“Artic Sea” transporta carga “muito cara e perigosa”, diz especialista russo

O misterioso desaparecimento do navio “Artic Sea”, propriedade de um armador finlandês e com tripulação russa, em finais de Julho, conheceu novos e surpreendentes desenvolvimentos nas últimas horas. 

Com paradeiro desconhecido há duas semanas, as buscas para encontrar o cargueiro intensificaram-se desde quarta-feira. O presidente russo, Dmitri Medvedev, determinou que fossem tomadas “todas as medidas necessárias” para encontrar e libertar o navio e a tripulação, caso tenham sido alvo de um acto de pirataria. A embarcação terá sido abordada no dia 24 de Julho, no Mar Báltico, por 12 homens mascarados, que alegadamente se fizeram passar por funcionários do departamento sueco de combate ao tráfico de droga, segundo diversos relatos da imprensa sueca com base em comunicações rádio efectuadas pela tripulação. 

O tom usado por Medvedev e a afectação de sofisticados meios de busca no Oceano Atlântico, incluindo meios de detecção da NATO e dois submarinos nucleares russos, suscitaram desconfianças em círculos marítimos russos e adensaram a especulação nos media internacionais sobre a legalidade da carga.

Hoje, Mikko Paatero, chefe da polícia finlandesa, informou ter recebido um pedido de resgate pela embarcação com pavilhão maltês, mas não forneceu detalhes. O barco zarpou de um porto finlandês a 23 de Julho rumo a Argélia, onde era esperado a 4 de Agosto. Com tripulação russa, o barco transporta 6 700 metros cúbicos de madeira no valor de 1,16 milhões de euros, segundo informações do armador. 

A embarcação poderá estar a navegar ao largo de Cabo Verde, de acordo com declarações da guarda costeira caboverdiana à agência France Press. Todavia, Alexander Karpushin, embaixador russo acreditado na Praia, após contactos oficiais com as autoridades civis e militares da ex-colónia portuguesa, negou tal hipótese, em declarações à agência noticiosa russa RIA.

Em contrapartida, Mikhail Voitenko, editor do boletim marítimo russo Sovfracht, em declarações ao canal televisivo Russia Today admitiu a possibilidade de, a bordo, estar algo “mais caro e perigoso” do que madeira. 

“Neste momento – adiantou – a única resposta sensata é a de que o navio foi carregado secretamente com algo que nós desconhecemos por completo. (…) Não deveremos esquecer que, antes de efectuar a carga na Finlândia, o barco esteve duas semanas acostado num estaleiro em Kalilinegrado. (…) Estou certo de que não podem ser drogas ou outro tipo de carga criminosa. Penso que é algo muito mais caro e perigoso. (…) Pelos vistos, alguém não quer que esta carga chegue ao seu destino e, por isso, transformou esta operação em algo altamente sofisticado e muito complicado”, disse Voitenko.

Por outro lado, Mark Clark, quadro da autoridade costeira do Reino Unido (MCA, em inglês), manifestou-se estupefacto com as circunstâncias em que o “Artic Sea” passou ao largo de Dover, no Canal da Mancha, sem ser detectado:

“É estranhíssimo. Não há um único guarda costeiro que eu conheça que se lembre de que algo semelhante tenha acontecido. Quem poderia pensar que um navio sequestrado possa ter passado incólume por uma das águas mais fortemente policiadas do mundo?”, observou Clark.  

MRA Alliance/Agências

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