Alemanha: Jovens turco-alemães qualificados sentem-se discriminados e querem emigrar

“Turcos Rua” - Inscrição numa máquina de venda automática na AlemanhaProfissionais qualificados de origem turca a emigrar da Alemanha porque empresas alemãs lhes negam oportunidades. Outros países, especialmente a Turquia, disputam os seus talentos. Especialistas alertam para as consequências desastrosas desta fuga de cérebros para a economia alemã. Muitos dos melhores e mais brilhantes entre a comunidade turca do país, que tem cerca de 2,7 milhões de pessoas, estão a virar as costas à Alemanha porque se sentem rejeitados no país ou encontraram melhores oportunidades no estrangeiro. A migração é “um barómetro que mostra se a Alemanha é boa para os negócios”, diz Armin Laschet, membro do partido conservador União Democrática Cristã (CDU) e ministro da Integração no Estado renano da Vestefália do Norte. “Países atractivos têm imigrantes, enquanto os menos atractivos têm emigrantes.” A Futureorg, uma organização com sede no Estado, em Krefeld, entrevistou recentemente 250 profissionais turcos e turcos-alemães, dos quais cerca de três quartos haviam nascido na Alemanha. Cerca de 38% planeiam emigrar para a Turquia. Entre os que querem emigrar, 42% disseram que a principal razão é porque não se sentem “em casa” na Alemanha. Quase 80% dos entrevistados questionam a “política de integração” dos trabalhadores estrangeiros ou dos alemães filhos de estrangeiros. Surpreendente ou não, o estudo revela que a maioria dos turco-alemães com diplomas universitários vêem-se como estrangeiros no próprio país onde nasceram. Quando descobrem que os profissionais bilíngues, com formação universitária, são recrutados com facilidade na Turquia, e noutros países, têm poucas razões para continuarem na Alemanha. O ministro Laschet classifica a fuga de cérebros uma “catástrofe”. “A comunidade turca na Alemanha”, diz o político alemão, “também precisa da sua elite e modelos de comportamento próprios”. Além da Turquia, os destinos escolhidos pelos emigrantes incluem o Golfo Pérsico e os países de língua inglesa. “Os britânicos são mais tolerantes”, segundo um consultor turco-alemão de Mannheim, no sudoeste do país. Um supervisor numa grande empresa alemã um dia disse-lhe: “Você pode ter três passaportes alemães, mas no que me diz respeito, você sempre será um turco”. Há uma experiência que todos os universitários turco-alemães formados dizem ter em comum pois todos ouviram conselhos, mais ou menos ríspidos do tipo “Voltem para o lugar de onde vieram”. MRA/Der Spiegel

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