Banco Mundial declara guerra à Costa do Marfim

O Banco Mundial (BM) vai cortar o crédito à Costa do Marfim e fechar a sua delegação na capital, Abidjan. Ao mesmo tempo, o Governo francês fala em intervenção militar, com a condição de que esta seja pedida por chefes de Estado de países africanos, quando estes se reunirem na Nigéria, a partir de amanhã, sexta-feira.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, reuniu-se ontem no Palácio do Eliseu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e anunciou a suspensão dos compromissos de financiamento à Costa do Marfim, que, segundo a Al Jazeera, ascendiam a cerca de 842 milhões de dólares.

Uma declaração emitida pelo BM afirma que este “parou de emprestar e desembolsar fundos para a Costa do Marfim” e acrescenta que “o escritório do BM [em Abidjan] foi encerrado”. A decisão explica-se politicamente por o BM e o Banco de Desenvolvimento Africano terem “apoiado a ECOWAS [Economic Community of West African States] e a União Africana em enviar ao presidente Gbagbo a mensagem de que perdeu as eleições e tem de apear-se do poder”.

Entretanto, as pressões francesas sobem de tom. O porta-voz do Governo francês, François Baroin, igualmente citado pela Al Jazeera, aconselhou publicamente os 13.000 franceses que vivem na Costa do Marfim a abandonarem temporariamente o país, tendo em conta “inegáveis motivos de preocupação”. Também o presidente Sarkozy se manifestara no mesmo sentido e com idêntico conselho.

Na sequência do atestado de vitória passado pela missão da ONU ao candidato rival, Alassane Ouattara, nas eleições presidencais, o presidente cessante Gbagbo exigira a partida do contingente da organização internacional, bem como das tropas francesas estacionadas na Costa do Marfim – uma exigência que reiterou na terça feira, com o fundamento de que, alegadamente, “a comunidade internacional declarou guerra à Costa do Marfim”. A ONU, por seu lado, aceitara a prova de força e renovara o mandato do seu contingente, a UNOCI, por mais seis meses.

MRA Alliance/Público

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