Carlos Costa assume o leme do Banco de Portugal e promete mais supervisão e regulação

Carlos Costa - Governador do Banco de PortugalO economista Carlos Costa assumiu hoje o cargo de governador do Banco de Portugal, sucedendo a Vítor Constâncio. Nomeado pelo Governo a 23 de Abril, o até agora vice-presidente do Banco Europeu de Investimento foi empossado pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que salientou “a necessidade de reforçar o quadro de regulação e de supervisão financeiras a nível nacional e internacional”. O novo governador afina pelo mesmo tom.

A banca não pode trabalhar em regime de auto-regulação e impõe-se “prosseguir e reforçar a supervisão permanente das instituições financeiras”. O sucessor de Vítor Constâncio na liderança do Banco de Portugal sintetiza nestes termos a agenda que se propõe cumprir. O sistema financeiro do país, ressalva o novo governador, “está sólido”, uma vez que teve uma exposição reduzida ao terramoto do crédito hipotecário de alto risco e “reforçou a sua base de capital” por “iniciativa do Banco de Portugal”. Ainda assim, é hoje “imperioso e urgente demonstrar aos agentes financiadores externos que as trajectórias de endividamento são sustentáveis”.

“Importará ter presente que a evidência de que o risco sistémico tem natureza transfronteiriça e que, por consequência, necessita de uma resposta concertada tanto a nível europeu como internacional, o que já determinou a emergência de um conjunto de inovações institucionais e de propostas de novas regras prudenciais”, sublinhou Carlos Costa no salão nobre do Ministério das Finanças.

O Banco de Portugal, destacou, “tem vindo a dar resposta a estes desenvolvimentos, que se integram num processo em curso”: “E teremos que continuar a acompanhar estes desenvolvimentos com maior atenção, tendo em conta que deles depende a manutenção da credibilidade das instituições financeiras nacionais”.

Uma das lições a retirar da crise financeira e económica é, segundo Teixeira dos Santos, “a necessidade de responder de forma global” a um abalo que é “igualmente global”. A “forte integração dos mercados financeiros internacionais”, sustentou o ministro das Finanças na tomada de posse de Carlos Costa, “exige que o reforço de supervisão e de regulação financeiras seja coordenado entre os vários países”: “O G20 e a União Europeia têm claramente responsabilidade e obrigação de desenvolver trabalho neste domínio, que não podemos, a nível interno, ignorar”.

MRA Alliance/RTP

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