Archive for the ‘Dívida’ Category

Credores dos EUA reagem à diminuição da notação da dívida americana

sábado, agosto 6th, 2011

Credores dos Estados Unidos reagiram este sábado com moderação à diminuição da classificação da dívida norte-americana, mas a agência oficial da China, o país que é o primeiro credor de Washington, exortou-os a deixarem de viver acima dos seus meios.

A agência de notação financeira Standard and Poor’s cortou na sexta-feira para AA+ a classificação da dívida norte-americana, o que acontece pela primeira vez na história do país. Referindo “riscos políticos” ligados à dívida pública dos Estados Unidos, a agência retirou a classificação AAA, de que beneficiam os emissores de títulos mais seguros.

A China, de longe o maior credor dos Estados Unidos, considerou que a agência apenas confirmou uma “verdade horrível”. Pequim, que possuía em maio cerca de 1.160 mil milhões de dólares de títulos do Tesouro norte-americanos, “tem agora todos os direitos de exigir que os Estados Unidos tratem do problema estrutural da sua dívida”, afirmou a agência oficial Nova China.

Segundo o ministro da Economia, Finanças e Indústria francês, François Baroin, Paris tem “total confiança na solidez da economia norte-americana e nos seus fundamentos”.  O Japão, segundo credor dos Estados Unidos, afirmou que a sua política de compra de títulos dos EUA se mantém inalterada.”A nossa confiança nos títulos do Tesouro norte-americanos e o seu interesse como investimento não mudará devido a essa acção”, declarou um responsável governamental nipónico à Dow Jones Newswires.

Na Coreia do Sul, altos responsáveis do Ministério das Finanças realizaram hoje uma reunião de urgência para analisar as consequências da diminuição da classificação, mas o governo alertou contra uma reacção exagerada. “Não precisamos de ficar muito preocupados com a nossa economia ou com os mercados financeiros”, declarou o vice-ministro das Finanças, Yim Jong-Yong.

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, apelou os mercados à calma, indicando que “as duas outras grandes agências, Moody’s e Fitch, continuam a classificar a economia norte-americana de AAA”. Para o ministro das Finanças indiano, “a situação é grave”, mas Pranab Mukherjee adiantou que a análise do impacto “vai levar algum tempo”.

A maior parte dos índices bolsistas mundiais caíram fortemente na quinta-feira e na sexta-feira devido a preocupações com a “saúde económica” dos Estados Unidos e com a crise da dívida na zona euro.

MRA Alliance/JN

Itália: Belusconi antecipa mais medidas de austeridade para tentar suster o agravamento da dívida soberana

sábado, agosto 6th, 2011

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou na sexta-feira que o Governo vai antecipar o programa de austeridade já para Setembro, de forma a atingir o equilíbrio nas contas públicas em 2013, um ano antes do previsto no plano original.

Desta forma o líder italiano tenta dar resposta aos ataques especulativos que esta semana provocaram uma sangria na bolsa de Milão e fizeram disparar os juros da dívida soberana do país.

“Vamos acelerar medidas do programa de austeridade com o objectivo de equilibrar as contas em 2013 em vez de 2014”, revelou Berlusconi. Na ocasião, o líder italiano acrescentou que Giulio Tremonti, ministro da Economia, irá apresentar um plano fiscal e de apoios sociais na próxima semana para avançar com as medidas de corte na despesa.

Berlusconi disse ainda que falou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sobre a possibilidade de antecipar para “breve” a reunião entre os ministros das Finanças do G7 e pediu uma “resposta coordenada face aos últimos acontecimentos.

Na quinta-feira, o director do Centre for Economics and Business Research (CEBR), Douglas McWilliams, afirmou que a Itália vai ser obrigada a pedir ajuda financeira à UE e ao FMI.

De acordo com o presidente executivo do CEBR, Itália e Espanha têm dinâmicas diferentes. No caso espanhol estima que a dívida não ultrapasse 75% do Produto Interno Bruto (PIB). Já em Itália, os cálculos feitos pelo analista  apontam para uma dívida na casa dos 128% do produto.

A chave para que Espanha não seja contagiada pela crise das dívidas soberanas que está alastrar pela Europa, segundo McWilliams, passa pelo sucesso das suas exportações.

Todavia,  para atingir tal desiderato é fundamental que o enfraquecido sistema bancário italiano não seja forçado a contabilizar grandes perdas nos balanços. Se tal acontecer, o recurso a um financiamento adicional do governo será inevitável, com todas as turbulências que daí advirão.

Apesar de Berlusconi ter implementado medidas austeras de restrição orçamental, estas parecem insuficientes. De acordo com os cálculos do CEBR, se os italianos continuarem a financiar-se nos mercados com juros superiores a 6 por cento, a dívida poderá atingir os 150% do PIB em 2017. Mas, mesmo que os custos dos empréstimos baixem para os 4%, o analista estima que a dívida italiana atinja os 123% do PIB em 2018.

MRA Alliance/Agências

BCE comprou dívida pública de Portugal e Irlanda

quinta-feira, agosto 4th, 2011

O Banco Central Europeu comprou dívida pública portuguesa e irlandesa, noticia hoje a agência financeira Bloomberg, citando três pessoas com conhecimento das transações, e que acrescentam não ter visto o banco central a comprar dívida de outros países.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, lembrou hoje em conferência de imprensa que, apesar de não haver notícias sobre compra de títulos de dívida pública há cerca de quatro meses, o programa não tinha sido interrompido e deixou até no ar a ideia de que poderia comprar títulos de dívida dos países da zona euro ainda hoje.

“Eu nunca disse que o programa destinado a comprar títulos de dívida nos mercados tinha sido interrompido e vão ver aquilo que fazemos”, afirmou o banqueiro central, acrescentando que “não ficaria surpreendido se até ao final desta teleconferência vocês vissem qualquer coisa no mercado”.

MRA Alliance/Lusa

Dívida: Juros de Espanha e Itália voltam a subir apesar da intervenção do BCE

quinta-feira, agosto 4th, 2011

As taxas dos títulos de dívida espanhóis e italianos estão novamente a disparar, mesmo depois de o BCE ter entrado no mercado. O juro das obrigações italianas subiram em todos os prazos, com a ‘yield’ a 10 anos a subir até aos 6,19%, de acordo com dados da Bloomberg, depois de algum alívio registado durante a manhã.

No mesmo sentido, as taxas dos títulos de dívida espanhóis subiam na maioria dos prazos, apesar de a Reuters ter avançado que o Banco Central Europeu (BCE) comprou dívida de dois dos países do euro que têm estado na mira dos mercados, Portugal e Irlanda, numa tentativa de retirar alguma pressão.

A reacção o mercado aconteceu depois de o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, ter afirmado que o programa de compra de dívida soberana no mercado secundário continua em curso pela autoridade monetária europeia.

É neste cenário que os juros dos títulos de dívida de Portugal aliviam em todos os prazos, com a taxa a cinco anos a ceder mais de 100 pontos base para 14,52%.

MRA Alliance/DE

Alemanha critica reforço do fundo de resgate proposto por Barroso

quinta-feira, agosto 4th, 2011

Numa carta enviada aos líderes europeus, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pediu um reforço dos fundos dos mecanismos de resgate europeus para travar os riscos de contágio da crise da dívida a Espanha e a Itália.

No entanto, a mensagem foi mal recebida por alguns responsáveis europeus, sobretudo na Alemanha, o país que mais contribui para o FEEF.

“Não é claro como a reabertura do debate apenas duas semanas após a cimeira [que definiu o segundo plano para a Grécia] pode acalmar os mercados”, disse um alto funcionário em Berlim, citado pelo Financial Times. Outros oficiais sugeriram que Durão Barroso está a ser considerado como um canhão à solta no debate da zona euro.

“O importante agora é que apliquem rapidamente as decisões da cimeira e para isso é necessário que todos se concentrem no essencial e não levantem outra vez questões a que já foram dadas respostas a 21 de Julho”, quando os líderes se reuniram em Bruxelas, disse hoje, em Berlim, um porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble.

MRA Alliance/DE

Factura total do BPN só será conhecida em 2020

quinta-feira, agosto 4th, 2011

O negócio da venda do BPN deverá ficar fechado até ao final de Janeiro de 2012, mas só em 2020 será possível conhecer o valor total da factura que caberá ao Estado.

O Governo já assumiu que a nacionalização do banco vai custar aos contribuintes 2,4 mil milhões de euros, sendo que uma parte desse valor – 1,8 mil milhões de euros – já foi reconhecido no défice de 2010. Os cerca de 550 milhões de euros remanescentes – que irão capitalizar o BPN antes da sua venda ao BIC – só será contabilizado no défice deste ano.

Mas o custo final para o contribuinte da opção de nacionalização do banco só é possível apurar em 2020, pois uma grande parte dos activos tóxicos do BPN foram transferidos para três veículos do Estado, com financiamento da CGD e aval do Estado.

Se os três veículos não conseguiram recuperar o valor dos activos necessários para ressarcir a CGD, o Estado ainda poderá incorrer em perdas adicionais.

Estas contas só serão feitas dentro de dez anos, altura limite para se tentar recuperar o valor dos activos tóxicos do BPN que foram para o Estado, de acordo com o relatório e contas do banco nacionalizado.

MRA Alliance/DE

EUA: Câmara dos Representantes aprova aumento do limite da dívida

terça-feira, agosto 2nd, 2011

A Câmara dos Representantes aprovou com 269 votos a favor e 161 contra a subida do limite do endividamento dos Estados Unidos. O último teste para o Congresso aprovar o acordo que evita a entrada dos EUA em incumprimento da dívida deverá ser superado esta terça-feira, na votação no Senado.

Na Câmara do Congresso onde os republicanos têm maioria, a dos Representantes, a votação acabou por confirmar o optimismo que foi tomando conta dos responsáveis democratas e republicanos ao longo do dia.

Apesar de restarem escassas horas para a data limite para a segunda Câmara do Congresso norte-americano fechar a votação sobre a subida do tecto do endividamento americano, o Senado apenas vai votar esta terça-feira (sem hora definida até ao momento) a proposta acordada entre a Casa Branca e a oposição para o aumento do nível da dívida pública para além dos 14,3 milhões de milhões de dólares (10,2 milhões de milhões de euros) atingidos em Maio passado.

Inicialmente, esperava-se que as duas Câmaras do Congresso, a dos Representantes e o Senado (de maioria democrata) dessem por terminado na segunda-feira o episódio da votação da subida do tecto legal do endividamento dos Estados Unidos em mais 2,4 milhões de milhões de dólares (1,6 milhões de milhões de euros).

O voto determinante pertenceu à Câmara dos Representantes, já que os conservadores do Tea Party não estavam convencidos a votar favoravelmente ao acordo e restavam ainda alguns democratas por convencer.

Mesmo assim, a aprovação do aumento do nível da dívida foi sendo dado como praticamente assegurada na Câmara dos Representantes, depois de alguns cépticos terem dito que votariam “sim” apesar de discordarem do acordo na totalidade.

Depois de meses de braço-de-ferro entre democratas e republicanos, as partes acordaram um aumento do limite legal em duas fases (uma cedência aos republicanos) que prevê um corte na despesa como contrapartida de uma primeira subida do tecto da dívida.

Caberá, depois, a um comité onde têm assento democratas e republicanos apresentar ao Congresso um plano de redução do défice, que, no caso de não conseguir a aprovação no plenário, fará accionar um outro plano – de poupança.

Até aqui, para contornar o facto de já ter atingido o limite da dívida, o Tesouro tem recorrido a medidas extraordinárias, mas Washington tinha dado 2 de Agosto como a data para fazer aprovar um acordo que não fizesse o Governo suspender os pagamentos nos primeiros dias de Agosto por falta de liquidez.

MRA Alliance/Público

Obama e democratas correm contra o tempo para evitar default

domingo, julho 31st, 2011

Os líderes democratas do Congresso reuniram-se neste sábado com o presidente Barack Obama, numa tentativa desesperada para conseguir um acordo com a oposição republicana para evitar que os Estados Unidos fiquem sem dinheiro para pagar as dívidas aos credores [default]. Se tal vier a acontecer, a partir de terça-feira, as consequências serão desastrosas para o país e para a economia mundial.

O senador Harry Reid, que lidera os democratas de Obama no Senado, onde tem maioria, e a líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, reuniram-se durante uma hora e meia na Casa Branca. Nenhum dos dois líderes democratas no Congresso falou sobre os resultados da reunião. 

A Câmara dos Representantes, dominada pelos republicanos, rejeitou ontem por 173 votos contra 246 o projeto de Reid para evitar o incumprimento financeiro do país. A rejeição ocorreu depois de na sexta-feira o Senado, dominado pelos democratas, ter votado contra o projecto de lei republicano.

“Há muitas formas de sair desse impasse. Mas resta-nos pouco tempo”, advertiu Obama na sua mensagem semanal, este sábado, enquanto o Congresso mantinha uma agitada sessão de fim de semana, antes do vencimento do prazo, em 2 de agosto.

Boehner e o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, manifestaram-se “confiantes” de que se chegará a um acordo com a Casa Branca antes de terça-feira. “Apesar de nossas diferenças, acredito que tratamos com gente razoável, responsável e que quer colocar fim a esta crise”, disse Boehner numa conferência de imprensa.

Obama declarou que um eventual default poderá fazer com que as agências de rating rebaixem a nota da dívida americana, o que aumentará os juros e afetará a já frágil recuperação económica. A agência Moody’s disse na sexta-feira que dava aos Estados Unidos mais de uma chance de conservar a nota máxima “AAA” associada à sua dívida pública.

A economia americana alcançou seu teto legal da dívida de 14,3 trilhões de dólares (ou seja, quase 100% do PIB) em 16 de maio, e utilizou gastos e ajustes de contabilidade para continuar operando, mas só poderá continuar a fazê-lo até à próxima terça-feira.

MRA Alliance/AFP

Dilma e Kirchner querem blindar América do Sul da crise global

sábado, julho 30th, 2011

As presidentes do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, afirmaram nesta sexta-feira que a América do Sul deve adotar medidas conjuntas para se blindar contra a crise financeira global.

“Temos que defender nossos países da valorização das moedas e da avalanche de produtos que não encontram mercado nos países desenvolvidos e afetam nossas indústrias”, declarou Dilma.

A governante argentina, em sua primeira visita oficial ao Brasil desde que Dilma assumiu, disse que o assunto foi tratado na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizada em Lima nesta quinta-feira, durante a posse de Ollanta Humala como novo presidente peruano.

“É necessário adotar medidas comuns para defender os avanços conquistados e a inclusão social”, opinou Cristina.

De acordo com as únicas mulheres presidentes da região atualmente, a América do Sul acumulou nos últimos anos um forte desenvolvimento nas áreas social, econômica e industrial, que deve ser protegido de um possível agravamento da crise global.

Dilma esclareceu que não se trata apenas do que possa gerar uma possível moratória nos Estados Unidos, mas de um mundo que mergulhou em uma grande incerteza.

No entanto, a presidente garantiu que os países sul-americanos, em seu processo de integração, têm agora “a oportunidade histórica de aprender com os erros dos outros”, entre os quais citou a União Europeia (UE), em clara alusão às turbulências no bloco comunitário.

Embora tenham sido enfáticas em relação à necessidade dessa “blindagem” ser de caráter regional, nem Dilma nem Cristina deram pistas sobre quais seriam as medidas comuns que devem ser adotadas.

Nesse sentido, remeteram ao futuro imediato e a uma reunião que terão na próxima semana em Lima os ministros de Economia da região e a outra que reunirá em agosto em Buenos Aires os presidentes dos Bancos Centrais.

MRA Alliance/Terra Brasil

Juros da dívida italiana voltam a disparar para níveis históricos

quinta-feira, julho 28th, 2011

Os mercados continuam a especular com o default da economia italiana, a terceira maior da zona euro. Itália emitiu hoje no mercado primário 2,7 mil milhões de euros em títulos de dívida pública a 10 anos a uma taxa média ponderada de 5,77%.

Esta é a taxa de juro mais elevada desde Fevereiro de 2000 com uma subida significativa face à ‘yield’ de 4,94% paga numa emissão com as mesmas características colocada no final de Junho. No total foram colocados 7,97 mil milhões de euros, abaixo do limite máximo do montante indicativo da operação, que oscilava entre 5,5 e 8,5 mil milhões de euros.

Foi também realizada uma emissão de dívida a três meses com uma taxa média ponderada de 4,80%, um máximo desde Julho de 2008. No mercado secundário, as taxas de juro implícitas da dívida pública italiana agravam-se em todas as maturidades. A taxa a 10 anos está muito perto de rasgar a barreira dos 6%. Está a cotar nos 5,926%. Os resultados de ambos os leilões dão força aos receios de que a crise da dívida soberana está a alastrar para economias de maior calibre no euro, como a italiana, que representa cerca de 16% do PIB da região.

“Não foram leilões positivos e agora temos também o rumor Tremonti a afectar o sentimento. O mercado, infelizmente, está a reagir a todos os rumores e a todas as manchetes”, disse um ‘trader’ à Reuters, referindo-se às notícias não confirmadas de que o ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, está de saída.

MRA Alliance/DE

Fitch adia revisão do rating da dívida portuguesa para Outubro

quinta-feira, julho 28th, 2011

A Fitch vai decidir o eventual corte de ‘rating’ de Portugal, actualmente em ‘BBB’ com ‘outlook’ negativo, no quarto trimestre, revela a agência de notação financeira num relatório, citado pela Reuters.

A revisão da classificação da dívida da República terá em contra três aspectos: a melhoria das condições do fundo europeu de estabilização financeira (FEEF), anunciadas na cimeira do Eurogrupo de 21 de Julho, a primeira avaliação do programa de ajustamento financeiro por parte da Troika (em meados de Setembro), incluindo os progressos do plano de privatizações, e uma nova avaliação das perspectivas económicas e orçamentais de Portugal de médio prazo.

A agência de notação financeira sublinha que o “principal foco” na sua análise sobre Portugal será “a perspectiva de recuperação económica e o progresso em colocar as finanças públicas numa trajectória sustentável”.

Se tal não acontecer até 2013, a agência assumirá que Portugal precisará de um novo resgate, acompanhado de uma reestruturação da dívida, tal como aconteceu à Grécia. Por este motivo as agências Moody’s e Satandard & Poor’s cortaram o ‘rating’ grego para um nível próximo de incumprimento.

MRA Alliance/DE

Dívida: Ministro alemão defende que os países resgatados devem ceder soberania à UE

quinta-feira, julho 28th, 2011

O ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble diz ser responsabilidade dos governos europeus prevenir o desmembramento da Zona Euro, mas que é necessário também criar sanções mais severas para os países ajudados.

Em entrevista à revista alemã “Stern”, citada por várias agências noticiosas, Schäuble defende que “um Estado que tem problemas e é ajudado deve ceder a parte da sua soberania à União Europeia (UE)”. Na sua opinião, esta consequência seria muito melhor do que um possível incumprimento por parte dos países da moeda única.

O ministro europeu, que tem tido opiniões publicamente divergentes do Banco Central Europeu (BCE), admitou que por vezes se tem “irritado” nas negociações europeias, mas que, em caso algum, colocou em causa a independência do banco. “Respeitamos a independência do BCE. (…) Estamos a favor e não a criticamos. Isto devia ser válido também no sentido contrário”, remata.

MRA Alliance/JdN

Obama precisa de plano “B” após paralização das negociações sobre a dívida federal

quarta-feira, julho 27th, 2011

O plano republicano para reduzir o défice norte-americano enfrentou ontem forte oposição e o seu debate foi adiado para amanhã (5ª feira), aumentando a ansiedade dos investidores e dos contribuintes norte-americanos para a obtenção de um compromisso que evite um default da dívida.

Os líderes republicanos e democratas, profundamente dividos, estão com dificuldades para chegar a um consenso a menos de uma semana de ser atingido o limite de crédito aprovado pelo Congresso, que deixaria o governo sem dinheiro para pagar os seus compromissos e atiraria os mercados globais para uma crise sem precedentes.

Mesmo se for evitada uma moratória, qualquer plano que não contemple um forte corte no défice resultará num corte do rating da dívida soberana dos EUA, que fará subir os custos de financiamento e impedirá já de si anémica recuperação económica.

As chances de um acordo diminuíram depois de a votação sobre um plano de défice proposto pelo líder republicano do Congresso ter sido adiada por mais um dia, realizando-se amanhã. John Boehner, apressou-se  a ajustar a sua proposta após um analista concluir que o plano cortaria cerca de 350 mil milhões de dólares a menos do que os por ele pretendidos 1.200 biliões de dólares , durante os próximos 10 anos.

MRA Alliance/Agências

Presidente do BPI arrasa plano da ‘troika’ para a banca

terça-feira, julho 26th, 2011

O presidente do BPI critica o programa de ajustamento da ‘troika’ para o sector bancário. Fernando Ulrich foi peremptório: “lamento dizer mas o plano da ‘troika’ para o sector financeiro não tem sentido e por isso tem de ser repensado”.

O presidente do BPI enumera os problemas das metas que a ‘troika’ exigiu aos bancos a curto prazo. “Desde logo a questão do ‘core capital’ que era de 7%, passou para 9% e vai passar para 10%. Assim está sempre a faltar capital”. Depois lembrou que 50% dos activos do BPI são créditos de médio e longo prazo (a 30 anos) que foram concedidos no pressuposto de um ‘core capital’ de 4% e não da exigência de um ‘core capital’ de 10%”. Não foi por acaso, diz Ulrich, que “Basileia III deu calendários de 10 anos para a banca se adaptar às novas regras”.

Este programa é, na opinião do banqueiro, incompatível com as medidas adoptadas pela União Europeia na semana passada onde “finalmente foi reconhecido que os bancos não vão voltar ao mercado tão cedo”.

“Um dos argumentos que tem sido apresentado a favor de conceder mais capital aos bancos é o regresso ao mercado de capitais. Mas gostava de chamar a atenção: enquanto me lembrar do que o mercado de capitais me fez, não quero voltar ao mercado tão cedo. Não podemos estar reféns do mercado, que este é por definição ganancioso”, afirmou. O programa da troika só não é pior, diz Ulrich por causa do Banco de Portugal.

MRA Alliance/DE

Dívida: Ouro português e ilhas gregas estiveram em risco de penhora

terça-feira, julho 26th, 2011

As ilhas gregas e as reservas de ouro português foram pedidas como garantia de novos empréstimos nas sessões de preparação da cimeira de europeia, com a Holanda e a Finlândia a exigirem que alguns activos dos países resgatados fossem dados como colateral para a concessão das  futuras tranches de crédito.

As parcelas de território grego chegaram mesmo a fazer parte de um documento de trabalho durante a cimeira, no quadro do segundo resgate, e as reservas de ouro português, que não podem ser usadas para abater no défice, foram dadas como exemplo de um activo que poderia ser dado como garantia. Ou seja, no caso destes países não poderem honrar as suas dívidas com a União Europeia (UE), estas dívidas seriam cobertas por activos nacionais, antes de activar as garantias dadas pelos países do euro.

O assunto acabou por morrer, com as garantias do aumento da participação do sector privado no resgate grego, indo ao encontro dos anseios precisamente da Holanda e da Finlândia, bem como da Eslováquia e da Alemanha.

MRA Alliance/DE

BCE não compra dívida há 17 semanas

segunda-feira, julho 25th, 2011

O Banco Central Europeu (BCE) manteve em ‘hibernação’ o seu programa de compra de dívida dos países da zona euro pela 17ª semana seguida. A decisão de continuar fora da compra títulos de dívida surge depois de os líderes europeus terem acordado, na passada quinta-feira, um novo pacote de ajuda à Grécia no valor de 109 mil milhões de euros. O novo pacote aliviou os receios em torno dos países periféricos, levando a fortes quedas dos juros no mercado secundário.

Além disso, os responsáveis da zona euro flexibilizaram o fundo europeu de estabilização financeira (FEEF), melhorando as actuais condições dos empréstimos concedidos à Grécia, Portugal e Irlanda e passando a intervir no mercado secundário de dívida.

Recorde-se que o BCE iniciou o programa de compra de títulos de dívida dos países mais problemáticos da zona euro em Maio do ano passado, tentando dessa forma travar a escalada dos juros.

MRA Alliance/DE

Impasse no acordo para aumento da dívida dos EUA em perigosa contagem decrescente

sábado, julho 23rd, 2011

O presidente norte-americano, Barack Obama, confirmou hoje o fracasso das negociações sobre o aumento da dívida do país com o líder republicano da Câmara dos Representantes, garantindo que o caminho que propôs era “extremamente justo”.

O Tesouro norte-americano preveniu que, sem que o limite da dívida seja elevado pelos eleitos até 2 de Agosto, os Estados Unidos ficam sem capacidade de fazer face às suas obrigações, o que poderá ter consequências perigosas para a economia.

Os norte-americanos “estão indignados pela incapacidade do Congresso em agir”, afirmou Obama, numa declaração à imprensa, em que também convocou os responsáveis do Congresso para uma reunião sábado de manhã, noticia a AFP, citada pelo Público.

Na sua declaração, o presidente norte-americano afirmou ainda que está preparado para assumir “sozinho” a responsabilidade de aumentar o limite da dívida, medida que pretende evitar que a maior economia do mundo entre em incumprimento já a 2 de Agosto.

O líder republicano da Câmara dos Representantes, John Boehner, tinha já anunciado que vai dar por concluídas as negociações com Barack Obama sobre o aumento do limite da dívida norte-americana, por não ter entrado em acordo com o Presidente.

Boehner repetiu hoje, numa carta dirigida aos seus colegas na Câmara dos Representantes, que um acordo com Obama “nunca foi atingido e nunca esteve próximo”, pelo que não foi possível chegar a um entendimento com o Presidente norte-americano, devido às “diferentes visões para o país”.

A dívida bruta federal, de cerca de 14,3 biliões de dólares (9,9 biliões de euros), atingiu em meados de maio o limite máximo autorizado pelo Congresso e o défice orçamental deve atingir os 1,6 “triliões” de dólares (1,108 biliões de euros) este ano.

MRA Alliance

Dívida soberana: Juros gregos e portugueses em queda

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Os juros das dívidas públicas grega e portuguesa, com prazos de maturidade de dez anos, registaram esta manhã uma acentuada descida. No caso da Grécia, entre ontem e hoje, caíram dos 16,65%  para 14,49% e no de Portugal baixaram dos 11,6%  para 11,1%.

Os juros da dívida soberana de países como a Itália e a Espanha – e cujo risco de contágio impôs ontem a tomada das novas medidas de resgate financeiro por Bruxelas – continuam a rondar os 5%. Os da Espanha desceram de 5,774% para  5,669% mas os da Itália subiram dos 5,669% para 5,774%.

MRA Alliance/Agências

Novo resgate à Grécia implica incumprimento parcial, diz Fitch

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Os termos do segundo programa financeiro que os líderes da zona euro acordaram ontem para a Grécia pressupõe uma entrada em incumprimento parcial da dívida e levará a uma descida do rating para esse nível, confirmou hoje a agência de notação Fitch, citada pelo Público.

Apesar de considerar “positivo” o acordo sobre o pacote grego, a agência norte-americana frisa que os termos do plano prefiguram uma alteração das condições iniciais dos empréstimos já concedidos a Atenas. Segundo os critérios de avaliação da Fitch, isto representa um incumprimento parcial da dívida.

O novo pacote inclui uma modificação das regras do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) com um empréstimo de 109 mil milhões de euros por este fundo de socorro que inclui uma contribuição dos credores privados (50 mil milhões), através da reestruturação da dívida. O reescalonamento ou a renovação da dívida são considerados pelas agências de rating como provas de entrada em incumprimento.

David Riley, o analista da Fitch que assina a nota emitida hoje sobre os termos do novo pacote europeu, sublinha, no entanto, que a revisão da nota da dívida da Grécia – avaliada actualmente pela agência em CCC, correspondente a default – será seguida de novas atribuições de rating aos títulos de dívida helénica que forem emitidos. Isso significa que o efeito positivo (de que fala a agência) que resulta do prolongamento das maturidades da dívida grega será tido em conta em novas notações. Durante o período de vigência do acordo caberá ao FEEF a emissão de garantias sobre os títulos de dívida helénica.

A concordância dos termos do acordo pelo BCE e pelos bancos privados, deram à cimeira de ontem a capacidade para viabilizar o cumprimento imparcial da dívida grega sem abrir novas guerras com as agências norte-americanas de avaliação de risco.

MRA Alliance

Portugal sai de Bruxelas com melhores condições, diz PM

quinta-feira, julho 21st, 2011

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considera que Portugal saiu hoje de Bruxelas com melhores condições para cumprir com sucesso o seu programa de assistência financeira, na sequência da «robusta» resposta dada pela cimeira extraordinária da Zona Euro.

No final de uma reunião dedicada a um segundo programa de ajuda para a Grécia e ao combate ao risco de contágio da dívida soberana, Passos Coelho disse que, «de uma assentada», os líderes da Zona Euro acordaram as condições para resolver, de uma forma credível, a questão da Grécia e alcançar uma reforma a nível europeu que, inequivocamente, permitem a Portugal e Irlanda verem «aumentadas as condições de sucesso» dos seus programas.

Segundo o chefe de Governo, as agências de notação e os mercados não terão mais razões para duvidar das condições de sucesso do programa de Portugal, que até pode aspirar a regressar mais cedo aos mercados.

Passos Coelho disse todavia não desejar que as boas notícias com que Portugal sai hoje de Bruxelas constituam “qualquer pretexto para que se pense que se pode abrandar o ritmo de aplicação do programa” ou “ter menos exigência”, reafirmando que os tempos que o País enfrenta são “extremamente exigentes e difíceis”.

Entre as decisões já conhecidas  sobre juros, maturidades e reestruturação da dívida (grega), acresce a participação da banca privada. Após a cimeira, o Instituto de Finanças Internacionais anunciou, em Washington, que os bancos credores da Grécia vão contribuir com 54 mil milhões de euros em três anos e 135 mil milhões a dez anos para o novo plano de resgate da economia helénica.

MRA Alliance/Agências

Dívida: Europa vai aliviar condições financeiras do resgate aos periféricos

quinta-feira, julho 21st, 2011

A cimeira extraordinária  dos líderes da zona euro, em Bruxelas, sobre o novo resgate à Grécia, aprovou condições e modalidades financeiras menos pesadas e mais amplas, que poderão igualmente favorecer Portugal e a Irlanda, de acordo com o esboço do documento final da reunião.

Portugal deverá assim beneficiar de uma redução das taxas de juro que poderá aplicar-se às tranches dos empréstimos futuros, ou mesmo às taxas dos empréstimos já contratados. No entanto,  a actual versão do documento ainda é inconclusiva sobre a matéria.

As condições hoje acordadas para os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) prevêem o alargamento do prazo do novo empréstimo concedido à Grécia – entre os 7,5 e os 15 anos -, tal como a redução da taxa de juro de 4,5 para 3,5 por cento.

Por outro lado, os 17 países membros da zona euro, deverão dar luz verde à utilização do FEEF para a compra de dívida no mercado secundário, uma alternativa até agora firmemente rejeitada pela Alemanha.  No entanto, segundo um diplomata europeu, citado pelo Público, esta possibilidade só deverá ser admitida para a Grécia, que poderá reduzir por esta via uma parte do volume da dívida.

A questão mais difícil das negociações, o envolvimento dos credores privados no novo pacote de ajuda à Grécia, deverá ser resolvida no quadro de um acordo que está a ser concebido com os principais banqueiros europeus que também participam na cimeira. 

Admite-se a possibilidade de os bancos aceitarem a reestruturação da dívida grega, nos próximos cinco anos, com uma perda de 20% em juros e capital, para um valor a rondar os 150 mil milhões de euros.

MRA Alliance/Agências

Ministro britânico diz que Grécia está «claramente insolvente»

quinta-feira, julho 21st, 2011

O ministro britânico do Comércio, Vince Cable, disse hoje que a Grécia se tornou «claramente insolvente» e que os países da zona euro terão de aceitar que Atenas não poderá reembolsar as dívidas na íntegra. «Os gregos estão claramente insolventes. Tornou-se evidente desde há algum tempo, e os países da zona euro não podem ignorar esse problema. Eles vão ter de reconhecer que parte das dívidas [deverá ser] apagada», declarou Vince Cable à cadeia televisiva Sky News.

Por outro lado, Cable frisou que o fracasso da Grécia aumenta exponencialmente os perigos para a economia britânica, já que a zona euro absorve metade das exportações britânicas: «Não sabemos que impacto teria um incumprimento de pagamentos a grande escala, mas isso seria evidentemente muito perigoso e penso que isso implica sobretudo que devemos começar a endireitar os nossos próprios bancos e a reformá-los.”

MRA Alliance/Agências

Merkel e Sarkozy de acordo sobre novo resgate grego

quinta-feira, julho 21st, 2011

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegaram a acordo esta madrugada sobre uma nova ajuda à Grécia, com o apoio do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Nas cerca de sete horas de reunião, em Berlim, para debater a crise da dívida na Europa, Sarkozy e Merkel «acordaram uma posição comum que foi transmitida ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, para integrar estes elementos nas suas consultas preparatórias da reunião dos líderes da Zona Euro», que terá hoje lugar, em Bruxelas, refere um comunicado da presidência francesa.

Também o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, informou que Merkel e Sarkozy estão determinados em aprovar o resgate grego e que o seu plano foi discutido com o presidente do BCE, que se juntou à reunião em Berlim, como com o presidente do Conselho Europeu, por telefone.

MRA Alliance/Agências

Portugal: Exposição à dívida soberana é o maior risco da banca portuguesa, diz Fitch

quarta-feira, julho 20th, 2011

A exposição da banca portuguesa à dívida soberana do País é significativa, estando compreendida entre 59% e 183% do “core capital”. O alerta é lançado pela agência de “rating” Fitch no seu terceiro relatório dedicado à análise dos testes de stress, cujos resultados foram divulgados na semana passada. Os quatro bancos portugueses submetidos aos testes de resistência – Grupo BES, BPI, BCP e CGD – passaram nas provas.

A Fitch salienta que todos os bancos poderão ser significativamente afectados por um potencial “haircut” de 25% sobre a dívida soberana apresentada nos balanços. Essa dívida tem, na sua grande maioria, maturidades de médio prazo. “Haircut”, recorde-se, é a perda de capital e/ou juros resultante da renegociação da dívida ou do incumprimento no pagamento dos juros ou reembolsos.

Segundo o relatório da agência norte-americana de rating, o rácio “Tier 1” resultante cairia para 3,7% no caso do BPI, para 4,6% na CGD e para 4,7% no Millennium bcp. “Isto sublinha a vulnerabilidade do capital aos choques soberanos e a necessidade de um reforço adicional dos seus níveis de capital devido aos crescentes receios em torno da dívida soberana”, refere o documento.

A agência espera que os bancos nacionais reforcem os seus rácios de capital. , Os bancos deverão ter um “Core Tier 1” de 9% no final de 2011 e de 10% no final de 2012. “Se os bancos não conseguirem [estes níveis], terão de recorrer ao fundo de recapitalização de 12 mil milhões de euros providenciado pela UE e pelo FMI no âmbito do pacote de resgate a Portugal no valor de 78 mil milhões de euros”, diz a Fitch .

A agência norte-americana conclui dizendo que os “ratings” para a dívida de longo prazo dos bancos portugueses continuam sob vigilância negativa.

MRA Alliance/Agências

Dívida: Portugal leiloou 750 milhões para manter juros abaixo de 5%

quarta-feira, julho 20th, 2011

O Tesouro português colocou hoje 750 milhões de euros em dívida de curto prazo. A emissão foi feita pelo valor mínimo, o que permitiu manter as taxas de juro abaixo dos cinco por cento.

No leilão  de 450 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) a três meses, a taxa de juro foi de 4,982 por cento, contra os 4,926 por cento registados no leilão de 6 de Julho. Na emissão de  300 milhões em BT a seis meses, a taxa de juro foi de 4,960 por cento, contra 4,954 por cento na última emissão comparável.

“Portugal colocou o valor mínimo para que a emissão não ultrapasse a fasquia dos cinco por cento”, disse ao Público Filipe Silva, gestor do mercado da dívida do Banco Carregosa.  Para este especialista, as taxas de juro cobradas são positivas, visto que são bem mais baixas do que o mercado secundário está a exigir para comprar dívida a três e a seis meses – 5,25 por cento e quase 7 por cento, respectivamente.

Segundo Filipe Silva, para que a pressão dos mercados acalme não basta que Portugal consiga executar as medidas da troika e as do Governo. “A Europa precisa de tomar decisões concretas sobre como se vai resolver a crise da dívida”, concluiu.

MRA Alliance

Crise não ficará resolvida na cimeira de quinta-feira, avisa Merkel

terça-feira, julho 19th, 2011

A chanceler alemã não vai ceder na cimeira de líderes europeus agendada para quinta-feira e corre o risco de ficar na história como a primeira presidente da comissão liquidatária do euro e, eventualmente, como a coveira da União Europeia

“Existem outros passos necessários que têm de ser tomados e não é uma solução espectacular que vai resolver todos os problemas”, afirmou Angela Merkel, em conferência de imprensa, ao lado do presidente russo Demitry Medvedev.

Segundo a Reuters, a líder alemã considera que a solução dos problemas da zona euro têm de vir “de dentro”, através da redução da dívida e do aumento da competitividade.

As declarações de Merkel surgem dois dias antes da cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da zona euro, em Bruxelas, onde será debatida a crise de dívida e de onde muitos esperam decisões concretas e eficazes para a resolver.

MRA Alliance/DE

Juro grego a dois anos perto dos 40%

terça-feira, julho 19th, 2011

A ‘yield’ dos títulos de dívida da Grécia a dois anos subiu hoje 300 pontos base para um novo recorde, face à incerteza sobre o segundo resgate ao país, que será discutido na cimeira europeia extraordinária de quinta-feira, em Bruxelas.

Os títulos de dívida gregos a dois anos tingiram 39,13%, um novo máximo desde que a Grécia entrou para a zona euro. No mesmo sentido, seguem as taxas a cinco, oito e nove anos, que galgaram até aos 21,766%, 20,376% e 19,496%, respectivamente.

Apesar deste clima de alta tensão, a Grécia conseguiu vender hoje 1,25 mil milhões de euros em títulos a três meses no mercado primário a uma taxa média ponderada de 4,58%, ligeiramente abaixo dos 4,62% registados no último leilão comparável realizado a 21 de Junho.

Hoje, as autoridades gregas informaram que a taxa de desemprego em Abril atingiu os 15,8% , mais 3,9 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado.

MRA Alliance/DE

Principais credores da dívida pública portuguesa

terça-feira, julho 19th, 2011
Os 90 bancos europeus analisados nos testes de esforço detinham, no final do ano passado, €40,2 mil milhões em dívida pública portuguesa. Os dados detalhados por banco foram divulgados juntamente com os resultados dos testes em que chumbaram oito instituições do Velho Continente.
Os maiores credores são, de longe, os bancos portugueses. As quatro instituições nacionais testadas – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Espírito Santo Financial Group e BPI – detinham €19,6 mil milhões em dezembro de 2010. O 1.º lugar da lista é ocupado pelo banco público, com uma exposição direta bruta de €6530 milhões.

Além das quatro instituições nacionais, destacam-se as posições da banca espanhola (€5492 milhões), a francesa (€4751 milhões) e alemã (€3320 milhões). Entre os 90 bancos submetidos ao teste, apenas 49 revelaram possuir dívida pública portuguesa.

MRA Alliance/Expresso

Dívida: Juros disparam para níveis incomportáveis

terça-feira, julho 19th, 2011

O efeito dos resultados dos testes de stresse à banca da zona euro foi nulo no mercado secundário dos títulos soberanos face às incertezas sobre as resoluções que serão tomadas na reunião de 5ª feira dos ministros das Finanças dos 17 países membros da zona euro (Eurogrupo).

As yields (juros implícitos) dos títulos da dívida pública dos seis países da zona euro sob observação destes mercados financeiros (Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e Bélgica) voltaram a registar subidas significativas, com particular destaque nas variações diárias para os juros dos títulos gregos a 2 anos e dos juros a 2 e a 3 anos das obrigações espanholas e dos títulos italianos.

A Grécia está, de novo, com juros recordes a 2 e a 3 anos; os primeiros fecharam em 35,9% e os segundos em 34,54%, segundo dados da Bloomberg. Entretanto, o custo dos credit default swaps (seguros financeiros contra o risco de incumprimento) ligados à dívida grega ultrapassaram os 3000 pontos base, atingindo 3051,79 pontos base, com uma probabilidade de bancarrota de mais de 88%, segundo dados da CMA DataVision.

Os juros das obrigações do Tesouro (OT) portuguesas atingiram quase 21% na maturidade a 3 anos e ficaram em 20,36% na maturidade a 2 anos. A pressão concentra-se nestas duas maturidades mais próximas refletindo o temor de um default num horizonte próximo, em contraste com o comportamento dos juros nas OT a 5 e a 10 anos que estiveram em baixa. Os juros das OT a 10 anos fecharam em 12,67%, um valor que é superior ao máximo de 12,17% ocorrido em abril de 1995, antes da adesão ao euro. A probabilidade de incumprimento da dívida subiu para 64,31%, tendo fechado na sexta-feira em 62,74%.

Os juros dos títulos irlandeses a 2 e a 10 anos – os que estão a ser transacionados no mercado secundário – estão a níveis superiores aos das OT portuguesas com as mesmas maturidades. Fecharam em 23,22% para as maturidades a 2 anos e em 14,08% para as maturidades a 10 anos. O risco de default do tigre celta também continuou a subir, estando em 63,65%.

Espanha e Itália assistiram hoje a uma enorme pressão nos títulos a 2 e 3 anos. Mas o facto do dia, que chamou à atenção dos analistas, foi a ultrapassagem, de novo, da barreira dos 6%, no caso das obrigações espanholas (OE) a 10 anos (que fecharam em 6,32%), e a aproximação a esse nível por parte dos juros a 10 anos dos títulos italianos (que fecharam em 5,97%). Os juros dos títulos espanhóis e italianos estão, agora, em valores muito próximos; e no caso dos juros dos títulos italianos a 2 anos já são superiores aos juros das OE com a mesma maturidade. A probabilidade de default para Espanha subiu para 28,6% e da Itália para 25,23%.

Também os juros dos títulos belgas estiverem em alta, ainda que em patamares muito mais baixos.

Em total contraste, os juros dos títulos alemães, os Bunds, continuaram em baixa, o que ainda alarga mais o spread (diferença) em relação aos juros dos “periféricos”. No entanto, hoje o risco de default da dívida alemã esteve a subir, fechando a um nível de 5,6%, o que contrasta com 4,7% há uma semana.

À subida no risco de incumprimento e nas yields dos “periféricos” correspondeu uma vaga de crashes nas bolsas europeias, com quedas acima de 2% nos casos dos índices CAC 40 (francês), MIB italiano, PSI 20, Bel 20 (belga), OMX finlandês, OMX de Estocolmo (sueco), húngaro, austríaco e polaco.

A subir, também, o preço da onça de ouro que fixou novo máximo histórico acima de 1600 dólares e da prata que subiu quase 4% para 40,61 dólares por onça (ainda que distante do máximo histórico de 1981 nos 49,45 dólares). O ouro valorizou-se já 16% nos últimos seis meses e 33% no último ano, uma boa valorização, mas mesmo assim abaixo da prata: 35% nos últimos seis meses e 121% nos últimos doze meses.

MRA Alliance/Expresso

Alemanha tem bons lucros com resgate da dívida portuguesa

domingo, julho 17th, 2011

Os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido um bom negócio para os países que lhes concederam garantias, revelou hoje o presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

“Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão”, garantiu Regling precisando que este “é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá, mas que os contribuintes alemães não acreditam”.

MRA Alliance