Bolívia: Referendo constitucional coloca país à beira da divisão

A nova Carta Magna da Bolívia foi aprovada com cerca de 60% de votos a favor, segundo as projecções à boca das urnas, acentuando as divisões políticas e sociais entre apoiantes e opositores ao regime populista do presidente Evo Morales. Quase 3,9 milhões de eleitores foram chamados a votar um texto que dá um lugar preponderante às comunidades indígenas, à justiça social e ao papel do Estado, nomeadamente em matéria de recursos naturais. Evo Morales não hesitou em proclamar a “refundação da Bolívia” e o fim do Estado colonial.

O primeiro presidente indígena do país afirmou que “é o fim dos grandes proprietários” já que a dimensão máxima das explorações agrícolas passa a ser de 5000 hectares. O triunfo permite a Morales convocar eleições gerais para o final do ano, onde pode ser reeleito para um mandato de 5 anos.

Segundo os resultados preliminares, em Santa Cruz, a região mais rica do país, o “não” registou perto de 70% dos votos. Outras 4 regiões, conhecidas como a meia-lua, rejeitam o texto, confirmando uma divisão da Bolívia em dois e dando força às aspirações de autonomia dessas zonas, onde se encontram os principais recursos do país, como o gás natural. Este centro de oposição a Morales exige um grande pacto social para evitar a divisão irreversível da Bolívia.

Fonte: Agências

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