Bancos dizem que se o Estado pagar as dívidas nos prazos haverá dinheiro para a economia

Os cinco banqueiros que ontem se reuniram no IX Fórum da Banca e Mercado de Capitais, organizado pelo Diário Económico, foram unânimes em dizer que se o Estado pagasse os seus créditos a tempo e horas haveria muito mais dinheiro para emprestar à economia.

Foi Fernando Ulrich quem abordou o tema de forma mais incisiva, chegando a apresentar soluções: “A linha de capitalização [de 12 mil milhões de euros] devia servir para o Estado pagar o que deve aos bancos”.

O presidente do BPI defendeu que o programa da ‘troika’ não devia ter uma linha de capitalização para o Estado apoiar o reforço de capitais dos bancos, “mas que esse dinheiro era útil se fosse canalizado para o sector público, para que este pudesse pagar aos bancos nas datas em que os empréstimos vencem”.

Fernando Ulrich revelou que “estão sempre a pedirem-nos [ao BPI] moratórias para os programas do PME Invest e para as empresas públicas. Logo, esses 12 mil milhões faziam mais falta ao sector público para este poder pagar à banca”.

Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP avançou com um número: “a exposição do sector financeiro ao Estado são 61 mil milhões (contando com a dívida pública que os bancos têm no balanço). Ora, se o Estado fizesse o que lhe compete, que pague o que deve no prazo contratado, isso daria liquidez ao sistema financeiro”, disse o presidente do BCP.

“Um dos caminhos a percorrer era que o Estado fizesse aquilo que lhe compete como qualquer cidadão: que pague aquilo que deve no prazo. Se pagar às autarquias ficam elas felizes e nós felizes. Se pagar às regiões é uma festa. Paguem. É só isso”, disse o banqueiro.

MRA Alliance

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