação de salvamento significaria uma depreciação dramática das acções, com avultados prejuízos para os investidores. MRA Dep. Data Mining

Stigliz prevê crise financeira até 2011 e prejuízos bilionários

sexta-feira, agosto 22nd, 2008

Na reunião anual de economistas laureados com o Prémio Nobel, organizada pelo banco sueco Riksbank, no Lago Constança (Suíça) o antigo chefe do Conselho de Consultores Económicos da presidência dos Estados Unidos (1995-1997), Joseph Stiglitz, estimou que a crise financeira custará globalmente USD 1,5 milhões de biliões (trilhões), durante os próximos três anos. [A crise] espalhou-se pela Europa e contaminará provavelmente a China. (…) Os bancos não falharam apenas na gestão dos riscos de crédito. Eles criaram o risco de crédito. Agora temos que pagar as consequências”, disse o economista laureado pela academia sueca, em 2001. Stigliz foi particularmente crítico na análise da política do BCE/Banco Central Europeu. Em sua opinião, “não há justificação teórica” para tentar conter a inflação, classificando a política anti-inflacionista de Jean Claude-Trichet como “um enorme erro.” Em sua opinião, “parece que agora eles [BCE] reconheceram que existem outros riscos para além da inflação, o que representa um vislumbre de esperança.” O Prémio Nobel em Ciências Económicas acrescentou que “muito mudou desde a explosão salarial dos anos 70. Os sindicatos estão mais fracos e a globalização funciona como travão às reivindicações salariais.” Stiglitz também criticou os reguladores acusando-os de estarem prisioneiros da ideologia. “Viveu-se um momento de festa e os reguladores não quiseram estragá-la. Eles encorajaram as pessoas a contraírem empréstimos com taxas de juro variáveis de 1%.” Por seu turno, Daniel McFadden, laureado em 2000, previu que o aperto do crédito está a infectar a economia real ameaçando empresas com falências. McFadden, que ectualmente lecciona na Universidade de Berkeley (Califórnia), considerou que “os erros desastrosos dos últimos anos” puseram em causa as teorias da “eficiência do mercado”, em que assentam as economias modernas e exigem agora maior controlo e supervisão dos mercados de securitização em geral, e dos derivativos de crédito, em particular. O laureado questionou igualmente a bondade da actuação dos banqueiros: “Na vertigem do lucro, o que se perdeu foi a ideia que os banqueiros têm alguma responsabilidade na protecção dos interesses dos clientes.” MRA Dep. Data Mining

Onda “subprime” ameaça futuro da economia australiana

sábado, agosto 16th, 2008

Na Austrália, mais de 100 autarquias, igrejas, organizações humanitárias, hospitais e casas de saúde estão ameaçadas de falência com as responsabilidades contraídas em derivativos de crédito de alto risco (subprime) no valor de USD 2 000 milhões/bilhões estruturados por um banco americano. O papel actualmente não tem qualquer valor nos mercados da dívida e os investidores arriscam prejuízos que, para a maioria, são insustentáveis, revelou a imprensa especializada australiana. O banco americano Lehman Brothers vendeu e gere dezenas de milhões de dólares daqueles fundos. O jornal Business Day identificou mais de 150 governos provinciais e locais, bem como instituições particulares e de solidariedade social que investiram em CDO’s (obrigações de dívida garantidas por activos subprime), os complexos derivativos de crédito que os especialistas classificam de “lixo tóxico” e responsabilizam pelo disparo da crise financeira global. Dezenas de prestadores de serviços de saúde, universidades, fundações, bancos mutualistas, cooperativas, fundos de investimento, as igrejas anglicana, baptista e católica, governos locais e agências federais estão na lista das principais vítimas. Um grupo de 23 autarquias prepara uma acção judicial contra o banco. As notícias surgiram um mês depois de o National Australia Bank ter anunciado que vai proceder à amortização de 90% da sua carteira de CDO’s, avaliada em USD 1 000 milhões/bilhões, por considerar que os investimentos são irrecuperáveis. A mesma decisão deverá ser tomada nas próximas semanas pelos outros investidores, o que irá afectar o desempenho económico de algumas regiões económicas australianas nos próximos anos. Os jornais australianos revelam que o fenómeno subprime se tornou um problema nacional face aos montantes envolvidos e à elevada dispersão das dívidas e à variedade dos investidores atingidos. Os USD 2 000 milhões/ bilhões referidos são geridos unicamente pelo Lehman Brothers. Desconhece-se por enquanto o grau de exposição de outras instituições e investidores. O banco americano anunciou que irá defender-se em tribunal contra todas as acções judiciais que considere injustificadas. MRA Dep. Data Mining

Portugueses fortemente endividados e penhoras aumentam

terça-feira, julho 29th, 2008

O número de portugueses com o salário penhorado está a aumentar e as famílias estão «atoladas» em dívidas, disse Gomes da Cunha, presidente da Câmara dos Solicitadores, em declarações à Antena 1. Os solicitadores dizem-se “preocupados” com a situação e iniciam hoje uma campanha para promover as funções da classe, designadamente o aconselhamento e a cobrança de dívidas por via judicial. Gomes da Cunha considerou que o fácil acesso ao crédito acentuou o problema do endividamento por as famílias não saberem gerir os orçamentos domésticos. O presidente dos solicitadores revelou que as penhoras de salários registam um crescimento gradual, na Função Pública e no sector privado. As penhoras vão dos imóveis, salários e carros até a domínios de Internet. Entre 2003 e 2006 as penhoras atingiram cerca de 700 milhões de euros. Prestadores de serviços, financeiras e bancos estão entre os principais credores. Na entrevista à rádio pública, Gomes da Cunha enfatizou que a reforma da acção executiva, introduzida em 2003, só agora começa a produzir efeitos. O tempo médio de resolução das acções ronda os três anos. MRA/Diário Digital

Crédito malparado entre empresas espanholas quase duplica

terça-feira, julho 22nd, 2008

O incumprimento de pagamentos das operações comerciais a crédito entre empresas em Espanha piorou, na primeira metade deste ano, e quase duplicou no mesmo período de 2007. O índice da Crédito y Caución, que compara os níveis de incumprimento de pagamentos das operações comerciais a crédito entre empresas, agravou-se 98,3% durante o primeiro semestre de 2008. No final de 2007, o índice mostrava um aumento de 14,9% na morosidade dos pagamentos, concentrado sobretudo nos últimos quatro meses do ano. “A evolução recente do indicador, que no primeiro trimestre alcançou 48%, mostra uma acelerada deterioração do comportamento a nível de pagamentos das empresas, associada a um profundo abrandamento económico, depois de vários anos de intenso crescimento”, refere a empresa de seguros de crédito prevendo que o cenário se deverá manter até final de 2009. A Crédito y Caución considera que crise afecta empresas de todos os ramos de actividade, com particular incidência na construção e obras públicas. O índice de Incumprimento Crédito y Caución, elaborado a partir de dados da empresa espanhola de seguros de crédito, no ano passado cobriu riscos comerciais e vendas a crédito superiores a 136 mil milhões/bilhões de euros e avaliou a solvência de 2,9 milhões de clientes de todos os sectores de actividade. MRA/Agências

As «Enrascadas no país do refugo», vistas por uma financeira americana

segunda-feira, julho 7th, 2008

Marilyn Cohen, presidente da Envision Capital Management, Inc., Los Angeles, gestora de aplicações em fundos de rendimento fixo, num artigo publicado recentemente na edição online da revista norte-americana Forbes confessa-se “desnorteada” com a situação financeira do país.

(…) Actualmente já se verificaram mais incumprimentos financeiros do que em todo o ano que passou. A Standard & Poor’s apurou que, até agora, 27 empresas falharam os pagamentos das suas dívidas. Durante todo o ano passado aquele número ascendeu a 22. Muitas companhias estão com problemas para cumprirem as suas obrigações financeiras. Algumas estão a cobrir necessidades de capital para o pagamento de juros através da emissão de novos títulos de dívida para assegurarem liquidez. Não é um sinal positivo.”

A gestora/analista não varre o lixo para debaixo do tapete. O sistema bancário está demasiado exposto ao efeito perverso da buzzword inventada pelo investidor Warren Buffet, as Armas Financeiras de Destruição Maciça (derivativos e/ou produtos estruturados), para ter a veleidade de se preocupar com os carcinomas das empresas novas, descapitalizadas ou à beira da falência que há anos alimentam generosamente o mercado dos títulos de alto risco (junk bonds). Pagam juros bilionários pelos empréstimos que contraem. Quando as coisas correm para o torto, os calotes são trilionários. Os bancos sabem melhor do que ninguém que os quase 400 mil milhões de dólares (billions/bilhões – mm/bi) perdidos nas roletas subprime desde finais de 2006, são peanuts quando comparados com os milhões de biliões (trillions/trilhões) ainda em jogo em instrumentos perigosamente alavancados. Os contratos de dívida derivados de activos de alto risco – CDO’s, ABS’s e CDS’s, para citar apenas alguns, nas bizarras versões híbridas, ao quadrado ou ao cubo – atingem as respectivas maturidades em 2008 (USD 13 mm/bi), 2009 (USD 28 mm/bi) e 2010 (USD 45 mm/bi). Com estes exemplos que, conjugadamente, constituem uma ínfima parcela do mercado global da dívida, continuamos a ter uma pálida ideia da monumental trapalhada em que os mágicos da moderna finança global meteram pelo menos duas gerações de terráqueos. A dimensão tentacular destes mercados, desregulados e obscuros, desde 2001, teceu uma obscura teia de instrumentos de dívida, “estruturados” ou “securitizados”, cujo valor nocional o Banco Internacional de Pagamentos (BIS, em inglês) calcula em dezenas de triliões de dólares. Bem vindos ao mega casino dos derivativos e produtos similares. “Faites vos jeaux!”

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro

Consultor

Alimentos vão empobrecer 100 milhões de pessoas

sexta-feira, junho 13th, 2008

Alimentos caros a nível mundial, nos próximos anos, vão colocar abaixo da linha de pobreza no mínimo 100 milhões de pessoas, previu Danny Leipziger, vice-presidente do Banco Mundial. “Os preços de alguns bens alimentares duplicaram, nos próximos três a quatro anos manter-se-ão elevados e não vão voltar aos níveis que tinham anteriormente”, disse o responsável do Banco Mundial (BM) na conferência sobre “Preços dos alimentos e segurança alimentar” na Cidade do Cabo, África do Sul. Os participantes concordaram num ponto: as respostas clássicas para responder à actual crise são inúteis. “Esta crise é diferente de todas as outras que temos visto e não há soluções na gaveta. É uma crise diferente e cria uma mudança estrutural”, considerou Sheryl Hendricks, responsável do Centro Africano de Segurança Alimentar. Lesetja Kganyago director-geral do Tesouro da África do Sul disse que “controlar preços” e “limitar as exportações” é um erro e “seria cair na armadilha dos países ricos, que justificam os subsídios à sua agricultura por razões de segurança alimentar”, dando esmolas aos países pobres. MRA/Agências

Brasil: Presidente do BC prevê crise prolongada nos EUA

quinta-feira, maio 29th, 2008

A crise das hipotecas americanas de alto risco (subprime) ainda está longe do final e vai prolongar-se “por mais algum tempo ” , disse o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. ” Em sua opinião a crise de crédito parece estabilizada por os bancos terem contabilizado os prejuízos e estão a capitalizar-se disse o banqueiro central brasileiro numa sessão no Congresso, em Brasília. Meirelles disse que o mercado imobiliário continua a ser a grande ameaça por a oferta exceder a procura, os preços continuarem caros e muitas hipotecas ainda não foram renegociadas nem reajustadas a taxas de juro mais elevadas. A economia dos Estados Unidos deverá crescer insuficientemente aumentando as tensões recessivas. ” Na pior das hipóteses, não se elimina um crescimento negativo ” , disse Meirelles. Numa sessão com deputados de cinco comissões da Câmara o presidente do BC prognosticou o arrefecimento do crescimento económico mundial e o perigo de estagflação na Europa e disse que as economias emergentes, como o Brasil, reagiram melhor do que o esperado. MRA/Agências

Crise financeira vai prolongar-se dolorosamente nos próximos anos

sábado, abril 12th, 2008

Whitney Tilson, fundador da Tilson Mutual Funds e colunista do jornal britânico Financial Times advertiu recentemente para o perigoso impacto financeiro global relacionado com a escalada das taxas de juro variáveis e o incumprimento de contratos hipotecários de alto risco – subprime – que poderão atingir dimensões dramáticas em 2009/2010.

George Soros, no livro lançado este mês «The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008 and What It Means», alerta para outra bomba-relógio de consequências imprevisíveis – Credit Default Swaps/CDS – instrumentos de securitização de riscos relacionados com empréstimos multimilionários contraídos por grandes conglomerados globais. Soros, um especulador visionário que virou lenda ao lucrar 1 000 milhões de dólares num dia, com o ataque à libra esterlina e à política monetária do Banco de Inglaterra, em 1992, defende que “o pior ainda está para vir”. Em sua opinião a desconfiança dos bancos em fazerem empréstimos entre si (mercado interbancário) e a recessão em que mergulhou a economia americana vão deprimir o «zilionário» mercado dos CDS’s. Quando os incumprimentos dos primeiros grandes contratos começarem a acontecer, provavelmente já neste semestre, Soros mostra-se céptico que os devedores paguem as dívidas e que muitos dos bancos credores consigam sobreviver.

Dados recolhidos pelos analistas dos mercados bancários BCA Research, num estudo recente, corroboram as visões pessimistas de Soros e Tilson. Como exemplo referem o desconhecimento das posições financeiras das seguradoras hipotecárias federais Freddie Mac and Fannie Mae, na prática organismos operacionais do governo dos EUA no mercado financeiro imobiliário. Ambas estão muito expostas aos contratos subprime e começam a dar sinais de apuro face ao rápido crescimento das penhoras de habitações por os mutuários não terem dinheiro para pagar as prestações mensais. “No nosso cenário mais optimista, os prejuízos de ambas, em 2008, relacionados com hipotecas de má qualidade, ascenderá a cerca de USD 24 mil milhões/bilhões (mm/bi)”, estimam os analistas. A confirmar-se a previsão, isto equivaleria a cerca de 30% do capital social das duas agências, em 2007.

EUA: Modelo nórdico de nacionalizações inspira Fed para resolver crise bancária

domingo, abril 6th, 2008

Fokus Bank - NoruegaA Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos está a estudar o processo de nacionalizações de parte do sistema bancário nórdico europeu, nos anos 90, como possível solução temporária para resolver a crise financeira estadunidense, noticiou o diário britânico The Telegraph. O jornal refere que “um funcionário superior de um dos bancos centrais escandinavos” admitiu que estrategistas do banco emissor dos EUA iniciaram contactos para aprenderem como a Noruega, Suécia e Finlândia geriram “as suas traumáticas crises, entre 1991-1993, que quase fizeram capitular a economia da região”. O Telegraph refere que o vice-presidente da Fed, Don Kohn, “continua muito preocupado com a profundidade da crise americana e está a considerar as abordagens nórdicas para eventuais soluções de emergência.”

Entre 1997-2000, algumas das históricas instituições bancárias suecas passaram um complexo processo de fusões e aquisições geridas cooperativamente pelos bancos centrais da Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia. Marcas como Merita Bank, Unibank, Kreditkassen (Christiania Bank) e Nordbanken, em conjunto, deram origem ao grupo financeiro Nordea, com sede na Suécia, operando nos países escandinavos e bálticos considerados “mercados domésticos”. O seu principal accionista é o Estado sueco, com cerca de 20% dos títulos cotados nas bolsas sueca, finlandesa e dinamarquesa.

Outro caso exemplar, teve lugar na Noruega onde um dos maiores bancos regionais – Fokus Bank – resultou da forçada integração e consolidação imposta pelas autoridades monetárias a sete bancos sob sua jurisdição, no final do século XX: Buskerudbanken, Bøndernes Bank, Forretningsbanken, Vestlandsbanken (1987), Tromsbanken (1990), Rogalandsbanken (1991) e Samvirkebanken (1993). O Fokus Bank, desde 1999, integra os activos do Danske Bank, grupo financeiro dinamarquês que adquiriu o respectivo controlo accionista após uma fase de turbulência no sector. (pvc)

Secretário do Tesouro americano admite forte declínio da economia

terça-feira, março 25th, 2008

Hank Paulson O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, admitiu hoje que a economia dos EUA enfrenta, de momento, um “declínio acentuado”, mas mostrou-se optimista quanto a uma “recuperação ao longo do ano”, contrariando a opinião e análises de um crescente grupo de economistas americanos e estrangeiros. “Não há dúvidas de que o povo americano sabe que a economia está declinando fortemente”, sustentou durante um programa da cadeia televisiva NBC. Paulson citou a turbulência no mercado de capitais, iniciada em Agosto passado, e afirmou ter grande confiança nos mercados americanos. “Eles são resistentes e flexíveis”, disse, alegando que o regresso da estabilidade pode demorar algum tempo.

O secretário do Tesouro dos EUA, todavia, evitou comentar sobre a decisão da Reserva Federal (Fed) quanto à política monetária, em especial sobre as taxas de juro. “O Fed é independente. Ele fará o que é melhor”, comentou. Neste momento, especula-se que a autoridade monetária dos Estados Unidos possa promover, ainda hoje, um novo corte na taxa básica, fixando-a em 2% ao ano. A acontecer, a espiral inflacionista e a queda do dólar continuarão a agravar-se. MRA/Agências

Subprime, efeito dominó, e agravamento da crise…

sábado, março 15th, 2008

efeito dominó“Os problemas que afectam os mercados de crédito, actualmente, estão longe de terminar, de facto, parecem saltar de segmento de mercado em segmento de mercado deixando um rasto de prejuízos à sua passagem. Um factor comum às perturbações que se têm feito sentir é a falta de liquidez existente, não obstante, as intervenções que os principais bancos centrais efectuaram no sentido de regularizar a liquidez nos mercados financeiros, que acabaram por ter um efeito temporário sobre estes. Na sequência novas intervenções estão a ser ultimadas, nomeadamente, a Fed criou um novo instrumento de política monetária – Term Securities Lending Facility – que consiste na cedência de liquidez através do empréstimo de obrigações do tesouro em que o colateral utilizado pelas instituições financeiras são obrigações hipotecárias, instrumento através do qual planeia ceder 200 mil milhões de dólares.

Apesar destes esforços, a falta de predisposição das instituições financeiras para cederem liquidez ao mercado, que se traduz em condições de acesso ao crédito mais restritas, impede que o normal funcionamento dos mercados financeiros retome. (…) A desalavancagem tem constituído um dos principais riscos sobre os mercados de crédito, uma vez que estes se encontram alavancados entre 10 e 15 vezes, o que faz com à medida que os preços descem e são feitas chamadas na margem, que pressionam os preços no sentido descendente provocando novas chamadas na margem. Para além disso, no presente contexto de restrição no acesso ao crédito, o montante das chamadas nas margens tem sido superior, aumentando a dificuldade dos investidores para responderem a esta chamada.”

Excerto de um artigo de opinião da autoria de João Sousa, Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI, hoje publicado no Diário Económico.

Multimilionários prejuízos «subprime» vão contaminar outros mercados financeiros

sexta-feira, março 14th, 2008

hipotecas - futuro no vermelhoA agência de rating Standard & Poor’s calcula que as amortizações de créditos hipotecários de alto risco atingirão USD 285 mil milhões/ bilhões (€182.3 mm/bi), cerca de 15% mais desde a última previsão, hà seis semanas (USD 20 mm/bi) e prognostica novos problemas para o sector financeiro. A empresa indica que a crise de crédito já está a afectar outros segmentos do mercado. O analista de crédito da S&P, Scott Bugie, embora admita que o pior já pode ter passado para as grandes instituições, ” se os “problemas continuarem a alastrar” as empresas financeiras “vão continuar a ser afectadas pela reavaliação dos prejuízos, relacionada com a amplitude do grau de exposição em empréstimos com elevados graus de alavancagem.” Fonte: WSJ (subscrição)

Crise financeira: Quadro regulador «Basileia II» posto em causa

quinta-feira, fevereiro 28th, 2008

finrisc3.jpgA turbulência e volatilidade do mercado financeiro global provocadas pelo colapso do mercado hipotecário de alto risco – subprime – nos EUA começa a provocar reacções que pôem em causa as políticas macroeconómicas, a estabilidade e regulação do sistema financeiro, designadamente o novo «Basileia II». Este instrumento regulatório, foi aprovado pelos bancos centrais associados ao Banco Internacional de Pagamentos (BIS, em inglês), em 2005.

Basileia II reformou o quadro anterior (Basileia I/1988) que regulava a adequação dos fundos de capitalização dos bancos. Ao longo dos anos, foi revelando vários tipos de vulnerabilidades. A reformulação feita há três anos caracterizou-se pela entrada em vigor de um quadro normativo com novos intrumentos de calibração dos riscos de crédito e de fixação do respectivo preço e qualidade.

Os gigantescos prejuízos recentemente sofridos pelas instituições financeiras, que dispararam um agressivo processo de recapitalização, pulverizaram os modelos de avaliação dos riscos de crédito usados pelo sistema bancário global. Citada pelo Financial Times, Sheila Bair, presidente da seguradora das reservas depositadas no banco emissor dos Estados Unidos (Reserva Federal/Fed) – Federal Deposit Insurance Corporation – reconheceu existirem “importantes pontos fracos” que, na presente crise, fizeram disparar os sinais de alarme e aconselham a adopção de novas medidas preventivas. (pvc)

Banco Northern Rock vai ser nacionalizado pelo governo inglês

domingo, fevereiro 17th, 2008

Alistair DarlingNorthern Rock, o banco britânico que entrou em colapso após o início da crise hipotecária (subprime) e de crédito vai ser nacionalizado temporariamente, disse o ministro das Finanças – Chancellor of the Exchequer – do Reino Unido, Alistair Darling, perante um coro de protestos e críticas da oposição, de alguns investidores e de boa parte da media e dos consumidores. O ministro justificou a decisão, a primeira do género tomada desde há 40 anos, por nenhuma das propostas de compra da quase falida instituição, apresentadas por grupos privados, oferecerem “valor suficiente” para activos que serão refinanciados com “dinheiro dos contribuintes.” Darling defendeu que o público e os depositantes do Northern Rock serão beneficiados com a intervenção estatal, até que as condições de mercado melhorem.

Ron Sandler, o banqueiro encarregado pelo governo da multimilionária operação de salvamento, do banco hipotecário britânico, considerou que a nacionalização temporária garantirá a segurança dos depositantes. Em contraste, o líder financeiro dos Conservadores britânicos, George Osborne revelou à media que o que o seu partido se oporá, no Parlamento, ao projecto do governo, classificando-o como uma “decisão catastrófica.”

Richard Branson, fundador e líder do grupo Virgin foi bastante crítico sustentando que apresentou “uma proposta muito forte, uma equipa muito experimentada e uma das melhores marcas”, do Reino Unido para assumir o controlo privado do banco.

O Partido Trabalhista apresentará amanhã o pacote legislativo de emergência para aprovação pela Câmara dos Comuns. A cotação das acções do Northern Rock será suspensa, durante a sessão da manhã, na Bolsa de Londres.

(pvc/agências)

Congresso aprova projeto Bush para animar economia americana

terça-feira, janeiro 29th, 2008

Símbolo do Congresso dos EUAA Câmara de Representantes aprovou hoje o pacote fiscal proposto pelo presidente George W. Bush. O plano, que prevê isenções de USD 146 mil milhões/bilhões (mm/bi) , visa estimular a economia norte-americana e evitar uma recessão. O desafio, agora, é a aprovação do projecto no Senado, que tem o seu próprio projecto para reaquecer a economia dos EUA. O projeto aprovado hoje é resultado de um acordo entre a Casa Branca e líderes da Câmara – Nancy Pelosi (Democrata) e John Boehner (Republicano).

Nancy Pelosi concordou em abandonar a proposta de aumentos em duas frentes, defendidos até então pelos democratas: no programa “Food Stamp”, de distribuição de subsídios de alimentação e de desemprego. Em troca disso, serão aceites descontos de USD 300 para quem comprovar um salário mínimo de USD 3 000 em 2007.

O plano apresentado por Bush pede um pacote de isenção fiscal de cerca de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) do país (segundo dados recentes, isso representaria cerca de US$ 145 bilhões). O objectivo é que a economia reverta a desaceleração económica e aumente o consumo privado, principal pilar da economia dos EUA, volte a crescer. O plano proposto pelo Senado estipula uma injeção maior de liquidez, com cerca de US$ 156 bilhões, que permitirá pôr US$ 500 nos bolsos de cada contribuinte solteiro, USD 1 000 para os casados, e USD 300 adicionais por criança. (pvc/agência).

Mini-cimeira europeia discute soluções para conter crise dos mercados

terça-feira, janeiro 29th, 2008

10, Downing Street - Brown organiza mini-cimeira europeiaDurão Barroso, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Romano Prodi e Gordon Brown, estão reunidos em Londres para discutir soluções para enfrentar a ameaça aos mercados financeiros. Durão Barroso confirmou já que a situação financeira da União poderia levar a uma revisão em baixa do cescimento da economia europeia para 2008, mas afasta para já o risco de recessão.

Depois do escândalo que abala desde há uma semana o banco Societé Generale, ou a crise dos créditos imobiliários de risco nos Estados Unidos, o presidente da Comissão e os quatro chefes de estado e de governo querem incrementar a transparência e regulação dos mercados. Segundo os analistas a cimeira a cinco, arrisca-se a inflamar divergências entre os defensores de um maior intervencionismo do estado nos mercados, como a França, e os que preconizam uma maior auto-regulação, como o Reino Unido. Na próxima semana os ministros das finanças do G7, reunem-se em Tóquio, para debater os mesmos temas. (pvc/agências)

Empresas da Bovespa perdem R$ 344,9 mm/bi (€ 130,43) em valor de mercado

terça-feira, janeiro 22nd, 2008

bovespa_panico_20Jan2008As empresas listadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) perderam R$ 344,9 mil milhões/bilhões (mm/bi) nos primeiros 21 dias de 2008, valor equivalente a todos os bancos brasileiros (R$ 341,5/149, 13, mm/bi), segundo o levantamento feito pela consultoria Economática. Os dados apurados, em mm/bi de Reais/Euros) revelam que o sector mais afectado é o de Petróleo e Gás (sete empresas no total), com uma queda de R$ 97,1/36,7. Em seguida surge a banca (27 empresas), que perdeu R$ 58,6 /22,1 bilhões) em 21 dias, e a mineração, com perdas agregadas de R$ 46,67 / 17,64. De todos os 22 setores da Bovespa, somente o de Agronegócios e Pesca, com quatro empresas listadas, viou crescer o seu valor de mercado (R$ 186/ 70,3 milhões).

Ontem (segunda-feira), a Bovespa registou o seu pior dia desde 27 de Fevereiro de 2007, quando os mercados globais reagiram às fortes perdas na Bolsa chinesa. Como resultado, desde o início de 2008, o mercado bolsista brasileiro já acumulou perdas de 15,93%. Consulte as perdas sectoriais ne edição online da Folha de São Paulo

Recessão e «subprime» derrubam bolsas mundiais; Lisboa perdeu 15% em 3 semanas

terça-feira, janeiro 22nd, 2008

euronext_cai.jpgNoticia do Público às 13H40 de hoje (2.ª Feira), Lisboa

“O ano de 2008 está a revelar-se verdadeiramente negro para os mercados de capitais, que arrancaram este semana num cenário de “crash”, com a maioria das praças mundiais a registar perdas acentuadíssimas. A meio da sessão, mais de quinze praças financeiras internacionais registavam desvalorizações superiores a cinco por cento. Os analistas não hesitam em afirmar que os mercados estão um “descalabro”, devido à ausência de liquidez, provocada pelos receios de uma recessão nos EUA e pela crise do crédito de alto risco. Às 12h30, a maior quebra era protagonizada pela bolsa de Frankfurt, cujo índice Dax 30, perdia 6,78 por cento. Lisboa não escapa à onda negativa que está a varrer os mercados mundiais, o PSI desvaloriza 4,2 por cento e acumula uma perda anual de cerca de 15 por cento, ou seja, praticamente já anulou os ganhos de 2007. Em Lisboa, o BCP mantém-se entre os títulos mais massacrados, com as acções a recuarem 6,75 por cento para 2,21 euros. A banca está toda, aliás, em forte quebra: o BPI cai 5,58 por cento e o BES recua 5,67 por cento. Nenhum título da praça portuguesa está positivo, e o que perde menos é a Impresa, que apresenta uma desvalorização de 0,63 por cento.
Os investidores e os consumidores estão pouco confiantes na economia e receiam que o pior ainda possa estar para vir, como têm mostrado os últimos resultados de grandes bancos mundiais, que pela primeira vez em muitos anos apresentam prejuízos de grandezas assustadoras. O CitiGroup e a Merrill Lynch resgistaram no último trimestre de 2007 prejuízos na ordem dos 10 mil milhões de euros cada um. A falta de liquidez é um dos rastilhos desta quebra e os analistas afirmam que se fala imenso no mercado na necessidade de vender activos.”

Desde Agosto que, de forma insistente, temos alertado para as ameaças que a crise sistémica coloca ao sistema financeiro global. Reafirmamos que o “Titanic já zarpou, mas ainda não colidiu com o icebergue.”

MRA, Dep. Data Mining

Crise global afectará mais os países industrializados do que as economias emergentes, diz economista do BM

sexta-feira, janeiro 11th, 2008

World Bank - Sede - Washington, D.C.As economias dos países em desenvolvimento deverão aguentar os impactos directos, nos próximos dois anos, da crise hipotecária ou de uma recessão da economia dos EUA, afirmou um economista sénior do Banco Mundial, citado pelo boletim electrónico EETimes, especializado em Tecnologias de Informação (TI’s). Andrew Burns, economista-chefe e autor do último relatório do Banco Mundial – “Global Economic Prospects 2008: Technology Diffusion in the Developing World” afirmou ontem, durante uma entrevista em Bengaluru (Índia), que “a crise hipotecária estadunidense afectará levemente os países em desenvolvimento devido à sua intrínseca resiliência que está a ajudar a reduzir o impacto do arrefecimento da economia dos EUA.” Burns, considera que apesar de não serem completamente imunes à crise financeira global, o dinamismo daquelas economias, designadamente na região Ásia-Pacífico, parece ser suficiente para não serem gravemente afectados.

As principais vítimas serão as economias dos países industrializados. “Os mercados de capitais sofrerão perdas substanciais e, em 2008, o preço real do dinheiro pode aumentar em cerca de 200 pontos base,” prognosticou Hans Timmer, gestor do World Bank Development Prospects Group. As consequências, em sua opinião, serão um pronunciado aperto do crédito, drástica redução do investimento pelas empresas, aumento do desemprego, retracção do consumo e um período prolongado de queda dos preços. Esta opinião contradiz a de outros analistas que, face à subida dos preços do petróleo e de outras matérias primas minerais e agro-alimentares, prevêem a aceleração da espiral inflacionista. (pvc)

Presidentes de Bancos Centrais reunidos na Suiça para debater crise financeira

segunda-feira, janeiro 7th, 2008

Banqueiros centrais têm poucas vertezas e muitas dúvidasA crise hipotécia americana, e os seus efeitos nos mercados interbancário e da dívida, bem como no desempenho das bolsas mundiais, que termina esta segunda-feira em Basileia, na Suíça, está a ser debatida no encontro do Banco Internacional de Pagamentos (BIS), no qual participam presidentes de bancos centrais de países industrializados e emergentes. A expectativa é que as previsões de arrefecimento, ou mesmo de recessão, da economia internacional ocupem a maior parte da ordem de trabalhos.Os debates são à porta fechada.

Os banqueiros admitem a possibilidade de novas intervenções conjugadas por parte das autoridades monetárias dos Estados Unidos e da Europa para conter os efeitos da crise que, desde Agosto, cointinua a ameaçar seriamente a economia global. Essa eventual segunda ação coordenada desde o início das turbulências envolveria apenas o Federal Reserve (Fed, banco emissor dos EUA) e o Banco Central Europeu (BCE), não incluindo países emergentes como os BRIC – Brasil, Rússia, India e China. Esta possibilidade confirma que a crise imobiliária está a persistir mais longamente do que os bancos previram. “Hoje há dois mercados com problemas: o dos Estados Unidos e o da Europa. Os bancos centrais já estão provendo o mercado de liquidez. Pode haver um entendimento entre o Fed e o Banco Central Europeu, mas para o resto do mundo não deve haver necessidade de participação”, disse o governador de um dos bancos presentes na reunião. A eventual medida depende dos desdobramentos de dois fatores: a atitude dos consumidores nos Estados Unidos e a reação do mercado de crédito. Embora no centro das discussões, a crise foi encarada com cautela, sem nervosismo nem euforia. “Não estou aflito nem tranqüilo. A situação neste momento é de muita incerteza, a começar pelo rumo da economia norte-americana”, disse a autoridade monetária, citada pela agências internacionais.

Por seu turno, o presidente do Banco Central da Polónia, Slawonir Skrzypek, manifestou-se preocupado com a situação do mercado mundial. “O que me preocupa agora é a inflação oriunda de custos agrícolas e de commodities. Neste momento estamos um pouco acima do nosso alvo e em 2008 esperamos voltar à meta.” (pvc/agências)

Morgan Stanley desinveste em Portugal e vende 10% do capital a um fundo chinês

sexta-feira, dezembro 21st, 2007

Morgan Stanley luta para não se afundarO Morgan Stanley (MS) informou que vendeu 22, 5 milhões de acções da PT, passando assim a deter apenas 0,38% do capital social da telefónica portuguesa. O banco americano, que enfrenta grandes problemas de liquidez face à elevada exposição ao crédito hipotecário malparado, está a vender importantes activos para fazer face aos gigantescos prejuízos que vem acumulando desde Agosto. As contas do presente trimestre fecharam com prejuízos de USD 9,4 mil milhões/bilhões (mm/bi), o triplo do que o próprio MS havia previsto, em Novembro. Este foi o primeiro prejuízo trimestral nos seus 73 anos de história. O presidente e CEO John Mack assumiu a responsabilidade pelos maus resultados e anunciou que vai renunciar aos multimilionários bónus anuais. Ontem, a administração do Morgan Stanley informou igualmente que a China Investment Corp, um fundo soberano que gere parte das reservas monetárias chinesas, investirá USD 5 mil milhões/bilhões (mm/bi). A verba, cerca de 3,473 milhões de euros, foi suficiente para adquirir cerca de 10% do segundo maior banco de investimento dos Estados Unidos. (pvc/agências)

Subprime/EUA: Banco Bear Stearns regista prejuízos históricos e corta bónus aos gestores

sexta-feira, dezembro 21st, 2007

Bear Sterns - Bear MarketPela primeira vez desde a sua fundação (1923) o banco americano Bear Stearns Co Inc anunciou (20/12) prejuízos inesperadamente elevados no último trimestre do ano – USD 1, 9 mil milhões/bilhões (mm/bi) – terminado em 30 de Novembro. A drástica redução do valor dos activos derivados de títulos hipotecários de alto risco – subprime – causou um aumento de 700 milhões de USD dos prejuízos prognosticados pela companhia, há um mês atrás. As perdas, segundo a Reuters Estimates são quatro vezes superiores aos dividendos de USD 1,8o dólares por acção esperados pelos analistas de Wall Street. O 5.º maior banco de investimento dos EUA, anunciou igualmente que os gestores de topo não receberão este ano qualquer tipo de bónus e compensações financeiras. Michael Hecht, analista do Bank of America, afirmou à Reuters que esta decisão pode gerar atritos internos e atrasar significativamente o processo de recuperação do banco. (pvc)