Archive for the ‘Capitalismo’ Category

Cuba: Reformas do Partido Comunista abrem janela ao capitalismo

quarta-feira, abril 20th, 2011

Congresso do PCCSufocados por décadas de proibições, os cubanos respiraram aliviados, pois finalmente poderão comprar e vender casas e carros, além de receber créditos para negócios e cultivos, após o VI Congresso do Partido Comunista (PCC), que aprovou nesta terça-feira as reformas de propostas pelo colectivo presidido por Raúl Castro.”Raúl avança aos poucos, mas com um bom ritmo. Com a venda de casas e carros muita gente vai poder ganhar um dinheirinho e usá-lo, por exemplo, em negócios”, declarou à AFP Julio González, carregador de bagagens de 37 anos que trabalha no Centro Histórico de Havana.

Raúl Castro chegou ao governo, em julho de 2006, quando o seu irmão Fidel ficou doente e, paulatinamente, foi eliminando as leis que impediam que os cubanos se hospedassem em hotéis, alugassem carros ou comprassem eletrodomésticos.

Cerca de 90% dos cubanos são donos de suas casas, não pagam impostos por elas ou pagam rendas baixas, mas não podem vendê-las. A troca é um expediente ilegal que movimenta muitos milhares de dólares mas ao qual as autoridades fazem vista grossa.

Para já a alegria é contida. O Governo e o Parlamento ainda devem dar forma legal a esses acordos, o que desencadeia as suspeitas de muitos. Só podem comprar carros se houver autorização do governo, e, em casos excepcionais, com uma permissão especial, como ocorre com os músicos que viajam para o exterior e ganham avultados cachets.

Os cubanos apenas podem comprar livremente os velhos carros americanos, fabricados antes do triunfo da revolução de Fidel Castro, em 1959. “Conheço muita gente que vai ficar muito feliz com isto, porque há anos guardam dinheiro para comprar uma coisa ou outra”, comentou Freddy Muguercia, um taxista de 40 anos, que dirige um dos carros que são um símbolo cubano.

Com a compra e venda de casas, o Governo tenta enfrentar o persistente défice de centenas de milhares de residências em Cuba, agravado em 2008 após a passagem de três furacões que em poucos dias destruíram ou danificaram meio milhão de casas.

O Governo autorizou em abril do ano passado, que boa parte dos 11,2 milhões de cubanos pudesse reerguer as suas casas com esforços e recursos próprios, mas também eliminou os subsídios aos materiais de construção, o que dificultou as reconstruções. 

O congresso comunista autorizou outras duas propostas do Governo: o fornecimento de créditos bancários a trabalhadores privados, camponeses e à população em geral, incluindo a construção de casas, e a ampliação dos limites de terras ociosas a serem concedidas em usufruto aos agricultores com bons resultados.

“Para um ‘cuentrapropista’ (trabalhador privado) que começa, é muito oportuno ter créditos. Isso é saudável para o negócio”, disse Miriam Blanco, uma vendedora ambulante de pastéis, de 51 anos. Também serão beneficiados com esses créditos bancários boa parte dos mais de 128.000 cubanos que, desde setembro de 2008, receberam mais de um milhão de hectares de terras em usufruto, mas que enfrentam a falta de ferramentas e outros bens para produzir.

“Se o congresso aprovou, que isso venha muito rápido”, disse Blanco, que como todos os cubanos, sabem que os acordos do PCC são uma espécie de lei sem texto em Cuba, pelo menos, durante o governo de Fidel Castro.

MRA Alliance/AFP

Crise sistémica: Europa de Leste pode arrastar UE para colapso financeiro

segunda-feira, fevereiro 16th, 2009

O agravamento das finanças públicas dos países do leste europeu – da Rússia à Ucrânia, passando pelos ex-satélites soviéticos que já aderiram à União Europeia – é uma verdadeira Espada de Dâmocles para a estabilidade do sistema financeiro europeu e, por arrastamento, da economia global.

Em Outubro passado, lançámos o primeiro alerta relativamente às componentes cambiais da crise. Agora, as ameaças atingem praticamente todos os mercados internacionais da dívida onde aqueles países se têm financiado nos últimos anos, conforme relataram esta semana os jornais “Telegraph” (Gra-Bretanha) e “Der Standard” (Áustria)

Na primeira linha das potenciais vítimas está a Áustria que concedeu créditos aos países do antigo bloco soviético no valor de EUR 230 mil milhões/bilhões (mm/bi), cerca de 70% do PIB austríaco. O ministro das Finanças da Áustria, Josef Proll, tem tentado desesperadamente evitar o desastre. Nas últimas semanas desdobrou-se em esforços para a concessão de um programa financeiro de emergência, no montante de EUR 150 mm/bi, aos países da região generosamente financiados por instituições estrangeiras. Até agora, os esforços de Proll saldaram-se por um fiasco. 

Stephen Jen, especialista cambial do banco Morgan Stanley, citado pelo “Telegraph”, precisou que a Europa de Leste contratou empréstimos, na sua maioria com maturidades curtas, que ascendem a USD 1,7 mil biliões/trilhões (mibi/tri). Mais de 1/4 dos contratos – EUR 400 mm/bi – vencem-se em 2009, devendo ser liquidados ou refinanciados. A dimensão é assustadora. Os contratos vincendos equivalem a 33% do PIB da região.  

O panorama piora um pouco quando o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD, em inglês) estima que o crédito malparado se poderá situar entre os 10%-20%. Os fundamentais da economia mundial encarregam-se do resto.

Nos últimos seis meses, a Rússia malbaratou 36% das reservas que conseguiu acumular quando o petróleo estava acima dos 100 dólares/ barril. Actualmente o petróleo está abaixo dos 40 dólares e o orçamento russo contabilizou-o a 95 dólares. O rublo tem sido a grande vítima e, pelos vistos, a sangria vai continuar.  

Na Polónia, cerca de 60% das hipotecas foram contraídas em francos suíços. Desde 2008, a divisa polaca – zloty – perdeu 50% do valor face ao franco. O colapso tem irmãos gémeos um pouco por todo o leste europeu.

Sérvia, Hungria, Estónia, Lituânia, Letónia, Bulgária temem o pior.

A qualidade do humor dos banceiros centrais e comerciais da Europa ocidental está profundamente afectada. A conjugação da sua exposição à ruína financeira norte-americana com a miséria emergente na Europa de Leste poderá atirar muitos bancos ocidentais para a falência e provocar a ruptura do sistema.

Os sinais de fragilidade são abundantes e a memória da bancarrota islandesa está ainda demasiado fresca na memória de todos.

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Fórum Social Mundial inconclusivo sobre crise económica

segunda-feira, fevereiro 2nd, 2009

O Fórum Social Mundial foi encerrado ontem, em Belém do Pará (Brasil), sem ser aprovado um documento final com as conclusões do encontro. O conclave anticapitalista não produziu qualquer conclusão ou sugestão sobre a crise económica mundial, o tema central debatido durante os sete dias do evento.

Na assembleia geral, realizada ao ar livre, no fim da tarde, foram lidos documentos sobre um conjunto de 22 questões pontuais, desde a preservação da Amazónia aos problemas mundiais da emigração, passando pela demarcação das terras indígenas e pela a questão palestiniana entre outras.

Apesar da ausência de um documento global, os comentários dos organizadores e participantes, no final da reunião, evidenciaram dois pontos comuns:

1) O FSM aponta na direcção certa, assente no lema “um outro mundo é possível” e que a crise económica mundial parece fortalecer;

2) O fórum deverá atrair mais participantes da Ásia, do Leste Europeu, da África e de outras regiões do mundo. Este ano, das quase seis mil entidades participantes, mais de quatro mil eram da América do Sul.

“Davos acabou. Nós somos o futuro”, comentou Candido Grzybowski, do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial e director do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), referindo-se à cidade suíça que acolhe anualmente a elite do pensamento capitalista mundial no âmbito do “Fórum Económico Mundial”. 

“A crise global é a demonstração científica de que o sistema em vigor – o sistema de Davos – não é sustentável”, acrescentou a italiana Rafaella Bolini, membro do conselho internacional e dirigente de uma ONG que actua na área da cultura.

MRA/Agências

Crise sistémica: Intervenção estatal gera movimentos especulativos

quarta-feira, outubro 15th, 2008

A cotação dos Títulos do Tesouro dos Estados Unidos não pára de cair desde a semana passada como reacção aos programas governamentais de salvação do sistema financeiro. A depreciação dá uma pista importante: o olho do furacão está no mercado da dívida e não nas bolsas. A implosão do mercado imobiliário estadunidense accionou os mecanismos da bolha da dívida. O mercado dos títulos hipotecários foi ultrapassado pelo segmento das dívidas de curto prazo (papel comercial) e pelo congelamento dos empréstimos interbancários. As recentes acções dos governos para salvar o sistema financeiro deram o sinal ao mercado – investir em obrigações garantidas pelo governo é menos rentável do que aplicar o dinheiro em instituições protegidas pelos governos. As empresas financeiras privadas, que passaram a ostentar a indelével marca “Empresa Estatal”, prometem ser as estrelas da próxima fase especulativa. MRA Dep. Data Mining

Short selling: China aprova regras do capitalismo e da especulação financeira

sexta-feira, setembro 26th, 2008

O Conselho de Estado da China, contrariamente à actual tendência nos países capitalistas afectados pela crise financeira global, abriu as portas a mecanismos especulativos ao legalizar a compra de acções a crédito e a venda de títulos a descoberto, noticiou a agência Bloomberg. A medida pretende reanimar os mercados de capitais chineses após meses de retracção dos negócios. MRA Dep. Data Mining