Berlim pressiona BCE a admitir default grego

O Banco Central Europeu está sob forte pressão da Alemanha para mudar de tom e explicar como vai manter a torneira aberta à Grécia mesmo que o país não honre as suas obrigações e seja forçado a entrar em incumprimento parcial.

Este braço-de-ferro ficou bem exposto no recente Eurogrupo, onde se abriram várias portas a uma reestruturação grega, e continua a subir de tom com a indicação de que a chanceler Angela Merkel se recusa a participar numa cimeira sem resultados. A revisão do Fundo de socorro europeu ainda não está concluída e o encontro seria sempre inconclusivo se o BCE não validasse um ‘default’ grego.

Analistas e fontes diplomáticas recordavam ontem que há várias soluções no quadro da actuação dos bancos centrais para segurar a economia grega após um incumprimento. O problema, como já alertou o membro do BCE, Lorenzo Bini-Smaghi, é que um ‘default’ sairia muito mais caro aos contribuintes europeus. A nível técnico, a primeira solução de financiamento pode vir de uma assistência de emergência de liquidez através dos bancos centrais.

Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, insiste na reunião. Tentou apresentar esta cimeira extraordinária em Madrid e depois em Lisboa, apontando para sexta-feira, mas Berlim continua a invocar problemas. Wolfgang Schaüble, o ministro alemão das Finanças, disse ontem que não há razão para tomar “decisões apressadas” visto que a Grécia tem “financiamento garantido até Setembro”, mas admite que um tal encontro pode ser preciso para dar “um sinal psicológico” aos mercados, caso não o tenham percebido com a declaração do Eurogrupo.

Mas os mercados devem ter percebido bem esse sinal porque continuaram ontem a penalizar os países periféricos, receando que estes sigam o caminho da Grécia – depois de rotular a dívida portuguesa como “lixo”, a Moody’s fez o mesmo à Irlanda.

A irritação entre os líderes dos periféricos é patente nas palavras do líder espanhol que acusou de forma velada a Alemanha de atiçar o contágio. Mas a consequência é mais aperto, até porque estes países não têm, nesta fase, qualquer margem negocial no Conselho. Por exemplo, a ministra espanhola, Elena Salgado, aceitou a contragosto empurrar a Grécia para o incumprimento e quando chegou a Madrid admitiu necessidade de novos cortes. “O tecto de despesa [para 2012] pode ser inferior ao apresentado agora” que já implica um corte de 3,8%. “É mais necessário do que nunca demonstrar o nosso compromisso com a austeridade”, explicou, saudando o facto de o país não ter previsto ir ao mercado esta semana.

MRA Alliance/DE

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