Banco de Portugal agrava previsão de recessão

No Boletim de Primavera do Banco de Portugal, a instituição liderada por Carlos Costa prevê que o PIB nacional recue 1,4% este ano (menos uma décima que a previsão de Inverno) e cresça 0,3% no próximo (menos três décimas). Mas o único que acompanha a revisão do PIB é o consumo público, que deverá cair 6,6%, face à quebra de 4,6% apontada no boletim anterior.

De resto, todas as outras componentes são revistas em alta, num movimento que o BdP justifica com a incorporação da “informação relativa ao quarto trimestre de 2010”, que aparentemente correu melhor do que o Banco esperava. Assim, as exportações são revistas em alta para 6%; o consumo privado para uma quebra de 1,9% – a anterior projecção era de uma quebra de 2,7% -; e o investimento para -5,6% – face aos anteriores -6,8%.

Já para 2012, a previsão é de um crescimento de 0,3% do PIB, mas o supervisor admite que tal valor não deverá verificar-se, dando lugar a uma recessão. É que, frisa o Boletim, serão necessárias “medidas de consolidação orçamental adicionais”, o que deverá traduzir-se numa “redução significativa da taxa de crescimento da actividade relevante aos valores apresentados nas projecções agora publicadas, em especial para 2012”.

Como habitual, o BdP não avança previsões para a taxa de desemprego, mas estima que o emprego na economia nacional vai recuar 0,9% este ano e 0,3% em 2012. A concretizar-se, Portugal terá quatro anos consecutivos a destruir postos de trabalho, já que no ano passado o emprego caiu 1,5%. O BdP frisa que a redução de postos de trabalho será “comum aos sectores privado e público”, mas “mais pronunciada neste último”.

MRA Alliance/DE

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