Archive for the ‘Euro’ Category

“Espanha e Itália, se forem mal geridas, serão um problema mundial”, diz economista do Citi

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Economista-chefe do Citi diz que o BCE deve direccionar os seus poderes para proteger Espanha e Itália do contágio da crise de dívida. “Espanha e Itália, se forem mal geridas, não serão um problema europeu, mas mundial”, alerta Willem Buiter, em entrevista à Reuters, em Moscovo.

Buiter diz ainda que “os dois países têm de fazer compromissos mais credíveis do que aqueles que foram feitos até agora, especialmente no caso de Itália”. Isto mesmo depois de o Senado italiano ter aprovado ontem uma nova versão do plano de austeridade para alcançar o equilíbrio orçamental em 2013, que contempla uma subida de um ponto percentual no IVA, de 20 para 21%, e um imposto de 3% sobre os rendimentos superiores a 300 mil euros anuais.

O economista-chefe do grupo financeiro norte-americano defende ainda que cabe ao BCE, e não ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), actuar como financiador de último recurso, fornecendo liquidez a Itália e Espanha. Quanto aos países intervencionados – Grécia, Irlanda e Portugal – o especialista diz que o BCE deve permitir a reestruturação das suas dívidas.

No mesmo comentário, Buiter considerou ainda que o BCE deve descer os juros em Outubro. “Eles têm de mudar o curso e não apenas congelar a subida dos juros. Eles têm realmente de cortar os juros”, disse.

O banco central reúne hoje para decidir a evolução da sua taxa directora, que, segundo os economistas, deve ficar em 1,5%.

MRA Alliance/DE

Salvar a Grécia, Irlanda e Portugal é mais barato do que “matar” o euro, diz UBS

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Segundo a análise do banco suíço UBS, os custos de uma eventual saída do euro por parte dos países economicamente mais debilitados seriam “significativos”. No caso de Portugal custaria até 11.500 euros, em média, por pessoa e no primeiro ano. Mas a probabilidade de a moeda única entrar em colapso está “perto do zero”,  e deixá-lo morrer sairá bem mais caro do que resgatar “periféricos”, dizem os autores do estudo.

Stephane Deo, Paul Donovan e Larry Hatheway, os três economistas do UBS que redigiram o relatório intitulado Perspectivas económicas globais, partem da premissa de que com “a actual estrutura” o “euro não funciona”. “Este euro gera mais custos económicos do que benefícios”, algo que se “tornou dolorosamente óbvio para alguns dos seus participantes nos últimos anos”, defendem no documento.

Os economistas ressalvam, porém, que a probabilidade de a moeda única entrar em colapso está “perto do zero”, e enumeram as consequências económicas e políticas para os diferentes estados-membros.

A saída de um “país fraco” da zona euro, como Portugal, custaria, segundo as estimativas dos três economistas, entre 9.500 a 11.500 euros por pessoa no primeiro ano, o equivalente a 40 ou 50 por cento do PIB desse país. Nos anos seguintes, o custo iria variar entre os 3.000 e os 4.000 euros por cada cidadão.

Estes cálculos incluem as consequências que um país de menor dimensão económica sofreria caso abandonasse o euro: incumprimento da dívida pública (sovereign default), insolvência de empresas (corporate default), colapso do sistema financeiro e do comércio internacional.

Já para um “país forte” economicamente o rombo seria menor para a carteira dos cidadãos. Na Alemanha, por exemplo, um regresso à moeda anterior (o marco) implicaria um custo entre 6.000 a 8.000 euros a cada germânico no primeiro ano, o equivalente a 20 ou 25 por cento do PIB. Nos anos subsequentes, a saída do euro por parte da maior potência económica da Europa seria consolidada com um custo entre 3.500 e 4.500 euros por cidadão.

Face a estes cálculos, os economistas do UBS defendem que fica mais barato resgatar a Grécia, a Irlanda e Portugal, caso os três países periféricos entrassem em incumprimento (default). Nesse caso, o custo para os estados-membros situar-se-ia “ligeiramente acima de mil euros por pessoa, de uma só vez”.

Deo, Donovan e Hatheway ressalvam, porém, que estes cálculos não incluem os custos políticos que a fragmentação do euro poderia trazer, como a perda de influência da Europa no plano mundial. Por isso, defendem, os “custos económicos são, em múltiplos sentidos, a última das preocupações que os investidores deveriam ter acerca de uma ruptura [do euro]”.

MRA Alliance/Público

Alemanha ameaça congelar resgate da Grécia

quinta-feira, setembro 8th, 2011

O ministro das Finanças da Alemanha disse hoje perante o Parlamento do seu país que a Grécia não receberá a próxima parcela do plano de resgate em vigor até que cumpra as condições orçamentais definidas pelos credores internacionais.

“Senhoras e senhores, a situação na Grécia é séria”, disse Wolfgang Schaeuble, citado pela agência Reuters. “De momento a missão da troika está suspensa. Não pode haver aqui ilusões. Enquanto a missão não confirmar que a Grécia cumpriu as condições, então a próxima parcela não pode ser paga”, explicou, na sessão em que defendia perante os deputados alemães o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), decidido em Julho com o objectivo de tentar controlar a crise da dívida pública da zona euro.

Neste contexto, Schaeuble disse também, citado pela AFP, que “o debate de uma segunda ajuda [um novo pacote de resgate, já decidido em Julho] é muito prematuro face às actuais dificuldade em torno do pagamento da próxima parcela” prevista ao abrigo do programa em curso.

O ministro das Finanças dos Países Baixos, Jan Kees de Jager, disse também hoje aos jornalistas que o seu país não contribuirá para a próxima parcela do empréstimo à Grécia se a trioka composta pela Comissão Europeia, BCE e FMI concluir que a Grécia não cumpriu o acordo sobre as reformas orçamentais.

Questionado sobre se nesse cenário a Grécia deverá deixar a zona euro, Kees de Jager disse que “então teremos uma situação diferente e teremos de ver como lidar com ela”, afirmou, citado . Salvaguardou ainda que a proposta do seu Governo de obrigar os países orçamentalmente indisciplinados a deixar a zona euro, lançada ontem, não se aplica à situação actual.

O primeiro-ministro liberal dos Países Baixos, Mark Rutte, e Kees de Jager defendem que a União Europeia (UE) nomeie um responsável pelos orçamentos na zona euro, que no limite poderia expulsar países da moeda única.

MRA Alliance/Público

«O euro entrou em colapso», diz Greenspan

terça-feira, agosto 23rd, 2011

«O euro está a entrar em colapso». A frase é do antigo presidente da Reserva Federal norte-americana, Alan Greenspan. Numa conferência em Washington, Greenspan sustentou que algumas garantias colaterais detidas pelos bancos da zona euro são «questionáveis» e que a crise europeia poderá afectar os lucros de algumas empresas dos EUA.

Sobre a União Europeia, o antigo banqueiro central dos EUA acredita que ainda não está em recessão, mas considera que a elevada incerteza, está a prejudicar a retoma.

MRA Alliance/Agências

Merkel e Sarkozy não travam queda do euro mas querem policiar política económica da UE

terça-feira, agosto 16th, 2011

O euro desvalorizou hoje cerca de 0,30%,  fixando-se nos 1,4405 dólares, no final da cimeira entre a chanceler alemã e o presidente francês, de onde saiu um conjunto de propostas para impulsionar a estabilidade no espaço da moeda única.

Nicolas Sarkozy e Angela Merkel apelaram à formação de um governo económico para ajudar a acalmar a crise da dívida soberana, remetendo para mais tarde a discussão sobre as euro-obrigações.

O novo órgão deverá ser liderado pelo actual presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que será convidado nos próximos dias, disse Sarkozy no final de um encontro entre os dois líderes.

Também a manutenção do rating norte-americano no nível máximo («AAA»), com perspectiva estável, pela Fitch deu força ao dólar. A justificar esta decisão está, precisamente, a confiança na moeda dos EUA pela agência  de notação financeira.

A pressão sobre a moeda da Eurolândia deve-se ao facto de a economia da Zona Euro ter crescido menos do que o esperado no segundo trimestre do ano, com especial incidência para a economia alemã (0,1%) e francesa (estagnação), com o PIB português registar um crescimento negativo em termos homólogos, no segundo trimestre, de 0,9%.

MRA Alliance/AF

Cresce número de alemães, franceses e britânicos que querem Grécia fora do euro

segunda-feira, agosto 15th, 2011

Uma crescente maioria de inquiridos de alguns dos chamados países ricos da União Europeia quer que a Grécia saia da Zona Euro e não está disponível para mais resgates financeiros a países fortemente endividados, revela uma sondagem da Bloomberg/YouGov.

O estudo mostra que 58% dos alemães não querem partilhar a divisa com os helénicos. Em França, 45% dos inquiridos franceses também têm a mesma opinião. Na Grã-Bretanha 65% defendem esta posição contra apenas 13%.

Ao mesmo tempo, 59% da população germânica não concorda com novos resgates financeiros, “mesmo que sejam necessários para manter a Zona Euro intacta”. Apenas 20% dos alemães são a favor da realização de novos pacotes financeiros, segundo a agência. Em França, são 47% aqueles que se opõem a novos resgates na região, contra 27% com uma resposta positiva a estas operações.

Ainda assim, a França e a Alemanha até se mostram a favor da sua própria permanência na Zona Euro. O estudo mostra que 48% dos alemães querem continuar a ter o euro como a sua divisa. Mas a diferença face aos que não querem é curta, uma vez que 44% preferem deixá-lo. No caso gaulês, a distância é entre 53% favoráveis à permanência no euro e 31% que querem sair. No Reino Unido 85% são contra a adesão ao euro e na Dinamarca são 61%.

A sondagem da Bloomberg revela ainda que 75% dos consultados alemães desaprovam as acções de Angela Merkel enquanto chanceler germânica. Em França, a percentagem de não aprovação da presidência de Nicolas Sarkozy desce, mas ainda assim é de 47%.

A Boomberg/YouGov consultou 2700 adultos no Reino Unido, 1061 na Alemanha, 1014 em França e 1007 na Dinamarca. A sondagem foi efectuada entre os dias 9 e 12 de Agosto.  

MRA Alliance/JdN

Especulador Soros aposta na saída da Grécia e de Portugal da Zona Euro

segunda-feira, agosto 15th, 2011

O multimilionário especulador em divisas e commodities George Soros, numa entrevista à revista alemã Der Spiegel, defende que Portugal e a Grécia devem abandonar a Zona Euro como melhor forma de salvar a moeda única.

“O problema grego foi tão maltratado que, neste momento, o melhor talvez seja mesmo uma saída ordeira. O mesmo se aplica a Portugal. A União Europeia e o euro sobreviveriam”, diz Soros. Nas entrelinhas pode inferir-se que o seu sentimento é favorável a manobras especulativas que forçem a subida dos juros das dívidas soberanas grega e portuguesa.

Soros, que nos anos 90 fez ajoelhar o Banco de Inglaterra com manobras especulativas que culminaram com a forte desvalorização da libra, veste agora a pele do especulador bom ao defender a proibição imediata dos derivativos financeiros CDS (Credit Default Swaps), a versão moderna da apólice de seguros de risco financeiro. O fundador do hedge fund Quantum Fonds classifica os CDS como “produtos financeiros altamente perigosos” porque “fomentam a especulação na queda” das divisas ou dos activos. 

Soros, por outro lado, faz uma crítica demolidora à passividade das decisões dos políticos em geral, que acusa de tomarem decisões “para apenas ganharem tempo”, e da chanceler alemã Angela Merkel em particular a quem atribuiu a responsabilidade pelo início da crise do euro. 

O mega especulador insiste na necessidade de os países da Zona Euro se entenderem sobre a emissão de eurobonds (títulos de dívida europeus). “Quer queiramos, quer  não, o euro existe. Para que funcione bem, os países da zona euro deverão poder refinanciar grande parte das suas dívidas nas mesmas condições. Essa tarefa cabe à Alemanha (…) com regras financeiras claras ditadas pelos alemães “, disse Soros.

“Infelizmente – acrescentou – a Alemanha tem sobre isto ideias esquesitas. Os alemães devem estabelecer regras que os outros possam cumprir. A países como Espanha deverão ser permitidos défices orçamentais cíclicos até que consigam recuperar”. 

O controverso financeiro jurou  ainda ao Der Spiegel que a sua intenção não é a de especular contra o euro. “Seguramente, não estou a apostar contra o euro”, porque “os chineses estão muito interessados numa alternativa ao dólar e farão tudo para ajudar os europeus a salvá-lo [a moeda única]”.

MRA Alliance

Da apendicite grega ao tumor hispano-italiano

quarta-feira, agosto 10th, 2011

A bolsa nova-iorquina interrompeu ontem um ciclo de quedas consecutivas, ao fechar com valorizações de mais de quatro por cento nos principais índices. Pouco antes do fecho da sessão, aconteceu a repentina valorização após a Reserva Federal (Fed) norte-americana ter anunciado que manterá as taxas de juro de referência próximas de zero por mais dois anos.

Entre os índices de referência, o Nasdaq Composite Index, que agrega empresas de base tecnológica, foi o que mais disparou: 5,295 por cento (para 2,482.520 pontos). O índice Standard and Poor’s 500 Index cresceu 4,741 por cento (para 1,172.530 pontos) e o industrial Dow Jones avançou 3,977 por cento (para 11,239.770 pontos).

Porém, o dia foi marcado por uma acentuada volatilidade nas bolsas europeias e norte-americanas. Wall Street abriu positiva, mas o disparo só foi visível no final da sessão, após o anúncio do Fed.

Imediatamente a seguir à divulgação da notícia, os mercados reagiram com apetite pelo risco. O Nasdaq subia pouco mais de um por cento, o índice S&P 500 valorizava 0,2 por cento e o Dow estava em terreno negativo. Os minutos finais da sessão foram determinantes para a recuperação.

Mas a recuperação de ontem será de curta ou de média duração? Em nossa opinião, os fundamentais das economias nacionais e das empresas cotadas nas bolsas dos dois lados do Atlântico não enganam: estamos na antecâmara de uma nova fase da crise sistémica de que temos vindo a falar, desde 2007 (ver  exemplos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui).

Contrariamente à reacção de ontem das bolsas norte-americanas, outras praças indicam que entraram no território dos mercados recessivos (bear market). Em Londres, o índice de referência FTSE 100 recuou 20%, desde Fevereiro. De 6091 pontos escorregou para 4855 pontos. O mesmo aconteceu em Hong Kong. O índice Hang Seng recuou 23% desde o último máximo, registado em 8 de Novembro passado.  Idêntica situação aconteceu na brasileira Bovespa  (-31%). Por outro lado, refira-se que o entusiasmo de ontem nas praças americanas está ensombrado pela acelarada perda de 18% nas cotações do índice S&P 500 registada nos últimos meses…

A decisão da agência de rating Standard & Poor´s de baixar a notação da dívida norte-americana de AAA para Aaa, na sexta-feira, na sequência do recente aumento, pelo Congresso, do tecto da dívida federal acima da fasquia de USD 14,3 trillion, apesar de ter precipitado a presente situação, é apenas mais um episódio do colossal descontrolo financeiro norte-americano. A crise não está controlada. Longe disso.

A decisão do Fed agora anunciada de manter as taxas de juro próximas de zero até 2013 é tudo menos uma boa notícia. Dinheiro fácil e escandalosamente barato é mau conselheiro. É um viveiro de bolhas especulativas. Das dotcom às hipotecas subprime insistimos em trilhar um caminho perigoso. De bolha em bolha até à definitiva implosão do sistema financeiro global. Sem pretendermos ser exaustivos, propomos uma olhada sobre os sinais. Alguns têm tanto de elucidativos como de preocupantes:  

  • Na bolsa de futuros Comex, após o anúncio do Fed,  as posições relativamente aos contratos de ouro subiram 1,8%,  fixando-se no novo recorde histórico de  1740 dólares a onça;
  • O banco J.P. Morgan emitiu ontem uma nota segundo a qual a cotação do ouro deverá atingir os 2500 dólares a onça até ao final do ano, enquanto o Goldman Sachs prevê que esteja nos 1730 dólares dentro de seis meses e nos 1900 dólares dentro de 12 meses;
  • O metal amarelo prossegue a sua escalada enquanto activo à prova de crises. Continua a ser o refúgio mais seguro que o dinheiro pode comprar nos tempos que correm. Esta opinião é partilhada por alguns governadores de importantes bancos emissores;
  • Nos dois últimos meses, o banco central da Coreia do Sul comprou 25 toneladas de ouro, aumentando em 17 vezes as suas reservas de metal amarelo. No mesmo período, também o banco central da Tailândia aumentou as suas reservas de ouro em 15,5%, tendo passado de 3523 milhões de onças, em Maio, para 4,07 milhões, em Junho. No princípio do ano, a Tailândia já adquirira 9,3 toneladas de ouro. A Rússia comprou 41,8 toneladas e o México 99,2 toneladas. A China anunciou no início do ano que pretende, até 2020, aumentar drasticamente as suas reservas de ouro.   Das actuais 1054 toneladas quer chegar às 8-10 mil toneladas;
  • Os juros implícitos (yield)  dos títulos dos EUA a dez anos baixaram de 2,32% para 2,28%, entre segunda e terça-feira;
  • Até agora, perante a visível deterioração do clima económico nos sete países mais industrializados (G7) e a profunda crise das dívidas soberanas europeias,  a maioria dos investidores e especuladores comprava, devido ao risco quase inexistente,  títulos do tesouro americano na expectativa de que se valorizassem. Porém, se em vez disso eles se depreciarem, como já está a acontecer,  tal pode significar que a bolha do mercado das obrigações norte-americanas está prestes a rebentar. As consequências serão trágicas para a economia global;
  • Desde 24 de Julho, o pânico generalizado em todos os mercados mundiais gerou perdas globais de USD 8,1 trillion (mais de metade do PIB dos EUA). Este valor  corresponde  a 14,8% da capitalização bolsista do mundo;
  • Em apenas cinco anos (2008-2012), o montante das obrigações de dívida vencidas, emitidas pelo Tesouro norte-americano, atingirá o gigantesco volume de USD 5,6 trillion.   A totalidade do crescimento da dívida do país, entre 1776 (ano da declaração de independência) e 2008, foi de 4,6 trillion. Obama vai ultrapassar em apenas cinco anos o que o conjunto dos seus 43 antecessores fez em… 232 anos!!!
  • O custo global das ajudas financeiras aos bancos e empresas financeiras dos EUA e da Europa, desde 2008, na realidade, ascende a quase USD 24 trillion, segundo a estimativa de Neil Barofsky, o inspector-geral do TARP (Troubled Asset Relief Program), o mega programa de resgate aprovado pela administração Bush e continuado pela administração Obama. Se compararmos este número com o do défice reconhecido pelo Tesouro (USD 14,7 trillion) ficamos com uma ideia mais realista da enormidade dos problemas a resolver quando for apresentada a factura para liquidação; 
  • Se tivermos em conta que o rácio dívida/PIB da Grécia já atingiu os 150%, e que os EUA estão a caminho de ultrapassar rapidamente a psicológica barreira dos 100%, as perspectivas para o biénio 2012-2013 são ainda mais negras. Os efeitos sobre a evolução do crescimento e do emprego serão devastadoras. Também o dólar, enquanto reserva cambial mundial,  terá o seu canto do cisne;

E o que nos reserva a Europa dos 17 (Zona Euro),  ou dos 27 (UE)? Será que o sonho europeu, idealizado nos anos 50 pelo eixo Bona-Paris, poderá, meio século depois,  vir a transformar-se no pesadelo do eixo Berlim-Paris? A prazo é bem possível. Para já, é avisado estarmos preparados para o pior (desintegração da UE e fim do euro).

Os altos dirigentes dos países membros mais ricos e a elite dos eurocratas têm pautado a sua actuação pela incapacidade de gerar consensos, de elaborar discursos coerentes, de afirmar um projecto europeu credível e sustentável e de ter a noção dos timings certos para agir.

Se no debate sobre a subida do tecto da dívida federal, os congressistas norte-americanos e o Presidente Obama deram aquele risível espectáculo de marcar o golo (chegar a acordo) no período de descontos (praticamente no fim do prazo), o que dizer dos líderes europeus? Com os sucessivos avanços e recuos e os constantes desmentidos das promessas feitas na véspera, uns e outros colocaram a Europa a jeito da voracidade vampírica dos mercados (leia-se especuladores).

O que ontem era uma simples apendicite grega, passou hoje a ser um desconfortável pólipo luso-irlandês, o qual, num futuro próximo, ameaça evoluir para um fatal carcinoma hispano-italiano. 

Deste lado do Atlântico, os meteorologistas da política e do dinheiro têm o dedo no botão de alerta de tsunami, atentos a alguns sinais dos chamados “mercados”:

  • Um editorialista do Financial Times escreveu ontem que o futuro da Europa depende da qualidade da defesa da Espanha e da Itália pelo triunvirato UE/BCE/FMI.
  • Embora  Madrid tenha apresentado “bons resultados” no combate ao défice e na flexibilização do mercado de trabalho, o articulista elege como positivo o facto de registar um superávit primário e de os seus empréstimos terem maturidades confortáveis. Como aspecto negativo é sublinhado o elevado peso da dívida (a terceira maior da Zona Euro), as tímidas medidas de combate ao défice e a crónica incapacidade do governo Berlusconi para fazer crescer a economia,  melhorar a capacidade  competitiva e combater o excesso de burocracia;
  • Esta análise, em nossa opinião,  peca por benigna já que passa ao lado de uma variável essencial da equação – a estratégia dos especuladores e as ferramentas de que dispõem para desestabilizar qualquer economia ou moeda, independentemente do seu peso e dimensão;
  • A manipulação pelos especuladores (privados e institucionais) de instrumentos derivativos, designadamente os famigerados seguros de incumprimento financeiro – Credit Default Swaps (CDS) -, levou à falência do banco Lehman Brothers, à nacionalização da seguradora AIG, à insolvência da Islândia e a severas crises cambiais nos anos 90 que atiraram para as cordas as moedas da Rússia, da Malásia, da Coreia do Sul, do México e por aí fora;
  • Ninguém sabe ao certo qual o montante global dos tóxicos CDS que infectam os balanços de sonantes nomes da banca europeia – do germânico Deutsche Bank, ao britânico Barclays, ao francês Paribas, passando pelo espanhol Santander e pelo italiano Unicredit – mas diversos especialistas dividem-se entre estimativas estratosféricas (trillions ou quadrillions);  
  • Certo é que, contrariamente ao que tem sido vertido em muitas páginas de jornais e revistas especializadas, existe o perigo real de um ou mais bancos europeus de grande dimensão poderem vir a ser atacados pelo vírus Lehman Brothers. Quando chegar a hora, lembrem-se  de trautear “Don’t cry for me Argentina”;
  • A França, para alguns inesperada e injustamente, está na berlinda desde sexta-feira, dia em que a S&P despromoveu a qualidade da dívida norte-americana. Comparativamente a outros países com notações triple A, os juros implícitos, os CDS e os níveis do défice que afectam a economia gaulesa são variáveis consideradas excessivas pelas maiores agências de rating;
  • Na próxima sexta-feira, a França publicará dados estatísticos sobre o crescimento da economia no segundo trimestre. A generalidade dos analistas prevê números desanimadores da ordem dos 0,2%, ou seja 0,7% abaixo do valor registado no primeiro trimestre;
  • Caso se confirmem as previsões, as campainhas de alarme alertarão para a dificuldade de a França conseguir, em 2013, atingir a prometida meta de reduzir o actual défice (7,15% do PIB) para menos de 3%;
  • O facto de os CDS sobre a dívida francesa serem superiores aos pagos pelos compradores de dívida emitida pelas autoridades do Peru, Indonésia, África do Sul e da República Eslovaca é motivo de preocupação não apenas para o governo francês. As lideranças da UE, do BCE e do FMI receiam que a equacionável perda pela França da notação AAA possa pôr em causa toda a arquitectura do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e inviabilizar futuros resgates;
  • De  resto, os recursos do FEEF (750 mil milhões de euros) são considerados insuficientes para fazer face às necessidades prováveis dos resgates. Chegam para atender o conjunto dos actuais três “clientes” – Grécia, Irlanda e Portugal e eventualmente de Chipre.  Caso a Espanha ou a Itália sejam forçadas a usá-lo precisaria de ser generosamente recapitalizado.  De resto, há mesmo quem pense que o resgate da terceira e da quarta economias da UE, a Itália e a Espanha respectivamente, necessitaria de um novo Plano Marshall, mas agora com a inclusão dos países emergentes do G20 (China, Índia, Brasil, Arábia Saudita, etc.);
  • Para apimentar o cenário, o mês de Setembro promete ser crítico. A troika irá a Atenas fazer a avaliação de desempenho do governo na aplicação dos programas de resgate em curso e em fase de implementação. A instabilidade política e social em que a Grécia está mergulhada faz temer a obtenção de resultados aquém dos desejados pelos credores, com efeitos negativos na evolução da crise europeia;
  • Na Alemanha, a Chanceler Merkel enfrenta uma resiliente frente de forças políticas e de individualidades da coligação que lidera (CDU/FDP) que discordam abertamente dos acordos pró-resgate por ela validados em Bruxelas. O regresso de férias dos deputados do Bundestag promete acessos debates.
  • Conhecida a sua propensão para o “nim”, bem como para protelar até ao limite decisões urgentes, a senhora Merkel poderá viver dias difíceis e voltar a dar sinais errados aos mercados de dívida. Qualquer sinal de instabilidade e de laisser-faire dado pela Alemanha pode complicar ainda mais as já ténues possibilidades de controlo da situação;
  • Também em Setembro, algumas “cajas de ahorros” espanholas irão ao mercado tentar obter empréstimos. Num cenário de eleições antecipadas, de escalada dos juros da dívida soberana e de insuficientes taxas de crescimento económico, para além de uma elevada taxa de desemprego (superior a 20%), este segmento da banca espanhola terá uma missão espinhosa e de resultados duvidosos;

Se, como tudo indica, nada de enérgico e proactivo for feito, em Agosto, pelos líderes europeus que ditam as políticas da UE – Merkel e Sarkozy – chegaremos a Setembro com uma situação mais degradada. Talvez irremediavelmente…

Nesse caso, e se persistirem os ataques especulativos contra as dívidas espanhola e italiana, com uma insustentável subida das taxas de juro e dos CDS, o último trimestre promete ser um osso duro de roer.

Neste momento, ninguém, do BCE ao FMI, passando por outras instituições de idêntico calibre, dispõe de recursos para resgatar financeiramente países como a Espanha e a Itália. Se tal for imperativo, como vão os mandantes da economia mundial resolver o problema?

A resposta é simples. Ninguém sabe. Nem eles…

Pedro Varanda de Castro, Consultor

MRA Alliance

Espanha quer que notas de 500 euros sejam retiradas de circulação para combater lavagem de dinheiro

sábado, agosto 6th, 2011

O Governo espanhol está a estudar a possibilidade de propor ao BCE a retirada de circulação de todas as notas de 500 euros, pelo menos temporariamente, como forma de combate ao branqueamento de capitais, informa o jornal electrónico espanhol El Confidencial Digital.

A publicação refere um relatório do Centro Nacional de Inteligência (CNI) espanhol, segundo o qual 90% de todas as notas de 500 euros emitidas pelo BCE “já passaram por território espanhol”. As autoridades estimam que mais de um quarto de todas as notas desta denominação estejam fisicamente em Espanha.

Os espanhóis apelidam-nas de notas ‘binladen’ já que a esmagadora maioria da população raramente lhes põe a vista em cima pois são quase exclusivamente usadas em operações ilegais de branqueamento de capitais.

A justificação é simples. Segundo o Confidencial Digital “mil notas de mil pesetas equivaliam aproximadamente a un quilo de peso e o seu valor era de um milhão de pesetas. Por isso, “um quilo” também era sinónimo de um milhão. Agora mil notas de 5oo euros (um quilo) equivalem quase a 100 milhões de pesetas”.

MRA Alliance

Crise não ficará resolvida na cimeira de quinta-feira, avisa Merkel

terça-feira, julho 19th, 2011

A chanceler alemã não vai ceder na cimeira de líderes europeus agendada para quinta-feira e corre o risco de ficar na história como a primeira presidente da comissão liquidatária do euro e, eventualmente, como a coveira da União Europeia

“Existem outros passos necessários que têm de ser tomados e não é uma solução espectacular que vai resolver todos os problemas”, afirmou Angela Merkel, em conferência de imprensa, ao lado do presidente russo Demitry Medvedev.

Segundo a Reuters, a líder alemã considera que a solução dos problemas da zona euro têm de vir “de dentro”, através da redução da dívida e do aumento da competitividade.

As declarações de Merkel surgem dois dias antes da cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da zona euro, em Bruxelas, onde será debatida a crise de dívida e de onde muitos esperam decisões concretas e eficazes para a resolver.

MRA Alliance/DE

Portugal provoca baixa do euro e do petróleo

quarta-feira, julho 6th, 2011

Os alarmes voltaram a soar na Europa, depois de a Moddy’s ter descido o ‘rating’ de Portugal em quatro níveis para o nível de lixo (‘Ba2′), Quer isto dizer que a agência de notação financeira considera o investimento em dívida nacional uma aplicação especulativa e, por isso, de alto risco.

A moeda única perde, nesta altura, 0,43% para 1,4367 dólares. “As preocupações em torno de Portugal irão pesar sobre o euro”, afirmou Lee Hardman, especialista da unidade cambial do Bank of Tokyo-Mitsubishi, à Bloomberg.

O ‘downgrade’ de Portugal está ainda a ter efeitos negativos no mercado petrolífero, devido ao receio de que a crise de dívida na Europa limite a procura por combustíveis. O barril de ‘brent’, a referência para as importações portuguesas, perde 0,75% para 112,76 dólares, em Londres, ao mesmo tempo que o barril de crude desce 0,25% para 96,64 dólares em Nova Iorque.

Nas bolsas europeias assiste-se também a quedas acentuadas, depois de um ‘rally’ de sete dias, com Lisboa a protagonizar o pior desempenho. O índice de referência, o PSI 20, desce 2,55%, arrastado sobretudo pelos títulos da banca. O BCP, que tem um banco na Grécia, tomba 5,33% para 0,37 euros, mas já esteve a descer mais de 6% para 0,36 euros, um novo mínimo de sempre. BPI, BES e Banif caem mais de 3%. “O corte do ‘rating’ de Portugal é definitivamente a notícia que está por detrás da atmosfera de hoje”, comentou Mattias Jasper, perito do WGZ Bank.

Nos mercados de dívida os periféricos são os que mais sofrem. No caso de Portugal, os juros das obrigações dispararam hoje mais de 100 pontos base nos prazos mais curtos, ao mesmo tempo que o preço do seguro contra o eventual incumprimento do Estado português escalou mais de 80 pontos.

MRA Alliance/DE

Professor de economia exige saída da Alemanha da moeda única

terça-feira, julho 5th, 2011

O professor de economia berlinense Markus Kerber exigiu a saída da Alemanha do euro, face à crise das dívidas soberanas na Europa e à ameaça de bancarrota na Grécia, em artigo publicado ontem no jornal Handelsblatt.

“O que devia ter sido politicamente decidido em 2010, que era excluir a Grécia da moeda única face à sua bancarrota fraudulenta, vem agora tarde demais, porque a distorcida situação da União Económica e Monetária já não se pode resolver através da saída de países isolados”, afirma o professor da Universidade Técnica de Berlim.

“Além de os defensores do euro impedirem essa solução, ela provocaria enormes encargos fiscais aos países que permanecessem no euro, também devido às ajudas financeiras à Irlanda a Portugal”, alegou o mesmo economista.

“Por isso, a única resposta possível à política de chantagem da Grécia é a saída do euro de países com balanças comerciais estruturalmente positivas como a Alemanha, a Holanda, a Áustria, a Finlândia e o Luxemburgo”, conclui Kerber.

Em conjunto com mais de 50 subscritores, o professor de economia apresentou, em Março, um requerimento no Tribunal Constitucional contra a participação da Alemanha no Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

MRA Alliance/Expresso

“Não temos condições para estar no euro muito mais tempo”, diz Ferreira do Amaral

terça-feira, julho 5th, 2011

“Este programa da ‘troika’ pode resolver o problema de financiamento público nos próximos anos, mas não resolve o problema da economia. O programa da troika porá a economia em maiores dificuldades”, considerou hoje o economista João Ferreira do Amaral.

Numa conferência organizada pelo Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal (IDEFF) e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) o economista do ISEG defendeu também que Portugal terá de abandonar a moeda única e que o deveria fazer de forma organizada, caso contrário será “empurrado” para uma situação muito pior do que aquela em que se encontra.

“Fui contra a entrada mas não fui adepto da saída, até que verifiquei que a questão se põe agora em moldes diferentes do que há dois, três anos. A questão é se nós podemos permanecer no euro. Do meu ponto de vista não temos condições para permanecer no euro muito mais tempo”, disse.

MRA Alliance/DE

Economista Ferreira do Amaral defende saída digna da moeda única

segunda-feira, junho 20th, 2011

O economista João Ferreira do Amaral considera que os políticos estão a negar a saída da moeda única como adiaram o fim da guerra colonial, mas deviam, em vez disso, «estar a preparar uma saída ordenada e digna enquanto é tempo». João Ferreira do Amaral defende, na entrevista ao DN e JN, citada pela TSF, que lutar por outro tipo de políticas e ficar no Euro começa a ser uma «possibilidade bastante remota».

O professor de politica económica refere que Portugal só tem duas soluções: «ou a Zona Euro muda muito a sua forma de funcionar ou mais cedo ou mais tarde teremos de sair». Como a primeira hipótese lhe parece «pouco provável» resta ao país preparar-se para uma «saída ordenada e com o apoio comunitário», defende.

João Ferreira do Amaral acha que o plano que a “troika” nos impôs não «irá dar resultados ao nível do crescimento económico» e, por isso, quando a ajuda externa acabar vamos ser confrontados com taxas de juro que podem rondar os 12 por cento.

MRA Alliance

MRA Alliance/DN

Portugal deverá deixar a zona euro em cinco anos, prevê Roubini

quarta-feira, junho 15th, 2011

O economista que previu a crise financeira mundial deixa o aviso: Os países da periferia da zona euro vão ter de abandonar a moeda única. Num artigo de opinião publicado no Financial Times com o título “A zona euro encaminha-se para a separação”, Nouriel Roubini, o profeta da desgraça, como é conhecido, afirma que a actual crise das dívidas soberanas mostra tudo o que falhou na construção da União Monetária e no projecto da convergência.

Para o economista, nesta altura, só existe uma forma de recuperar a competitividade nos países do Sul da Europa: “Para regressarem ao crescimento e à competitividade, [os periféricos] devem deixar o euro e regressar à moeda nacional”, alerta o responsável. Roubini considera mesmo que, face às diferenças económicas, de políticas orçamentais, de taxas de câmbio reais e de competitividade no seio da Zona Euro, não restará outra alternativa aos países da periferia.

“Este cenário parece inconcebível nos dias que correm mesmo em Atenas ou Lisboa. Mas devido à inexistência de reformas estruturais profundas e aceleradas que compenssem essas diferenças, os cenários que hoje parecem absurdos poderão fazer todo o sentido daqui a cinco anos”, esclarece o professor da universidade de Nova Iorque. E conclui: “Os benefícios de [os países] se manterem [na zona euro] serão menores do que os benefícios de a abandonar, por muito atribulada e desordenada que essa saída venha a ser”.

MRA Alliance/DE

Grécia pode sair do Euro, diz comissária da UE

sexta-feira, maio 27th, 2011

A comissária europeia das Pescas e dos Assuntos Marítimos, Maria Damanaki, afirmou que a possibilidade da Grécia sair do Euro está sob a mesa.

“Sou obrigada a falar abertamente. Temos uma responsabilidade histórica para perceber o dilema: ou acordamos com os nossos credores em relação a um programa de sacrifícios que consiga resultados ou temos que regressar ao dracma (antiga moeda grega)”, disse a responsável na sua página pessoal.

“O maior feito da Grécia no pós-guerra, o euro e a integração europeia do país, estão em perigo. O cenário da Grécia se distanciar do Euro está em cima da mesa”,  disse ainda a comissária europeia, que representa a Grécia na CE.

As palavras de Maria Damanaki tiveram repercussões imediatas, tendo o  porta-voz do comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros negado a probabilidade de a Grécia sair do Euro.

Amadeu Altafaj garantiu ontem que “nenhum Estado-membro levantou, até à data, a possibilidade da Grécia, ou de qualquer outro país sair da zona euro”.

A Grécia vai entrar em falência se não receber em junho €12 mil milhões de ajuda externa. O governo grego propôs um novo pacote de austeridade de €6 mil milhões de euros e um programa de privatizações de €50 mil milhões até 2015, que terá que ser aprovado para receber a ajuda da União Europeia (UE( e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

MRA Alliance/Expresso

Espanha e Itália pressionam desvalorização do euro

segunda-feira, maio 23rd, 2011

O euro está hoje em queda, depois da derrocada do PSOE nas eleições de Espanha e de a S&P ter ameaçado cortar o ‘rating’ de Itália. A moeda única,  esta de manhã, baixou para 1,4064 dólares, ensombrado pela exigência de eleições legislativas antecipadas em Espanha por parte da oposição, depois da pesada da derrota do partido de Zapatero, o PSOE, nas regionais e municipais deste domingo. Os investidores receiam sobre a concretização das medidas de austeridade no país vizinho.

“No fim-de-semana, incluindo as eleições espanholas, surgiram novas razões para estarmos apreensivos sobre a situação da crise de dívida europeia”, comentou Sean Callow, especialista da unidade cambial do Westpac Banking, à Bloomberg.

Também a chanceler alemã Angela Merkel sofreu ontem uma forte humilhação nas eleições realizadas na cidade-estado de Bremen, onde o seu partido democrata-cristão (CDU), acabou por conseguir apenas 20,2% dos votos, um resultado eleitoral inferior ao conseguido pelo partido dos Verdes, o que aconteceu pela primeira vez em eleições regionais. A penalizar o euro está ainda a decisão da Standard & Poor’s de baixar o ‘outlook’ da dívida de Itália de ‘estável’ para ‘negativo’, na passada sexta-feira, o que sinaliza um possível corte do ‘rating’ do país nos próximos tempos.

No mesmo dia, a agência de notação financeira Fitch baixou em três níveis a avaliação da dívida grega, perante o desafio que o país enfrenta actualmente na implementação de um programa de reformas radicais em termos orçamentais e estruturais.

MRA Alliance/DE

Reestruturação da dívida grega pressiona euro em baixa

segunda-feira, abril 18th, 2011

O euro está em queda acentuada, influenciado pela especulação em torno da Grécia relativamente à necessidade do País ter de recorrer à reestruturação da sua dívida.

Apesar do governo grego já ter declarado que a reestruturação não faz parte dos seus planos, os decisores políticos alemães já vieram discutir a possibilidade do assunto, de acordo com a Bloomberg.

A divisa europeia esteve  a cair hoje  1,12% para 1,4269 dólares, influenciada pelas conversações na Alemanha que apontam para a possibilidade da Grécia necessitar de recorrer à reestruturação da sua dívida. O franco suíço, assente num sistema financeiro estável, está a fortalecer face ao euro.

O Ministro da Justiça finlandês, que declarou apoiar o partido dos “Verdadeiros Finlandeses” cujo líder é Timo Soini, considera que os contribuintes não deviam ter ajudado a resgatar a Grécia ou a Irlanda. O partido deu um salto de 19% nas eleições ontem.

MRA Alliance/JdN

FMI: Agências de ‘rating’ são agente de instabilidade na zona euro

quarta-feira, março 30th, 2011

O FMI revela que os cortes de ‘rating’ dos países da zona euro despertam efeitos de contágio nos restantes países da região. Depois das várias críticas de governos e presidentes de alguns bancos sobre a actuação das agências de ‘rating’ nos últimos anos, foi a vez do Fundo Monetário Internacional (FMI) ir ao encontro de algumas dessas críticas.

De acordo com um ‘paper’ desenvolvido por Rabah Arezki, Bertrand Candelon e Amadou N. R. Sy do FMI, divulgado ontem, “os cortes dos ‘ratings’ soberanos apresentam, estatisticamente e economicamente, efeitos de contágio entre os países e os mercados financeiros, implicando que os anúncios das agências de ‘rating’ podem estimular a instabilidade financeira.”

Esta conclusão adveio de uma análise às repercussões que as notícias sobre os ‘ratings’ soberanos tiveram sobre todos os países e sobre os mercados financeiros, recorrendo a dados diários dos ‘spreads’ dos ‘credit default swaps’ (CDS), da evolução dos índices de acções e dos sub-índices do sector bancário e segurador de alguns países europeus entre 2007 e 2010.

MRA Alliance/DE

Problema do euro está resolvido mas vai repetir-se com o dólar, diz Soros

domingo, fevereiro 6th, 2011

O especulador norte-americano, George Soros, disse ontem que a crise do euro está em vias de resolução, mas que os Estados Unidos terão uma crise similar nos próximos dois anos. «Na minha opinião, em dois anos, esta crise europeia vai repetir-se nos Estados Unidos», em resultado do endividamento de numerosos Estados federais norte-americanos, afirmou, citado pela AFP, durante a 47ª conferência anual sobre segurança, em Munique, na Alemanha.

A crise do euro está em vias de ser resolvida, porque «existe a determinação de fundar uma política orçamental comum ou uma administração das finanças comum», disse, mas avisou: «A estrutura que está em vias de se criar também vai criar problemas nos próximos anos, porque o euro, que supostamente deveria criar convergências entre os países, criou divergências.»

Soros prevê que, se não houver cuidado, vai ser criada «uma Europa a duas velocidades, com, de um lado, os países com excedentes orçamentais, que vão avançar, e, do outro, os países deficitários, que se vão arruinar sob o peso das suas dívidas».

MRA Alliance/AF

Merkel quer moldar Europa à imagem da Alemanha

sexta-feira, fevereiro 4th, 2011

Angela MerkelA chanceler alemã Angela Merkel quer moldar a Zona Euro à imagem da Alemanha, aproveitando a crise de dívida pública, que deixou a região mais fragilizada, escreve a Bloomberg. A ideia é tornar as outras economias do euro, nomeadamente as que agora enfrentam maiores dificuldades (Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda) mais saudáveis e, consequentemente, mais resistentes.

A intenção de Merkel, há muito conhecida, passa por impor condições, como limites ao défice e à dívida dos países, que quer ver inscritos na Constituição de cada um deles. E, para os que desrespeitarem os limites necessários à manutenção da boa saúde financeira, Merkel quer castigos pesados. No entanto, a despeito de o Pacto de Estabilidade e Crescimento impor limites de défice orçamental para os membros do euro, a verdade é que não foi aplicada qualquer sanção a nenhum dos vários países que violaram essas regras. Nem mesmo à Grécia, que falseou as suas contas e que nunca até hoje, respeitou os limites.

No plano económico, também há regras que Merkel quer ver implementadas na Europa como um todo: aumento da idade da reforma, para tornar os respectivos sistemas públicos de Segurança Social mais sustentáveis, e maior flexibilidade nas leis laborais, para que o mercado de trabalho seja ágil e as empresas mais competitivas. Com o apoio da França, Merkel prepara-se para, em Março, impor aos restantes parceiros um Pacto para a Competitividade.

Alargar e flexibilizar o fundo europeu de resgate financeiro pode ser uma forma de acalmar definitivamente os mercados em relação à dívida pública dos países do euro, ao permitir aos mais frágeis aceder a ajuda dos parceiros a taxas de juro mais baixas.

Merkel não tem interesse em ver o euro fraquejar, pelo contrário, mas corre alguns riscos. A chanceler arrisca-se a fazer subir o custo das obrigações alemãs e pode ainda perder o apoio dos seus próprios eleitores, que não gostam de ver o dinheiro dos seus impostos usados para apoiar outros que não souberam governar-se bem sozinhos.

A chanceler alemã está condicionada pelas eleições que a Alemanha enfrenta este ano: Merkel não pode desagradar aos alemães entregando o dinheiro dos seus impostos aos incumpridores parceiros europeus. Numa sondagem de Janeiro, 64% dos alemães manifestaram-se contra o apoio financeiro a outros países do euro, mais endividados. Cerca de metade já só querem ver o euro pelas costas e voltar ao marco.

MRA Alliance/AF

JPMorgan aconselha clientes a comprarem euros e dívida de países periféricos

sexta-feira, fevereiro 4th, 2011

O banco norte-americano JPMorgan Chase aconselhou os seus investidores a comprarem euros em vez de dólares e a aumentarem as compras dos títulos de dívida soberana das chamadas economias europeias periféricas.«A crise de dívida soberana, apesar de ainda colocar um risco negativo importante para as perspetivas, têm aliviado de alguma forma à medida que os decisores políticos parecem ter adotado uma política mais pro-activa», indicam os analistas do banco norte-americano, incluindo Jan Loeys, o líder da unidade de estratégia de mercado, numa nota enviada aos investidores datada de quarta-feira, citada pela Bloomberg.

«Os governos da União Europeia e os legisladores têm passado a mensagem que a crise das dívida soberanas é feita pela Europa, e que será resolvida pela Europa. O falhanço da moeda única seria tão catastrófica que deve ser feito tudo para evitar que isso aconteça», diz a nota.

MRA Alliance/DD

BCE trava a fundo compra de dívidas soberanas europeias

segunda-feira, janeiro 24th, 2011

O Banco Central Europeu (BCE) reduziu drasticamente – menos 94% – o ritmo de compra de títulos de dívida de países da zona euro na última semana. No total, a instituição liderada por Jean-Claude Trichet adquiriu 146 milhões de euros em dívida, um valor que compara com os 2.313 milhões de euros que tinha desembolsado na semana anterior.

Segundo dados divulgados hoje, e citados pela Reuters, o BCE já adquiriu um total de 76,5 mil milhões de euros em dívida dos países da zona euro, desde que começou o programa de compra de obrigações por parte da instituição, em Maio do ano passado. A estratégia faz parte do plano do banco central para travar a crise de dívida europeia e recuperar a confiança dos investidores.

MRA Alliance/DE

“Futuro do euro não está garantido”, diz quadro do Deutsche Bank

segunda-feira, janeiro 24th, 2011

Thomas Mayer - Deutsche BankO economista-chefe do maior banco privado alemão voltou hoje a advertir que o futuro do euro “não está garantido” e que 2011 será o ano decisivo para a união monetária europeia. Em entrevista à Bloomberg, Thomas Mayer considera que o ano em curso vai ser de “ou vai ou racha” para o euro e para a dívida soberana de Portugal.

Mayer tem sido uma das vozes mais cautelosas em relação à sobrevivência da moeda europeia. Em diversas ocasiões, tem criticado a resposta lenta e hesitante dos dirigentes europeus para tentar estancar a crise da dívida soberana que, em seis meses, forçou dois países do euro – Grécia e Irlanda – a recorrer a ajuda externa Em entrevista recente à Lusa, o economista-chefe do Deutsche Bank antecipou que esse venha igualmente a ser o destino português. Os mercados levantam “grandes interrogações sobre Portugal, e esperam que, mais cedo ou mais tarde, o País tenha de recorrer ao fundo de resgate europeu, e acham que devia fazê-lo rapidamente”, defendeu há duas semanas.

MRA Alliance/JdN

Goldman Sachs defende apoios financeiros a Portugal e Espanha

sexta-feira, janeiro 21st, 2011

O banco de investimento Goldman Sachs dá como certo que os problemas de financiamento de Portugal se alastrem a Espanha. A melhor solução, diz a instituição norte-americana, passa por um pacote de apoio a Lisboa e por uma linha de crédito a Madrid.

Os custos de financiamento dos países periféricos da zona euro continuam “elevados”, nota a Goldman em comunicado emitido hoje, pelo que, neste quadro, o Estado português “ver-se-á obrigado a recorrer ao fundo estabilidade financeira do euro (EFSF) mais cedo ou mais tarde”. Mas a verdadeira incógnita é saber se “as tensões nos mercados de financiamento obrigarão a Espanha a pedir ajuda externa”. Embora acompanhe a crítica feita aos líderes europeus por não terem sabido responder à crise atempadamente, este é um cenário que a Goldman afasta, dizendo que Espanha não representa risco de insolvência, tanto que os políticos europeus, acredita, “continuarão a intervir de maneira decisiva para evitar qualquer restrição de liquidez”. Se Espanha caísse, avalia a Goldman, “colocaria em risco o conjunto do sistema do euro pela dimensão da sua economia”.

Em entrevista à televisão da agência financeira Bloomberg, citada pela Lusa, o economista chefe da instituição para a Europa, Erik Nielsen, declarou que, no pior cenário, “a dívida pública [espanhola] em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) atingiria um valor a rondar os 90 por cento. É um número grande, isso não representa um problema de solvência”.
Os Dezassete têm discutido um aumento da capacidade de financiamento do EFSF, posição da qual Erik Nielsen discorda. Actualmente, o fundo está dotado de 440 mil milhões de euros atribuídos a título indicativo pelos estados membros da zona euro, dos quais apenas 250 mil milhões são direccionados a empréstimos.

MRA Alliance/Público

Prémio Nobel adverte para risco de falência do projecto “euro”

quarta-feira, janeiro 5th, 2011

O fundo de apoio à estabilidade da zona euro decidido pelos países da zona euro “apesar de essencial (…) é apenas um paliativo temporário para os pequenos países atacados”, disse o prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz numa entrevista publicada hoje no jornal francês Libération. O aviso que deixou não pode ser mais claro: “O euro, por falta de políticas adequadas e de instituições equilibradas (…) pode desaparecer”.

O fundo deve prolongar para além de 2013 o actual Fundo Europeu de Estabilização  Financeira (FEEF), instituído em Maio na sequência da crise grega e dotado de 750 mil milhões de euros, que já serviu para apoiar a Irlanda (a apoio à Grécia foi ao abrigo de uma medida específica). Mesmo assim, “permanece o perigo” para a zona euro, segundo Stiglitz.

“Continua a haver a mesma incerteza de há seis meses. Já então se sabia que a Irlanda iria sofrer uma crise violenta. Sabia-se que deveriam ser realizadas reformas indispensáveis à viabilidade da zona euro a longo prazo”, acrescentou. Apesar de “a Espanha ter tido a sorte de entrar na crise com um excedente orçamental e um baixo peso percentual da dívida” em relação ao PIB e de a Itália, “muito endividada, ter podido limitar o seu défice orçamental”, a situação “continua precária”, diz o economista norte-americano, professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Para Stiglitz, “se a Europa se enfraquecer ainda mais, o garrote vai apertar. E a ansiedade aumentará” em relação à capacidade dos países atacados para honrarem as suas dívidas. “A via da austeridade escolhida pela Europa, sob pressão dos mercados, vai atrasar a saída da crise, enfraquecer os elos mais vulneráveis da zona euro e da União Europeia”.

Segundo este economista, ex-conselheiro do Presidente Bill Clinton,  conhecido pela sua visão crítica da actual globalização comercial e financeira, “a ideologia do livre mercado, que permitiu as bolhas financeiras, ata as mãos aos políticos”. “Muitos líderes europeus não compreenderam que era preciso atacarem a regulação do sistema e voltar a pôr a energia do sistema financeiro, que não sabe nada sobre a economia, no que ele deve fazer”, afirma ainda.

MRA Alliance/Público

Estónia vai ser o 17º Estado-membro da Zona Euro

sexta-feira, dezembro 31st, 2010

O Governo da Estónia manteve a decisão de aderir ao euro em 1 de Janeiro de 2011 apesar das crises orçamental e da dívida soberana na União Europeia. A partir de amanhã o “navio” do euro terá 17 tripulantes. Enquanto países como a Polónia e a República Checa adiam a adesão ao euro, a Estónia será o primeiro país a aderir à moeda única desde o início da crise.

“Estamos num pequeno barco amarrado a um navio no meio do oceano. Numa tempestade ou noutras circunstâncias, iríamos sentir-nos melhor a bordo” do navio, disse o ministro das Finanças, Jurgen Ligi.

A decisão compreende-se. Mais de 90% dos empréstimos privados da Estónia estão denominados em euros, com a maioria a estarem indexados às taxas Euribor, o mercado de crédito interbancário a que estão indexados a generalidade dos empréstimos da Zona Euro.“O que a Zona Euro oferece é a partilha de risco”, afirma a estratega do Threadneedle Asset Managemente, Agnes Belaisch. “Existem claros benefícios em ter irmãos mais velhos”, exemplificou à Bloomberg. Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, faz uma leitura ainda mais benigna. “É a prova de que ninguém quer sair do euro e de que outros procuram entrar”.

A Estónia aderiu à União Europeia em 2004, 13 anos após ter reconquistado a independência, com o desmembramento da União Soviética. Será o primeiro Estado do Báltico e o terceiro país que anteriormente pertencia ao bloco comunista, depois da Eslováquia e da Eslovénia, a entrar na Zona Euro.

Segundo as últimas previsões de Bruxelas, a Estónia é uma espécie de paraíso das finanças públicas: deverá fechar o ano com um défice de 2,4% do PIB e uma dívida pública de 9,6%, e converter-se no único bom aluno de um “clube” onde, em 2010, ninguém respeitará o limite de 3% para o défice e apenas quatro o farão para a dívida (que os Tratados limitam a 60% do PIB).

Segundo a Comissão Europeia, a Estónia é o único dos nove países europeus aspirantes ao euro – juntamente com Bulgária, República Checa, Letónia, Lituânia, Hungria, Polónia, Roménia e Suécia – com requisitos para o fazer.

Entre Abril de 2009 e Março de 2010, o país registou uma quebra dos preços de -0,7%, inferior ao valor de referência da inflação europeia (1%) calculado para esse período. Já o défice cifrou-se em 2009 em 1,7% do PIB e dívida pública em 7,2%.

MRA Alliance/JdN

Portugal e Grécia estariam melhor fora da moeda única, diz ministro eslovaco

segunda-feira, dezembro 27th, 2010

Ivan Miklos - Ministro das Finanças da EslováquiaO ministro das Finanças eslovaco, Ivan Miklos, considerou hoje que Portugal e Grécia estariam melhor, “a longo prazo”, fora da moeda única. Em entrevista a um jornal local, citado pela agência financeira Bloomberg, o governante declarou que as economias dos dois países, assim como outras economias de países do sul, não estão aptas para pertencer à zona euro.Para Ivan Miklos, a União Europeia não tem feito progressos suficientes na criação de regras para a prevenção da crise orçamental e a resolução da cimeira de dezembro – que permitirá ao setor privado partilhar custos de eventuais perdas com títulos de dívida soberana a partir de 2013 – também não é suficiente.

MRA Alliance/Agências

“Pedido de ajuda de Portugal pode pôr o euro em perigo”, adverte Attali

sexta-feira, dezembro 17th, 2010

Jacques AttaliA falta de competitividade é o grande problema português, diz Jacques Attali, ex-conselheiro de Mitterrand, em entrevista ao Diário Económico. Attali, engenheiro, economista de formação e ex-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, avisa que um plano de apoio a Portugal pode suscitar novas tensões entre os parceiros europeus, sobretudo por ter implicações em Espanha.

Attali reconhece que as últimas medidas de austeridade em Portugal são “drásticas” e elege a falta de competitividade como o principal problema do País, destacando ainda que os bancos portugueses não enfrentaram, até agora, problemas de maior.

“Os mercados acreditam que Portugal será o próximo estado europeu em dificuldade, depois da Grécia e da Irlanda. Para os analistas do banco de investimento Execution Noble, Portugal precisaria, no mínimo, de 54 mil milhões de euros para restabelecer o seu equilíbrio orçamental. A título de comparação, refira-se que a Irlanda recebeu 85 mil milhões de euros. Como é óbvio, os estados da zona euro estão especialmente preocupados, por isso seguem atentamente o que se passa. Se a situação de Portugal se deteriorasse, a economia espanhola podia ser afectada”, disse o especialista francês.

Na opinião de Attali “é fundamental que Portugal restabeleça as finanças públicas por si só. Solicitar ajuda internacional pode pôr a moeda única em perigo.”

O ex-conselheiro de Mitterrand adverte ainda para o risco “de o custo real dos planos de apoio à Irlanda, Portugal e Espanha exceder os 750 mil milhões de euros reunidos pelos líderes europeus para combater a crise. Como a Alemanha rejeitou imediatamente qualquer aumento da verba, prevejo que um plano de apoio a Portugal possa suscitar novas tensões entre os parceiros europeus.”

MRA Alliance/DE

“Alemanha tem de se sacrificar mais para salvar o euro”, aconselha antigo chanceler Helmuth Schmidt

quarta-feira, dezembro 15th, 2010

Helmuth Schmidt - Antigo Chanceler da República Federal AlemãO Governo alemão tem de estar preparado para ceder mais soberania e dinheiro de modo a preservar o euro. E deve explicar aos alemães que o faz porque isso é o melhor para eles. O conselho partiu hoje de Helmut Schmidt, antigo chanceler alemão, em entrevista ao “Die Zeit”, que será amanhã publicada na íntegra.

O ex-governante avisa que o ressurgimento das moedas nacionais iria “prejudicar severamente as exportações alemães, que são a base do nosso elevado nível de vida”. Schmidt recorda ainda o passado sangrento da Alemanha e diz que as gerações actuais não podem esquecer-se da “enorme contribuição do país nos conflitos” que deflagraram na Europa.

É a segunda vez em pouco mais de uma semana que o antigo chanceler vem a público pedir à actual liderança alemã que assuma sem hesitação as suas responsabilidades na defesa do euro – um projecto que nasceu, talvez prematuramente) por exigência da França para compensar uma Alemanha muito mais poderosa.

“Faltam dirigentes na Europa, pessoas em altos cargos que dominem as questões nacionais e internacionais e tenham bom senso suficiente”, acusara, do alto dos seus 91 anos, em entrevista ao jornal “Handelsblatt”, há menos de duas semanas.

Uma das excepções, disse o antigo chanceler social-democrata, é o primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo (ministros das Finanças dos países do euro) Jean-Claude Juncker, um dos proponentes da emissão de dívida pública europeia – proposta que esbarrou na oposição frontal de Berlim.

Schmidt considera aliás que a chanceler Angela Merkel “tem sido pouco hábil” na gestão da actual crise. Já o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, “percebe de questões relacionadas com o orçamento e de questões fiscais, mas os mercados internacionais de capitais e moedas, o sistema bancário ou a supervisão dos bancos são novidades para ele”.

As advertências de Schmidt surgem em véspera de uma cimeira europeia crucial, em que os líderes europeus tentarão amanhã e depois, em Bruxelas, chegar a acordo sobre os novos mecanismos de protecção do euro contra o risco de a união monetária se desagregar à medida que mais países parecem caminhar para uma situação de insolvência.

MRA Alliance/JdN