Carta da Drª Rafaela Machado aos compatriotas brasileiros

Prezados compatriotas,

Prazer, eu me chamo Rafaela, sou brasileira, cearense, advogada, tenho 29 anos e, como muitos de vocês, estou bastante preocupada com a atual situação de instabilidade política, social, econômica que o nosso país se encontra. A brutal inversão de valores faz dos honestos, babacas; das vítimas de violência, “aquele que deu bobeira”; dos críticos a tudo isso, chatos; enquanto o mundo gira e o tempo passa…

Diante de tantos problemas enfrentados diariamente no Brasil, só nós, brasileiros, conseguimos mensurar e ser sensíveis uns aos outros. Fato. Não há camarada no mundo – que nunca viveu em uma sociedade com tais peculiaridades – que consiga ter empatia por alguém que se surpreenda por poder caminhar na rua sem receio, por exemplo. É necessário sentir na pele o medo para conseguir respirar aliviada ao caminhar sozinha em paz (sensação impagável!).

Ocorre que a preocupante conjuntura brasileira gera uma consequência natural que acontece desde que o mundo é mundo: a imigração. O êxodo de brasileiros para Portugal nos últimos anos aumentou drasticamente, reflexo da tolerância brasileira frente a tal situação se esgotando, fato absolutamente aceitável.

O que vejo como inaceitável é imigrantes brasileiros chegarem aqui em Portugal com a ideia de repetir o padrão brasileiro equivocado de viver a vida. A vulgar expressão “jeitinho brasileiro”, que tantos adeptos desse estilo de vida enchem a boca para expeli-la e orgulham-se por se considerarem mais espertos que os honestos, deve ser extirpada da sociedade, juntamente com o seu significado.

A falta de planejamento diante de algo tão grandioso, a mudança de país, pode acarretar problemas exponencialmente maiores do que se pode imaginar. Sempre escuto umas frases feitas que recebo com um certo receio como: “Portugal está de portas abertas!” (depende, esteja legal, tenha um propósito real); “Portugal está precisando de mão de obra” (pode até ser, mas seria bom checar qual seria “obra” pra ver se a sua “mão” é aceita); “o custo de vida em Portugal é baixo” (relativo, já viu quanto custa o aluguel de um apartamento de 1 quarto em Lisboa?).

Há quem diga que mudar de país é como nascer de novo, só que já adulto e com várias verdades impostas em nossas mentes. Ou seja, não é um processo tão descomplicado como pintam, há vários órgãos públicos que precisam ser visitados e muitas decisões de ordem prática que precisam ser tomadas, desde onde morar, em que trabalhar, até o que vestir, sem esquecer de acrescentar muita resiliência nesse pacote.

A finalidade desta carta é de alertá-los à necessidade de, em termos práticos, fazer um bom planejamento migratório e de ter uma relevante reserva financeira. Por exemplo, há a possibilidade de abrir um negócio em Portugal. Para concretizar, é preciso fazer um investimento, verificar a viabilidade de seu negócio, sem esquecer de faturar, afinal, a autorização de residência a ser solicitada de tempos em tempos só será concedida se o seu negócio estiver saudável.

Em resumo:

PLANEJE-SE

PROTEJA-SE

NÃO ARRISQUE PARA ALÉM DOS LIMITES porque

MIGRAR NÃO É FÁCIL

 Rafaela Machado

OAB/CE 28420

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