Argentina: Governo prepara-se para nacionalizar exportações agrícolas

O sector agropecuário da Argentina teme uma possível estatização das exportações do país, que pode ser anunciada pelo governo já amanhã. A medida obrigaria os agricultores a venderem os produtos ao Estado, que depois decidiria a respectiva venda nos mercados internacionais.

Desta forma, a presidente Cristina Kirchner quer combater a queda da receita das exportações que presentemente está a afectar a balança comercial do país.

Com a baixa dos preços das principais commodities agrícolas devido à crise internacional, muitos agricultores argentinos preferem armazenar produtos em vez de os exportarem, especulando com a possível subida das cotações.

No entanto, o diário argentino Clarín, na edição electrónica de hoje, diz que o governo vai optar por uma medida intermédia – a criação de uma nova entidade para gerir as exportações agrícolas – em lugar de optar pela nacionalização do comércio externo agrícola. O jornal refere que Kirchner poderá fazer amanhã o anúncio no Parlamento. 

“O país está à beira de outro conflito sem precedentes”, alertou o sector agrícola numa carta aberta publicada hoje nos principais jornais argentinos.

O texto é assinado pela entidade patronal do comércio agrícola, por seis bolsas de comércio e de cereais e por associações industriais ligadas à agricultura.

Os signatários afirmam que a medida poderá provocar a queda da produção agrícola e prejudicar a imagem externa da Argentina devido à intromissão do governo nos mecanismos do mercado.

O governo acusa os produtores de terem retido nove milhões de toneladas de soja e de prejudicarem as receitas do país em cerca de USD 3 mil milhões/bilhões.

A estratégia dos exportadores argentinos está a provocar a subida do dólar e reduziu significativamente as receitas fiscais do estado latino-americano.

MRA Alliance/Agências

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