Banco Central Europeu já não tem hipóteses para subir juros

Trichet gostaria que o Euro se desvalorizasse um pouco…“Para quê subir taxas de juro quando o euro e a crise financeira já cumprem o papel de travão à actividade económica europeia impedindo, por exemplo, que os vários países entrem numa espiral inflacionista? Estas são dúvidas levantadas por um número cada vez maior de economistas que defendem que o Banco Central Europeu (BCE) tem pouca margem de manobra para subir taxas de juro este ano, para combater uma inflação que teima em não baixar, pressionada pela alta do petróleo. Já na reunião da próxima quinta-feira, o BCE deverá manter a taxa principal nos 4% e continuar o discurso orientado para futuras subidas, acreditam os analistas. (…) Tu Packard, economista da Moody’s Economy.com, defende que os bancos centrais devem reavaliar as suas estratégias para lidarem com esta nova era de preços elevados nas matérias primas (petróleo, cereais, etc.), sublinhando que a política monetária tradicional pode ser apropriada para domar pressões de preços internas, mas pouco eficaz para contrariar as forças da globalização, como hoje acontece. (…) As últimas informações de Bruxelas mostram que as condições monetárias da zona euro são hoje as mais restritivas dos últimos nove anos. (…) Espera-se que o banco central norte-americano desça taxas no próximo dia 30, sendo que alguns analistas apostam mesmo numa descida de meio ponto percentual, para 3,75%, para tentar neutralizar o risco elevado de recessão. Na Europa, a maioria perspectiva que os juros fiquem inalterados ao longo deste ano nos 4%. Quando mais baixa a taxa nos EUA, mais atractivos ficam os investimentos denominados em euros, o que (…) penaliza as grandes economias, como a Alemanha e ameaça seriamente a retoma frágil de Portugal.”

Excertos de um artigo de opinião de Luís Reis Ribeiro, Diário Económico, 08/01/2008.

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