Archive for the ‘Costa do Marfim’ Category

Costa do Marfim: Países africanos apertam cerco a Gbagbo

sábado, dezembro 25th, 2010

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) advertiu ontem Laurent Gbagbo de que irá recorrer à força para o destituir da Presidência da Costa do Marfim, caso não aceite a transmissão de poder a Alassane Ouattara, vencedor das últimas eleições presidenciais.Segundo a agência Lusa, depois da reunião extraordinária realizada ontem, em Abuja, na Nigéria, os 15 países que integram a CEDEAO informaram que se Gbagbo não abandonar o poder por iniciativa própria terão de recorrer à “força legítima” para o derrubar.

A situação na Costa do Marfim tem-se degradado desde que Laurent Gbagbo, presidente cessante, recusou reconhecer a vitória do adversário, Alassane Ouattara, nas eleições de 28 de novembro.

O banco central dos Estados da África Ocidental anunciou ontem que cortou o acesso de Gbagbo a fundos estatais. A decisão visa pressionar o presidente cessante da Costa do Marfim a deixar o poder, pois inibe o pagamento dos salários aos militares e aos funcionários públicos costa marfinenses. Os apoiantes do rival de Gbagbo, Alassane Ouattara, apoiado pela comunidade internacional, preveem manifestações em massa caso não haja pagamentos.

MRA Alliance

Costa do Marfim perto da guerra civil

sexta-feira, dezembro 24th, 2010

A situação na Costa do Marfim está cada vez mais instável desde as eleições de 28 de Novembro. O Presidente derrotado, Laurent Gbagbo, continua a recusar abanadonar o cargo e inaugurou, esta semana, um rol de ameaças à comunidade internacional, que exige o reconhecimento do candidato da oposição, Alassane Ouattara, como o novo Presidente.

No início deste mês, antes da segunda volta que deu a vitória a Ouattara, o analista do “AllAfrica”, Charles Onunaiju, referia-se à ida às urnas como “o último bálsamo curativo para um país há muito fracturado”. Mas depois de várias semanas de manifestações – que, segundo as Nações Unidas, já levaram à morte de 173 opositores – os analistas são cada vez mais unânimes: já não há bálsamo capaz de impedir que a Costa do Marfim mergulhe numa nova guerra civil.

Desde a assinatura de um cessar-fogo com as forças rebeldes no país, em 2003, o país criou um currículo invejável no continente. As forças rebeldes foram lentamente introduzidas no sistema político marfinense, com o chefe de uma das guerrilhas, Guillaume Soro, a assumir o cargo de primeiro-ministro num governo de coligação em 2007. O cacau potenciou o desenvolvimento económico do país, que é hoje o maior produtor e exportador mundial do ingrediente. Mas as conquistas recentes estão a começar a desmoronar.

A ONU continua atenta ao desenrolar dos acontecimentos. Apesar das ameaças do presidente aos os capacetes azuis que não abanadonarem o país, a organização já anunciou que vai enviar mais tropas a juntar às dez mil já em missão de paz no país.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU teve ontem uma reunião de emergência, onde, para além dos 173 mortos confirmados, falou em, pelo menos, 90 casos de tortura provados, só nesta última semana. “Infelizmente tem sido impossível investigar todas as alegações de violações dos direitos humanos, incluindo rumores de valas comuns, devido às restrições de movimento impostas ao pessoal da ONU”, disse na reunião Betty E. King, embaixadora norte-americana no Conselho.

Os EUA, bem como a UE, já impuseram sanções à Costa do Marfim, que impedem Gbagbo, a sua família e apoiantes de viajar para os países. Os analistas, contudo, dizem que será preciso mais do que sanções para acabar com a crise política marfinense.

MRA Alliance/ionline

Banco Mundial declara guerra à Costa do Marfim

quinta-feira, dezembro 23rd, 2010

O Banco Mundial (BM) vai cortar o crédito à Costa do Marfim e fechar a sua delegação na capital, Abidjan. Ao mesmo tempo, o Governo francês fala em intervenção militar, com a condição de que esta seja pedida por chefes de Estado de países africanos, quando estes se reunirem na Nigéria, a partir de amanhã, sexta-feira.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, reuniu-se ontem no Palácio do Eliseu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e anunciou a suspensão dos compromissos de financiamento à Costa do Marfim, que, segundo a Al Jazeera, ascendiam a cerca de 842 milhões de dólares.

Uma declaração emitida pelo BM afirma que este “parou de emprestar e desembolsar fundos para a Costa do Marfim” e acrescenta que “o escritório do BM [em Abidjan] foi encerrado”. A decisão explica-se politicamente por o BM e o Banco de Desenvolvimento Africano terem “apoiado a ECOWAS [Economic Community of West African States] e a União Africana em enviar ao presidente Gbagbo a mensagem de que perdeu as eleições e tem de apear-se do poder”.

Entretanto, as pressões francesas sobem de tom. O porta-voz do Governo francês, François Baroin, igualmente citado pela Al Jazeera, aconselhou publicamente os 13.000 franceses que vivem na Costa do Marfim a abandonarem temporariamente o país, tendo em conta “inegáveis motivos de preocupação”. Também o presidente Sarkozy se manifestara no mesmo sentido e com idêntico conselho.

Na sequência do atestado de vitória passado pela missão da ONU ao candidato rival, Alassane Ouattara, nas eleições presidencais, o presidente cessante Gbagbo exigira a partida do contingente da organização internacional, bem como das tropas francesas estacionadas na Costa do Marfim – uma exigência que reiterou na terça feira, com o fundamento de que, alegadamente, “a comunidade internacional declarou guerra à Costa do Marfim”. A ONU, por seu lado, aceitara a prova de força e renovara o mandato do seu contingente, a UNOCI, por mais seis meses.

MRA Alliance/Público