Archive for the ‘Extremo-oriente’ Category

Coreias: EUA, Japão e Coreia do Sul revelam incompetência geopolítica

quinta-feira, dezembro 2nd, 2010

Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão vão reunir-se segunda-feira em Washington para concertarem uma resposta ao alegado bombardeamento da ilha de Yeonpyeong a 23 de Novembro pela artilharia norte-coreana, no primeiro ataque a alvos civis desde 1987.

A reunião em Washington evidencia “a coordenação estreita” entre as três capitais, lê-se num comunicado do Departamento de Estado que marca a data do encontro. A notícia coincide com o fim das importantes manobras conjuntas de forças aeronavais americanas e sul-coreanas que decorreram desde domingo até ontem no mar Amarelo.

O encontro tripartido na capital americana deverá estabelecer os contornos de uma resposta às escaramuças de 23 de Novembro, quando a República Popular da China está a bloquear, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a aprovação de uma resolução de condenação da Coreia do Norte.

Diversas agências referiam ontem, citando fontes diplomáticas, que Pequim considera inaceitável o uso de vocábulos como “condenar” ou “Conselho expressa preocupação”. Pequim, por outro lado, tem insistido no reatamento do mecanismo conhecido como as negociações a seis, que envolve as duas Coreias, EUA, Japão, Rússia e China.

O regresso a este formato diplomático na actual conjuntura é considerado desajustado por Washington, Seul e Tóquio. As três partes acham que sentarem-se à mesma mesa com representantes de Pyongyang equivaleria a reconhecerem uma vitória do regime de Kim Jong-il, que acusam de ter abandonado as negociações em Abril de 2009.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, insistia ontem ser “dever e obrigação” de Pequim “pressionar a Coreia do Norte a desistir da atitude beligerante”.

Gibbs omitiu um dos principais factos da escalada do conflito na ilha de Yeonpyeong, em  23 de Novembro. O primeiro tiro foi disparado pela Coreia do Sul.

De acordo com a tradição oriental, será impossível que a China, a potência regional que detém a chave da solução do problema coreano, aceite o veredicto dos norte-americanos e respectivos aliados no Extremo Oriente.

Se o fizesse Pequim perderia a face e, desta forma, alienaria a sua legitimidade moral e política na gestão do conflito.

MRA Alliance/Agências/pvc

China aceita a reunificação pacífica das duas Coreias

quarta-feira, dezembro 1st, 2010

O fim da separação entre a Coreia do Norte (comunista) e a Coreia do Sul (capitalista) foi tema de conversa entre diplomatas chineses e americanos e poderá acontecer a prazo, de acordo com documentos revelados pela Wikileaks, a organização fundada pelo australiano Julian Assange.

Quarenta e oito horas após a organização ter iniciado a publicação de milhares de documentos diplomáticos americanos, confidenciais e secretos, ontem as surpresas continuavam a suceder-se. Ao que parece, para Pequim, a Coreia do Norte já não tem valor como um estado-tampão com o Ocidente.

O conteúdo dos telegramas diplomáticos, tornados públicos pela organização do cidadão australiano, revela conversas pormenorizadas entre responsáveis dos Estados Unidos e diplomatas chineses, e entre responsáveis sul-coreanos e os seus homólogos do Império do Meio.

O documento referenciado avança que tal diálogo aconteceu, em Junho de 2009 e durante um jantar de três horas em Astana, capital do Cazaquistão. Então, e referindo-se às Coreias, o diplomata chinês em Astana confiou ao embaixador americano Richard Hoagland que Pequim “deseja uma reunificação pacífica a longo prazo, mas espera que os dois países se mantenham separados para já”.

A perspectiva de uma intervenção militar da China em caso de colapso da Coreia do Norte foi também posta de parte por diplomatas que sublinham que as estratégias económicas de Pequim estão agora mais vocacionadas para EUA, Japão e Coreia do Sul.

MRA Alliance/DN

Agravamento das tensões inter-coreanas é um teste ao pragmatismo da China

quinta-feira, maio 27th, 2010

No início da década de 1990, os mapas chineses tinham uma única Coreia, a “Democrática e Popular”, com capital em Pyongyang, e Seul, a capital sul-coreana, aparecia em letra mais pequena, como qualquer cidade de província. Vinte anos depois, a península coreana continua dividida – e tensa – mas a China já não se posiciona da mesma maneira e o que os seus aliados norte-coreanos insistem em designar por “governo fantoche do Sul” é hoje um dos maiores parceiros regionais de Pequim, escreve o delegado da Lusa na capital chinesa num despacho distribuído hoje.

Por coincidência, numa altura de renovada guerra verbal da Coreia do Norte contra os “gansgters” e “traidores” da Coreia do Sul, o primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, é esperado na sexta feira em Seul. Wen Jiabao irá participar também, no próximo fim de semana, na cimeira anual com o seu homólogo japonês, e o presidente sul-coreano, Lee Myung-hwa.

A crise atual está relacionada com o ataque de torpedo que afundou uma corveta sul-coreana, há dois meses, matando 46 dos seus tripulantes. Segundo as conclusões de um inquérito internacional anunciadas na semana passada em Seul, o torpedo foi disparado por um submarino norte-coreano. A Coreia do Norte negou qualquer responsabilidade no incidente e qualificou o inquérito como “uma farsa conspirativa”.

Aparentemente embaraçado, o governo chinês disse que vai “avaliar” a situação e prometeu ser “objetivo”, multiplicando os apelos à “calma” e à “contenção”. Ao contrário da Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, a China tem evitado condenar “o comportamento beligerante” da Coreia do Norte, mas não adotou a versão de Pyongyang, que qualificou este caso como “uma pura invenção, fabricada pelo grupo de traidores de Lee Myung-bak”.

A China partilha com a Coreia do Norte uma fronteira com 1400 quilómetros de comprimento e combateu ao seu lado na Guerra da Coreia (1950-53), um sangrento conflito que envolveu também os Estados Unidos.

Em 1992 – o ano em que o Partido Comunista Chinês (PCC) se converteu abertamente à economia de mercado – a China estabeleceu relações diplomáticas com a Coreia do Sul e desde então a cooperação económica bilateral tem-se desenvolvido em ritmo acelerado.

Segundo estatísticas chinesas, nos primeiros quatro meses deste ano, o comércio entre a China e a Coreia do Sul somou cerca de 62 900 milhões de dólares (51 500 milhões de euros), um aumento de 46,8 por cento em relação a igual período de 2009. Com a vizinha Coreia do Norte, o comércio também aumentou (9,4 por cento) entre janeiro e abril de 2010, mas somou apenas cerca de 720 milhões de dólares (590 milhões de euros).

MRA Alliance/Lusa