Brasil protege violadores dos direitos humanos, diz ONG

A Human Rights Watch, acusou o Brasil de usar o voto nas Nações Unidas para proteger países acusados de violações dos direitos humanos. Durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, ontem, em Genebra, o presidente brasileiro Lula da Silva defendeu o diálogo e não a imposição como melhor forma de obter a colaboração dos países acusados.  “Os países do conselho deveriam procurar o diálogo e não impor o caminho para proteger os direitos humanos. O exemplo é a melhor maneira de persuadir”, disse.

No passado, quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU se reuniu para condenar a Coreia do Norte por denúncias de tortura e trabalhos forçados para presos políticos, o Brasil absteve-se. China, Rússia e Cuba, repetidamente acusados de abusos contra os seus cidadãos, votaram contra. A medida foi aprovada com 26 votos, entre eles os da Argentina, Japão e Inglaterra.

No caso do Sudão, país paralizado por uma violenta guerra civil, o Brasil voltou a  abster-se, juntamente com a China e a Rússia, quando o conselho quis aumentar a presença de inspectores internacionais no país africano, A medida foi rejeitada por 22 votos contra 12.

Relativamente aos crimes de guerra cometidos no Sri Lanka pelo governo e pelos rebeldes, o Brasil votou a favor de uma resolução que, segundo a Humans Rights Watch, não reflectiu qualquer condenação ao massacre de civis. O Brasil votou ao lado da China, Cuba, Paquistão e Arábia Saudita contra países como a França, Reino Unido, Alemanha, Chile e México.

“Nós queríamos que o Brasil usasse a sua influência regional para mostrar um exemplo mais positivo para a promoção e protecção dos direitos humanos. E, para fazer isso, o Brasil tem que acabar com essa ideia de que a situação de direitos humanos é uma questão interna porque não é”, disse o director da Human Rights Watch, Iaian Levine.

O governo brasileiro nega as acusações. “Eu sei que há algumas restrições ao facto de o Brasil não distribuir certificados de bom ou mau comportamento pelo mundo fora. Não é essa a tradição da política externa brasileira. Nós achamos que é muito mais importante uma acção de carácter positivo, que conduza o país A, B ou C a uma melhoria da situação interna. Os bloqueios e as sanções económicas, em geral, têm um efeito contrário”, disse o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia.

Na próxima semana, o conselho reúne-se para discutir novamente a situação dos refugiados de Darfur, no Sudão. O Brasil votará sobre a manutenção de inspectores da ONU no país.

MRA Alliance/Agências/Globo

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