Banco de Portugal divulgou excessos da banca contra clientes

Mais de 14 mil queixas sobre a actuação das instituições foram  reportadas ao Banco de Portugal (BdP), em 2008. Cerca de metade originaram investigações. Disfarçados de clientes, inspectores foram aos bancos,  realizando mais de 300 inspecções a 94 instituições de crédito. A banca foi obrigada a alterar campanhas de publicidade de empréstimos ao consumo. Em 2008, o Banco de Portugal “ouviu” 14 300 queixas, mais 63% do que em 2007.

Em 2008, o banco mai visado pelos consumidores foi o Deutsche Bank Portugal, com 224 reclamações por cem mil depósitos. O segundo lugar da tabela foi ocupado pelo Banco Popular, com 57 queixas. Quase metade das 14 300 reclamações registadas relacionaram-se com depósitos, poupanças e empréstimos.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Vitor Constâncio, revelou dados durante uma conferência de imprensa de ontem, em Lisboa, segundo os quais 48% das queixas dos consumidores tinham razão de ser mas foram resolvidas pelos bancos. O banco central adiantou que 52% das queixas não continham “indícios de infracção” cometida pelas instituições visadas.

Cerca de 23% das reclamações relacionaram-se com depósitos e produtos de poupança. Os empréstimos ao consumo geraram 23% das queixas, o dobro do verificado em 2007. As questões com cheques e cartões de crédito e de débito ocuparam, respectivamente, 10% e 6% dos protestos.

O banco central adoptou uma atitude pró-activa na defesa dos clientes bancários. Sob anonimato, inspectores do BdP efectuaram 49 operações, em 25 bancos, disfarçados de clientes. Lúcia Leitão, directora da Supervisão comportamental do Banco de Portugal, informou que, no total, “foram efectuadas 303 inspecções” a 94 instituições de crédito.

Como resultado, em 2008, foram instaurados 11 processos de contra-ordenação e 214 recomendações – 138 das quais relativas à transparência na informação aos clientes.

Em 76 casos, o Banco de Portugal chamou à atenção dos bancos para o “cumprimento de normas legais e regulamentares”. Foi nos empréstimos à habitação e sobre publicidade que incidiu a maioria das recomendações emitidas pelo banco central no período em análise.

No tocante às campanhas publicitárias, onde os bancos comerciais tentam levar os clientes ao engodo financeiro, entre Janeiro de 2008 e Março de 2009, a supervisão comportamental do Banco de Portugal analisou 1440 campanhas. Os técnicos suspenderam oito campanhas publicitárias e impuseram 101 alterações. Mais de metade das campanhas alteradas pelo banco cental (57%) estavam relacionadas com crédito ao consumo.

MRA Alliance/DN/pvc

Leave a Reply