Brasil: 28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome

O estudo do Ibase publicado hoje pelo jornal electrónico Folha Online revela que o Bolsa Família tem impactos positivos na alimentação, não causa o chamado «efeito-preguiça», mas não consegue beneficiar todos os que precisam. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostram que, em 2006, mais de 50% dos domicílios mais pobres não estavam abrangidos pelo programa. Famílias com menor necessidade receberam ajuda e outras, mais necessitadas, ficaram excluídas. Em 2006, de um total de 8,2 milhões de residências com um rendimento mensal per capita inferior a 120 reais (€ 47,50), apenas 47% recebiam o benefício.

Ao investigar o grau de segurança alimentar dos beneficiários, o estudo do Ibase revela que o nível total de segurança alimentar só abrange 17% dos agregados contemplados com o programa Bolsa Família. Cerca de 28%, no entanto, embora não passem fome nem deixem de consumir alimentos, receiam que tal possa acontecer futuramente. Outro grupo (34%) de famílias enfrentam um «estágio moderado de insegurança» – embora não passem fome são forçados a reduzir o consumo de alimentos. Em 21% dos casos, a insegurança alimentar foi considerada grave. “Não é necessariamente uma situação famélica como a que ocorre na África, mas são domicílios onde faltam alimentos em casa e, por isso, nem todas as refeições são feitas”, disse Francisco Menezes, coordenador-geral do estudo. Além de estudar a situação da segurança alimentar no Brasil, o Ibase conclui que 49% das mulheres beneficiárias disseram sentir-se financeiramente mais independentes. Outros 39% declararam que o seu poder de decisão em relação ao dinheiro da família aumentou. Os recursos do programa são concedidos prioritariamente às mulheres. Algumas aproveitaram o subsídio para porem fim ao casamento. “Repassamos os recursos para as mulheres por entender que elas fazem melhores escolhas para beneficiar a família, mas sabemos que essa política acaba tendo reflexos nas relações de gênero também”, afirmou Rosani Cunha, do Ministério do Desenvolvimento Social.

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