Brasil: Marinha quer submarino nuclear para defender Amazónia Azul

Amazónia Azul (na parte superior)O submarino de propulsão nuclear brasileiro é essencial para garantir a defesa da Amazónia Azul, uma área marítima equivalente à dimensão da Floresta Amazónica, disse o Comandante da Marinha do Brasil, almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, citado hoje pela agência Lusa.

O grande espaço chamado de Amazónia Azul inclui uma área de 4,5 milhões de quilómetros quadrados, equivalente a metade do território brasileiro, possui grande quantidade de recursos – como petróleo, 85% do qual é extraído do mar.

“O submarino de propulsão nuclear é fundamental como um instrumento de dissuasão. Eles são silenciosos e operam em águas rasas. São de muita importância para podermos tomar conta de áreas de proximidade de plataformas e para tomarmos conta da nossa Amazónia Azul”, afirmou o almirante Moura Neto, no Rio de Janeiro.

Desde o início do Programa Nuclear desenvolvido pela Marinha do Brasil, em 1979, foram investidos 1 200 milhões de dólares (cerca de 870 milhões de euros). “Já se gastou muito dinheiro, mas as cifras são muito menos do que outros países já gastaram para chegar ao mesmo estádio”, disse o almirante.

Para encerrar o programa nuclear que envolve o domínio da tecnologia de enriquecimento do urânio, a construção de centrífugas e de um gerador de energia eléctrica que produza a partir da energia nuclear, serão precisos mais mil milhões de reais (360 milhões de euros) até 2014, o equivalente anual a 130 milhões de reais (46 milhões de euros). 

A partir de 2014, o Brasil deverá iníciar a construção do submarino nuclear. Prevê-se que possa estar concluído em 2020.

“Existe no mar uma outra Amazónia tão importante quanto a Amazónia verde, com recursos que precisam ser entendidos, preservados e utilizados”, disse o Comandante da Marinha Brasileira.

Neste contexto, o Brasil reivindica o aumento da plataforma continental, para além das 200 milhas, junto da Comissão de Limites das Nações Unidas. O objectivo é ampliar o património marítimo brasileiro em cerca de um milhão de quilómetros quadrados. Até agora, a ONU libertou apenas 800 mil quilómetros quadrados, área que Brasília considera insuficiente.

“Vamos buscar argumentos técnicos para contrabalançar os argumentos da Comissão de Limite. Vamos lutar por esses 200 mil quilómetros. São limites e a gente não cede um milímetro”, afirmou Moura Neto.

MRA Alliance/Lusa

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