Archive for the ‘Finanças’ Category

Salvar a Grécia, Irlanda e Portugal é mais barato do que “matar” o euro, diz UBS

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Segundo a análise do banco suíço UBS, os custos de uma eventual saída do euro por parte dos países economicamente mais debilitados seriam “significativos”. No caso de Portugal custaria até 11.500 euros, em média, por pessoa e no primeiro ano. Mas a probabilidade de a moeda única entrar em colapso está “perto do zero”,  e deixá-lo morrer sairá bem mais caro do que resgatar “periféricos”, dizem os autores do estudo.

Stephane Deo, Paul Donovan e Larry Hatheway, os três economistas do UBS que redigiram o relatório intitulado Perspectivas económicas globais, partem da premissa de que com “a actual estrutura” o “euro não funciona”. “Este euro gera mais custos económicos do que benefícios”, algo que se “tornou dolorosamente óbvio para alguns dos seus participantes nos últimos anos”, defendem no documento.

Os economistas ressalvam, porém, que a probabilidade de a moeda única entrar em colapso está “perto do zero”, e enumeram as consequências económicas e políticas para os diferentes estados-membros.

A saída de um “país fraco” da zona euro, como Portugal, custaria, segundo as estimativas dos três economistas, entre 9.500 a 11.500 euros por pessoa no primeiro ano, o equivalente a 40 ou 50 por cento do PIB desse país. Nos anos seguintes, o custo iria variar entre os 3.000 e os 4.000 euros por cada cidadão.

Estes cálculos incluem as consequências que um país de menor dimensão económica sofreria caso abandonasse o euro: incumprimento da dívida pública (sovereign default), insolvência de empresas (corporate default), colapso do sistema financeiro e do comércio internacional.

Já para um “país forte” economicamente o rombo seria menor para a carteira dos cidadãos. Na Alemanha, por exemplo, um regresso à moeda anterior (o marco) implicaria um custo entre 6.000 a 8.000 euros a cada germânico no primeiro ano, o equivalente a 20 ou 25 por cento do PIB. Nos anos subsequentes, a saída do euro por parte da maior potência económica da Europa seria consolidada com um custo entre 3.500 e 4.500 euros por cidadão.

Face a estes cálculos, os economistas do UBS defendem que fica mais barato resgatar a Grécia, a Irlanda e Portugal, caso os três países periféricos entrassem em incumprimento (default). Nesse caso, o custo para os estados-membros situar-se-ia “ligeiramente acima de mil euros por pessoa, de uma só vez”.

Deo, Donovan e Hatheway ressalvam, porém, que estes cálculos não incluem os custos políticos que a fragmentação do euro poderia trazer, como a perda de influência da Europa no plano mundial. Por isso, defendem, os “custos económicos são, em múltiplos sentidos, a última das preocupações que os investidores deveriam ter acerca de uma ruptura [do euro]”.

MRA Alliance/Público

Dilma e Kirchner querem blindar América do Sul da crise global

sábado, julho 30th, 2011

As presidentes do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, afirmaram nesta sexta-feira que a América do Sul deve adotar medidas conjuntas para se blindar contra a crise financeira global.

“Temos que defender nossos países da valorização das moedas e da avalanche de produtos que não encontram mercado nos países desenvolvidos e afetam nossas indústrias”, declarou Dilma.

A governante argentina, em sua primeira visita oficial ao Brasil desde que Dilma assumiu, disse que o assunto foi tratado na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizada em Lima nesta quinta-feira, durante a posse de Ollanta Humala como novo presidente peruano.

“É necessário adotar medidas comuns para defender os avanços conquistados e a inclusão social”, opinou Cristina.

De acordo com as únicas mulheres presidentes da região atualmente, a América do Sul acumulou nos últimos anos um forte desenvolvimento nas áreas social, econômica e industrial, que deve ser protegido de um possível agravamento da crise global.

Dilma esclareceu que não se trata apenas do que possa gerar uma possível moratória nos Estados Unidos, mas de um mundo que mergulhou em uma grande incerteza.

No entanto, a presidente garantiu que os países sul-americanos, em seu processo de integração, têm agora “a oportunidade histórica de aprender com os erros dos outros”, entre os quais citou a União Europeia (UE), em clara alusão às turbulências no bloco comunitário.

Embora tenham sido enfáticas em relação à necessidade dessa “blindagem” ser de caráter regional, nem Dilma nem Cristina deram pistas sobre quais seriam as medidas comuns que devem ser adotadas.

Nesse sentido, remeteram ao futuro imediato e a uma reunião que terão na próxima semana em Lima os ministros de Economia da região e a outra que reunirá em agosto em Buenos Aires os presidentes dos Bancos Centrais.

MRA Alliance/Terra Brasil

Ministro das Finanças admite segundo orçamento rectificativo

quarta-feira, julho 27th, 2011
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, não exclui a possibilidade de o Governo avançar com um segundo orçamento rectificativo no último trimestre do ano, que se somará à correcção que será feita de imediato e que se destina a incluir as garantias à banca nos limites de endividamento do Estado.
O rectificativo “cirúrgico” “chegará em breve à Assembleia da República”, confirmou Vítor Gaspar, estando a sua discussão no Parlamento marcada para 3 de Agosto. “A nossa análise da execução orçamental de 2011 está a servir para a preparação do Orçamento do Estado (OE) para 2012” e se entretanto forem detectados elementos que o justifiquem, o ministro antecipa já mais uma rectificação ao orçamento de 2011.
Depois da confusão em volta do “desvio colossal”, Vítor Gaspar explicou ontem aos deputados qual é a sua estimativa: “nesta data, o nosso melhor julgamento aponta para um desvio orçamental que podemos quantificar como sendo da ordem dos dois mil milhões de euros.”

O ministro, que foi à Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública falar sobre a sobretaxa especial do IRS, começou por revelar que “em certos ministérios, os montantes orçamentados para remunerações certas e permanentes são insuficientes e há indicações de que se terão acumulado dívidas”.

MRA Alliance/JdN

Estado colocou dívida abaixo do objectivo

quarta-feira, julho 6th, 2011

Portugal endividou-se hoje no mercado em 848 milhões de euros, abaixo do valor pretendido e a pagar um juro de 4,926 por cento ao ano por um empréstimo a três meses.

A operações de hoje consistiu num leilão de Bilhetes do Tesouro a três meses, com um montante indicativo entre 750 e 1000 milhões de euros, pelo que o montante arrecadado pelos cofres públicos ficou abaixo do ponto médio deste intervalo e foi por isso que os juros não foram ainda mais elevados.

A taxa de 4,926 por cento paga hoje representa uma ligeira subida de 1,3 por cento face aos 4,863 pagos no último leilão a três meses, a meio do mês passado, valor esse que representava uma descida de 2,1 por cento que os 4,967 por cento pagos no dia 1 desse mês, a taxa mais elevada para este prazo.

A procura de 1733 milhões de euros, o que representa pouco mais do dobro do montante colocado, face a 2,4 vezes o montante colocado na emissão de meio do mês passado, que era uma operação conjunta com leilão também de títulos a seis meses a cargo do ICGP (Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público), que gere a dívida pública.

A operação de hoje foi “claramente afectada” pela descida abrupta da nota da dívida portuguesa anunciada ontem pela Moody’s, na opinião do gestor do Mercado de dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva. “Este leilão teve um custo adicional para o Estado, que podemos atribuir à descida de rating. O Estado optou por colocar apenas 840 milhões de euros, porque a taxa seguinte do leilão era de 5,05 por cento, e o IGCP não aceitou colocar mais dívida subindo a taxa”, afirmou aquele responsável numa declaração remetida ao PÚBLICO.

Estado emite dívida na ressaca do corte de rating

quarta-feira, julho 6th, 2011

Portugal realiza hoje o quinto leilão de dívida desde que pediu ajuda externa e 24 horas depois de ter sofrido novo corte de rating para a temível classificação de «lixo». O Estado pretende angariar entre 750 e mil milhões de euros numa emissão de dívida com maturidade a três meses.

A agência de notação financeira Moody`s cortou em quatro níveis o rating de Portugal de Baa1 para Ba2, igual a lixo (junk, no jargão financeiro ibnternacional), colocando a dívida soberana portuguesa como na categoria de alto risco para os investidores. A decisão promete por isso causar turbulência nos mercados. Na bolsa, o PSI20 abriu no vermelho,  com a banca em destaque.

De acordo com o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), o leilão de hoje tem um montante indicativo entre os 750 e os mil milhões de euros a colocar na linha de Bilhetes do Tesouro com maturidade em 21 de Outubro deste ano.

Depois do pedido de ajuda endereçado a Bruxelas e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) – Portugal deverá receber 78 mil milhões de euros caso cumpra o programa de ajustamento acordado com a troika -, Portugal orientou o seu programa de financiamento para empréstimos de curto prazo.

Durante o terceiro trimestre, de acordo com as linhas mestras publicadas pelo IGCP, Portugal irá tentar financiar no mercado entre 4,5 e 6,75 mil milhões de euros, através de dívida de curto prazo, maioritariamente em linhas que atingem a maturidade este ano.

Entretanto a decisão da Moody’s suscitou um conjunto de reacções que oscilam entre a irritação e a relativização por parte dos agentes económicos e analistas.

Manuel Caldeira Cabral disse esta terça-feira que a decisão da Moody¿s de cortar em quatro níveis o «rating» de Portugal «é profundamente injusta e mal fundamentada na análise económica». Para o economista «é um erro estar a associar demasiado o caso português ao caso grego».

«Prefiro uma crise em «v», afundar rápido para depois começar a subir, do que uma crise que não tem «v», é só um dos lados, é um plano inclinado», afirmou ontem o economista João Duque, presidente do ISEG, citado pela Lusa. Com «algum esforço e muita dureza» Portugal pode «voltar rapidamente aos eixos», e o importante agora, frisa João Duque, é mostrar «até final do ano» que o país está a cumprir o acordo firmado com a «troika» internacional.

O Ministério das Finanças, em comunicado citado pela Reuters, reagiu ontem afirmando que «o downgrade ora anunciado revela o ambiente adverso da crise da dívida soberana e as vulnerabilidades da economia portuguesa neste contexto». A seguir, acrescentou que a agência «não terá tido em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika, traduzidas numa votação de mais de 80% nos partidos que subscreveram os memorandos».

Por seu turno, o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Faria de Oliveira, exige que as autoridades europeias se manifestem contra o «ataque» da agência de notação classificando a sua decisão de «imoral e insultuosa». «Imoral em relação aos argumentos e fundamentos, insultuosa para Portugal, que com um novo Governo maioritário e o apoio de 80% dos eleitores está a aplicar rápida e determinadamente o acordo com a troika», disse à Lusa o presidente da CGD.

O economista Luís Nazaré, ex-presidente dos CTT, considerou hoje que o corte de rating de Portugal pela Moody’s é a confirmação do «comportamento incompetente e lesivo das economias europeias periféricas», mas também da incompetência das agências de notação, que pelas regras do mercado, já deviam ter desaparecido.

«Este corte significa a confirmação das motivações e do comportamento incompetente e lesivo das economias europeias, principalmente das periféricas, mas não só, também das agências de notação», disse à Lusa Luís Nazaré horas depois de a Moody’s ter cortado o rating de Portugal para «lixo».

«Se o mercado (de que as agências tanto reclamam) funcionasse como deve ser, as três agências de notação internacionais norte-americanas já teriam sido varridas a alcatrão e penas da cena internacional, dadas as provas manifestas de completa incompetência que revelaram no passado e que conduziram em larga medida à situação que hoje vivemos», disse o economista.

O Estado e as empresas portuguesas paguem por ano cerca de 9 milhões de euros às agências de rating que têm baixado sucessivamente a nota à dívida soberana e que a colocam agora a nível de lixo financeiro.

O Estado ou um banco pagam de que cada vez que pedem uma avaliação das agências de rating. Em mercado, esta é a forma de cumprirem as exigências dos investidores, que confiam nas notas das agências… para decidirem onde, como e quanto devem investir.

Agências de rating há muitas, mas só três norte-americanas são seguidas pelos investidores: Standard and Poor’s, Moody’s e Fitch que, entre elas, representm 95% do mercado. Na Europa também as há, e em Portugal também, mas não convencem quem decide onde vai aplicar o seu dinheiro.

Seja como for e à falta de alternativa, são as agências norte-americanas que ditam as regras do jogo da alta finança mundial. As mesmas que antes da crise financeira davam como bons investimentos de alto risco.

MRA Alliance/AF

Geithner admite abandonar Tesouro dos Estados Unidos

quinta-feira, junho 30th, 2011

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, deverá abandonar o cargo assim que estiverem concluídas as negociações sobre o défice orçamental. A decisão de Geithner estará relacionada com questões pessoais. O responsável pelo Tesouro ainda não tomou uma decisão definitiva e não fará enquanto o Congresso não chegar a acordo sobre o aumento do tecto da dívida norte-americana, avançaram à agência Bloomberg fontes próximas de Geithner.

Recorde-se que os Estados Unidos precisam de aumentar o tecto da dívida pública para conseguir pagar obrigações que atingem a maturidade no próximo dia 4 de Julho. O próprio Geithner admitiu que estas obrigações podem entrar em incumprimento caso não seja alcançado um entendimento entre democratas e republicanos até dia 2 de Julho.

Tim Geithner, 49 anos, já terá admitido aos seus colaboradores que precisa de fazer um intervalo na vida política. 

MRA Alliance/JdN

Grécia: “Bancarrota seria uma catástrofe”, diz Papandreou

domingo, junho 19th, 2011

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, afirmou esta tarde no parlamento helénico que as “consequências de uma bancarrota violenta ou a saída do euro” seriam uma “catástrofe imediata” para as pessoas, para os bancos e para a credibilidade do país.

No discurso que marcou o início de um debate de três dias sobre o novo plano de austeridade que terá de ser aprovado na terça-feira pelo Parlamento, Papandreou relembrou, de acordo com a Reuters, que o país está numa encruzilhada e que as suas reservas de dinheiro chegarão ao fim caso a Grécia não recebe a quinta tranche do apoio da UE e do FMI, no valor de cerca de 12 mil milhões de euros.

E, para que isso aconteça, o mais recente plano de corte de custos e aumento de receitas (nomeadamente via privatizações e subida dos impostos) terá de ter luz verde por parte da maioria dos deputados. À partida, isso terá sido assegurado pela remodelação governamental que Papandreou orquestrou no final desta semana, com destaque para a indigitação de Evangelos Venizelos na pasta das Finanças, substituindo Papaconstantinou.

Uma forma de apaziguar o interior do seu próprio partido, o Pasok, que detém a maioria no Parlamento. Venizelos, que era até aqui ministro da Defesa, tinha entrado em confronto com Papaconstantinou, e foi já como responsável das finanças que o responsável pelas contas gregas se deslocou hoje à reunião dos ministros da zona euro no Luxemburgo.

Em declarações aos jornalistas, antes da reunião, Venizelos garantiu que a Grécia irá cumprir as suas promessas de cortes orçamentais e de redução do défice. “Esta é uma boa ocasião para eu reafirmar a dedicação do governo grego e a vontade firme da população no sentido de cumprir o programa” de reajustamento acordado com a UE e com o FMI, afirmou o responsável, citado pela AFP.

A disponibilização da quinta fatia da ajuda à Grécia, bem como um novo tipo de apoio que poderá envolver, de forma voluntária, os detentores de dívida pública grega (como os bancos) é o tema central do encontro dos ministros das Finanças da zona euro, que termina amanhã. Nesta reunião também será feito o ponto da situação do programa de assistência financeira a Portugal, que se encontra representado pelo embaixador junto das instituições europeias, Manuel Lobo Antunes.

MRA Alliance/Público

Trichet diz que desequilíbrios entre economias são uma ameça global

domingo, junho 19th, 2011

O presidente do Banco Central Europeu recebeu hoje do Instituto de Estudos Económicos de Kiel (Alemanha) o Prémio de Economia Mundial e  aproveitou a ocasião para fazer a defesa do euro e deixar um alerta. O alargamento dos desequilíbrios entre as economias mundiais que, segundo o líder do BCE, se vai seguir à actual crise financeira terá consequências a nível global.

O chefe máximo do Banco Central Europeu procurou deixar de lado a crise grega – que hoje será abordada numa reunião especial dos ministros das Finanças da Zona Euro -, preferindo sublinhar a força da Zona Euro.

Por outro lado, com a Europa a atravessar um período de forte incerteza, Trichet retomou um dossier que, assegura, continua a ser a principal tarefa do BCE: o controle da inflação e a defesa da estabilidade dos preços.

“O que os cidadãos esperam do BCE é que garanta a estabilidade dos preços”, sublinhou o banqueiro-chefe, que deixaria ainda uma nota sobre receios que se avolumam para o período pós crise quanto à possibilidade de estar em marcha o aprofundamento global dos desequilíbrios.

Na opinião de Trichet, os desequilíbrios – foram já responsabilizados por contribuir para e por agravar os efeitos da crise de 2008 e 2009 – que poderão estabelecer-se a nível mundial constituirão um dos maiores desafios para a economia global.

“A preocupação é que, depois de uma redução parcial operada durante a crise, os desequilíbrios começam de novo a alargar-se”, apontou o banqueiro europeu, para acrescentar que este é um facto que devia colocar em alerta as agências mundiais, nomeadamente para a necessidade de uma vasta cooperação monetária e fiscal.

MRA Alliance/Agências

Vítor Gaspar entrelaçado pela troika e pela família

domingo, junho 19th, 2011

O novo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, é uma escolha elogiada que, mesmo antes de tomar posse, está a incendiar a curiosidade dos media nacionais.

«Muito competente, muito profissional, conhece bem a economia portuguesa. Além disso é uma pessoa muito determinada», postula o ex-ministro da pasta e actual líder da SEDES, Campos e Cunha.  «O professor Vìtor Gaspar – acrescenta – é uma pessoa extraordinariamente competente, não só em termos técnicos, mas também administrativos. Tem experiência europeia. Conhece muito bem o ministério das Finanças e o Banco de Portugal».

O economista Rui Moreira,  presidente da Associação Comercial do Porto, também não tem dúvidas de que Vítor Gaspar «é o ministro de que agora precisamos». Recorde-se que o ainda titular da pasta, Teixeira dos Santos, disse recentemente que no Terreiro do Paço não vai haver tempo para aquecer o lugar.

Além de ter de cumprir com a meta orçamental de 5,9% até ao final do ano, Vítor Gaspar vai ter de garantir o corte de pessoal na Função Pública: 1% na Administração Central, 2% na local e regional. Por outro lado, até ao final de Julho o BPN tem de ser privatizado e, até ao final do ano, na área dos transportes, a TAP, a Refer e a CP também têm de deixar a esfera do Estado.

O curioso é que tudo isto irá acontecer num quadro que alguns observadores consideram prefigurar um duelo financeiro, político e familiar com vista do Parlamento. A novidade foi revelada pelo dirigente do PSD, Nogueira Leite, através do Facebook.

De um lado o novo ministro das Finanças. Do outro, Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda. É que ambos estão ligados pelo sangue familiar. Vítor Louçã Rabaça Gaspar, agora ministro das Finanças, é primo de Francisco Anacleto Louçã. O líder do Bloco de Esquerda diz que «já houve outros familiares meus em outros governos e eu não fiz comentários pessoais, isso seria desagradável. Desejo-lhe o maior sucesso. O verdadeiro ministro das Finanças está no Banco Central Europeu».

MRA Alliance/Agência Financeira

“Políticas orçamentais insustentáveis” provocaram a crise, diz governador do BdP

quinta-feira, junho 16th, 2011

O Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defende que países em dificuldades devem beneficiar de injecções de liquidez e considera que a crise portuguesa resulta em parte de “políticas orçamentais insustentáveis”.

Carlos Costa considera que o Pacto de Estabilidade e Crescimento revelou-se “insuficientemente robusto” para impedir o descontrolo orçamental nos países do euro, e que o modelo de governação económica da Zona Euro actual é “inadequado”.

No mesmo discurso, Carlos Costa salientou que “a situação actual da economia portuguesa é fruto de importantes debilidades estruturais e de políticas orçamentais insustentáveis, cujos efeitos foram potenciados e amplificados pela crise internacional e por um modelo incompleto de governação económica na área do euro”.

Repetindo que o pedido de ajuda externa de Portugal tornou-se “inevitável”, o Governador afirmou que “o ajustamento da economia portuguesa implica a desalavancagem do sector financeiro, o reforço da poupança interna e a reposição do equilíbrio das contas públicas, o que se traduzirá necessariamente numa contracção da procura interna”.

Deste modo, o Governador do Banco de Portugal defendeu, no almoço-debate promovido pelo Fórum dos Administradores de Empresas, que “é fundamental um reforço do modelo de governação económica através da criação de mecanismos eficazes de controlo da disciplina financeira e de preservação da competitividade, que garantam o desenvolvimento sustentável das economias da área do euro”.

MRA Alliance/JdN

“Vai haver acidentes pelo caminho” nas metas da ‘troika’, diz ex-ministro das Finanças

segunda-feira, junho 13th, 2011

Silva Lopes, em entrevista ao Diário Económico, alerta hoje para acidentes de percurso na implementação do programa acordado com a ‘troika’. O ex-ministro das Finanças espera, porém, que as metas vão sendo cumpridas na generalidade. Eis o conteúdo da entrevista publicada na edição online do jornal.

Não haverá ganhos de poder de compra até 2016. E salário mínimo arrisca ficar como está. Um mal necessário?

Não me admira que Portugal não consiga aumentar o rendimento per capita em termos reais até 2016. Vai haver uma quebra grande [no crescimento] este ano e no próximo. O aumento do rendimento parece uma hipótese absurda. Quanto ao salário mínimo, não terá necessariamente que ser assim. É possível e desejável que o salário mínimo não tenha a mesma evolução do rendimento per capita. Pode haver outros rendimentos a ter evolução desfavorável, para que o salário mínimo possa ter uma evolução mais favorável. Não espero grandes aumentos, mas, se as coisas não correrem mal de todo, e houver determinação, pode haver uma evolução mais favorável do salário mínimo.

Não se consegue melhorar a produtividade por outra via que não custos de trabalho?

Em três ou quatro anos não conseguimos aumentos de produtividade suficientes para que os salários pelo menos permaneçam, em termos reais,
ao nível que estão. A longo prazo, pode aumentar, sim. Mas quaisquer reformas estruturais feitas agora não terão resultados imediatos. Ainda por cima, com a recessão este ano e no próximo, se a produtividade aumentar muito é porque o desemprego está a ficar pior. Mas claro que não se ganha poder competitivo só à conta dos salários. São importantes, mas não chegam. É preciso actuar em todas as frentes.

Portugal tem vantagem face à Grécia e à Irlanda para se tornar um exemplo de um resgate bem sucedido?

Corremos grandes riscos de também não voltarmos ao mercado tão depressa. Espero que do nosso lado se faça o possível e o impossível para cumprir as metas acordadas. Mas algumas são difíceis e não me admiraria que, em alguns casos, não as atingíssemos por inteiro. Espero que isso não seja generalizado e que consigamos, avançando e obtendo o financiamento inteiramente. Mas não esperemos o cumprimento das metas a 100%, vai haver acidentes pelo caminho.

MRA Alliance

BCE: Constâncio apoia criação de Ministério das Finanças Europeu defendida por Trichet

quinta-feira, junho 2nd, 2011

O vice-presidente do BCE, o português Vítor Constâncio, concorda com Trichet sobre a criação de um Ministério das Finanças Europeu.

Jean-Claude Trichet sugeriu a criação de um Ministério das Finanças Europeu, que “teria responsabilidades directas em pelo menos três domínios” e “não teria necessariamente” que gerir “um orçamento federal”.

O presidente do BCE explicou ainda que esse Ministério das Finanças Europeu teria de “vigiar as políticas orçamental e de competitividade” dos Estados-Membros do euro, intervir directamente em países desequilibrados e seria ainda dotado de poderes relacionados com o sistema financeiro.

A ideia da criação de um de Ministério das Finanças Europeu foi apoiada por Vítor Constâncio, o número dois do BCE.

Sobre a Grécia, Constâncio afirmou que o BCE não se opõe à participação do sector privado num novo acordo para ajudar Atenas, mas reiterou que a instituição está contra uma reestruturação completa da dívida helénica.

MRA Alliance/DE

Barroso desafia Merkl e defende reforço do fundo financeiro de resgate europeu

terça-feira, janeiro 18th, 2011

O presidente da Comissão Europeia apelou hoje a um aumento da capacidade real de financiamento do fundo já no início de Fevereiro. A posição de Durão Barroso vai contra a opinião de vários Estados-membros, nomeadamente a Alemanha e a França, que rejeitaram uma decisão sobre alterações do fundo europeu de estabilização financeira.

“A Comissão Europeia está pronta a responder a estas questões a 4 de Fevereiro”, quando os líderes europeus se reunirem em Bruxelas para discutir temas relacionados com Energia e Inovação, declarou Durão Barroso questionado por um eurodeputado durante o período de perguntas ao presidente da Comissão Europeia da sessão plenária do Parlamento Europeu. O presidente da Comissão Europeia precisou que não quer um aumento do “limiar” do fundo, mas sim da sua capacidade de financiamento real.

“A Comissão Europeia não precisa da autorização dos Estados-membros para exprimir a sua posição”, disse Durão Barroso, acrescentando que a proposta de Bruxelas seguiu as orientações da última reunião de chefes de Estado e Governo da UE que se mostraram dispostos a fazer tudo para defender o Euro. Barroso acha que “o mínimo que podemos e devemos fazer é aumentar a capacidade de financiamento do fundo”, o que “deve ser concretizado mais depressa do que devagar”.

Os países membros da Zona Euro estão a tentar chegar a um acordo para reforçar a capacidade efectiva de resgate do fundo europeu de estabilização financeira. Apesar da parte assegurada pelos países europeus ter uma dotação de 440 mil milhões de euros, o fundo apenas pode garantir resgates até cerca de 250 mil milhões, pois uma parte importante serve para garantir condições atractivas para os empréstimos a fazer eventualmente.

Uma das questões que os ministros discutiram foi a forma de aumentar a capacidade efectiva dos empréstimos de 250 mil milhões de euros para 440 mil milhões. A proposta de acelerar uma decisão sobre a questão foi criticada pela Alemanha que acusou Durão Barroso de estar a fazer propostas sem se concertar previamente com os Estados-membros.

Os 27 também estão a ponderar sobre a flexibilização do fundo, o que iria permitir a sua utilização noutras condições para além das estipuladas aquando da sua criação, por exemplo para comprar dívida pública.

O mecanismo global do fundo de resgate conta ainda com 60 mil milhões de euros da Comissão Europeia e 250 mil milhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) o que significa um montante total de 750 mil milhões.

MRA Alliance/DE

Ruptura de tesouraria de serviços do Estado obriga governo a actuar

domingo, dezembro 12th, 2010

A partir de Janeiro, os serviços que estejam à beira de uma ruptura de tesouraria vão poder utilizar receitas que sobrem do orçamento deste ano. Mas só se o ministro das Finanças autorizar e se forem sugeridos cortes adicionais de valor equivalente noutras despesas de 2011. Esta foi uma solução encontrada pelo Ministério das Finanças para evitar a paralisação dos serviços por falta de dinheiro, em 2011.

A regra foi ontem definida numa circular enviada pela Direcção Geral do Orçamento (DGO) aos serviços e fundos autónomos da administração central. O objectivo é explicar como é que os dirigentes devem proceder caso as finanças dos seus serviços estejam à beira do colapso.

MRA Alliance/DE

Risco Portugal é o que hoje mais cai no mundo

quarta-feira, dezembro 8th, 2010

No mercado de ‘credit-default swaps’ (CDS) – instrumentos financeiros para a prevenção de risco de incumprimento pelos devedores – é visível o alívio das preocupações dos investidores em relação a Portugal. O preço dos CDS sobre as obrigações do Tesouro portuguesas a cinco anos, é o que mais cai hoje no monitor da Bloomberg. 

O valor dos CDS nacionais desceu hoje 14,4 pontos base para 425,83 pontos, o que significa que, por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 425,83 mil euros.

Também os CDS sobre obrigações de Espanha (306,60 pontos base), da Itália (194,34 pontos base) e da Irlanda (531,49 pontos base) estão hoje em queda.

Já o juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos sobe para 6,217%, acima dos 6,151% a que encerou ontem.

O porta-voz do Governo alemão avisou hoje que a chanceler Angela Merkel vai voltar a vetar a emissão de dívida conjunta por parte dos países da zona euro. “Há obstáculos económicos e jurídicos à introdução de ‘Eurobonds’ [obrigações comuns dos estados-membros do euro], e estas reservas continuarão a existir nas próximas semanas”, disse hoje o porta-voz do Executivo alemão, Steffen Seibert, em Berlim.

MRA Alliance/DE

Portugal precisa de nove mil milhões até ao fim do ano

quarta-feira, setembro 29th, 2010

O risco da dívida nacional voltou a bater recordes, tendo o juro das obrigações portuguesas a 10 anos superado os 6,5%. Até ao final do ano, são necessários mais cerca de nove mil milhões de euros de financiamento externo para satisfazer todas as necessidades do Estado, previstas para este ano.O ministro das Finanças vai ter que se redobrar em explicações sobre o andamento das contas públicas deste ano, bem como persuadir os investidores internacionais das virtudes do próximo Orçamento do Estado de modo a convencê-los a comprarem dívida portuguesa a um ritmo de três mil milhões por mês.

Isto numa altura em que os mercados se questionam cada vez mais sobre a capacidade de Portugal e da Irlanda conseguirem cumprir os seus objectivos de política financeira e económica.

Ontem os prémios de risco da dívida nacional e irlandesa voltaram a bater máximos históricos com as taxas exigidas pelo mercado para deterem dívida a dez anos dos dois países a ultrapassarem os 6,5%.

Até agora, as Finanças, através do IGCP, conseguiram colocar mais de 33,1 mil milhões de euros, entre Obrigações do Tesouro (16,2 milhões de euros) e de Bilhetes do Tesouro (16,9 milhões de euros). A este montante acresce uma operação sindicada de três mil milhões de euros, realizada no princípio do ano e mais mil de um financiamento ‘swap’ em dólares. No total, o Estado conseguiu garantir financiamento à República num total de 37,1 mil milhões de euros.

MRA Alliance/Diário Económico

EUA aprovam maior reforma financeira desde 1930

sexta-feira, junho 25th, 2010

O Congresso norte-americano aprovou hoje a maior reforma financeira desde a Grande Depressão. O acordo foi obtido após 20 horas de intensos debates entre membros da Câmara dos Representantes e do Senado, conciliando as duas versões distintas para a reforma de Wall Street anteriormente aprovadas pelos dois orgãos, revela a Bloomberg. O formato do projecto final impõe novas regras operacionais para os bancos e cria um novo quadro regulamentar que assegurade maior protecção aos consumidores.

Os bancos poderão investir em ‘private-equity’ e hedge funds, mas nunca contribuir com mais de 3% para o capital dos fundos. As demais instituições financeiras também não poderão investir mais de 3% do seu rácio de capital Tier 1, usado para medir a saúde financeira dos bancos. A legislação aprovada hoje segue agora para votação em plenário, com a totalidade dos membros do Senado e da Câmara dos Representantes precisando de passar pelo crivo do presidente Obama antes de entrar em vigor, provavelmente em Julho.

“Esta será uma reforma muito forte, e mais forte do que alguma vez alguém previu que pudesse ser e eu próprio esperaria”, enfatizou o chairman da Comissão para os Assuntos Financeiros da Câmara dos Representantes, no início desta semana.

MRA Alliance/DE

Nova taxa de IRS já vai “comer” subsídios de férias

quinta-feira, maio 20th, 2010

A taxa agravada do IRS entrará em vigor um mês mais cedo do que o previsto, a 1 de Junho, o suficiente para apanhar a maior parte dos subsídios de férias no sector privado e a totalidade do subsídio pago aos cerca de 675 mil funcionários das Administrações Públicas, a ser recebido em Junho.

Depois do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, ter dito há dois dias ao i que as novas taxas – que aumentam o imposto em 1% e 1,5% – se aplicariam a todo o rendimento anual de 2010, o primeiro-ministro passou ontem por cima das Finanças e corrigiu a mão.

O desmentido da retroactividade da aplicação da nova taxa de IRS foi feito à hora de almoço pelo primeiro-ministro, José Sócrates, depois das reacções negativas – incluindo do PSD, parceiro no acordo – durante toda a manhã. Só à tarde chegou o esclarecimento do Ministério das Finanças: “As novas taxas de IRS, integrantes do pacote de medidas adicionais, tendo embora aplicação na liquidação de IRS respeitante a todo o ano de 2010, apenas incidirão sobre a parcela do rendimento angariada a partir de 1 de Junho, tal como sucederá com as novas tabelas de retenções na fonte”.

As duas intervenções, de chefe do governo e das Finanças, têm a mesma nuance: a medida de agravamento fiscal cuja entrada em vigor estava prevista para 1 de Julho (segundo anunciado na semana passada pelo governo) vai afinal avançar mais cedo. É apenas um mês, mas já chega para apanhar a maioria dos subsídios de férias, que em regra são pagos a partir de Junho – o anúncio da antecipação elimina a margem de manobra para pedidos antecipados do pagamento deste 13º mês.

A antecipação em um mês da entrada em vigor da nova taxa de IRS está dentro do acordo com o PSD, confirma o economista António Nogueira Leite, o negociador designado por Passos Coelho.

“Desde que a aplicação não seja retroactiva a antecipação da taxa respeita o acordado – se o governo decide apanhar o 13º mês em Junho isso é uma decisão que lhes compete explicar”, aponta o economista.

Mesmo com o esclarecimento das Finanças sobram muitas dúvidas aos especialistas sobre a aplicação desta nova taxa de IRS. “O governo devia explicar quanto antes o que quer fazer. Temos todas as dúvidas sobre qual vai ser feito”, aponta Rogério Fernandes Ferreira, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. “Já falaram de sobretaxa, de adicional e são coisas diferentes com efeitos distintos. Enquanto o governo não explicar o que vai acontecer ninguém consegue perceber nada”, acrescenta.

Resta saber como as empresas vão conseguir aplicar a nova retenção em tão pouco espaço de tempo – têm menos de duas semanas para saber como deverão proceder e ajustar a sua contabilidade.

MRA Alliance/ionline

Crise: “Tensão social é inevitável mas não prevejo violência”, diz Teixeira dos Santos

quarta-feira, maio 12th, 2010

Teixeira dos Santos - Ministro das FinançasNuma entrevista telefónica à Bloomberg, sinal da preocupação do Governo em falar para consumo interno, Teixeira dos Santos antecipou hoje a reacção dos portugueses às novas medidas de contenção, adianta a edição online do Diário Económico. “Não prevejo episódios de violência como testemunhamos na Grécia. Teremos tensão social, temos de enfrentá-la, mas temos mesmo de avançar com este pacote”, disse o ministro das Finanças.

O governante reafirmou que o Executivo vai “anunciar em breve essas medidas para reduzir os custos e aumentar as receitas”. “Estamos a finalizar acordos com o principal partido da oposição para termos apoio político para as pôr em prática”, disse. “Os portugueses não vão gostar deste tipo de medidas que são impopulares, mas não há razões para esperar episódios de violência “, antecipou, referindo-se às manifestações em Atenas que fizeram três vítimas mortais e pelo menos 40 feridos.

O ministro das Finanças também afirmou que se a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não tivessem aprovado o megafundo de ajuda aos países da zona euro, no valor total de 750 mil milhões de euros, “atravessaríamos um momento muito difícil nos mercados de dívida”.“Esta manhã fizemos uma emissão de obrigações em melhores condições do que em Fevereiro”, disse, acrescentando que “os mercados estão a aceitar a dívida portuguesa em melhores condições do que há três meses” e que isso “é um sinal positivo”.Portugal colocou hoje no mercado mil milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade a 10 anos. A procura quase duplicou a oferta.

MRA Alliance/DE

Cavaco quer PEC negociado e melhorado no parlamento

domingo, março 21st, 2010

Cavaco SilvaO Chefe do Estado deixou ontem um alerta ao Governo, afirmando que os partidos com assento parlamentar devem “ajudar a aperfeiçoar” o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Esta posição contrasta com a assumida na sexta-feira pelo ministro dos Assuntos Parlamentares. Segundo Jorge Lacão o Governo está disponível para “esclarecer” todos os pontos do PEC, mas fechou a porta a mudanças na redacção do documento.

Sendo o PEC o mais importante documento de orientação estratégica de Portugal para os próximos anos, a posição de Cavaco Silva vem apontar um caminho que, entre os socialistas, só teve eco no líder parlamentar socialista. Francisco Assis pediu ao Governo “abertura” para a negociação.

Falando à margem de uma acção da iniciativa Limpar Portugal, o Presidente da República lembrou que o PEC está no Parlamento “e que é aí que nesta fase deve ser discutido”, acrescentando que “as forças políticas com certeza vão ajudar a aperfeiçoá-lo , depois vai ser enviado para as instâncias comunitárias, e nós temos de esperar pelo desenvolvimento desse ciclo normal dos Programas de Estabilidade e Crescimento, no quadro daquilo que se chama o processo dos défices excessivos”. E, sobre o PEC, nem mais uma palavra do Presidente.

Depois de ter, em nome do “interesse nacional”, viabilizado o Orçamento do Estado para 2010 com a abstenção, a posição do PSD em relação ao projecto de resolução que o PS vai apresentar como suporte político ao PEC continua uma incógnita.

MRA Alliance/DN

Tribunal chumba contas do Estado de 2008

quinta-feira, dezembro 24th, 2009

As Contas do Estado foram criticadas ontem pelo Tribunal de Contas (TC). Os organismos da Administração Pública foram acusados de não saberem o real valor das receitas e das despesas. As garantias bancárias dadas pelo Estado via Caixa Geral de Depósitos ao Banco Privado Português foram liminarmente reprovadas pelo TC.

O parecer sobre a Conta Geral do Estado relativa a 2008 já foi ntregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, pelo presidente do tribunal, Guilherme d’Oliveira Martins. A par das habituais criticas à gestão dos dinheiros públicos, o TC manifesta “reservas” sobre as receitas, despesas e o défice na óptica da caixa, apresentados na Conta Geral do Estado para 2008.

“Não é possível confirmar o valor da receita inscrito na Conta Geral do Estado de 2008, relativamente ao da receita efectivamente obtida” devido ao “incumprimento de disposições legais que regulam a execução e a contabilização das receitas, bem como das deficiências que continuam a verificar-se nos respectivos procedimentos e no sistema de controlo interno”, refere o parecer.

O documento chumba o aval do Estado ao Banco Privado Português (BPP), por considerar que, de acordo com a lei o Governo não poderia ter garantido o empréstimo de 450 milhões de euros que o BPP contraiu junto de outras instituições, por não existirem certezas de que o banco possa pagar o empréstimo.

O TC entende que o Estado avaliou de forma “superficial” as contra-garantias dadas pela instituição. “Se à data da concessão da garantia já existia um elevado grau de probabilidade (…) que a garantia iria ser executada”, não se verifica a obrigação legal que “exige que exista segurança suficiente de que a obrigação a assumir será cumprida pelo garantido”. “Não existindo essa segurança, como aconteceu no caso do BPP, a garantia não poderia ter sido concedida”, conclui. Em resposta, o Ministério das Finanças contrapôs que a garantia do Estado ao BPP é totalmente legal.

O TC levanta também dúvidas quanto ao valor dos activos que o BPP entregou ao Estado como contra-garantia, actualmente estimados em 512 milhões de euros. “A maior parte – sublinha o parecer – é constituído por direitos de crédito vivos e por descobertos em depósitos à ordem que ainda não foram adequadamente analisados pelo Banco de Portugal”.

O parecer do TC alerta também para “o significativo aumento das responsabilidades efectivas do Estado por garantias prestadas em quase 1,8 mil milhões de euros.

MRA Alliance/Jornal de Notícias

UE: Crise financeira e cambial na Europa de Leste divide políticos e ameaça Euro

domingo, março 1st, 2009

A presidência checa da União Europeia, secundada por vários Estados-membros, rejeitou um plano específico para ajudar a Europa de Leste a enfrentar a actual crise económica, ideia protagonizada pela Hungria.

“Não acho que a Europa de Leste seja uma área especial, acho que não é necessário separar vários países dentro da UE. Apoio uma ajuda da União a todos os países que dela necessitem, e não especialmente ao Leste”, disse hoje Mirek Topolanek, primeiro-ministro checo, por ocasião Cimeira dos 27 sobre a crise económica mundial.

A situação financeira de alguns Estados-membros leste europeus é considerada muito grave e preocupante por muitos especialistas internacionais. A empresa texana Hayman Advisors, que ganhou USD 500 milhões a especular com a crise hipotecária nos Estados Unidos, no final de Fevereiro, considerou que a união monetária europeia está à beira do colapso.

A gravidade da situação é agravada pela resistência dos países mais ricos em aprovar um programa de emergência, financeiro e cambial, para os Estados-membros da Europa do Leste e para os bancos austríacos, espanhóis e italianos ameaçados com avultados incumprimentos no serviço das dívidas.

O director da empresa Richard Howard, citado pela agência Bloomberg, admitiu a possibilidade de “os calotes poderem levar a Alemanha a renunciar ao Euro.”

Durante a reunião de Bruxelas, a Hungria assumiu a defesa de um plano especial para a região. Entre os opositores contou-se também a Estónia, que defendeu conduzir à criação de diferentes “blocos” entre os 27.

“Não creio que haja necessidade de apoiar a Europa de Leste [em bloco], são países muito diferentes”, afirmou Andrus Ansip, primeiro-ministro estónio, que contrastou nomeadamente a situação vivida no seu país com a da vizinha Letónia, a braços com uma grave crise financeira.

Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês, o seu homólogo sueco Fredrik Reinfeldt mostraram-se favoráveis à ideia de “solidariedade” para com os países europeus de Leste mais afectados, pondo de parte uma ajuda em bloco, tal como o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

“Estamos confrontados com um período muito difícil e a mensagem que ouvi hoje é que devemos enfrentar a crise num espírito de verdadeira solidariedade”, afirmou. Porém, referiu que as políticas da Comissão irão levar em conta as “dificuldades específicas” dos países mais afectados.

Ferenc Gyurcsany, primeiro-ministro da Hungria, um dos países europeus mais afectados pela crise financeira mundial, pretendia o lançamento de um plano de ajuda específico para as instituições financeiras da região, até 190 mil milhões de euros.

Na sexta-feira, instituições financeiras internacionais como o Banco Europeu de Investimentos, Fundo Monetário Internacional e BERD comprometeram-se a apoiar os países da região com uma verba até 24,5 mil milhões de euros, caucionada pelo Banco Central Europeu.

Tal como a Polónia, Gyurcsany defende ainda uma aceleração da integração dos países de Leste na zona euro, onde actualmente estão apenas Eslovénia e Eslováquia.

“No início dos anos 1990 reunificámos a Europa. Agora, o desafio é se seremos capazes de reunificar financeiramente a Europa. Não podemos deixar que uma nova Cortina de Ferro seja criada para nos dividir”, afirmou o chefe de Governo húngaro.

MRA Alliance/Agências

UE: Portugal excluído do primeiro grupo de países com “défice excessivo”?

domingo, fevereiro 8th, 2009

Portugal deverá ficar fora da primeira vaga de países a quem a Comissão Europeia irá instaurar um procedimento por défice excessivo, apesar do desequilíbrio orçamental superior a 3,0 por cento do PIB previsto para 2009. Várias fontes comunitárias, citadas pela agência Lusa, são da opinião de que Portugal não irá figurar entre os “cinco ou seis” países a quem o executivo comunitário vai “apontar o dedo” por terem excedido, ou estarem em vias de exceder os 3,0% de défice orçamental previsto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

O assunto começará a ser debatido amanhã e na terça-feira, em Bruxelas, pelos  ministros das Finanças europeus numa reunião dedicada ao impacto da crise financeira na economia real e respectivas implicações nas finanças públicas.

O debate servirá para orientar a Comissão Europeia nos “pareceres” que irá dar a 18 e 25 de Fevereiro sobre as perspectivas de evolução orçamental apresentados pelos vários Estados-membros (Programas de Estabilidade actualizados) e, principalmente, sobre a decisão de abrir procedimentos por défice excessivo nos casos mais graves.

Em vez de abrir procedimentos por défice excessivo em todos os países que irão violar o Pacto em 2009, Bruxelas deverá começar por fazê-lo apenas naqueles que tendo tido um défice superior a 3,0 por cento do PIB em 2008 irão agravar ainda mais o seu desequilíbrio em 2009, acrescenta a Lusa.

Espanha, França, Irlanda, Grécia, Roménia, Letónia e Malta estão naquelas condições. No entanto, Portugal, com um défice de 2,2% do PIB em 2008 e uma previsão de 3,9% para 2009, deverá escapar, por enquanto, à abertura de um procedimento.

Ainda assim, Bruxelas poderá abrir procedimentos por défices excessivos aos restantes Estados-membros – Portugal inclusive – quando forem apresentadas as previsões económicas de Primavera da Comissão Europeia, em Abril ou Maio.

MRA Alliance/Lusa 

UE aperta controlos e regras para agências de notação de risco

quinta-feira, novembro 13th, 2008

A Comissão Europeia (CE) acaba de propor a adopção de medidas mais rigorosas de regulação e fiscalização das agências de qualificação de risco, para assegurar a sua independência face às entidades financeiras que avaliam e a credibilidade das análises que produzem.

A iniciativa pretende reparar os danos provocados por aquelas agências no contexto da actual crise financeira, por terem avaliado incorrectamente a qualidade dos riscos de certos produtos – designadamente derivativos de crédito – bem como o grau de exposição e a saúde financeira dos seus clientes, no Estados Unidos e no resto do mundo.

“Normas mais apertadas são necessárias para restaurar a confiança do mercado e garantir a independência analítica das agências” disse o comissário europeu do Mercado Interno e Serviços, Charlie McCreevy, durante uma conferência de imprensa, em Bruxelas.

O comissário sublinhou que as agências ”vão deixar de se poder defender com o argumento de que as suas notações de risco são meras opiniões” e, caso não actuem em conformidade com a lei, serão penalizadas. De acordo com as novas regras, as agências de notação de risco:

– Passam a estar sujeitas a supervisão dupla: 1) das autoridades nacionais que regulamentam os mercados financeiros; 2) através de um registo na Comissão de Reguladores Financeiros Europeus (CESR, em inglês), organismo de consulta independente que cooperará com os supervisores nacionais;

– Estão proíbidas de prestar serviços de assessoria;

– É-lhes vedado qualificar instrumentos financeiros caso não disponham de informação com qualidade suficiente para a emissão dos pareceres;

– Passam a ser obrigadas a implantar uma estrutura interna de revisão da qualidade de suas classificações;

– Os seus Conselhos de Administração ou de Supervisão serão obrigados a ter no mínimo três directores independentes, cuja remuneração não esteja submetida aos resultados da agência, devendo pelo menos um deles ser especializado em seguros e em instrumentos financeiros derivados. Os administradores serão nomeados para um mandato único, não-superior a cinco anos, podendo ser destituídos por falhas profissionais;

– As agências deverão informar os reguladores sobre os modelos, metodologias e fundamentos técnicos que servem de base para as suas notações, bem como apresentar todos os anos um relatório sobre a transparência das suas actividades.

O comissário McCreevy julga as medidas serão bem aceites pelo sector pois melhoram a reputação e a credibilidade das empresas, muito afectadas desde a implosão da crise hipotecária e de crédito, no Verão de 2007.

A proposta da Comissão Europeia é particularmente crítica sobre as suas ”duvidosas práticas” e “conflitos de interesses”, acusando as agências de terem comprometido a sua função para obterem mais lucros.

McCreevy informou que as medidas agora apresentadas poderão entrar em vigor dentro de um ano, se o Parlamento Europeu e a Presidência da União Europeia, actuarem com celeridade.

Segundo o comissário, a Comissão Europeia vai propor aos Estados Unidos a adopção destas medidas e irá pô-las em prática independentemente das decisões do governo estadunidense.

O tema será abordado na cimeira do G20, no próximo fim-de-semana, em Washington, durante a qual as vinte maiores economias do mundo vão debater as reformas do sistema financeiro global.

MRA Dep. Data Mining/Agências

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Seguradora AIG está a tornar-se um poço sem fundo

segunda-feira, novembro 10th, 2008

As autoridades federais norte-americanas anunciaram hoje que a ajuda concedida à seguradora AIG, cuja situação não melhorou desde a nacionalização, em Setembro, foi aumentada para USD 152,5 mil milhões/bilhões (mm/bi). A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a AIG – American International Group – comunicou ao mercado prejuízos de USD 24,5 mm/bi, no terceiro trimestre.

A dimensão e a velocidade das perdas, bem como os avultados montantes envolvidos para salvar a empresa da falência, levaram o Departamento do Tesouro e o banco central Fed a decidirem a reestruturação da ajuda. O Estado norte-americano considera a AIG uma empresa estratégica para a estabilidade do sistema financeiro, o qual seria afectado com a sua insolvência.

Os novos financiamentos serão concedidos à margem do fundo de USD 700 mm/bi para salvar o sistema. O Fed, que havia emprestado inicialmente USD 85 mm/bi à AIG, vai reduzir aquele empréstimo para 60 mm/bi. Em contrapartida, nos termos do novo programa, o Estado comprará USD 40 mm/bi de acções preferenciais da empresa ao abrigo da lei de estabilização económica de urgência, promulgada no início de Outubro.

Por outro lado, a Reserva Federal vai criar duas novas facilidades de crédito. Uma, no valor de USD 30 mm/bi, para a compra de Credit Default Swaps (CDS) – seguros contra riscos de crédito. A outra deverá garantir a compra de títulos de dívida da empresa até USD 22,5 mm/bi.

MRA Dep. Data Mining/Agências

G20: Consensos e perigos separados por dois anos, diz Zoellick

domingo, novembro 9th, 2008

Os países do G20, que se reúnem no dia 15 em Washington, estão perto de um consenso sobre a necessidade de reformar o sistema financeiro, numa altura em que as economias estão a entrar “numa zona de perigo”, afirmou o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick.

Em São Paulo, num encontro com jornalistas durante a reunião ministerial preparatória da cimeira G20, que vai reunir 20 dos países industrializados e das maiores economias emergentes, Zoellick afirmou que todos defendem a necessidade de uma resposta coordenada à crise financeira mundial, mas advertiu que a nova ordem financeira levará tempo.

“Praticamente nenhum país é poupado (…). Todos avançam para uma zona de perigo”, avisou o presidente do Banco Mundial. Zoellick considerou que, “dentro de dois anos, vão assistir-se a verdadeiras mudanças no sistema mundial”. Questionado se a reunião de São Paulo vai naquele sentido, Zoellick sublinhou que “é demasiado cedo para o dizer”.

O presidente do Banco Mundial acredita que a situação poderá ficar mais clarificada após a cimeira do G20, a 15 de Novembro em Washington.

MRA Dep. Data Mining/Agências

Espanha vai participar na cimeira financeira do G20

sábado, novembro 8th, 2008

O Presidente em exercício da União Europeia (UE), Nicolas Sarkozy, confirmou ontem, em nota enviada aos 27 Estados-membros, a presença de Espanha na Cimeira do G20, prevista para 15 de Novembro, em Washington.

Os líderes europeus apoiaram as sugestões da Presidência francesa da UE sobre as grandes prioridades dos 27 para a reforma do sistema financeiro internacional que será discutido na Cimeira do G20 de Washington a 15 de Novembro.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já tinha manifestado o seu apoio e das instituições europeias à participação de Espanha na cimeira do G-20, justificando que a exclusão de Madrid “não é nada contra Espanha” mas o resultado de o formato [G20] ter sido herdado da última grande crise financeira – a asiática. “Espanha é a oitava economia do Mundo e tem aqui uma experiência de grande interesse para a reforma do sistema financeiro global”, defendeu Durão Barroso.

Fazem parte do G-20 os sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão, Alemanha), as economias emergentes (Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia) e a União Europeia.

MRA Dep. Data Mining

Europa ameaçada pela maior crise cambial de sempre

sexta-feira, outubro 31st, 2008

“A mãe de todas as crises cambiais” foi o termo usado pelo recém laureado Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, num curto artigo publicado no New York Times, no final do mês, sobre os próximos desenvolvimentos nos mercados mundiais de divisas. O economista escreveu no seu blogue: “Tenho lido os relatórios de Stephen Jen, um antigo aluno meu, que actualmente é o estrategista chefe de câmbios do banco Morgan Stanley. Ele sublinha que desde o colapso do Lehman [Brothers] se avolumam claros sinais de crises cambiais através dos mercados emergentes do globo, incluindo a Europa do Leste. Neste momento, não se trata de uma crise asiática ou latino-americana. É uma crise global. Jen acrescenta: ‘Até agora, o sector financeiro dos Estados Unidos foi o epicentro da crise global. Receio que a queda dos activos e das economias dos mercados emergentes será o segundo epicentro, nos próximos meses, com efeitos devastadores no mundo desenvolvido.'”

Os analistas Edward Hadas e Hugo Dixon, em outro artigo publicado pelo diário novaiorquino, também lançaram o alarme. “A crise financeira – escreveram – atingiu uma marca perigosa. Os mercados de divisas são um ioió. Agora, as autoridades têm de encetar algumas manobras, bem vastas e delicadas – uma espécie de micro-cirurgia numa aeronave em céus turbulentos.”

Após citarem a dramática apreciação do iene e as violentas desvalorizações de outras moedas face ao dólar, os analistas explicaram a razão dos temores: “Variações desta escala são alarmantes quando acontecem no mercado bolsista. Porém, são petrificantes nos mercados de divisas, pois tornam virtualmente impossível fixar os preços das exportações e das importações.”

A situação agravou-se nos últimos meses com as manobras especulativas, sobretudo protagonizadas por grandes hedge funds. Desde a crise asiática, e da deflação que se lhe seguiu, o iene japonês e as baixíssimas taxas de juro nipónicas foram um El Dorado para os especuladores. Comprar ienes a preço de saldo para financiar operações especulativas a nível global foi altamente lucrativo nos últimos dez anos. Desde 2007, a implosão do mercado hipotecário norte-americano, o aperto global do crédito e a recessão económica mundial geraram dinâmicas inversas. A necessidade de dinheiro fresco, por parte dos investidores e especuladores dos países ricos, aumentou a procura sobre a divisa japonesa. Nos últimos meses, a necessidade fez subir em mais de 40% o seu valor face ao dólar. A impressionante valorização do iene é uma bomba-relógio para os exportadores nipónicos e um grave factor de desestabilização dos mercados cambiais.

Os fenómenos globais de desalavancagem aceleraram o processo, com prejuízo para os países com moedas mais fracas, vulneráveis a grandes défices orçamentais, ao desequilíbrio das contas correntes ou aos crónicos agravamentos da dívida pública.

Perversamente, o dólar americano, embora afectado por todas aquelas maleitas, beneficia do facto de continuar a ser percepcionada como divisa âncora das reservas financeiras mundiais. Por esta razão, em meados do ano, inverteu-se o acelerado processo de desvalorização do dólar, iniciado há um ano atrás. Contrariamente, países europeus com insuficientes reservas de moeda estrangeira e excessivamente dependentes de capitais externos – com destaque para a Islândia, Hungria, Cazaquistão, Sérvia e Bielorússia – foram particularmente afectados nas útimas semanas. Pacotes internacionais de ajuda financeira – empréstimos bilionários e venda de dólares – sucederam-se para limitar os danos e a erosão do valor das suas moedas.

“Esta é a maior crise cambial que o mundo alguma vez conheceu”, afirmou Neil Mellor, estrategista do Bank of New York Mellon, citado pelo londrino The Telegraph. O articulista do diário britânico sublinhou que “a crise financeira, que alastra como um incêndio incontrolável através do antigo bloco soviético, ameaça despoletar uma segunda e mais grave crise bancária na Europa Ocidental, e provocar o completo desmoronamento económico de todo o continente.”

Os números são aterradores. A Alemanha e a Rússia estão no olho do furacão. Só na Islândia as perdas da banca germânica ultrapassaram USD 22 mil milhões/bilhões (mm/bi). Em toda a Europa do Leste a exposição dos bancos da Alemanha é igualmente gigantesca. O caso da Rússia também é preocupante, agravado pelo afundanço dos preços do petróleo e pela desvalorização do rublo mais de 10%, nas últimas semanas. A dívida externa dos oligarcas russos (USD 530 mm/bi) já suplantou o total das reservas do país em moeda estrangeira e, até ao final de Dezembro, terão que pagar tranches no valor de USD 47 mm/bi. Apesar das riquezas naturais, avolumam-se os perigos de incumprimento russo no pagamento dos serviços da dívida externa. Na semana passada, os seguros de risco contra uma eventual insolvência da Rússia, galgaram para os 12% – uma taxa superior à registada pela Islândia na véspera da falência do sector bancário islandês. Alarmante é o grau de exposição dos bancos austríacos aos mercados emergentes europeus, que equivale a 85% do PIB da Áustria, com dimensão crítica na Hungria, Ucrânia e Sérvia. O mesmo indicador afecta a Suíça (50%), Suécia (25%) e Espanha (23%), contra apenas 4% da banca norte-americana. O drama espanhol é agravado pela crítica exposição aos mercados da América Latina. Os bancos do vizinho ibérico emprestaram USD 316 mil milhões aos países latino-americanos – quase o dobro dos empréstimos da banca americana na região. Da Argentina ao México, a banca espanhola corre sérios riscos de incumprimentos em cadeia. Se a estes juntarmos os da crise da bolha imobiliária, ainda em evolução, teremos um panorama negro para a banca espanhola com evidentes perigos de contágio ao sector bancário português. Neste contexto, conforme referiu o The Telegraph, “o mercado tomou cuidadosamente nota, na sexta-feira, que os maiores bancos de Portugal – Millenium, BPI e Banco Espírito Santo – se preparam para recorrer às garantias de crédito de emergência concedidas pelo Estado.”

Outro especialista em divisas, Hans Redeker, do banco BNP Paribas, falou “no perigo iminente” de as taxas de câmbio leste europeias implodirem “a menos que as autoridades monetárias da União Europeia acordem para a real gravidade da ameaça” prevendo mesmo “o despoletar de uma perigosa crise para a própria União Monetária Europeia.” “O sistema está paralizado, e começa a fazer lembrar a Quarta-Feira Negra de 1992. Eu receio que isto terá um tremendo efeito deflacionário na economia da Europa Ocidental. É quase garantido que o suprimento de moeda aos mercados da Eurolândia está prestes a implodir”, disse o economista do BNP Paribas. Esta é a visão de curto prazo.

Na semana passada, o investidor norte-americano Warren Buffett – admirado como o Oráculo de Omaha – discorreu no New York Times sobre a sua estratégia de longo prazo, favorável à actual compra de acções e de obrigações: “Hoje as pessoas que dispõem de aplicações equivalentes a dinheiro fresco sentem-se confortáveis. Não devem. Elas optaram por um terrível activo de longo prazo, algo que, virtualmente, dá uma remuneração igual a zero e está certamente condenada a perder valor. Na realidade, as políticas que o governo [americano] vai adoptar nos seus esforços para aliviar os efeitos da crise actual, provavelmente, vão ser inflacionárias e por isso acelerar a desvalorização do valor real dos depósitos em numerário. Os títulos, quase de certeza, irão ultrapassar a apreciação da moeda durante a próxima década, provavelmente de forma substancial. Os investidores que acumulam numerário estão a apostar na possibilidade de poderem fazer a mudança mais tarde, com sucesso. Na espera de boas notícias, eles ignoram o conselho de Wayne Gretzky [lenda do hóquei no gelo]: “Eu patino para onde vai estar o disco e não para onde ele esteve.”

As consequências de curto prazo para a economia global são ameaçadoras, sobretudo na área do comércio internacional. A combinação explosiva da recessão mundial, com o descontrolo da crise cambial, vai aumentar pressões proteccionistas e desencadear um ciclo vicioso de falências, desemprego e quebra do PIB mundial. O economista norte-americano Nouriel Roubini, ontem, na coluna semanal que assina para a revista Forbes, aconselhou que devemos prepararmo-nos para a stag-deflation – um venenoso neologismo que casa estagflação com deflação.

A Grande Depressão dos anos 30 pode vir a ser ultrapassada.

Este é o efeito perversor da Globalização.

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Seguradora Aegon recebe ajuda bilionária do governo holandês

terça-feira, outubro 28th, 2008

A seguradora holandesa Aegon NV vai receber uma ajuda estatal de EUR 3 mil milhões/bilhões , informou a empresa num comunicado à imprensa. A detentora da norte-americana Transamerica Corporation é a segunda instituição da Holanda, após o banco ING, a receber ajuda governamental para ultrapassar a presente crise do crédito. MRA Dep. Data Mining

GE vai recorrer ao Fed para aliviar aperto do crédito

domingo, outubro 26th, 2008

A General Electric Corporation, o maior emitente de papel comercial dos Estados Unidos, registou-se junto do banco central Fed/Federal Reserve como beneficiário do programa específico de financiamento Commercial Paper Funding Facility, revelou a agência Bloomberg. O porta-voz da GE, Russell Wilkerson, disse à agência que a decisão visa “demonstrar o nosso apoio ao que o Fed está a fazer, ou seja disponibilizar todo o tipo de liquidez.” O papel comercial é um instrumento fundamental para as empresas americanas financiarem as suas tesourarias por períodos de 90 dias. A Bloomberg adianta que a decisão da GE “pode dissipar o estigma do programa junto de outros potenciais tomadores de crédito e estimular a liquidez no mercado encorajando os investidores a adquirirem dívidas de empresas com elevadas notações de risco.” Desde o início do ano as acções da GE registaram uma desvalorização de 54%.

O volume de papel comercial vincendo caiu USD 61,5 mil milhões/bilhões para um valor de USD 1,45 mil biliões/trilhões, o mais baixo desde Abril/2005, informou o banco central. Desde 10 de Setembro, o mercado encolheu em 1/5 – USD 366 mm/bi – a maior queda registada até ao presente. MRA Dep. Data Mining